Tomar banho de sol, só
até ao meio-dia
e ao fim da tarde, uma Avé Maria
Consultar o médico
confiando irremediavelmente em nós
pulsar, de intuição pura
Condicionar o ar e desligar
tomar refresco
até não se constipar
Compor o corpo, marchar
a estudar as leis da Física
e aplicar, um Pai Nosso
Fortalecer o corpo para lutar
pela paz, por ti
como um filho de Ghandi
Rebentar de boa ação, redenção
Redentor de mil e um e-vento
como pôr fim ao sofrimento
Ou ficar toda a semana
debaixo da figueira com Gautama, islâmico
o Encoberto cabalista de sempre
Não há morte para a alma
invisíveis alados por todos os lados
a estudar se atingem bons resultados
Não é mais a criação
dos deuses, do que uma boa ideia
adornada por palavras certas
E, por fim, voltando ao principio
acautelando uma boa briga
para descanso geral da barriga
Também ao mundo não virá mal
se dermos meio a que Portugal, revele
esse infinito espírito santo
Luis Santos
P.S.: Com votos de bons resultados para o Seminário "Aflições" budistas e "pecados" cristãos.
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sábado, 16 de julho de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Entre-Existir Project (ou A ARTE DE VIVER)
Tanto quanto nos parece, somos nascidos no espaço certo, no tempo certo, que por boas razões tantas vezes nos unimos, constituindo uma frente comum única, sobretudo artística, e que logo é também religiosa, cultural e política, com uma potencial extraordinária leveza...
O que de mais interessante poderá advir no entre-existindo é o potenciar do desenvolvimento artístico, do processo criativo, que se ajuste a necessidades particulares em estudos gerais.
Há liberdade e libertação,
há ocupação criativa em vez de trabalhos forçados,
desfrute comunitário no lugar de serviço político fracionário,
construção de um ideal em troca de insegurança individual,
e, em vez, de só televisão a cores, iluminação das vias interiores.
Mas ainda há mais...
E não será que se pode dar "um passo em frente..." ENTRE tanta gente?
Pela arte de viver, em paz, apostando numa evolução sensata, não nos esquecendo nunca da criança que em nós nasceu, como representação simbólica daquilo que nos é mais Sagrado.
luis santos
O que de mais interessante poderá advir no entre-existindo é o potenciar do desenvolvimento artístico, do processo criativo, que se ajuste a necessidades particulares em estudos gerais.
Há liberdade e libertação,
há ocupação criativa em vez de trabalhos forçados,
desfrute comunitário no lugar de serviço político fracionário,
construção de um ideal em troca de insegurança individual,
e, em vez, de só televisão a cores, iluminação das vias interiores.
Mas ainda há mais...
E não será que se pode dar "um passo em frente..." ENTRE tanta gente?
Pela arte de viver, em paz, apostando numa evolução sensata, não nos esquecendo nunca da criança que em nós nasceu, como representação simbólica daquilo que nos é mais Sagrado.
luis santos
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Vida
Temos os olhos postos na Vida
Sempre tivemos os olhos postos na vida e no que a sucede
ENTRE, onde se está.
Por isso, tanto nos interessa a palavra de profetas, santos e sábios
Com muita curiosidade olhamos o Projecto que clama o reino do Paráclito na terra,
ou nos universos que se interligam.
Tudo é sagrado
Homens, animais, plantas, pedras
Tudo É diferente.
Não podemos deixar de querer para cada outro, aquilo que para nós rogamos
Aquele que mente é a si próprio que mente
Aquele que rouba, a si mesmo se rouba
(conselhos para políticos).
Somos desejosos de uma vida cheia de graças e boas aventuranças
Viva a Liberdade,
até de não ser livre.
Amém.
Abril/2011
Luis Santos
Sempre tivemos os olhos postos na vida e no que a sucede
ENTRE, onde se está.
Por isso, tanto nos interessa a palavra de profetas, santos e sábios
Com muita curiosidade olhamos o Projecto que clama o reino do Paráclito na terra,
ou nos universos que se interligam.
Tudo é sagrado
Homens, animais, plantas, pedras
Tudo É diferente.
Não podemos deixar de querer para cada outro, aquilo que para nós rogamos
Aquele que mente é a si próprio que mente
Aquele que rouba, a si mesmo se rouba
(conselhos para políticos).
Somos desejosos de uma vida cheia de graças e boas aventuranças
Viva a Liberdade,
até de não ser livre.
Amém.
Abril/2011
Luis Santos
domingo, 3 de abril de 2011
ENTRE
Boa acção
Revelação:
Canas da Índia, bambú
plantadas aqui, de lá
para lá da linguagem
e das letras
sem tempo, quase sem vida
nem nada.
Um silêncio cheio
um instante que se acendeu
Não faz sentido a ausência
Não vale a pena o cansaço
Março/Abril.2011
Luis Santos
Revelação:
Canas da Índia, bambú
plantadas aqui, de lá
para lá da linguagem
e das letras
sem tempo, quase sem vida
nem nada.
