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sábado, 16 de janeiro de 2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Teresa Balté: As aves que evoluem não regressam

Não o pombo futurista mas a sombra
no ângulo vazio a folha de hera
e as orquídeas brancas na garganta
a vertigem do grito o labirinto a lâmina

as aves que evoluem não regressam
devoraram o espaço onde existiam
assinalam agora outras galáxias
cicatrizes rosáceas

a asa é o recanto da memória
o vértice onde o corpo não pesou
agora só gorjeio a harpa morna
musgo nos olhos o anjo de granito


Poema Anjo de Teresa Balté

Escultura Eternity de Derrick Ivey

sábado, 2 de janeiro de 2010

Poesia


Mana Bernardes - Poesia - Instalação em grande formato, dezenas de lâminas de cartão com recorte interno e luz ( Brasilia - Brasil)

Fonte e créditos deste post: Ar do Tempo, um blog que aborda diversas formas de arte de forma original.

sábado, 24 de outubro de 2009

Não deixa de ser uma enorme vaidade



Não deixa de ser uma enorme vaidade imaginar que estamos despertos no meio dos que dormem. A nossa vaidade leva-nos a inventar estrelas ardentes que atiramos aos outros, sabendo que entre eles não há um único capaz de segurar uma estrela com a ponta do dedo mindinho. Imaginamos que estamos despertos, mas nenhum de nós tem um sorriso na cara, aquele sorriso mistura de dentes e riso, amor e humildade, dos que enterrados na carne chegaram finalmente à raíz e dela beberam a primeira água-luz perfumada e limpa. Se nem o sorriso temos, muito menos temos asas ou sabemos criar estrelas, nem tratámos de quebrar os ossos, rasgar veias e artérias, dilacerar órgãos e romper a carne e trepar pela raíz acima, desfeitos e nús, em pleno vôo, nem parámos a meio, por compaixão, nem mesmo nos sentámos então de pernas cruzadas a rir, de nós e dos outros. E se mesmo assim, algum de entre nós tivesse passado por tudo isto, teria fingido dormir de novo, com um só olho aberto, à espera dos seus irmãos?


Escultura: Sleeping Muse, de Constantin Brancusi (1876 - 1957), Roménia