quarta-feira, 29 de julho de 2015

Libro: Frutales Cultura Y sociedad Un recorrido histórico de la fruticultura universal, y los orígenes de la fruticultura chilena hasta nuestros dias




ÍNDICE GENERAL

Sobre los autores

Introducción

I. FRUTAS Y FRUTALES EN LA HISTORIA UNIVERSAL

1. Las frutas de Dios

Fruticultura en el mundo bíblico

Pablo Lacoste, Verónica Yankelevich, José Antonio Yuri, Amalia Castro y Marcela Aranda

2. La fruta de los Héroes

Frutas y frutales en el mundo homérico

Elbia Difabio

3. Las frutas de los Sabios

Fruticultura en los tratados de agricultura de la Antigüedad

Edmundo Cerrizuela

4. Las frutas del Emperador

Papel de las frutas en la gastronomía romana de época imperial

Amalia Lejavitzer

5. La fruta de los califas

Producción y consumo de frutas en al-Andalus

Expiración García Sánchez

6. La fruta en el arte

Bodegones excepcionales del siglo XVII en Europa

Carolina Pavez

7. La Fruta en la Gastronomia Portuguesa

Del Libro de Cocina de la infanta doña María al Arte de la Cocina de Domingos Rodrigues (s. XVI-XVII)

Inês da Conceição do Carmo Borges

8. FRUTALES CULTURA Y SOCIEDAD

8. Las frutas de la Patagonia

Cultivo de pomáceas en el Alto Valle de Río Negro (Argentina)

Susana Bandieri y Graciela Blanco

9. Frutas y frutales cítricos del litoral arentino:

Una historia regional y su proyeccion territorial en el noroeste entrerriano

Nidia Tadeo y Paula Palacios

II. FRUTALES, SOCIEDAD Y CULTURA EN LA HISTORIA DE CHILE

10. Las frutas del Conquistador

Frutales europeos en el Reino de Chile (siglo XVI)

Juan Guillermo Muñoz

11. El arte de cultivar los frutales

Injertos de pomáceas, carozos, cítricos y nueces en Chile y Cuyo, 1700-1850

Amalia Castro, Pablo Lacoste, José Antonio Yuri, Marcela Aranda, Natalia Soto, Mario Solar y Cristian Chávez

12. Naranjas dulces y almendras amargas

Variedades de cítricos, nueces y otro frutales en Chile y Cuyo, 1700-1850

Amalia Castro, Pablo Lacoste, José Antonio Yuri, Marcela Aranda, Natalia Soto, Mario Solar y Cristian Chávez

13. Frutas y música

Arpas, guitarras y pianos en el mundo de los fruticultores regionales, Chile y Cuyo (1700-1860)

Gonzalo Martínez

14. La Fruta en la pintura colonial de chile. ¿decoración o simbolismo?

Olaya Sanfuentes

15. Fruta y gastronomía chilena

La fruta en los manuales de cocina (1850-1930)

Olaya Sanfuentes y Elisa Silva

16. Fruta y Fiesta

Presencia de la fruta en la vida campesina: el regalo precioso

Amalia Castro et al.

17. Geografía de la fruta en Chile (1936)

Pablo Lacoste, Bibiana Rendón et al.

18. Toponimia y frutales en Chile: una mirada comparativa con Argentina, España y Portugal

Pablo Lacoste, Marcela Aranda, José Antonio Yuri, Amalia Castro, Mario Solar, Natalia Soto, Cristian Chávez

19. La fruta chilena en el mundo

Jalones de un largo camino (1930-2012)

Pablo Lacoste, Amalia Castro, José Antonio Yuri

EPÍLOGO

APÉNDICE I:

Artículos sobre fruticultura publicados por la Sociedad Nacional de Agricultura (1838-1933)

APÉNDICE II:

Producción y exportaciones de fruta chilena por grupos: pomáceas, carozos, cítricos, nueces y

otros: (1975-2012)

APÉNDICE III:

La Asociación de Exportadores de Frutas de Chile (ASOEX) y sus aportes a la fruticultura nacional

