segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ser o que se é?

"Sê plenamente o que és, meu caro amigo, e torna-te contagioso" - Agostinho da Silva.

É fácil e gratificante citar isto, mas deveríamos desconfiar por isso mesmo, sobretudo quando visamos autojustificar o nosso comportamento habitual.

Afinal o que quer dizer Agostinho? Sabe alguém o que é? O que somos é o que pensamos, dizemos e fazemos? E alguém "é" algo, na verdade, estático, permanente e definitivo?

4 comentários:

M T disse...

talvez: o que se está pensando,dizendo e fazendo, em estreita conjunção e em cada momento (daí o tempo e o verbo)

MeTheOros disse...

Vou-me pseudoantiautojustificar, e não vou ter o meu comportamento não habitual. Para aqui se desabituarem.

Primeiro desabituanço: Não me lembro de ter autorizado o respeitabilissimo A. de S. a tratar-me por tu, ora essa? Isso, só o consinto a Deus e, mesmo a ele, só nos dias em que existe. Ou seja, quando me apetece e é se me apetece.

Mas... é contagioso isto? Não quero! Uso protecção. Contracepção, perdão, contra-ser-o-que-se-é.

Por outro lado, se é fácil, não deve ser bom de se ser o que se é, pois homens (e mulheres) que me são exemplo (para nada, aliás!) sempre tiveram facilidade com as dificuldades.
Tenho, está visto, de aprender e experimentar também.

Mas, afinal, o que quer dizer Agostinho, perdão, o que quer dizer quem quer que seja? E qualquer coisa que seja que diga quem quer que seja ou Agostinho? Sabe alguém o que isso seja?

Ser plenamente o que sou? Hummmm...
Vou mas é pensar em não ser o que não sou, trocar as pernas à mioleira e comer esta na noite de passagem de ano. Para ver se me passa a coisa.

Não quero é "ser" lá isso de "estático, permanente e definitivo". Prefiro ser antitético (só para chatear), impermanente (como fica sempre bem dizer) e provisório, como os cigarritos que já não há, e também como a vida que vale que se farta, mas que ninguém sabe quanto seja nem o que ela seja.

Antes assim como assim: melhor assim!

(Vou para fora: cá dentro!)

paladar da loucura disse...

floresta, montanha, mar, rio, terra, fértil, estéril, vento, chuva, semen, semente,tudo,nada, oco, pleno, vazio, vento, amor, semente de novo - Sê e contagia.

Tiago Veiga disse...

Estimado Paulo,

Que citação bela, que pensamento belo.

Penso que não para justificar comportamentos habituais, mas para justificar a autenticidade de quem faz realmente aquilo em que acredita, aquilo que faz sentido, aquilo que deseja. Mesmo que aquele que é, seja, mesmo não sendo sempre o mesmo. Mesmo que aquilo que somos não seja só o que pensamos, dizemos, fazemos.
Ser, ser isso mesmo, mesmo que o ser mude, e o ser esse ser também mude. Com alguma verdade e mentira, movimento e inacção.

Adorei.