Um silêncio cheio
um instante que se acendeu
Não faz sentido a ausência
Não vale a pena o cansaço
Março/Abril.2011
Luis Santos
domingo, 13 de março de 2011
Carta de Navegação
Em primeiro lugar há que Acreditar
na forma redonda em que se ergue uma onda
no som da espuma quando se espreguiça
no certo respirar do mar
Depois vem a simplicidade do Olhar
paz que se afirma em crença alheia
infinitas maneiras de não ser
olhos nos olhos, doce feitiço de almas gémeas
A seguir, criar o jeito de não iludir
não furtar o que se desajustou
de Alguém que canta quando dança
e ao dançar reconhece o caminho
Logo virá o dom de não dizer mal
maldição no maldizer, triste
de quem jura falso testemunho
cadáver adiado que se anuncia
E ai do que se atreve a matar
porque esse haverá de morrer
sobras do sofrimento em que agiu
queda profunda nos abismos da mente
E se mente e não se redime
não sonha com substancial vacuidade
não conhece a doce ilusão da vida
e tenta explicar mais do que sente
pensa que sabe quando escreve
não ouve o silêncio do coração ao bater
não acerta o passo ao marchar
e, sobretudo, se Deus não o chamar
Então, de pouco lhe valerá a música,
musa única.
Luis Santos
5/3/2011
na forma redonda em que se ergue uma onda
no som da espuma quando se espreguiça
no certo respirar do mar
Depois vem a simplicidade do Olhar
paz que se afirma em crença alheia
infinitas maneiras de não ser
olhos nos olhos, doce feitiço de almas gémeas
A seguir, criar o jeito de não iludir
não furtar o que se desajustou
de Alguém que canta quando dança
e ao dançar reconhece o caminho
Logo virá o dom de não dizer mal
maldição no maldizer, triste
de quem jura falso testemunho
cadáver adiado que se anuncia
E ai do que se atreve a matar
porque esse haverá de morrer
sobras do sofrimento em que agiu
queda profunda nos abismos da mente
E se mente e não se redime
não sonha com substancial vacuidade
não conhece a doce ilusão da vida
e tenta explicar mais do que sente
pensa que sabe quando escreve
não ouve o silêncio do coração ao bater
não acerta o passo ao marchar
e, sobretudo, se Deus não o chamar
Então, de pouco lhe valerá a música,
musa única.
Luis Santos
5/3/2011
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Uni-Verso
Em 1974 foi encontrado na Etiópia parte do esqueleto de uma mulher que representava o hominídeo mais antigo conhecido até então. Esse nosso antepassado comum baptizado com o nome de “Lucy” terá existido há aproximadamente 3,2 milhões de anos e o seu nome, é sabido, deve-se a no momento da descoberta ter passado na rádio uma música dos Beatles, intitulada “Lucy in the Sky with Diamonds”. Mas alucinação é que a revelação não terá sido, porque em investigações arqueológicas posteriores, nessa mesma região, já foi descoberto um esqueleto que fez recuar os vestígios dos nossos mais velhos ancestrais para 4,4 milhões de anos. Aos mais antigo de todos deu-se o nome de “Ardi”. E, afinal, o que serão 4,4 milhões de anos na existência do planeta, do Universo?
Nada impede que daqui a uns anos se descubram outros esqueletos, noutras regiões, que eventualmente, recuem mais ainda o início da aventura dos hominídeos na Terra. Mas hoje, em termos arqueólogicos, faz-se corresponder o berço da humanidade aquela região da África Oriental. Terá sido, dizem, a partir daí que se terá iniciado o povoamento do planeta. Ásia, Europa, Oceania e América, por esta ordem, terão sido a pouco e pouco, lentamente, ocupados por populações humanas.
Em cada uma das mais diferentes regiões desenvolveram-se estratégias de sobrevivência que corresponderam a outras tantas formas de organização social. Entre os inúmeros humanos que se disseminaram pelo planeta, foi-se assistindo a diferentes formas de organização da família, da política, de economia, da religião, naquilo a que a Antropologia designa por diversidade cultural. Por exemplo, em relação à organização da família referem-se vários tipos conhecidos como a monogamia, bigamia, poligamia, poliandria; ou quanto à religião, onde se podem falar de sistemas animistas, monoteístas, politeístas; e por aí fora.