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

1.º PRÉMIO EX AEQUO AURÉLIO SOARES CALÇADA DE 2014 - As coordenadoras do catálogo "Pedra & Mistério: comunhão ao serviço da Fé", Mestre Dr.ª Inês da Conceição do Carmo Borges, a Mestre Dr.ª Cristina Maria Sequeira Vouga, a Dr.ª Susete Filipa Lopes Rodrigues e a Mestre Dr.ª Vera Lúcia Almeida de Magalhães, foram premiadas ex aequo com o 1.º Prémio Aurélio Soares Calçada de 2014



1.º PRÉMIO EX AEQUO AURÉLIO SOARES CALÇADA DE 2014

As coordenadoras do catálogo "Pedra & Mistério: comunhão ao serviço da Fé", Mestre Dr.ª Inês da Conceição do Carmo Borges,
a Mestre Dr.ª Cristina Maria Sequeira Vouga, a Dr.ª Susete Filipa Lopes Rodrigues e a Mestre Dr.ª Vera Lúcia Almeida de Magalhães, foram premiadas ex aequo com o 1.º Prémio Aurélio Soares Calçada de 2014, com a obra acima citada. O prémio foi atribuído pela Câmara Municipal de Tondela, pela Junta de Freguesia de Tondela, pela Junta de Freguesia de Campolide (Lisboa), e pela Família de Aurélio Soares Calçada em Lisboa. O prémio foi anunciado no dia 7 de Dezembro de 2014, nas comemorações do Aniversário da Casa do Concelho de Tondela em Lisboa.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Andrew Shapiro - Mintgreen





ADORO ESTA PEÇA. É DE UMA HARMONIA E DE UMA TRANQUILIDADE
SINGULARES. QUÃO INSPIRADORA É EM MÚLTIPLOS MOMENTOS DA NOSSA EXISTÊNCIA
CONTURBADA (por vezes; tantas vezes)!

ASSIM BRINDO, COM TODOS VÓS, À SERENIDADE, QUE NOS HABITE A ALMA, SE POSSÍVEL, PARA SEMPRE!

Saudações amistosas,

Isabel Rosete





sexta-feira, 19 de setembro de 2014

CONFERÊNCIA DE INÊS DA CONCEIÇÃO DO CARMO BORGES EM SANTARÉM - O Comissário Inquisitorial Alexandre Marques do Valle - Um Percurso Biográfico entre Portugal e o Brasil no séc. XVIII.

No dia 20 de Setembro de 2014, às 16 horas, na Casa do Brasil em Santarém será dada a conferência, O Comissário Inquisitorial Alexandre Marques do Valle - Um Percurso Biográfico entre Portugal e o Brasil no séc. XVIII, pela Historiadora de Arte Inês da Conceição do Carmo Borges.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Hino Portugal dos Grandes





Neste 10 de Junho, o hino alternativo que tive o prazer de escrever em 2012, com música do Maestro António Vitorino d'Almeida:

Hino Portugal dos Grandes

Da ocidental praia lusitana
Do finisterra europeu
Da noite do mundo como breu
Da noite da era que morreu
Outro Portugal se ergue
Irmão da Terra e do Céu

Rosto atlântico voltado ao oceano
Abraço armilar ao mundo
Vida Nova te espera
Renascida do azul profundo

Portugal dos Grandes
Coração vasto e fundo
Abraça todos os seres
Cria um Novo Mundo

Tua pátria todo o planeta
Todos os povos teus irmãos
Todas as vidas tua vida
Folhas, patas, asas, mãos

Quebra todas as amarras
Abre o peito, solta a voz
Desperta deste sono
O salvador somos nós

(3x)
Portugal dos Grandes
Coração vasto e fundo
Abraça todos os seres
Cria um Novo Mundo


O hino do Portugal dos Grandes não é um novo hino para Portugal. É um hino para um Novo Portugal, de todos os que se dedicam à solidariedade social, à protecção dos animais, das minorias e dos sectores mais desfavorecidos da população, à defesa das crianças, das mulheres e dos idosos, à luta contra a fome e a pobreza, à busca de alternativas espirituais, culturais, educativas, terapêuticas, económicas, ecológicas, sociais e políticas e que estão a caminhar no mesmo rumo, o de uma nova civilização, mais sã, consciente, ética e justa.

Foi apresentado no 10 de Junho de 2012 num evento público no Coreto do Jardim da Estrela em Lisboa.

