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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"Em nome do Imam Oculto, que Deus apresse a alegria da sua reaparição"


A Península Ibérica, pelo menos para alguns visionários médio-orientais, foi a Península dos xiitas. É o que consta dum relato visionário persa intitulado Descrição das coisas estranhas e maravilhosas que Ali Ibn Fazele Mazandarani contemplou e viu com os seus olhos na Ilha verde situada no Mar Branco. Trata-se da experiência mística dum jovem ismaelita que aprendeu no Cairo as ciências religiosas com um mestre andaluz. A dado momento partiu com uns viajantes para o Andaluz. Chegado que foi, informaram-no que se encontrava na Península dos xiitas, ao lado do pais dos berberes. A Península era rodeada de quatro grandes praças-fortes providas de torres maciças, uma das quais tocava com o mar. Conduzido à mesquita principal, ouviu o muezzin chamar à oração e descobriu que se tratava duma mesquita xiita porque o apelo dizia Em nome do Imam Oculto, que Deus apresse a alegria da sua reaparição. Depois soube que os seus habitantes não semeavam a terra e que recebiam o seu sustento da Ilha Verde, situada no Mar Branco. No termo de muitas peripécias místicas e profanas, o visionário teve o raríssimo privilégio de ver, num relance, o kadir, duplo do profeta Elias e identificado com o XII Imam que estaria oculto nestas terras. Depois o visionário partiu para a Ilha Verde pertencente aos filhos do XII Imam (Oculto), no Mar Branco servido por barcos dos filhos dos Imames. E a partir daqui perdemos-lhe o rasto.

Isto não bastará para demonstrar que a Península Ibérica tenha sido conhecida no Oriente como a Península dos xiitas. Mas haverá algo de verdade na elucubração do vidente... Tal como se atesta a presença dos macemuda e os zenaga, assim encontramos a dos iitas na freguesia de Fátima: um valão que parte da encosta da aldeia de Fátima escoando para os lados de Ourém, chama-se precisamente ribeiro da Chita, exarado na Carta Topográfica do Exército. A aldeia de Fátima também se teria chamado terra dos xiitas. O nome da aldeia onde nasceram os videntes, contígua de Fátima é Aljustrel (Alzestrel na expressão comum). Este nome provirá do hebraico (ou púnico) ahl ses tr'eli que significa «gente / que invoca / o regresso/de Ali ou Elias». Seria o sítio dum clã de fatimidas ou xiitas; lembremos que estes, ao mencionar o Oculto, acrescentam que Deus apresse a alegria do seu regresso, isto é, invocam o regresso de Ali que é o mesmo que Elias.

Moisés Espírito Santo, Os Mouros Fatimidas e as Aparições de Fátima, Lisboa, Assírio e Alvim, 2006, pp.124-125

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Oração Islâmica

Ó meu Deus! Põe uma luz no meu coração, uma luz no meu túmulo, uma luz no meu ouvido, uma luz na minha vista, uma luz nos meus cabelos, uma luz na minha pele, uma luz na minha carne, uma luz no meu sangue, uma luz nos meus ossos, uma luz à minha frente, uma luz atrás de mim, uma luz debaixo de mim, uma luz por cima de mim, uma luz à minha direita e uma luz à minha esquerda.

Ó meu Deus! Aumenta a minha luz, dá-me luz, faz-me Luz, ó Luz da luz, pela Tua misericórdia, ó Misericordioso!

Oração Islâmica

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

"A voz mais alta é a do burro, diz o Alcorão com perspicácia."

Entre os muçulmanos e não muçulmanos existe ignorância e má interpretação do signifcado do islamismo. Os não muçulmanos, como o ignoram e interpretam mal, receiam-no. Imaginam que é uma ameaça aos seus valores fundamentais. A fantasia, a conjectura e os estereótipos ocupam o lugar dos factos e da realidade. Os muçulmanos também têm as suas ideias erradas. Também eles reagem ao ódio e receio dos não muçulmanos, criando uma espécie de postura defensiva dentro da sua sociedade e gerando um clima combativo baseado num discurso militante de atribuição de responsabilidades a conspirações do exterior.

No meio deste clima quente e de mal-entendidos, as vozes dos homens e das mulheres com vidas simples e ideias de paz e tolerância deixam de ser ouvidas. Continuam lá, mas raramente se ouvem. E isso acontece pois, por natureza, os media não lhes dão hipótese de se manifestarem. Preferem pessoas de vozes mais sonantes e são essas pessoas que parecem fazer parte da sua agenda; são elas que causam as controvérsias e os debates entre muçulmanos e não muçulmanos. Os bons muçulmanos não conseguem escapar ao seu destino. O Alcorão limitou-lhes sempre os movimentos. A voz mais alta é a do burro, diz o Alcorão com perspicácia.

Akbar S. Ahmed, O Islão, 2002, Betrand Editora, Lisboa, p.279