Durante algum tempo, no século XIX, os autores evolucionistas classificaram as sociedades tecnologicamente menos desenvolvidas como povos mais atrasados, mais primitivos, quando comparados com as sociedades ocidentais. Depois a Antropologia concluiu pela falta de sustentação científica dessas ideias que afirmavam a superioridade de “uns” em relação a “outros”. Pensemos, por exemplo, na legitimação que algumas dessas ideias deram ao racismo, nazismo, etc. O que na Antropologia, hoje, corresponde mais à verdade científica é que as diferentes sociedades humanas em vez de avançadas ou primitivas, superiores ou inferiores, são simplesmente diferentes. Uma mesma travessia histórica através dos tempos, diferentes usos e costumes que se desenvolveram, diferentes padrões culturais, diferentes formas de organização social. Tantas formas de explicação da natureza e tantas outras possíveis, infinitas. Sempre a mesma incerteza, ou quase…
Hoje, vivemos tempos em que faz mais sentido a valorização da diversidade cultural, do que a afirmação etnocêntrica de universos singulares. O que nos deverá guiar é mais o estabelecimento de pontes, de diálogo, entre diferentes culturas, pela paz!, do que a afirmação desses modelos etnocêntricos. Será nessa abertura ao outro, nessa escuta do outro, em que assentaremos o nosso Estudo. Será a partir da soma das partes que partiremos para a valorização e construção da Unidade. Nada de falsas manipulações, nada de querermos o outro à nossa imagem. Liberdade até de não ser livre. Com regras, claro, até que uma plena emancipação social se instale, até à chegada de uma consciência plena.
Coisa tão estonteante tem sido esta aventura pelo espaço-tempo. Meu Deus…
Luis Santos
Nada impede que daqui a uns anos se descubram outros esqueletos, noutras regiões, que eventualmente, recuem mais ainda o início da aventura dos hominídeos na Terra. Mas hoje, em termos arqueólogicos, faz-se corresponder o berço da humanidade aquela região da África Oriental. Terá sido, dizem, a partir daí que se terá iniciado o povoamento do planeta. Ásia, Europa, Oceania e América, por esta ordem, terão sido a pouco e pouco, lentamente, ocupados por populações humanas.
Em cada uma das mais diferentes regiões desenvolveram-se estratégias de sobrevivência que corresponderam a outras tantas formas de organização social. Entre os inúmeros humanos que se disseminaram pelo planeta, foi-se assistindo a diferentes formas de organização da família, da política, de economia, da religião, naquilo a que a Antropologia designa por diversidade cultural. Por exemplo, em relação à organização da família referem-se vários tipos conhecidos como a monogamia, bigamia, poligamia, poliandria; ou quanto à religião, onde se podem falar de sistemas animistas, monoteístas, politeístas; e por aí fora.
Durante algum tempo, no século XIX, os autores evolucionistas classificaram as sociedades tecnologicamente menos desenvolvidas como povos mais atrasados, mais primitivos, quando comparados com as sociedades ocidentais. Depois a Antropologia concluiu pela falta de sustentação científica dessas ideias que afirmavam a superioridade de “uns” em relação a “outros”. Pensemos, por exemplo, na legitimação que algumas dessas ideias deram ao racismo, nazismo, etc. O que na Antropologia, hoje, corresponde mais à verdade científica é que as diferentes sociedades humanas em vez de avançadas ou primitivas, superiores ou inferiores, são simplesmente diferentes. Uma mesma travessia histórica através dos tempos, diferentes usos e costumes que se desenvolveram, diferentes padrões culturais, diferentes formas de organização social. Tantas formas de explicação da natureza e tantas outras possíveis, infinitas. Sempre a mesma incerteza, ou quase…
Hoje, vivemos tempos em que faz mais sentido a valorização da diversidade cultural, do que a afirmação etnocêntrica de universos singulares. O que nos deverá guiar é mais o estabelecimento de pontes, de diálogo, entre diferentes culturas, pela paz!, do que a afirmação desses modelos etnocêntricos. Será nessa abertura ao outro, nessa escuta do outro, em que assentaremos o nosso Estudo. Será a partir da soma das partes que partiremos para a valorização e construção da Unidade. Nada de falsas manipulações, nada de querermos o outro à nossa imagem. Liberdade até de não ser livre. Com regras, claro, até que uma plena emancipação social se instale, até à chegada de uma consciência plena.
Coisa tão estonteante tem sido esta aventura pelo espaço-tempo. Meu Deus…
Luis Santos
sábado, 14 de agosto de 2010
O Largo da Graça
Segundo a "Chronica del Rei D. Joam I de boa memória. Terceira parte em que se contam a Tomada de Ceuta" (Lisboa, 1644), escrita por Gomes Eanes de Zurara em 1450, a autorização do rei para a conquista de Ceuta, primeiríssima etapa da expansão ultramarina portuguesa, foi dada aqui em Alhos Vedros, no Palácio da Graça(?), onde D. João I se refugiou durante o período de nojo pelo falecimento de sua mulher, a rainha D. Filipa de Lencastre, que sucumbira perante a terrível peste que terá assolado o país e dizimado uma parte muito significativa da população.
Aqui vieram os príncipes irmãos, Duarte, Pedro, Henrique, João e Fernando, e talvez também a princesa Isabel, a ínclita geração, conversar com Senhor, seu pai, sobre os planos para a tomada de Ceuta. Como é sabido, o infante D. Henrique foi o principal impulsionador dos descobrimentos portugueses.
