sábado, 7 de novembro de 2009

A primeira vez

Às vezes a realidade é um cenário

Vibra com as emanações do íntimo

Até as pedras assumem um semblante

Cheio de sentimento e contrário

À ideia que formamos de que as pedras

Estão petrificadas para sempre

O amor transfigura tudo

Talvez por não ser mais que o nosso estado primitivo

Nada surge separado

É umbilical a distância que une todas as coisas

É abissal a treva de termos nascido

O encontro nada mais é do que abrirmos os olhos

E vermos que sempre estivemos no terreiro da infância

Sempre fomos em unidade e afastamento

Porque o universo está em expansão

Mesmo do lado de dentro

Mesmo que nos consideremos pequenos

Na ínfima majestade que o infinito em nós assume

Por isso uma vida alada se resume

A pouco mais que um momento de contemplação

Lume breve sopro sem de onde

Festiva excedência

2 comentários:

Maria Sarmento disse...

As pedras são como rostos que nos olham desde a abissal treva de "termos nascido". Esse sentimento de que petrificamos o olhar é não sabermos ver o "terreiro da infância" que desde os nossos olhos nos fita e se transmuta em ouro que é esse encontro entre as mãos e os fruto que brotam da antiquíssima árvore...

Um momento de contemplação abrange todas as vidas de todos os tempos. Como se, de súbito e num clarão, todo o mistério do mundo se nos desvendasse no simples milagre de uma pedra movente na branca ria dos olhos: "lume breve". Sopro vindo em todas as direcções.

Este é o rosto vibrante do poema que se faz vibrante encontro, profunda dádiva recebida em celebração. Como "A primeira vez"... "Festiva excedência.

Belo de beleza e bem!

Iolanda Aldrei disse...

Esse nexo umbilical que nos torna terra é o sentimento procurado. Enuncia-lo é o grande acerto de saber ser. Belo o texto. Bela a imagem.