Letra: Paulo Borges
Música: Maestro António Victorino d'Almeida
Realização: Edgar Pêra

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Colégio D. António Barroso





*A Amizade intemporal, sempre vivenciada
pelas "meninas" do Colégio D. António Barroso
continua presente nas diferentes gerações!* 



A frase é de uma antiga condiscípula, Carla Câmara, que ontem foi uma das «meninas» do nosso inesquecível colégio a aparecer na Bicaense. E que hoje, no seu mural de facebook tinha este presente feito de instantes, todos unidos no agora de um reencontro de adolescentes avós. Um pequeno filme que recolhe imagens cheias de estórias, dando-lhe o ritmo de um poema visual legendado com uma musica perfeita, e imagens cheias de estórias.

Inês da Conceição do Carmo Borges - A iconografia dos Anjos na Idade Moderna: Intermediários salvificos da Alma no acesso à Cidade Santa de Jerusalém Celeste


Revista Beira Alta,  volume LXXI
É edição e propriedade da Assembleia Distrital de Viseu e tem como director Alberto Correia.
Com capa e contra capa do fotógrafo José Alfredo, este número contém nas suas 176 páginas artigos de A. de Almeida Fernandes, dos Metello de Nápoles,  Jaime Ricardo T. Gouveia, Abel Estefânio, Paulo Neto, Inês da Conceição do Carmo Borges (A iconografia dos Anjos na Idade Moderna: Intermediários salvíficos da Alma no acesso à Cidade Santa de Jerusalém Celeste), António Samuel Farraia e Alberto Correia. Feita na Éden Gráfico, em Viseu, está à venda ao preço de 7,5€

quinta-feira, 20 de março de 2014

JOHN BELL YOUNG plays NIETZSCHE: HYMNUS AN DIE FREUNDSCHAFT

SABIAM QUSABIAM QUE NIETZSCHE, PARA ALÉM DE FILÓSOFO, TAMBÉM FOI COMPOSITOR-MÚSICO?
A FILOSOFIA E A MÚSICA SEMPRE FORAM ARTES AFINS E, ASSIM, O CONTINUAM.
MUITOS SÃO OS FILÓSOFOS, PARA ALÉM DESTE "ANTI-CRISTO", QUE SOBRE ELA ESCREVAM E CONTINUAM A ESCREVER.

- MAS, SOBRE O QUE É OS FILÓSOFOS NÃO ESCREVERAM/ESCREVEM SE O SEU
OBJECTO DE ESTUDO É A TOTALIDADE DO REAL EM TODAS AS SUAS MANIFESTAÇÕES?
Isabel RoseteE NIETZSCHE, PARA ALÉM DE FILÓSOFO, TAMBÉM FOI COMPOSITOR-MÚSICO?

A FILOSOFIA E A MÚSICA SEMPRE FORAM ARTES AFINS E, ASSIM, O CONTINUAM.

MUITOS SÃO OS FILÓSOFOS, PARA ALÉM DESTE "ANTI-CRISTO", QUE SOBRE ELA ESCREVAM E CONTINUAM A ESCREVER.

- MAS, SOBRE O QUE É OS FILÓSOFOS NÃO ESCREVERAM/ESCREVEM SE O SEU
OBJECTO DE ESTUDO É A TOTALIDADE DO REAL EM TODAS AS SUAS MANIFESTAÇÕES?

Isabel Rosete

JOHN BELL YOUNG plays NIETZSCHE: HYMNUS AN DIE FREUNDSCHAFT

SABIAM QUSABIAM QUE NIETZSCHE, PARA ALÉM DE FILÓSOFO, TAMBÉM FOI COMPOSITOR-MÚSICO?
A FILOSOFIA E A MÚSICA SEMPRE FORAM ARTES AFINS E, ASSIM, O CONTINUAM.
MUITOS SÃO OS FILÓSOFOS, PARA ALÉM DESTE "ANTI-CRISTO", QUE SOBRE ELA ESCREVAM E CONTINUAM A ESCREVER.

- MAS, SOBRE O QUE É OS FILÓSOFOS NÃO ESCREVERAM/ESCREVEM SE O SEU
OBJECTO DE ESTUDO É A TOTALIDADE DO REAL EM TODAS AS SUAS MANIFESTAÇÕES?
Isabel RoseteE NIETZSCHE, PARA ALÉM DE FILÓSOFO, TAMBÉM FOI COMPOSITOR-MÚSICO?

