Mostrar mensagens com a etiqueta mística. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mística. Mostrar todas as mensagens

sábado, 2 de outubro de 2010

Rabi'a al-Adawaiyya


O Islão tem com Rabi'a al-Adawaiyya, uma mística de Baçorá, antiga Basra, o equivalente exacto de Teresa d'Ávila. Esta mulher surpreendente, de uma beleza física reconhecida, viveu uma ascese exemplar, a ponto de ter sido considerada um exemplo maior na maior parte das ordens do seu tempo e de se ter afirmado como benfeitora da sua cidade. Poetisa, desprezava os bens materiais e não vivia senão em nome da sua vontade inabalável de querer unir-se a Deus ou de querer estar na sua companhia (uns). Pela sua sinceridade, a sua força pela paixão mística (mahabba) conquistou um lugar na História. Assinala-se, sobretudo, a forte tónica mística dos seus poemas que celebravam a entrega de si, a privação e o isolamento. Sendo o Oriente sensível aos prodígios, diz-se que o seu brilho espiritual era tão poderoso que minorava a ausência das velas Ainda actualmente, no Cairo e noutras cidades muçulmanas, o culto de Rabi'a al-Adawuiyya continua vivo. Permanece como um símbolo solitário e uma representação delicada da emoção mística.

Malek Chebel, O Islão Explicado, 2010, Europa-América, Mem Martins, pp.110-111

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

"[...] ser místico de todas as religiões e filósofo de todas as filosofias"

[…] Não há hoje no mundo nenhuma crise real de ciência ou de técnica, de política ou de moral, de pedagogia ou de arte. Tudo vem como aspecto ou como projecção de uma crise de pensamento filosófico: a multidão de fenómenos, materiais e espirituais, excedeu as disponibilidades do homem pensante, habituado a sistemas do real, quanto agora se lhe abrem as exigências de concatenar, num todo único e vivido, o real e o possível; habituado a ser apenas filósofo ou apenas místico quando tem que se virar agora a ser simultaneamente místico e filósofo, com a agravante de que, se era místico de uma só religião ou filósofo de uma só filosofia, tem hoje de encarar o ser místico de todas as religiões e filósofo de todas as filosofias"

- Agostinho da Silva, “Vicente: filosofia e vida” [1972], in Textos e Ensaios Filosóficos II, p. 279 [texto sobre o seu amigo e filósofo brasileiro Vicente Ferreira da Silva].

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

"[...] deixa tudo o que pertence ao sensível e ao inteligível e todas as coisas que não são e as que são [...]"

“[…] dedica-te à contínua exercitação nas maravilhas místicas e renuncia às percepções sensoriais e às actividades intelectivas, deixa tudo o que pertence ao sensível e ao inteligível e todas as coisas que não são e as que são; despojado de conhecimento, avança, na medida do possível, até à união com aquele que está acima de toda a substância e de todo o conhecer. No distanciamento irresistível e absoluto de ti mesmo e de tudo, uma vez arredado e liberto de todas as coisas, elevar-te-ás em plena pureza até ao brilho, que é mais que substancial, da obscuridade divina”

- Pseudo-Dionísio Areopagita, Teologia Mística (ed. bilingue), versão do grego e estudo complementar de Mário Santiago de Carvalho, Mediaevalia, 10 (Porto, 1996), pp.9-25.

terça-feira, 8 de junho de 2010

A universalidade da experiência mística

"[...] a experiência mística de todos os séculos, de todos os países e de todas as religiões demonstra que o auge do sentimento religioso consiste numa fusão entre objecto do culto e sujeito do culto, num transformar-se o amador na coisa amada, num aparecimento da unidade perfeita onde a dualidade existia. Para um observador de fora, um homem intrinsecamente religioso, em perpétuo êxtase religioso, poderia dar a impressão de não estar prestando nenhum culto a nenhum Deus e, na vida prática, esse homem comportar-se-ia com a alegria, a espontaneidade, o desprendimento do selvagem, sem que também fosse necessário, fatal, o aparecimento de qualquer espécie de rito: esse homem teria reconhecido Deus em si e nos outros e viveria, naturalmente, sem tu e sem eu, de igual para igual, num universo inteiramente divino"

– Agostinho da Silva, A Comédia Latina [1952], in Estudos sobre Cultura Clássica, p.305.