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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Só no Infinito o finito encontra a sua verdade


Para o homem religioso, a realidade não se esgota na sua imediatidade empírica: para a sua compreensão adequada, a realidade mesma aparece-lhe como incluindo uma Presença que não se vê em si mesma, mas implicada no que se vê. Mediante certas características - a contingência radical, a morte e o protesto contra ela, a exigência de sentido -, a própria realidade se mostra implicando essa Presença sagrada, divina, como seu fundamento e sentido últimos.
Neste quadro, é decisiva a experiência da contingência radical do mundo, de cada homem e cada mulher, mas, como escreveu R. Panikkar, precisamente assim: contigência deriva do latim  cum-tangere, com o sentido de que "tocamos (tangere) os nossos limites" e o "ilimitado toca-nos (cum-tangere) tangencialmente: só no Infinito o finito encontra a sua verdade.

Anselmo Borges, Religião e Diálogo Inter-religioso, 2010, Imprensa da Universidade de Coimbra, pp.37-38