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domingo, 10 de março de 2013

"[...] o despertar progressivo da consciência para o Todo do qual formamos parte"



“Porque, acima das subtradições, há uma tradição compartilhada por toda a humanidade: o despertar progressivo da consciência para o Todo do qual formamos parte, quer o compreendamos segundo categorias personalistas, transpessoais ou impessoais”

- Javier Melloni, Hacia un Tiempo de Síntesis, Barcelona, Fragmenta Editorial, 2011, p.56.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Desperta de seres tu

A cada instante é em teu coração que tudo acontece e a cada instante aconteces no coração de tudo. Todo o universo e todas as coisas se contêm em cada ser e fenómeno que em todo o universo e todas as coisas estão contidos. Tudo se entre-contém e interpenetra. Trazemos todos os astros, terra, água, ar, fogo, minerais, plantas, animais e deuses em cada célula e em cada célula de todos eles existimos. Tudo é feito de tudo. Desperta de haver nascimento, vida e morte. Desperta de seres tu.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"... o estado natural do puro despertar"

“Quando os pensamentos passados cessaram e os pensamentos futuros ainda não surgiram, no intervalo, não há aí uma percepção do presente, uma frescura clara, desperta, nua, que jamais mudou, minimamente que fosse? Eis, isso é o estado natural do puro despertar"

- Dudjom Rinpoche, Extraire la Quintessence de la Réalisation, Laugeral, Éditions Padmakara, 2005, p.17.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mística, despertar e sono em Karl Jaspers



“Designamos esta situação fundamental da nossa existência pensante por cisão em sujeito e objecto. Estamos nesta situação sempre que a nossa consciência é vígil. […]

Qual será o significado deste mistério, a todo o instante presente, da cisão em sujeito e objecto? Parece evidente que o ser na sua totalidade não pode ser objecto nem sujeito; terá de ser o “englobante”, que nesta cisão se manifesta.
O ser em absoluto não pode evidentemente ser objecto. Tudo o que para mim é objecto surge-me do englobante e eu próprio, enquanto sujeito, também dele provenho. O objecto é um ser determinado para o eu. O englobante é obscuro para a minha consciência”.

“Pela nossa operação filosófica fundamental desatámos os laços que nos prendem aos objectos como ser presumível e assim entendemos o sentido da mística. Há milénios que os filósofos da China, da Índia e do Ocidente afirmaram algo de idêntico em toda a parte em todas as épocas embora em multiformes modos de comunicação: o homem pode transpor a cisão entre sujeito e objecto alcançando a total união em que desaparecem todos os objectos e se apaga o eu. Nesse transe se abre o ser autêntico e ao despertar para a consciência deixa um rastro do mais profundo e inesgotável significado. Para aquele, porém, que teve a experiência dessa união ela é o autêntico despertar e o acordar para a consciência da cisão sujeito-objecto é, pelo contrário, o sono”

– Karl Jaspers, Iniciação Filosófica, tradução de Manuela Pinto dos Santos, Lisboa, Guimarães Editores, 1998, 9ª edição, pp.34-35 e 38.

sábado, 24 de outubro de 2009

Não deixa de ser uma enorme vaidade



Não deixa de ser uma enorme vaidade imaginar que estamos despertos no meio dos que dormem. A nossa vaidade leva-nos a inventar estrelas ardentes que atiramos aos outros, sabendo que entre eles não há um único capaz de segurar uma estrela com a ponta do dedo mindinho. Imaginamos que estamos despertos, mas nenhum de nós tem um sorriso na cara, aquele sorriso mistura de dentes e riso, amor e humildade, dos que enterrados na carne chegaram finalmente à raíz e dela beberam a primeira água-luz perfumada e limpa. Se nem o sorriso temos, muito menos temos asas ou sabemos criar estrelas, nem tratámos de quebrar os ossos, rasgar veias e artérias, dilacerar órgãos e romper a carne e trepar pela raíz acima, desfeitos e nús, em pleno vôo, nem parámos a meio, por compaixão, nem mesmo nos sentámos então de pernas cruzadas a rir, de nós e dos outros. E se mesmo assim, algum de entre nós tivesse passado por tudo isto, teria fingido dormir de novo, com um só olho aberto, à espera dos seus irmãos?


Escultura: Sleeping Muse, de Constantin Brancusi (1876 - 1957), Roménia