segunda-feira, 2 de julho de 2018

Entrou então na via do não-caminho

Durante muito tempo pensou que a vida era um caminho para algo de maior e de melhor. Até que descobriu que a vida era já e desde sempre a expressão do que há de maior e de melhor. A manifestação da grande perfeição natural de todas as coisas. Nos sons da casa. Nas vozes da rua. No voo da mosca. Nos gritos das gaivotas. Nas mínimas sensações a percorrer o corpo. No íntimo de cada célula. Entrou então na via do não-caminho. E, por não o procurar, não pôde deixar de ser feliz.

- Livro da Não Via

quinta-feira, 7 de junho de 2018

A Poesia de Manuel (D'Angola) de Sousa

1.

“Encantado De Vento Em Pôpa Pela Ilusão Encaixotada De Cantos Fluídicos Espirituais”

Encantam-me os cantos e os desencantos da desilusão
Encaixo-me dentro de caixas e caixotes de cartão pré-reciclados
Desinibo-me de inibições e exibições pouquíssimo ambiciosas
Desarmo-me de armas e munições de pólvora sêca atómica

Disparo balas explosivas e os próprios canhões a reacção
Desloco-me materialmente para locais deslocalizados
E ainda vou de vento em pôpa sem proa ou leme ou velas
Subo ao mastro principal sempre a escorregar por ele a baixo

Seco o fluido rubro das veias e dou-o a beber aos vampiros do alheio
Descontrai-me imenso ver a carteira vazia cada vez mais contraída
Monto a besta quer queira ela ou não e desmonto-a peça por peça
Alego na escrita mural de parede de só fazer recurso a alegorias

Uso parábolas de desígnios feitos em contrafacção por profetas falsos
Entro em contradição e teimosia plenas em função das metáforas
Contradigo o que digo de olhos fechados com os olhos abertos
Faço desmoronar a ideia fixa e movo-me verbalmente por afinidades

Início o inicio de uma frase com paradoxos e findo-a sem lógica alguma
Rompo com o passado das sentenças desprovidas de sentido figurado
Desfiguro-me facialmente através de gestos de irrelevante significado
Fecho a fonte das origens primordiais e desligo a correnteza espirita…

Encerro por momentos o fluxo dos sonhos mal sonhados e reinicio o programa elementar…

Escrito a 5 de Junho de 2018, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em Luanda, Angola, em Homenagem aos Afoitos, Corajosos e Aventureiros da Vida e dos que enfrentam Riscos e outros Perigos com o peito abertamente e com a maior das normalidades e sem que isso pareça constituir algo por aí além…

“Aos que normalmente e de forma muito natural, são heróis das iniciativas da Vida, e que, assim, a ajudam a mudar e a evoluir…”


2.

“Da Verdade E Da Realidade Em Duvida Ao Invisível Azimute Da Irreflexão Ilimitada…”

Já não sei se o diga ou não!
A verdade já não me soa mais ao que devia ser!
Fico agora confuso…
Duvido amiúde disto tudo…
Tenho a própria realidade posta em questão!...

Transplanto a sêde e a fome para outra ocasião…
Busco respostas em tudo o que mexe…
Movimento o ego…
Centralizo-me no umbigo…
Perco o fio à meada e nada sei mais!…

Quiçá vegete tanto e tão pouco!
Navegue sem rumo definido!
Sem destino ou azimute!
Saio tão simplesmente dos limites do tempo…
Sou um nada ou um ninguém e um que nunca fui ou foi!…

Vejo-me espelhado na invisível inflexão interior sem qualquer reflexão exterior…

“Em resiliente e persistente busca de uma Orientação Consciente e da/pela/na Plenitude da Verdade e da/na Realidade…”

Escrito a 4 de Junho de 2018, em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em data dos nascimentos de meu Avo Daniel de Sousa (transitado há alguns anos atrás), nascido em São Martinho do Porto, Portugal, e de meu Filho mais velho, Luis Daniel Silva de Sousa, nascido em Luanda, Angola


3.