Tudo terá decorrido, então, ali entre o Largo da Graça e a Quinta da Graça, a meio caminho quando se vai para a Quinta do Império (não confundir com Quinto Império), dizíamos, Largo da Graça onde, eventualmente, terá nascido ainda um nosso respeitado conterrâneo e contemporâneo, o Sr. Mário da Graça, e terá vivido o avô de um nosso companheiro de “Estudo Geral”, extraordinário escritor e pessoa de admirável cultura. Foi ali também que em criança, depois de atravessado o dito Largo de mão dada com a avó Aura, comprávamos o leite extraído directamente da teta da vaca, não sem que a Dona Albertina, a fazendeira, nos oferecesse um copinho do precioso(?) líquido ainda quentinho.
Naturalmente que tudo isto não tem mais que um significado simbólico para o nosso “Estudo”. Foi aqui como podia ser noutro lugar qualquer… Mas não foi. E a verdade é que, à sombra disso o Largo da Graça fez, e continua a fazer, história. Ainda hoje quando pensamos na força que a Língua Portuguesa granjeou nestes últimos séculos e naquilo que ela vai fazendo, esperemos, pelo bem dos mundos, não podemos deixar de achar Graça ao facto da sua expansão ter passado por aqui, lugar onde os nossos avós viveram.
E quando dizemos os nossos avós estamos, evidentemente, a generalizar.
Luís Santos
Aqui vieram os príncipes irmãos, Duarte, Pedro, Henrique, João e Fernando, e talvez também a princesa Isabel, a ínclita geração, conversar com Senhor, seu pai, sobre os planos para a tomada de Ceuta. Como é sabido, o infante D. Henrique foi o principal impulsionador dos descobrimentos portugueses.
Tudo terá decorrido, então, ali entre o Largo da Graça e a Quinta da Graça, a meio caminho quando se vai para a Quinta do Império (não confundir com Quinto Império), dizíamos, Largo da Graça onde, eventualmente, terá nascido ainda um nosso respeitado conterrâneo e contemporâneo, o Sr. Mário da Graça, e terá vivido o avô de um nosso companheiro de “Estudo Geral”, extraordinário escritor e pessoa de admirável cultura. Foi ali também que em criança, depois de atravessado o dito Largo de mão dada com a avó Aura, comprávamos o leite extraído directamente da teta da vaca, não sem que a Dona Albertina, a fazendeira, nos oferecesse um copinho do precioso(?) líquido ainda quentinho.
Naturalmente que tudo isto não tem mais que um significado simbólico para o nosso “Estudo”. Foi aqui como podia ser noutro lugar qualquer… Mas não foi. E a verdade é que, à sombra disso o Largo da Graça fez, e continua a fazer, história. Ainda hoje quando pensamos na força que a Língua Portuguesa granjeou nestes últimos séculos e naquilo que ela vai fazendo, esperemos, pelo bem dos mundos, não podemos deixar de achar Graça ao facto da sua expansão ter passado por aqui, lugar onde os nossos avós viveram.
E quando dizemos os nossos avós estamos, evidentemente, a generalizar.
Luís Santos
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Ensaio Geral
É preciso que nos fundemos na paz.
Pouco há de mais vil do que a ideia de guerra, onde a principal consequência é a do sofrimento e da morte. Onde se sacrificam generalizadamente aqueles que nos são mais queridos, todos.
Devemos eleger como motivo maior o amor.
O que nos permite olhar o outro como a nós próprios, sinal da aceitação plena do milagre da vida, compreensão de que enquanto houver alguém que se perca por desvelo é igualmente uma parte de nós que se vai.
A compaixão pelos pobres, a misericórdia pelos enfermos, a solidariedade nas desavenças, a fraternidade nos infortúnios são atitudes maiores que nos libertam das amarras da vida. Enquanto existir alguém que esteja preso nós estaremos presos também.
Ocuparemos parte das nossas reflexões e acções na necessidade de dignificação do trabalho e da vida. Entregar a maior parte do tempo de vida a um trabalho escravo não nos permite a liberdade necessária para aceder a níveis mais amplos de consciência e a uma melhor compreensão da verdade.
Não há dinheiro que nos salve. Não há lucro que nos sirva. Não há conforto que nos liberte. Só a ideia de sermos Um, corpo total, nada e tudo, nos livrará do ciclo infinito de vidas em sofrimento. A emancipação de todos trará a consciência clara do que deverá ou não ser feito.
Substituiremos as ilusões mentais de todas as construções ideológicas (como esta!) pelo primado da escuta e da conversa em prole do bem comum. Meditaremos nos caminhos ideais que nos guiam a uma suprema calma mental, a uma fina harmonia do corpo, a uma capacidade optimizada de compreensão do (des)necessário próximo passo.
Estaremos realmente vivos.
Luís Santos
P.S.: Este texto resultou de uma con-versa com os amigos Raul Costa e João Martinho justamente no Café Ensaio.
