segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

"Sou tudo o que foi, é e será"



"Sou tudo o que foi, é e será, e jamais algum mortal levantou o meu véu" [inscrição na estátua de Ísis, em Saïs, no Egipto]
- Plutarco, Ísis e Osíris, 9, 354 c.

"Um deles aí chegou - levantou o véu da deusa de Saïs. Mas que viu ele? Viu maravilha das maravilhas! - ele mesmo"
- Novalis, Os discípulos em Saïs, Paralipómenos, 2, Petits écrits, tradução e introdução por G. Bianquis, Paris, 1947, p.257.

Ísis foi assumida na tradição ocidental como uma figura da Natureza. Quem lhe ergue o véu e se vê a si mesmo transcende a condição mortal? E quem a viola, como a civilização prometeica contemporânea?

1 comentário:

Maria Sarmento disse...

"E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia."

E ao ver isso que nos olha, como não amá-lo?

E amando-o, como não o respeitar?

Na verdade, a Deusa que nos desvela, desvelando-se, é a Mãe que não podemos violar, sob o risco de o fazermos a nós mesmos.

Os mesmos mistérios reinam sobre o Céu e a Terra. Para que a nossa ira, desejo, se não abata sobre eles, o mesmo é dizer sobre nós,cuidemos de cuidar.