“Hipotético Ser Aos Poucos…”

Nada sou e hipotético sou e sei disso!
Patético ando e tresando aos poucos…
Escabeceio no meio de um só seio
Parece que ensurdeço com a falta de barulho
Ou será que enlouqueço antes de tudo?...

Escrito a 4 de Junho de 2018, ao início da madrugada, em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em semelhança ao estilo dos Hakai Japoneses… e em Homenagem ao singelo Homem Divino, que cada um de nos reflecte e representa…~

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

"Estrada da Luz. Obra Poética e Iconográfica de Branca de Gonta Colaço", por João Gomes Esteves, Historiador e Investigador das Faces de Eva, Estudos sobre a Mulher, na Revista Bica, n.º3 Inverno de 2018



    Artigo intitulado "Estrada da Luz. Obra Poética e Iconográfica de Branca de Gonta Colaço", por João Gomes Esteves, Historiador e Investigador das Faces de Eva, Estudos sobre a Mulher, na Revista Bica, n.º3 Inverno de 2018, páginas 156-157. Sobre a obra Estrada da Luz. Obra Poética e Iconográfica de Branca de Gonta Colaço, de Anabela de Campos Salgueiro e Inês da Conceição do Carmo Borges, Editora Palimage, agosto de 2017.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Estrada da Luz. Obra Poética e Iconográfica de Branca de Gonta Colaço, de Anabela de Campos Salgueiro e Inês da Conceição do Carmo Borges. Festival Books & Movies - Alcobaça, 2017.



Livro: Estrada da Luz Obra Poética e Iconográfica  de Branca de  Gonta Colaço.

 Co-autoras: 
© Anabela de Campos Salgueiro (Ana Campos) 
© Inês da Conceição do Carmo Borges.

Capa: Design Gráfico de Ana Campos, Inês Borges e Tiza Gonçalves. Fotografia: © Tiza Gonçalves.

isbn 978-989-703-179-3 

Data da edição: Agosto de 2017.

Abençoada a hora em que Anabela de Campos Salgueiro e Inês da Conceição do Carmo Borges resgataram a poesia e a iconografia de Branca de Gonta Colaço do nevoeiro informacional e as moldaram neste magnífico volume que é Estrada da Luz. In Prefácio. 

Isabel Ponce de Leão Professora Catedrática da FCHS da Universidade Fernando Pessoa e Vice Presidente do Circulo Literário Agustina Bessa-Luís. No Porto, em Maio de 2017.

Poesia de altitude, poesia como criação sempre a renovar-se é a Poesia ímpar de Branca de Gonta Colaço, que Anabela de Campos Salgueiro e Inês da Conceição do Carmo Borges tão bem souberam entregar-nos neste livro. In texto do Centro de Estudos Tomaz Ribeiro.

José Valle de Figueiredo Poeta e Ensaísta. Director do Centro de Estudos Tomaz Ribeiro (C.E.T.R.) – Tondela. Porto, 2017. 

Podemos afirmar que Branca Gonta Colaço foi uma das intelectuais que esteve sempre próxima dos reis portugueses, nomeadamente da rainha D. Amélia (1865-1951), outra alma de sensibilidade artística com quem conviveu e trocou correspondência, mesmo após a implantação da República. A rainha retribui sempre, não só por cerimónia protocolar mas também por enlevo para com a escritora que apreciava.  In Posfácio.

Dr. José Alberto Ribeiro, Director do Palácio Nacional da Ajuda Lisboa, Maio de 2017.

Palimage é uma marca editorial da terra ocre – edições. 
Colecção Raiz do Tempo.

Apresentação da obra no dia 4 de Novembro de 2017, integrado no Festival de Literatura e Cinema Books & Movies - Alcobaça, no Café Tertúlia. A apresentação esteve a cargo do Dr. Jorge Pereira de Sampaio, com o apoio do Município de Alcobaça, dos Amigos das Letras de Alcobaça e da Casa dos Doces Conventuais - Alcobaça (D.ª Graça Salteiro).