Pouco há de mais vil do que a ideia de guerra, onde a principal consequência é a do sofrimento e da morte. Onde se sacrificam generalizadamente aqueles que nos são mais queridos, todos.
Devemos eleger como motivo maior o amor.
O que nos permite olhar o outro como a nós próprios, sinal da aceitação plena do milagre da vida, compreensão de que enquanto houver alguém que se perca por desvelo é igualmente uma parte de nós que se vai.
A compaixão pelos pobres, a misericórdia pelos enfermos, a solidariedade nas desavenças, a fraternidade nos infortúnios são atitudes maiores que nos libertam das amarras da vida. Enquanto existir alguém que esteja preso nós estaremos presos também.
Ocuparemos parte das nossas reflexões e acções na necessidade de dignificação do trabalho e da vida. Entregar a maior parte do tempo de vida a um trabalho escravo não nos permite a liberdade necessária para aceder a níveis mais amplos de consciência e a uma melhor compreensão da verdade.
Não há dinheiro que nos salve. Não há lucro que nos sirva. Não há conforto que nos liberte. Só a ideia de sermos Um, corpo total, nada e tudo, nos livrará do ciclo infinito de vidas em sofrimento. A emancipação de todos trará a consciência clara do que deverá ou não ser feito.
Substituiremos as ilusões mentais de todas as construções ideológicas (como esta!) pelo primado da escuta e da conversa em prole do bem comum. Meditaremos nos caminhos ideais que nos guiam a uma suprema calma mental, a uma fina harmonia do corpo, a uma capacidade optimizada de compreensão do (des)necessário próximo passo.
Estaremos realmente vivos.
Luís Santos
P.S.: Este texto resultou de uma con-versa com os amigos Raul Costa e João Martinho justamente no Café Ensaio.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Generalidades
Nos últimos anos do século passado, fruto do desenvolvimento das sociedades humanas, preparávamo-nos para melhores níveis de qualidade de vida. O desenvolvimento da ciência e da técnica permitiam-nos sonhar com o controle da explosão demográfica, com a eliminação da pobreza, com uma redução substancial do número de horas de trabalho.
Sobretudo nos países mais desenvolvidos, mas um pouco por todo o mundo, fomos assistindo a um extraordinário incremento da protecção social, desenvolveu-se a saúde, aumentou-se a esperança média de vida, tentou-se eliminar, ou pelo menos, reduzir o trabalho infantil. O grande desenvolvimento das novas tecnologias e, de alguma forma, a substituição do homem pela máquina, indiciavam um mundo mais livre, onde o lazer e a criatividade se oporiam a um mundo de grande dependência face ao processo produtivo.
A ruína dos socialismos a leste, a queda do muro de Berlim e uma consequente maior democratização do mundo, foram vistas associadas a essa vitória das liberdades essenciais. O liberalismo assumiu-se, então, como o sistema político de excelência, tudo justificado pela vitória na "Guerra Fria" dos aliados ocidentais.
Mas, afinal, a grande supremacia acalentada pelas democracias ocidentais era mais frágil do que parecia. A crise económica depressa se fez anunciar. O capitalismo financeiro com facilidade se instalou nos centros de poder e o desenvolvimento social a que fomos assistindo na segunda metade do século XX, depressa começou a ser atacado.
Regressou o fantasma do equilíbrio demográfico, agora revelado, no ocidente, pela diminuição das taxas de natalidade e consequente envelhecimento das populações. O sistema de segurança social é posto em causa. O desemprego atinge percentagens que há muito não se via. Torna-se necessário trabalhar mais, produzir mais, competir mais, exportar mais, porque se destruíram as finanças públicas e, mesmo assim não chega, porque as potências emergentes (China, Brasil…) desenvolvem-se a um ritmo que ameaça a hegemonia ocidental e com facilidade nos ganham nas trocas comerciais, mesmo com a Organização Mundial do Comércio a dificultar-lhes a manobra.
E, nisto tudo, onde ficarão os grandes desequilíbrios ecológicos, as alterações climáticas, o esgotamento de recursos do planeta, a devastação florestal, a poluição dos rios e dos mares, a enorme acumulação de lixos vários, os direitos humanos, os direitos dos animais, a necessidade de uma alimentação saudável, de uma calma mental, de uma filosofia justa e, delírio dos delírios, o merecimento de conquistar a Vida para lá da morte?
O mundo está em rápida mudança, o debate está em aberto. Uma maior consciência cívica é necessária. A participação dos cidadãos é fundamental. O espírito democrático precisa substanciar-se. A organização política precisa de se merecer. Precisamos de saber sentar-nos a uma mesma mesa e aprender a conversar em vez de discutir.
É por isso que esta nossa parte do Estudo Geral(VER AQUI) aposta num espírito plural onde todos caibam. E se aprendemos com profetas e ascetas, com Cristo e Buda, que é o amor altruísta, o amor ao próximo, o que mais interessa, como podíamos nós trocar o geral pelo particular.
