E pergunta-lhes se conservam memória de mim, como penso.
Saúda o Palácio do Xarajibe da parte dum donzel
Que perpetuamente suspira por esse palácio.
Morada de leões e de brancas gazelas
que ora parece um covil, ora um gineceu!
Quantas noites não passei, à sua sombra, divertindo-me
com mulheres de largas ancas e cintura delicada,
brancas e morenas que faziam na minha alma
o efeito de espadas refulgentes e de lanças escuras!
E a noite, deliciosamente passada, junto do açude do rio
Com a donzela cuja pulseira semelhava a curva da corrente…
Ela continuamente me embriagava, ora com o vinho dos seus olhares,
Ora com o da sua taça, ora com o dos seus lábios.
As cordas do seu alaúde, feridas pelo plectro, faziam-me estremecer
Como se ouvisse melodias de espadas nos tendões do colo inimigo.
Ao deixar cair o manto, descobria seu corpo, ramo de salgueiro
Brilhante, como quando do botão surge a flor!
[Poema de al-Mu’tamid dirigido a Ibn Ammar, falando-lhe da bela Silves, em que este último residia, e onde viveram as suas juventudes livres e apaixonadas, como qualquer jovem vive ou sonha viver. Por enquanto, a amizade e o amor que existia entre um e o outro, era um elo difícil de fazer quebrar. Já o tempo, essa invariável linha de nascimento, se encarregou de o destruir, e as suas existências acabaram tão tragicamente como os momentos que as levantaram.]