domingo, 25 de outubro de 2009

A todas os navegantes e saudosos do oceano cósmico, que nos é ventre e firmamento




                                            Atlante idade

Fica entre os continentes que jamais conhecerei, quais pulmões
de mim, faca líquida que delimita o aqui e o lá.

Aquém, onde espelha o que não sou, há uma aquátil película
que inunda a superfície de meu fôlego: sou o que não é ainda…

Além, na extensão sem lonjura que me é remo, sou o que em mim é
o que hei-de ser: hei-de ser o que sou já…

É peixe alado o que em mim nada, ou navegue. Ignoro náutico o voo
dos atlantes que não houve: tenho meu leme na lemúria.

Seres sem idade habitam a profundura que não hei. Sem nome e com silêncio,
o ponderar medito dos recifes em que a alma desencalho, a gaguejar. 



2 comentários:

Maria Sarmento disse...

Navegar este Oceano é voltar à primordial idade, ao lugar onde jorra de si mesma uma ardente chama, na luz noval de não ser senão o que de olhos vendados por um lenço azul de seda é, para sempre o lugar onde nascem as águas e onde arde o fogo de uma fonte de água puríssima e antiga.

Entre céu e terra navegamos saudosos de abismo, partindo à descoberta do que nos é para sempre berço e leito: origem e Saudade.

Navegantes do espírito nos saudamos.

Rui Miguel Félix disse...

Saúde!

Este vagar, aquém e além idade, é ar reinspirado, em acorde marítimo, sonoro e vocal.

Belíssimo declamo.

Abraço