Luís Santos
Sobretudo nos países mais desenvolvidos, mas um pouco por todo o mundo, fomos assistindo a um extraordinário incremento da protecção social, desenvolveu-se a saúde, aumentou-se a esperança média de vida, tentou-se eliminar, ou pelo menos, reduzir o trabalho infantil. O grande desenvolvimento das novas tecnologias e, de alguma forma, a substituição do homem pela máquina, indiciavam um mundo mais livre, onde o lazer e a criatividade se oporiam a um mundo de grande dependência face ao processo produtivo.
A ruína dos socialismos a leste, a queda do muro de Berlim e uma consequente maior democratização do mundo, foram vistas associadas a essa vitória das liberdades essenciais. O liberalismo assumiu-se, então, como o sistema político de excelência, tudo justificado pela vitória na "Guerra Fria" dos aliados ocidentais.
Mas, afinal, a grande supremacia acalentada pelas democracias ocidentais era mais frágil do que parecia. A crise económica depressa se fez anunciar. O capitalismo financeiro com facilidade se instalou nos centros de poder e o desenvolvimento social a que fomos assistindo na segunda metade do século XX, depressa começou a ser atacado.
Regressou o fantasma do equilíbrio demográfico, agora revelado, no ocidente, pela diminuição das taxas de natalidade e consequente envelhecimento das populações. O sistema de segurança social é posto em causa. O desemprego atinge percentagens que há muito não se via. Torna-se necessário trabalhar mais, produzir mais, competir mais, exportar mais, porque se destruíram as finanças públicas e, mesmo assim não chega, porque as potências emergentes (China, Brasil…) desenvolvem-se a um ritmo que ameaça a hegemonia ocidental e com facilidade nos ganham nas trocas comerciais, mesmo com a Organização Mundial do Comércio a dificultar-lhes a manobra.
E, nisto tudo, onde ficarão os grandes desequilíbrios ecológicos, as alterações climáticas, o esgotamento de recursos do planeta, a devastação florestal, a poluição dos rios e dos mares, a enorme acumulação de lixos vários, os direitos humanos, os direitos dos animais, a necessidade de uma alimentação saudável, de uma calma mental, de uma filosofia justa e, delírio dos delírios, o merecimento de conquistar a Vida para lá da morte?
O mundo está em rápida mudança, o debate está em aberto. Uma maior consciência cívica é necessária. A participação dos cidadãos é fundamental. O espírito democrático precisa substanciar-se. A organização política precisa de se merecer. Precisamos de saber sentar-nos a uma mesma mesa e aprender a conversar em vez de discutir.
É por isso que esta nossa parte do Estudo Geral(VER AQUI) aposta num espírito plural onde todos caibam. E se aprendemos com profetas e ascetas, com Cristo e Buda, que é o amor altruísta, o amor ao próximo, o que mais interessa, como podíamos nós trocar o geral pelo particular.
Luís Santos
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Do fundo primordial, ou "o nada que é tudo"
Gravar o momento e falar da natureza primordial
da mente inata fundamental da clara luz
do nosso património colectivo, absoluto:
o rosto fixa-se e as energias pulsam
os olhos brilham e iluminando-se tudo iluminam
as células acaloram-se e rejubilam
tudo está integralmente certo a cada instante
todo o ser é naturalmente compassivo
sendo um aparente vácuo tudo está cheio
os amigos que nos envolvem são todos um.
O coração aconchega-se e a mente acalma-se.
Como é bom andar ao Deus dará
no eterno agora
onde tudo o que acontece é perfeito.
Poema feito em final de aula sobre Dzogchen em estado de "consciência clara relativa…", porque poderia acontecer noutro lado, a partir de outras ocorrências que não necessariamente palavras.
da mente inata fundamental da clara luz
do nosso património colectivo, absoluto:
o rosto fixa-se e as energias pulsam
os olhos brilham e iluminando-se tudo iluminam
as células acaloram-se e rejubilam
tudo está integralmente certo a cada instante
todo o ser é naturalmente compassivo
sendo um aparente vácuo tudo está cheio
os amigos que nos envolvem são todos um.
O coração aconchega-se e a mente acalma-se.
Como é bom andar ao Deus dará
no eterno agora
onde tudo o que acontece é perfeito.
Poema feito em final de aula sobre Dzogchen em estado de "consciência clara relativa…", porque poderia acontecer noutro lado, a partir de outras ocorrências que não necessariamente palavras.
terça-feira, 16 de março de 2010
Estudo Geral
Uma outra vez, fomos visitar o Professor Agostinho da Silva a sua casa. Gentilmente recebidos, mandou-nos entrar para a sala de conversas. Uma meia dúzia de cadeiras estavam dispostas em círculo e em cima duma delas, sentado, um livro do cronista do reino, Rui de Pina, intitulado justamente Crónica de D. Dinis.
Já não nos recordamos quantas pessoas estavam presentes, mas a imagem do livrinho que acompanhou todo o encontro, e ali pousado nos olhava, não mais nos abandonou. Acabámos por adquiri-lo assim que surgiu a oportunidade.
