Atlante idade
Fica entre os continentes que jamais conhecerei, quais pulmões
de mim, faca líquida que delimita o aqui e o lá.
Aquém, onde espelha o que não sou, há uma aquátil película
que inunda a superfície de meu fôlego: sou o que não é ainda…
Além, na extensão sem lonjura que me é remo, sou o que em mim é
o que hei-de ser: hei-de ser o que sou já…
É peixe alado o que em mim nada, ou navegue. Ignoro náutico o voo
dos atlantes que não houve: tenho meu leme na lemúria.
Seres sem idade habitam a profundura que não hei. Sem nome e com silêncio,
o ponderar medito dos recifes em que a alma desencalho, a gaguejar.