A FILOSOFIA E A MÚSICA SEMPRE FORAM ARTES AFINS E, ASSIM, O CONTINUAM.

MUITOS SÃO OS FILÓSOFOS, PARA ALÉM DESTE "ANTI-CRISTO", QUE SOBRE ELA ESCREVAM E CONTINUAM A ESCREVER.

- MAS, SOBRE O QUE É OS FILÓSOFOS NÃO ESCREVERAM/ESCREVEM SE O SEU
OBJECTO DE ESTUDO É A TOTALIDADE DO REAL EM TODAS AS SUAS MANIFESTAÇÕES?

Isabel Rosete

quinta-feira, 13 de março de 2014

Samsara - Film complet





Sugestão cinematográfica: "Samsara"
Sobre o "Amor espiritual": mais um tema filosófico exposto em filme sob a perspectiva da Filosofia/Pensamento Oriental
Isabel Rosete

terça-feira, 12 de novembro de 2013

La justice russe ordonne la saisie des biens de l'opposant Alexeï Navalny


Justiça selectiva - Putin continua a recuperar o pior que havia na URSS:

La justice russe ordonne la saisie des biens de l'opposant Alexeï Navalny

Lançamento do livro de José Raimundo Noras "O Colégio Jesuíta de Santarém (1621-1759) Formas, espaços e Funções". Apresentação da obra pela Doutoranda Inês C. Carmo Borges, dia 15 de Novembro, pelas 18:30H, na Sala de Leitura Bernardo Santareno, em Santarém

O presidente da Câmara Municipal de Santarém, Dr. Ricardo Gonçalves, tem a honra de convidar V.ª Ex.ª para assistir à apresentação do Livro "O Colégio Jesuíta de Santarém (1621-1759) Formas, espaços e Funções", da autoria de José Raimundo Noras. A obra será apresentada pela Doutoranda Inês C. Carmo Borges, dia 15 de Novembro, pelas 18:30H, na Sala de Leitura Bernardo Santareno.
Santarém, 4 de Novembro de 2013.

domingo, 7 de julho de 2013

gosto

gosto do teu abraço
gosto do teu sorriso
gosto quando lês em voz alta
gosto quando falas de história
gosto quando me dás a ler 
gosto quando me levas ao cinema
gosto quando te irritas
gosto quando me dizes não
gosto de ver o tejo contigo
gosto do que não gosto 
gosto da tua impaciência
gosto da tua generosidade
gosto da tua resistência
gosto da tua janela florida
gosto dos teus livros espalhados
gosto da tua musica
gosto da tua mão nos meus ombros
gosto do teu beijo na minha testa
gosto de ti assim
como és

sábado, 6 de julho de 2013

lagartos ao sol

Um grupo de restaurantes vazios decoram a praia urbana. Uma família numerosa de prédios com varandas fechadas e parques de campismos com roulotes instaladas há anos completam o cenário.
As mercearias concorrem derrotadas com os mini-mercados.
Um casal cuja faixa etária parece-se com a minha, pergunta:
- Os bancos estão abertos aos sábados?
Responde o merceeiro
- Só em Paris...
Na Costa da Caparica, há brasileiros e portugueses, velhos e jovens, brancos e pretos, gordos e magros e gordos de novo. Um hamburguer ao modo Mc Donald's custa menos de 2€.
A caminho da praia encontro Rosa com a família. Chapéus de sol, sacos com comida e bebidas tornam a bagagem do fato de banho pesada.
É com esforço que damos um abraço, as nossas mochilas atrapalham. Resignadas sorrimos.
- Como estás? Há tempo tempo! Não envelheces...
- Nem tu!
Ambas sabemos que mentimos. Do meu lado intactas restam as sardas, do lado de Rosa, os mesmos ombros magros contrastam agora com a gordura acumulada nas ancas.
- Mas como estás?
- Desempregada...
- Mas fora isto, está tudo bem?
...
O nosso olhar vagueia. Pede um mergulho. O mar está povoado de banhistas como se fossem peixes - na rede boa presa.

