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sexta-feira, 22 de abril de 2011

"Natureza e animais no Budismo", 27 Abril, 4ª, 21.15, R. Santa Catarina, 730 - 2º, Porto

Estarei no Porto para uma palestra sobre o tema "NATUREZA E ANIMAIS NO BUDISMO", no dia 27 de Abril, quarta-feira, às 21:15, na sede da Campo Aberto, rua de Santa Catarina, 730-2.º, no Porto (perto já da rua Gonçalo Cristóvão)

Prosseguindo o ciclo "A Natureza nas Religiões e nas Filosofias", esta tertúlia insere-se numa revisão das várias perspectivas filosóficas e religiosas que buscam dar sentido à relação da humanidade com a Natureza.

Entrada livre e gratuita. Convida-se no entanto a uma participação nas despesas, voluntária e fixada pelo próprio, a entregar à entrada na mesa de publicações. Sugere-se a título indicativo 2 euros por pessoa, que serão retribuídos com um exemplar do último número da revista Ar Livre, editada pela Campo Aberto. Os sócios, que receberam já a revista gratuitamente, poderão optar por outras publicações.

Ética cristã e ética cósmica






“O amor pela criatura em geral, pelos animais, plantas, minerais, pela terra e pelas estrelas, não foi de todo desenvolvido na ética cristã. É um problema de ética cósmica e tem de ser ainda formulado”; “A consciência cristã não desenvolveu ainda uma relação moral com os animais e a natureza em geral. A sua atitude para com a natureza foi demasiado a de indiferença espiritual. E todavia o olhar nos olhos de um animal indefeso dá-nos uma experiência moral e metafísica de prodigiosa profundidade” [1].
[1] Nicolas Berdiaev, The Destiny of Man, tradução do russo de Natalie Duddington, New York, Harper & Brothers, 1960, pp.188 e 193.

terça-feira, 15 de março de 2011

O fim de Deus, homem e natureza e um novo início para o pensar



Os grandes pensadores, que não se confundem com muitos dos filósofos a que nos habituou a história da filosofia, são os que pensam radicalmente, ou seja, tendo em conta o sentido do verbo pensar no português medieval e rural, são os que cuidam o solo úbere onde sem fundo se afundam as raízes do existir e aí as nutrem, salvaguardam e regeneram, assegurando o seu vínculo ao que é são, ou seja, pleno e integral. Enquanto outros se afadigam a percorrer os caminhos monótonos e sem surpresas do já pensado, repetindo-o, inventariando-o e/ou expressando-o num agir superficial, os grandes pensadores são os que, numa súbita visão, em poucas palavras condensada, subvertem o mundo quotidiano em que dormimos acordados (cf. Heraclito) e nos expatriam de tudo o que julgamos ser e saber, mostrando a inanidade da cultura a que julgamos pertencer, bem como dos conceitos e palavras com que operamos, quando confrontados com a sua génese abissal.

Assim acontece com Eudoro de Sousa, na sua obra de maturidade e sobretudo em algumas páginas de “… Sempre o mesmo acerca do mesmo”. Eudoro teoriza a singularidade da religião grega como a de se destinar ao ocultamento na mitologia e filosofia que origina, as quais só emergem na luz solar da história e da consciência pela imersão dessa sua matriz nas sombras nocturnas da pré-história e da inconsciência. Ocultando em si isso de que procedem, a poesia mitológica e a filosofia devoram-no ainda, nutrindo-se “do materno corpo de seu próprio ser”. A comum procedência da mitologia e da filosofia revela-se ainda na sua relação, pois a filosofia vai ser “sucessivamente” o que a mitologia é “simultaneamente”: uma teoria da natureza, do homem e de deus, “uma fisiologia, uma antropologia e uma teologia”. Neste sentido, a história da filosofia constitui-se negativamente. “O ser uma coisa só”, a inseparabilidade mítica do natural, do humano e do divino, ou do que como tal designamos na linguagem posterior à sua separação, é sucessivamente negado: “negando-lhe o que continha de humano e de divino, deu fundamento à Natureza; negando-lhe o que continha de natural e divino, deu fundamento ao Homem; negando-lhe o que continha de humano e natural, deu fundamento à teorização de um Deus, separado do Homem e da Natureza (… «fit dolenda secessio»!)”.

(início provisório de uma comunicação sobre Eudoro de Sousa para o Colóquio de 22 e 23 de Março: http://iflb.webnode.com//a22-03-11-coloquio-eudoro-de-sousa/)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

"Sou tudo o que foi, é e será"



"Sou tudo o que foi, é e será, e jamais algum mortal levantou o meu véu" [inscrição na estátua de Ísis, em Saïs, no Egipto]
- Plutarco, Ísis e Osíris, 9, 354 c.

"Um deles aí chegou - levantou o véu da deusa de Saïs. Mas que viu ele? Viu maravilha das maravilhas! - ele mesmo"
- Novalis, Os discípulos em Saïs, Paralipómenos, 2, Petits écrits, tradução e introdução por G. Bianquis, Paris, 1947, p.257.

Ísis foi assumida na tradição ocidental como uma figura da Natureza. Quem lhe ergue o véu e se vê a si mesmo transcende a condição mortal? E quem a viola, como a civilização prometeica contemporânea?