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segunda-feira, 14 de março de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
"Baila a vida em liberdade / Sobre o nada em que me deito"
"Tudo o que faço e não faço
Sem eu o fazer é feito
Baila a vida em liberdade
Sobre o nada em que me deito"
- Agostinho da Silva, Quadras Inéditas
Sem eu o fazer é feito
Baila a vida em liberdade
Sobre o nada em que me deito"
- Agostinho da Silva, Quadras Inéditas
sábado, 8 de janeiro de 2011
"Será, por exemplo, mais grave casar-se do que entrar no eléctrico?"

"Acha você que temos de estabelecer distinções entre os momentos graves e os não graves da vida? Será, por exemplo, mais grave casar-se do que entrar no eléctrico? […] Todos os nossos actos podem ser igualmente graves e só porque são actos: tudo é consequência de tudo, nenhum elemento se perde nesta máquina do mundo; tudo o que façamos se reflecte no que vem, é já mesmo o que vem. Como havemos de dizer que tal acção é grave, séria, que outra o não é?"
- Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945], in Textos e Ensaios Filosóficos I, p. 243.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Ver no agir o não-agir e no não-agir a acção
Aquele que sabe ver no agir o não-agir e no não-agir a acção, esse, entre todos os homens possui a vigilância do espírito, esse está unificado em yoga, esse cumpre todos os seus deveres.
Bhagavad Guitá, IV, 18
Bhagavad Guitá, IV, 18
quarta-feira, 9 de junho de 2010
"O português foi o que agiu e na acção se aniquilou"
"Ora, quando o português se interroga acerca de si, há imediatamente uma resposta espontânea e directa. O português foi o que agiu e na acção se aniquilou. Diz-nos o poeta que deixou "a alma pelo mundo em pedaços repartida". O mesmo nos diz a pátria em a História Trágico Marítima e no mito do Encoberto que partiu para não regressar mais. Mas as pátrias têm mais débil ser que os homens que as compõem, sobretudo quando estes são geniais. Camões voltou para nos dar na epopeia o canto de partida e da heróica chegada e, com seus versos, a canção e a elegia do exílio, da dispersão e da saudade. A pátria, porém, não regressou ainda.
As nações que cometem o maior pecado contra o espírito, o de tomar a acção como fim, concebida esta na maior universalidade, aniquilam-se no seu agir. É agindo que o ser se revela na sua primitiva forma vital e social, e, neste sentido, telúrico e humano, "no começo é a acção". Mas é agindo que o ser se nulifica. Não só o podemos ver na vida social, onde o homem da acção constitui e determina em seu agir a zona extrínseca do ser do homem, mas ainda cosmicamente. O ser apenas em acto é o menor ser físico. O ser que, fazendo, não sabe porque nem para que faz, é uma virtualidade espiritual que logo se apaga, é o ser alheio a si próprio"
- José Marinho, "Sobre o valor da acção", in Teoria do Ser e da Verdade I, edição de Jorge Croce Rivera, Lisboa, INCM, 2009, p.349.
As nações que cometem o maior pecado contra o espírito, o de tomar a acção como fim, concebida esta na maior universalidade, aniquilam-se no seu agir. É agindo que o ser se revela na sua primitiva forma vital e social, e, neste sentido, telúrico e humano, "no começo é a acção". Mas é agindo que o ser se nulifica. Não só o podemos ver na vida social, onde o homem da acção constitui e determina em seu agir a zona extrínseca do ser do homem, mas ainda cosmicamente. O ser apenas em acto é o menor ser físico. O ser que, fazendo, não sabe porque nem para que faz, é uma virtualidade espiritual que logo se apaga, é o ser alheio a si próprio"
- José Marinho, "Sobre o valor da acção", in Teoria do Ser e da Verdade I, edição de Jorge Croce Rivera, Lisboa, INCM, 2009, p.349.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Emudecimento e acção

"O meu conceito de um estilo e de uma escrita sóbrios e ao mesmo tempo altamente políticos é o seguinte: conduzir até aquilo que é negado à palavra; somente onde essa esfera do averbal se abrir numa potência indizivelmente pura, poderá a centelha mágica passar da palavra à acção movente, onde a unidade das duas for igualmente efectiva. Somente o intenso direccionamento das palavras para o interior do núcleo do mais íntimo emudecimento alcança o verdadeiro efeito"
- Walter Benjamin, Briefe, I, p.127.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
"A Realidade, desde a mecânica à moral, é uma unidade concreta; quer dizer, a comunicação de muitos" - Leonardo Coimbra
Duplo aspecto da Realidade: ela é contável e descritível, ela é infinita e inominada.
A Realidade é um Irracional criando a razão e a ordem; Irracional porque nenhuma quantidade a pode medir, nenhuma qualidade a pode esgotar. Não quer dizer que a Realidade seja estranha à Razão, mas sim que a Razão cósmica é infinita e activa, isto é, uma sociedade, um conjunto unificado, um sistema de eficazes actividades.
Desde a força mais abstracta, a simples força sem qualificativos, até à força moral, é sempre em cada um a presença dos outros a solicitar a acção.
A primeira, a última, a constante realidade é a acção.
Leonardo Coimbra, “A Alegria, a Dor e a Graça”, Livraria Tavares Martins, Porto, 1956, pág. 196.
A Realidade é um Irracional criando a razão e a ordem; Irracional porque nenhuma quantidade a pode medir, nenhuma qualidade a pode esgotar. Não quer dizer que a Realidade seja estranha à Razão, mas sim que a Razão cósmica é infinita e activa, isto é, uma sociedade, um conjunto unificado, um sistema de eficazes actividades.
Desde a força mais abstracta, a simples força sem qualificativos, até à força moral, é sempre em cada um a presença dos outros a solicitar a acção.
A primeira, a última, a constante realidade é a acção.
Leonardo Coimbra, “A Alegria, a Dor e a Graça”, Livraria Tavares Martins, Porto, 1956, pág. 196.
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