sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Teresa Balté: As aves que evoluem não regressam

Não o pombo futurista mas a sombra
no ângulo vazio a folha de hera
e as orquídeas brancas na garganta
a vertigem do grito o labirinto a lâmina

as aves que evoluem não regressam
devoraram o espaço onde existiam
assinalam agora outras galáxias
cicatrizes rosáceas

a asa é o recanto da memória
o vértice onde o corpo não pesou
agora só gorjeio a harpa morna
musgo nos olhos o anjo de granito


Poema Anjo de Teresa Balté

Escultura Eternity de Derrick Ivey

1 comentário:

Isabel disse...

A Eternidade tem a orquídea na garganta e olha para as aves que não regressam. Tem no corpo cicatrizes de uma passagem que sai para fora do tempo, porque a memória não é feita de imobilidade, mas de asas que abrem corredores no musgo com que a Vida cobre o que perdura e une. As asas da Eternidade só podem ser de musgo. Sobre elas se erguerá o templo do Paraíso e no seu bater estará contido o ritmo da Bondade.

Obrigada pelo poem, pela escultura.