Na areia - lagartos ao sol.

terça-feira, 2 de julho de 2013

vinho

é teu
o sabor que 
me embriaga
encontra amor
meu corpo
no teu

febril

Pedi ao céu que não
e fico nua
Febril em mim, habitas
Antes,
a antiga sorte
da tua ausência.
Agora sem ti
sou tua

domingo, 30 de junho de 2013

E se

Na sala da nossa casa na Leôncio de Magalhães, em São Paulo, as mãos dos meus irmãos abriam-se para receber o pó que nos fazia voar.
- Vamos viajar os três! Basta-nos sentir os pés nas nuvens e cheirar o ar do céu...
De braços abertos percorríamos a sala e o chão deixava de existir. 
- E se, o Tejo fosse a água que separa Niteroi da Guanabara...
E se, era semear em terra fértil.

“– «Eu sou aquele oculto e grande Cabo
A quem chamais vós outros Tormentório,
Que nunca a Ptolomeu, Pompónio, Estrabo,
Plínio e quantos passaram fui notório.
Aqui toda a Africana costa acabo
Neste meu nunca visto Promontório,
Que para o Pólo Antártico se estende,
A quem vossa ousadia tanto ofende. (...)” *


A vida desperta em cada instante, no Cabo das Tormentas a Boa Esperança.
E se, a vida fosse este ar puro, que por vezes inspiro em cada beijo, e nutre o meu desejo de atravessar o cabo para poder respirar?

Em cada uma das nossas mãos, liberdade. Descansávamos nas estrelas e de lá o mundo nos parecia pequeno.
Na dor que nos separava, um lamento pequeno a pedia-nos coragem.

E se a vida fosse
a Boa Esperança
Tormenta que apazigua
Vida

Vamos viajar - os três, de ocidente a oriente. Querida irmã tu serás a princesa e nós os guerreiros que defendem o teu reino. Recolhe as asas na tempestade, abre-as ao sabor do vento.

E se,
Esta é a parte que falta
acende a vida
alimenta a serenidade
vontade que tenho
e não tenho
meus dedos que tocam e fogem
o corpo que se contrai,
pede e recusa
enredo sublime
que reinventa a vida
A quem a minha ousadia tanto ofende

Na Leôncio de Magalhães, éramos três a crescer. Na casa vizinha um cão morria de tristeza pela morte do dono. O comboio no final da rua ditava as meias-horas. A Nair esticava a carapinha nos sábados. Nossa mãe tocava piano. Nosso pai, escrevia.

Na segunda metade de vida, contornámos o cabo.


E se, outra vida houver estaremos nela inteiros.
Com asas, sem medo de voar.


* Canto V - estancia 50 - Lusíadas - Camões

segunda-feira, 27 de maio de 2013

segunda-feira

Hoje é segunda-feira e as velhas contam histórias de quando eram crianças.
Há buracos no asfalto a dar conta da terra que um dia foi fértil. 
Não há andorinhas a cantar no meu quintal. Os galos estão presos, longe da capoeira.
É segunda-feira, sempre à segunda-feira.
Não há um relógio parado a dar conta do tempo sem hora marcada. 
Nasce um pinguim sem hora de parto. Morre um falcão sem atestado deóbito.
Todos os dias, em cada dia, centenas de papeis determinam a vida.
Um homem sofre de amnésia e decreta que o tempo é ausente.
Tão próximo do velho que diz que a morte é presente. Encontra o sorriso de um dia que já não existe.
Todas as segundas-feiras nascem e morrem à segunda-feira.
O tempo de vida de uma borboleta.
O homem fraccionou o tempo. Desprezou o instante fugaz de um sopro que se desdobra noutro.
Adormece a noite na esperança de um novo dia.
Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo e segunda outra vez.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Fernando Pessoa no Festiva Islâmico de Mértola


7º Festival Islâmico de Mértola

Conferência:
FERNANDO PESSOA E A CIVILIZAÇÃO ARÁBICO-ISLÂMICA
por Fabrizio Boscaglia

16 de Maio às 19h30


quinta-feira, 21 de março de 2013

"Em grego existem duas palavras para dizer "vida": "biós" e "zoé"

