“Não sou inglês por falar inglês. Não passo a ser católico se uso a linguagem católica.
Aviso aos que não concebem que sob o Deus católico possa haver o nada dos budistas”
– Agostinho da Silva, Caderno Três sem Revisão [inédito].
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quinta-feira, 17 de março de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
"Baila a vida em liberdade / Sobre o nada em que me deito"
"Tudo o que faço e não faço
Sem eu o fazer é feito
Baila a vida em liberdade
Sobre o nada em que me deito"
- Agostinho da Silva, Quadras Inéditas
Sem eu o fazer é feito
Baila a vida em liberdade
Sobre o nada em que me deito"
- Agostinho da Silva, Quadras Inéditas
domingo, 4 de abril de 2010
"Estamos emergindo sempre do silêncio primordial e ingênuo que é o paraíso"
"Voltemos, para interpretar a teia lingüística que é o pensamento, ao mito da expulsão do paraíso. Essa expulsão é portanto equivalente a uma expressão, a um grito. Cada palavra é um grito assim, e com cada palavra que pensamos, com cada conceito que formulamos, estamos sendo expulsos do paraíso. A corrente das palavras, a conversação, é o rio que nos arrasta das nossas origens, e pelo indizível que se esconde entre as palavras estamos sempre nas proximidades das nossas origens. Desse indizível, dessas aberturas que a língua conserva para o nada, é que brotam sempre novas palavras, novos pensamentos. Estamos emergindo sempre do silêncio primordial e ingênuo que é o paraíso. Com efeito, essas nossas aberturas para o silêncio ingênuo, essa nossa capacidade para o espanto ante o nada, essa nossa capacidade de gritar o nosso espanto, é sinal da nossa autenticidade. É sinal que ainda estamos na proximidade misteriosa do nada"
- Vilém Flusser, "Pensamento e Reflexão", Da Religiosidade. A literatura e o senso da realidade, São Paulo, Escrituras, 2002, pp.43-44.
Publicado em:
vilem-flusser.blogspot.com
- Vilém Flusser, "Pensamento e Reflexão", Da Religiosidade. A literatura e o senso da realidade, São Paulo, Escrituras, 2002, pp.43-44.
Publicado em:
vilem-flusser.blogspot.com
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Entre II
“No seio do sentido grego de devir desenvolvem-se, pois, tanto a Tradição do Ocidente, como a Civilização de Técnica, tanto a epistéme como a sua destruição. O gigantesco processo em que consiste a nossa civilização e cuja configuração actual domina agora sobre toda a Terra é, portanto, possível graças ao que os gregos pensaram acerca do ser e do nada e da passagem das coisas do ser para o nada e do nada para o ser. E não só: a vontade do remédio e de salvação que atravessa toda a civilização ocidental é uma consequência da convicção de que as coisas oscilam no devir entre o ser e o nada. Nesta oscilação, o devir manifesta-se como a extrema ameaça e leva, portanto, à procura do remédio extremo (e, por fim, à destruição do remédio epistémico). A vontade de encontrar um remédio e uma salvação pertence à essência da vontade de poder. O Remédio contra a ameaça do devir consiste hoje em nos apoderarmos e nos identificarmos através da ciência e da técnica, com fonte do devir.
Chegados a este ponto, fica por discutir aquilo, que nunca foi discutido e que está na base de tudo aquilo a que nos, habitantes do Ocidente, somos e sabemos. Fica por discutir aquilo que foi sempre tido como indiscutível ou acerca do qual apenas foram discutidas as formas aparentes: o sentido grego do devir. É apenas deste modo que o sentido da nossa civilização – a civilização do Remédio – pode ser revelado.”
Emanuele Severino, A Filosofia Contemporânea, edições 70, 1987, p. 270
Chegados a este ponto, fica por discutir aquilo, que nunca foi discutido e que está na base de tudo aquilo a que nos, habitantes do Ocidente, somos e sabemos. Fica por discutir aquilo que foi sempre tido como indiscutível ou acerca do qual apenas foram discutidas as formas aparentes: o sentido grego do devir. É apenas deste modo que o sentido da nossa civilização – a civilização do Remédio – pode ser revelado.”
Emanuele Severino, A Filosofia Contemporânea, edições 70, 1987, p. 270
sábado, 7 de novembro de 2009
A Pintura é um olho cego que continua a ver, que vê o que o cega

Bram Van Velde, Sans titre, 1936/1941
Guache sobre cartão, 125,8 x 75,8 cm
Doação de Samuel Beckett, 1982
Centro Georges Pompidou
(imagem do Google)
Pintar é acercar-se do nada. Pinto a impossibilidade de pintar. [...] o importante é não ser nada[...]. A Pintura é um olho cego que continua a ver, que vê o que o cega [...]. Para ser autêntico é necessário submergir-se, tocar o fundo [...]. Dizer o nada [...]. Não ser nada, simplesmente nada [...]. A arte é um esforço para o impossível, o desconhecido [...]. É necessário tratar de ver onde ver já não é possível ou onde já não há visibilidade [...]. Não assino as minhas telas. Não se pode pôr um nome no que ultrapassa o indivíduo [...]. Para chegar a certo algo, é necessário não ser nada [...]. Importa avançar sem saber nada, inclusive sem saber aonde se vai [...]. Tal é o que me permite fazer visível o invisível [...]. A pintura é o abismar-se, a imersão [...]. Quanto mais se está perdido, mais se é empurrado para a raiz, a profundidade [...]. O que sai de mim é sempre desconhecido. Tal é a razão de viver neste perpétuo assombro [...]. É terrivelmente difícil aproximar-se do nada.
- Charles Juliet, Rencontres avec Bram van Velde, Fata Morgana, 1978.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
"O nosso conhecimento conduziu-nos aqui: a nenhures. E provou uma coisa: nada" - John Brockman
Se a ciência subalterna consiste em saber sem compreender, a intermitente semi-gnose do instante consistiria antes em compreender sem saber, isto é, em adivinhar, pois o instante só é incompreensível em si mesmo para quem, tratando-o como se fosse um intervalo, espera nele apreender uma estrutura. Chamemos, pois, mistério àquilo que não pode ser conhecido, mas que pode, em fragmentos e clarões espasmódicos, ser por vezes compreendido ou, ao menos, surpreendido: compreendido na sua efectividade incognoscível e desconhecido na sua natureza. [...] Compreender é sempre captar o instante, seja ele o fiat da decisão ou o fit da mutação.
Vladimir Jankélévitch,
“Philosophie Prémière”, P.U.F., Paris, pág. 163 e seg.
Vladimir Jankélévitch,
“Philosophie Prémière”, P.U.F., Paris, pág. 163 e seg.
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