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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Se fazer parte da civilização consiste em desviar mais, roubar e distorcer, então o que é o progresso?

É verdade que o homem branco trouxe uma grande mudança. Mas os diversos frutos da sua civilização, embora altamente coloridos e convidativos, são doentios e mortais. E se fazer parte da civilização consiste em desviar mais, roubar e distorcer, então o que é o progresso?
Eu aventuro-me a dizer que o homem que se sentou no chão do seu abrigo a meditar sobre a vida e o seu significado, que aceitou a sua solidariedade e companheirismo com todas as criaturas e formas de vida e que reconheceu a sua unidade com o universo das coisas, estava a infundir no seu ser a verdadeira essência da civilização. E quando o homem deixou de parte esta forma de desenvolvimento, o crescimento da sua humanização foi retardado.

- Lutero Urso em Pé 
[O Sopro das Vozes Textos de Índios Americanos, Assírio e Alvim, pp.226-227]

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O diagnóstico que Erich Fromm fez, já em 1976, do “fracasso” e do “fim de uma ilusão”

“A Grande Promessa de Progresso Ilimitado – a promessa de domínio da Natureza, de abundância material, de maior felicidade para o maior número de indivíduos, e de liberdade pessoal irrestrita – alimentou a esperança e a fé de inúmeras gerações desde o início da Revolução Industrial”; “A trindade da produção ilimitada, liberdade absoluta e felicidade irrestrita formaram o núcleo de uma nova religião”; “É importante visualizar a imensidão da Grande Promessa, as maravilhosas conquistas materiais e intelectuais da Revolução Industrial para podermos compreender o trauma que a constatação do seu fracasso está a produzir nos dias de hoje. Porque a Revolução Industrial falhou efectivamente no cumprimento da sua Grande Promessa”

- Erich Fromm, Ter ou Ser?, Lisboa, Editorial Presença, 1999, pp.13-14.