Porque não uma escola de Pensamento Índio, construída segundo padrões índios e orientada por instrutores índios? Porque não uma escola de arte tribal?
Porque razão a América não se há-de conhecer a si mesma? Porque não há-de estar consciente da sua identidade? Em resumo, porque razão a América não deve ser preservada?
Havia ideias e práticas na vida dos meus antepassados que não foram ultrapassadas pela civilização actual. Havia na nossa cultura elementos benéficos e influências que podiam dilatar qualquer vida. O facto de quase toda a opinião pública precisar de ser alertada sobre isto não é motivo de desânimo. Durante muitos séculos o espírito humano laborou sob a ilusão de que o mundo era plano e milhares de homens acreditaram que os céus eram suportados pela força de um Atlas. O espírito humano ainda não está livre do raciocínio falacioso; ainda não se tornou num espírito aberto e os seus recessos mais profundos ainda não foram varridos de erros.
Mas agora chegou o tempo de inverter uma ordem destrutiva, e é bom que outras raças fiquem a saber que a cultura aborígene da América não era desprovida de beleza. E ainda mais, ao negar-se ao índio os seus direitos e heranças ancestrais, a raça branca está a roubar-se a si mesma. Porém, a América pode ser revitalizada e rejuvenescida se reconhecer uma escola do pensamento nativo. O índio pode salvar a América.
Lutero Urso Em Pé, A Escola de Pensamento Índio, in Miguel Castro Henriques (org. e trad.), O Sopro das Vozes Textos de Índios Americanos, Assírio e Alvim, p.233