segunda-feira, 28 de junho de 2010

Dois patriotismos

Há dois patriotismos. Um é o dos que colocam as coisas nacionais acima das outras só porque são as "suas", ignorando ou desvalorizando os demais povos, nações, línguas e culturas. É um nacionalismo encoberto, uma "xenofobia politicamente correcta", como disse alguém, e um egocentrismo projectado no colectivo, que estreita a inteligência e o coração e só tem trazido violência e dor ao mundo.

Outro é o patriotismo daqueles que, desejando o melhor para a sua nação, ou seja, o que torne os seus concidadãos pessoas melhores e mais felizes, valorizam nela o que for bom, mas não se demitem de a criticar e tentar purificá-la dos seus erros e vícios. Para esse efeito, interessam-se pelo que houver de melhor em todas as nações, povos e culturas, procurando promovê-lo e adaptá-lo na sua própria nação. Este é o patriotismo universalista que defendo no meu livro Uma Visão Armilar do Mundo e que encontro, em Portugal, esboçado no Padre António Vieira e florescente em Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

Só este faz hoje e sempre sentido. Sobretudo hoje, em que as nações são multiculturais e se procura um novo paradigma para um presente e um futuro de paz e consciência global.

3 comentários:

Flávio Gonçalves disse...

Identifico-me plenamente com este segundo patriotismo.

Estudo Geral disse...

Claro. Um patriotismo que quer o melhor para todos e tudo. No coração de cada um, o coração do Universo.

Abraço,
Luis Santos

Maria Sarmento disse...

Creio que não há dúvidas relativamente à inteligência deste único patriotismo que considera irmãos todos os povos e países do mundo, num espírito de uma cultura saudável: a do desenvolvimento de um sentido de aperfeiçoamento humano e social. Seja do ponto de vista da felicidade individual, seja a de uma felicidade e bem de todos os seres que connosco vivem neste planeta e nesta galáxia.
É tempo deixar de considerar falta de patriotismo a aceitação integral da diferença cultural de outros povos, colocando a nossa nação acima ou no centro da (nossa) visão do mundo.
Uma visão armilar é na realidade, creio, muito mais do que olhar o próprio umbigo e crer-se acima de qualquer outro modelo.
Penso que o único modelo que pode fazer desenvolver a humanidade é uma inteira e verdadeira troca e procura de entender o mundo como um lugar para todos,respeitando a na sua especificidade e criando uma verdadeira fraternidade que represente a esperança de um futuro sem conflitos entre fronteiras e entre os homens.
Parece-me demasiado simples ter que o escrever, quando, de facto, não pode haver outro caminho para a humanidade.
Mas há o ego e os interesses económicos que obstaculizam esse futuro. Queremos ser os melhores, os maiores, os mais puros, os mais pacíficos e até os mais crentes...
Que sociedade tão doente!
Que humanidade tão pouco inteligente!

Um abraço.