"[...] é o Espírito o traço comum de sujeito e objecto, por onde se estabelece todo o diálogo; é o Espírito a fonte indefinível de onde a vida pode fluir sob quaisquer formas, aquelas que eu conheço e venero ou não, e aquelas de que nem sequer posso ter uma ideia; é o Espírito que anima os que estão comigo e os meus adversários; foi o Espírito quem me trouxe o Cristo e quem a outros trouxe Buda, Maomé e Lao-Tseu; foi o Espírito quem me deu Eckhart e quem me deu a geometria analítica, nele se reconciliam Aristóteles e Platão, nele se acabam as geografias, ou políticas, que separam Ocidente de Oriente"
- Agostinho da Silva, Ecúmena [1964], Textos e Ensaios Filosóficos II, p. 193-194.
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
"O português foi o que agiu e na acção se aniquilou"
"Ora, quando o português se interroga acerca de si, há imediatamente uma resposta espontânea e directa. O português foi o que agiu e na acção se aniquilou. Diz-nos o poeta que deixou "a alma pelo mundo em pedaços repartida". O mesmo nos diz a pátria em a História Trágico Marítima e no mito do Encoberto que partiu para não regressar mais. Mas as pátrias têm mais débil ser que os homens que as compõem, sobretudo quando estes são geniais. Camões voltou para nos dar na epopeia o canto de partida e da heróica chegada e, com seus versos, a canção e a elegia do exílio, da dispersão e da saudade. A pátria, porém, não regressou ainda.
As nações que cometem o maior pecado contra o espírito, o de tomar a acção como fim, concebida esta na maior universalidade, aniquilam-se no seu agir. É agindo que o ser se revela na sua primitiva forma vital e social, e, neste sentido, telúrico e humano, "no começo é a acção". Mas é agindo que o ser se nulifica. Não só o podemos ver na vida social, onde o homem da acção constitui e determina em seu agir a zona extrínseca do ser do homem, mas ainda cosmicamente. O ser apenas em acto é o menor ser físico. O ser que, fazendo, não sabe porque nem para que faz, é uma virtualidade espiritual que logo se apaga, é o ser alheio a si próprio"
- José Marinho, "Sobre o valor da acção", in Teoria do Ser e da Verdade I, edição de Jorge Croce Rivera, Lisboa, INCM, 2009, p.349.
As nações que cometem o maior pecado contra o espírito, o de tomar a acção como fim, concebida esta na maior universalidade, aniquilam-se no seu agir. É agindo que o ser se revela na sua primitiva forma vital e social, e, neste sentido, telúrico e humano, "no começo é a acção". Mas é agindo que o ser se nulifica. Não só o podemos ver na vida social, onde o homem da acção constitui e determina em seu agir a zona extrínseca do ser do homem, mas ainda cosmicamente. O ser apenas em acto é o menor ser físico. O ser que, fazendo, não sabe porque nem para que faz, é uma virtualidade espiritual que logo se apaga, é o ser alheio a si próprio"
- José Marinho, "Sobre o valor da acção", in Teoria do Ser e da Verdade I, edição de Jorge Croce Rivera, Lisboa, INCM, 2009, p.349.
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