É sabido que D. Dinis e, sobretudo, a sua esposa, Rainha Santa Isabel, têm lugar de destaque na abordagem que o Professor faz à história e à cultura portuguesa, desde logo, pela introdução no país do culto popular do Espírito Santo, feito pela princesinha de Aragão.
Mas que mais? Porque seria tão importante o reinado do Lavrador, ou do "plantador das naus a haver", como lhe chamou Fernando Pessoa na sua resumida e iniciática História de Portugal, a singela Mensagem?
Sabemos das suas significativas reformas agrícolas, onde, por exemplo, ganhou evidência a plantação do Pinhal de Leiria. Ganhámos um meio de expressão próprio com a instituição da Língua Portuguesa em substituição do galaico-português. Conseguimos prolongar a existência da Ordem do Templo (Templários), depois destes terem sido cruelmente excomungados, perseguidos e, muitos deles, assassinados, alterando-lhe o nome para Ordem de Cristo, a tal onde se desenvolveu o nobre Projecto da Expansão Ultramarina. E foi também por Ele que ganhou vida a primeira Universidade Portuguesa chamada de Estudo Geral.
Hoje os tempos são outros. Mas a pujança da Língua Portuguesa no mundo, a necessidade de bons estadistas em prole de uma organização social de excelência e a necessidade de uma sublimação espiritual constante, aconselham-nos a perscrutar os ecos da nossa história que muito bom legado nos deixou.
No Rei Poeta reconhecemos um conjunto de inovadoras medidas que nos permitiram avançar no tempo, como se houvesse tempo, construindo uma história digna de valor que, ainda hoje, pode ajudar a conduzir-nos universo fora, irmãos entre irmãos.
Fica, assim, feita justiça aquele enigmático livrinho que sentado nos olhava, como uma outra das inúmeras razões de estarmos aqui.
Bem hajam.
Luís Santos
Estudo Geral (clique aqui)
Já não nos recordamos quantas pessoas estavam presentes, mas a imagem do livrinho que acompanhou todo o encontro, e ali pousado nos olhava, não mais nos abandonou. Acabámos por adquiri-lo assim que surgiu a oportunidade.
É sabido que D. Dinis e, sobretudo, a sua esposa, Rainha Santa Isabel, têm lugar de destaque na abordagem que o Professor faz à história e à cultura portuguesa, desde logo, pela introdução no país do culto popular do Espírito Santo, feito pela princesinha de Aragão.
Mas que mais? Porque seria tão importante o reinado do Lavrador, ou do "plantador das naus a haver", como lhe chamou Fernando Pessoa na sua resumida e iniciática História de Portugal, a singela Mensagem?
Sabemos das suas significativas reformas agrícolas, onde, por exemplo, ganhou evidência a plantação do Pinhal de Leiria. Ganhámos um meio de expressão próprio com a instituição da Língua Portuguesa em substituição do galaico-português. Conseguimos prolongar a existência da Ordem do Templo (Templários), depois destes terem sido cruelmente excomungados, perseguidos e, muitos deles, assassinados, alterando-lhe o nome para Ordem de Cristo, a tal onde se desenvolveu o nobre Projecto da Expansão Ultramarina. E foi também por Ele que ganhou vida a primeira Universidade Portuguesa chamada de Estudo Geral.
Hoje os tempos são outros. Mas a pujança da Língua Portuguesa no mundo, a necessidade de bons estadistas em prole de uma organização social de excelência e a necessidade de uma sublimação espiritual constante, aconselham-nos a perscrutar os ecos da nossa história que muito bom legado nos deixou.
No Rei Poeta reconhecemos um conjunto de inovadoras medidas que nos permitiram avançar no tempo, como se houvesse tempo, construindo uma história digna de valor que, ainda hoje, pode ajudar a conduzir-nos universo fora, irmãos entre irmãos.
Fica, assim, feita justiça aquele enigmático livrinho que sentado nos olhava, como uma outra das inúmeras razões de estarmos aqui.
Bem hajam.
Luís Santos
Estudo Geral (clique aqui)
segunda-feira, 1 de março de 2010
Participando...
Na sequência da apresentação pelo Professor Paulo Borges do Manifesto "Refundar Portugal", na Escola Aberta Agostinho da Silva (Casa Amarela), Alhos Vedros, agendámos por aqui uma conversa para trocarmos ideias sobre o movimento cívico “Outro Portugal”, no primeiro Domingo de Março.
Entretanto, avançámos com a criação de um Blogue/Revista (mais um!), de seu nome “Estudo Geral”, que para lá da sua exposição diária tentará ter uma divulgação mensal... Será um possível espaço de encontro para as nossas criatividades, num espírito que se pretende plural, na política, nas religiões, nas idades, sendo que a "Revista" e a participação na "Revista" serão autónomas de tudo o resto.
Aqui fica o convite para que adiram e participem. Pensamos que a palavra é essa: participação.
