quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Alentejo



                                                     (foto R)

Algures no Além do Rio
depois da areia
a meio do amarelo

abrem-se subitamente
uma porta e uma janela.
Não é verdade que apenas quando uma porta se fecha uma janela se abra,
não é verdade o contrário
ambas as crenças são tijolos inconsistentes da arquitectura da mentira.
Na realidade das coisas do mundo
desde antiga
mente
portas e janelas abem-se
simultaneamente
para o profundo.

3 comentários:

Donis de Frol Guilhade disse...

Algures, somos janelas.
algures, portas.

O êxtase da porta é ser uma janela que tem vista para o mundo e todos os mundos no mundo.

O fado da janela é ser trespassada pela vista como se de uma porta se tratasse: no ver, vem o mundo e todos os mundos ao olhar.

Lâminas do aquém e do além, porta e janela interpenetram-se de sentido: a porta dá entrada ao interior da janela; a janela, fita o exterior da porta.

Na verdade, são ambas película e membrana para o Aberto que (se) nos abre:

"a meio do amarelo",
no depois da areia:
rio do além, algures

Luiza Dunas disse...

O que eu vejo é uma Catedral, Risoleta, por dentro.

Paulo Borges disse...

O mundo abre-se em cada uma das suas cintilações para o profundo. Tudo é o fundo do mundo que o não tem.