O sufismo é um exemplo interessante. É cada vez mais posto em questão por parte dos ortodoxos. As imagens que os media apresentam sobre o sufismo, como sendo um culto corrupto e decadente que atrai figuras hippy, não ajudam. No século XIX, o sufismo já havia sido alvo de críticas de muçulmanos modernizados que absorviam os conceitos científicos e iluministas do Ocidente. Os líderes árabes com ideias socialistas, como Nasser, também tentaram acabar com ele.
Embora o sufismo, no seu contexto mais puro, tenha origem directamente do Profeta, e algumas das mais importantes figuras muçulmanas tenham tendências sufis, os seus aspectos mais deturpados atraem muitos críticos contemporâneos. A veneração das sepulturas e dos santos e as histórias sobre poderes mágicos contribuíram para o descrédito em que o sufismo parece ter caído agora. Todavia, isto não significa que seja rejeitado na sua totalidade. É uma das faces mais cativantes do islamismo. A sua filosofia do amor universal, da paz universal, sulh-i-kul («a paz esteja com todos»), é uma das mensagens mais poderosas e atraentes que pode dar ao mundo em que vivemos. Além disso, a sua ortodoxia não pode ser posta em questão. A primeira tarefa do sufi é conhecer a fundo a shariah; um sufi tem de ser ortodoxo antes de atingir o estado místico.
Mas o sufismo apresenta-se como uma força pouco credível, especialmente entre a geração mais nova. Deve-se a varias razões. Os wahabis, ortodoxos rigorosos da Arábia Saudita, acreditam que o suismo é pouco mais que uma série de disparates, um desvio do caminho certo. Criticam especialmente o conceito de intermediário entre o homem e Deus. Acham que o poder só tem a ver com Deus e não com os seres humanos. Nem mesmo o santo Profeta tem qualquer estatuto especial para além do facto de ser o último mensageiro de Deus. Alguns sectores extremistas dos wahabis iriam mais longe, dissuadindo os visitantes de irem até ao túmulo do Profeta por ser uma atracção para os idólatras que, por sua vez, passam a venerar mais o túmulo do que Deus.
Akbar S. Ahmed, O Islão, 2002, Bertrand Editora, Lisboa, p.271
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010
O sufismo e a actualidade
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sábado, 2 de outubro de 2010
Rabi'a al-Adawaiyya
O Islão tem com Rabi'a al-Adawaiyya, uma mística de Baçorá, antiga Basra, o equivalente exacto de Teresa d'Ávila. Esta mulher surpreendente, de uma beleza física reconhecida, viveu uma ascese exemplar, a ponto de ter sido considerada um exemplo maior na maior parte das ordens do seu tempo e de se ter afirmado como benfeitora da sua cidade. Poetisa, desprezava os bens materiais e não vivia senão em nome da sua vontade inabalável de querer unir-se a Deus ou de querer estar na sua companhia (uns). Pela sua sinceridade, a sua força pela paixão mística (mahabba) conquistou um lugar na História. Assinala-se, sobretudo, a forte tónica mística dos seus poemas que celebravam a entrega de si, a privação e o isolamento. Sendo o Oriente sensível aos prodígios, diz-se que o seu brilho espiritual era tão poderoso que minorava a ausência das velas Ainda actualmente, no Cairo e noutras cidades muçulmanas, o culto de Rabi'a al-Adawuiyya continua vivo. Permanece como um símbolo solitário e uma representação delicada da emoção mística.
Malek Chebel, O Islão Explicado, 2010, Europa-América, Mem Martins, pp.110-111
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quinta-feira, 18 de março de 2010
Yoga, Sufismo e Alquimia
terça-feira, 24 de novembro de 2009
"A noite é o exterior do dia e o dia o interior da noite" - Ibn Qasî
A noite é o exterior do dia e o dia o interior da noite...
Aquele que vem da escuridão que existe entre as duas auroras ou nas trevas que separam a luz em duas luzes, nesse não acreditará nenhum do seu povo e só um pequeno rebanho da sua gente o achará digno de confiança.
São esses os sinais das negras trevas e as características dos escuros crepúsculos.
Ibn Qasî
domingo, 1 de novembro de 2009
"Tu próprio és o véu sobre a resposta que desejas" - Hazrat Inayat Khan
Porquê, quem és tu?
- Eu sou o grito do espírito faminto?
Porquê, que significas tu?
- Eu sou aquele que bate à porta fechada.
Porquê, que é que tu representas?
- O mocho que não consegue ver à luz do dia.
Porquê, de que te queixas tu?
- Da irritação de espírito.
Porquê, qual é a tua condição de vida?
- Eu estou fechado num quarto escuro.
Porquê, quanto tempo durará o teu cativeiro?
- Toda a duração da noite.
Porquê, que esperas tu com tanta impaciência?
- O nascer do dia.
Porquê, tu próprio és o véu sobre a resposta que desejas.
Hazrat Inayat Khan, “Gayan – Notes de la musique silencieuse”, ed. International Headquarters of the Sufi Movement, Genebra, 1945, pág. 122 e seg.
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