quarta-feira, 13 de março de 2013

O "pós-modernismo de oposição" de Boaventura de Sousa Santos

“Esta caracterização, necessariamente incompleta, permite identificar as principais diferenças em relação à concepção de pós-modernismo de oposição que tenho vindo a defender. Em vez da renúncia a projectos colectivos, proponho a pluralidade de projectos colectivos articulados de modo não hierárquico por procedimentos de tradução que se substituem à formulação de uma teoria geral de transformação social. Em vez da celebração do fim da utopia, proponho utopias realistas, plurais e críticas. Em vez da renúncia à emancipação social, proponho a sua reinvenção. Em vez da melancolia, proponho o optimismo trágico. Em vez do relativismo, proponho a pluralidade e a construção de uma ética a partir de baixo. Em vez da desconstrução, proponho uma teoria crítica pós-moderna, profundamente auto-reflexiva mas imune à obsessão de desconstruir a própria resistência que ela funda. Em vez do fim da política, proponho a criação de subjectividades transgressivas pela promoção da passagem da acção conformista à acção rebelde. Em vez do sincretismo acrítico, proponho a mestiçagem ou a hibridação com a consciência das relações de poder que nela intervêm, ou seja, com a investigação de quem híbrida quem, o quê, em que contextos e com que objectivos”

- Boaventura de Sousa Santos, A Gramática do Tempo. Para uma nova cultura política, Porto, Edições Afrontamento, 2010, 2ª edição, p.27.



1 comentário:

F.W. disse...
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