Na parede do mundo abre-se a janela:
Somos paisagem.
O olhar cruzou fronteiras de vidro:
Somos estrangeiros.
A alma navega em barcos de luz:
Somos naufrágio.
Pássaros flutuam na manhã cobalto:
Somos cantiga.
Surge a lua nova em nossa lucidez:
Somos transparência.
Na parede do mundo fecha-se a janela:
Somos viagem.
Paulo Bomfim, Revista diálogo Nr. 2, São Paulo, Dezembro 1955, p.33