Num momento em que o mundo renova os seus equilíbrios, a que o país e a região não passarão incólumes, e grandes transformações sociais (e naturais) vão ocorrendo, podemos fazer alguma coisa mais, por pequena que seja, do que assobiar para o lado.
Chegou o momento de nos chegarmos mais à frente (que é simultaneamente mais atrás), ajudando a uma maior participação nesta muito incerta democracia representativa, promovendo uma cidadania activa, onde a voz dos movimentos cívicos ganhe uma importância acrescida.
Luís Santos
lcrsantos@gmail.com
Entretanto, avançámos com a criação de um Blogue/Revista (mais um!), de seu nome “Estudo Geral”, que para lá da sua exposição diária tentará ter uma divulgação mensal... Será um possível espaço de encontro para as nossas criatividades, num espírito que se pretende plural, na política, nas religiões, nas idades, sendo que a "Revista" e a participação na "Revista" serão autónomas de tudo o resto.
Aqui fica o convite para que adiram e participem. Pensamos que a palavra é essa: participação.
Num momento em que o mundo renova os seus equilíbrios, a que o país e a região não passarão incólumes, e grandes transformações sociais (e naturais) vão ocorrendo, podemos fazer alguma coisa mais, por pequena que seja, do que assobiar para o lado.
Chegou o momento de nos chegarmos mais à frente (que é simultaneamente mais atrás), ajudando a uma maior participação nesta muito incerta democracia representativa, promovendo uma cidadania activa, onde a voz dos movimentos cívicos ganhe uma importância acrescida.
Luís Santos
lcrsantos@gmail.com
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Somos ( ) o que comemos
É muito delicada a questão da alimentação. Provavelmente, o princípio de vida de que mais directamente depende a conduta de vida humana.
A cultura portuguesa, por exemplo, tem raízes que se perdem nos tempos e tudo vai assentando, largamente, num determinado tipo de alimentação. E tal como a cultura portuguesa, toda a civilização ocidental e, por aí fora, embora não se possa generalizar a toda a humanidade.
Transformar um hábito alimentar com séculos e séculos, por exemplo, num regime vegetariano, produz tantas transformações a nível pessoal (físico e mental), familiar, social, cultural, que não vemos como aconselhar uma ruptura súbita com as profundas raízes que carregamos em comum com os nossos conterrâneos.
Nascemos num determinado lugar e a ele estamos ligados por natureza e cultura. E, desta forma, se caracteriza largamente a existência humana no planeta azul.
Mas dizer que as coisas têm sido sempre assim, não significa dizer que, assim, terão de ser eternamente. Existem variadas razões (económicas, ecológicas, éticas, religiosas), como sabemos, que justificam a adopção de um regime alimentar que possa sair fora do tradicional. Desde logo, por questões de saúde como ouvimos alguns especialistas incansavelmente repetirem. Até porque o tradicional é um saco muito grande, onde cabe muita coisa distinta.
Neste sentido, para começar, vemos como desejável um regime alimentar que, pelo menos, tenda a uma redução significativa do consumo de carne animal. Podemos utilizar várias estratégias, como sejam, deixar de comer carne animal ao pequeno almoço e ao lanche, ou consumi-la só uma vez por dia, ou deixar de o fazer um dia por semana...
Quem sabe gostemos da experiência e, assim, tendamos a uma mudança mais radical do que por tradição e inércia temos assumido.
A cultura portuguesa, por exemplo, tem raízes que se perdem nos tempos e tudo vai assentando, largamente, num determinado tipo de alimentação. E tal como a cultura portuguesa, toda a civilização ocidental e, por aí fora, embora não se possa generalizar a toda a humanidade.
Transformar um hábito alimentar com séculos e séculos, por exemplo, num regime vegetariano, produz tantas transformações a nível pessoal (físico e mental), familiar, social, cultural, que não vemos como aconselhar uma ruptura súbita com as profundas raízes que carregamos em comum com os nossos conterrâneos.
Nascemos num determinado lugar e a ele estamos ligados por natureza e cultura. E, desta forma, se caracteriza largamente a existência humana no planeta azul.
Mas dizer que as coisas têm sido sempre assim, não significa dizer que, assim, terão de ser eternamente. Existem variadas razões (económicas, ecológicas, éticas, religiosas), como sabemos, que justificam a adopção de um regime alimentar que possa sair fora do tradicional. Desde logo, por questões de saúde como ouvimos alguns especialistas incansavelmente repetirem. Até porque o tradicional é um saco muito grande, onde cabe muita coisa distinta.
Neste sentido, para começar, vemos como desejável um regime alimentar que, pelo menos, tenda a uma redução significativa do consumo de carne animal. Podemos utilizar várias estratégias, como sejam, deixar de comer carne animal ao pequeno almoço e ao lanche, ou consumi-la só uma vez por dia, ou deixar de o fazer um dia por semana...
Quem sabe gostemos da experiência e, assim, tendamos a uma mudança mais radical do que por tradição e inércia temos assumido.
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