"Em grego existem duas palavras para dizer "vida": "biós" e "zoé". "Biós" é uma das formas possíveis da vida integral. Foi criada a partir da diversificação das espécies e da individuação de membros no interior de cada espécie. "Biós" está no reino da individualidade e da diversidade. "Zoé" é a vida que nos atravessa a todos. A nossa singularidade biológica é apenas uma das possíveis manifestações de "zoé". Nas suas fases mais imaturas, o nosso pequeno eu aferra-se à vida à custa de exterminar outras formas de existência. Crescer em consciência significa perceber que todos participamos da mesma vida (zoé) que apareceu na terra e que transcende o próprio planeta. Quando ficamos reduzidos à nossa dimensão "biológica" individual, apenas lutamos pela nossa sobrevivência - pessoal ou grupal, que não é mais do que a extensão do nosso ego - , esquecendo que a nossa existência individual e de espécie participa de uma realidade e de um dom muito maiores que procedem de um fundo multiforme, transtemporal e infinito cujas manifestações somos chamados a venerar, cuidar e servir, em vez de possuir, dominar ou submeter"

- Javier Melloni, Hacia un Tiempo de Síntesis, Barcelona, Fragmenta Editorial, 2011, p.222.

terça-feira, 19 de março de 2013

Colóquio "A Renascença Portuguesa, 100 anos depois" - 20.03.2013

Colóquio "A Renascença Portuguesa, 100 anos depois"

Universidade de Évora, Colégio do Espírito Santo, Sala 124

Coordenação Científica: António Cândido Franco e João Príncipe

10h- 10h30 Manuel Ferreira Patrício: introdução geral

10h45 – 11h15 António Cândido Franco : O mito na criação poética de Teixeira de Pascoaes e a fundação da Renascença Portuguesa

11h15 – 11h45 João Príncipe: Sobre as inspirações estrangeiras para o pensamento de António Sérgio

11h45 – 12h15 Casimiro Amado : O(s) problema(s) da educação nas páginas de A Vida Portuguesa (1912-1915)

12h15 - 12h45 Manuel Cândido Pimentel: Leonardo Coimbra na RP

Almoço

14h00 – 14h30 Norberto Cunha: O binómio Tradição e Progresso na Renasçença Portuguesa

14h30 – 15h00 António Braz Teixeira: A Renascença Portuguesa, movimento pural

15h00 – 15h30 Paulo Borges: A ideia de Renascença Portuguesa em Teixeira de Pascoaes

15h30 – 16h00 António Ventura: O memorialismo na Renasçença Portuguesa.

16h15 – 16h45 Jorge Rivera: A terceira geração renascente

16h45 – 17h15 Jorge Leandro Rosa: A RP, movimento cultural

17h15 – 17h40 Discussão final

"(...) calados os ruídos do ego, ouve-se a voz dos sem-voz"

"No saber escutar despertam-se aspectos subversivos, porque, calados os ruídos do ego, ouve-se a voz dos sem-voz, o que torna lúcidos e compassivos os seres silenciosos"

- Javier Melloni, Hacia un Tiempo de Síntesis, Barcelona, Fragmenta Editorial, 2011, p.195. 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Os 5 Treinos da Atenção Plena (adaptados da Order of Inter-Being, fundada por Thich Nhat Hanh)

Os 5 Treinos da Atenção Plena (adaptados da Order of Inter-Being, fundada por Thich Nhat Hanh)

Os Cinco Treinos da Atenção Plena são a base do Círculo do Entre-Ser, associação filosófica e ética, e representam um contributo para uma ética e espiritualidade globais, que aponta uma via susceptível de ser percorrida por todos, religiosos de todas as religiões, ateus e agnósticos.

1 – Reverência pela Vida

Consciente do sofrimento causado pela destruição da vida, empenho-me em cultivar a visão do entre-ser e da compaixão e em proteger as vidas de homens e animais, bem como as plantas e minerais, respeitando os elementos e a natureza. Estou determinada/o a não matar, não contribuir para que outros matem e, se possível, não deixar outros matar, bem como a não cometer ou apoiar qualquer acto de violência e assassínio, seja no meu pensamento ou no meu modo de vida. Abster-me-ei de consumir, ou reduzirei progressivamente o consumo, da carne dos seres sencientes. Vendo que as acções nocivas procedem do medo, da cólera, da avidez e da intolerância, os quais por sua vez vêm da ignorância e do pensamento dualista e discriminativo, cultivarei abertura, não-discriminação e não-apego às visões conceptuais - religiosas, filosóficas, ideológicas ou outras - , a fim de superar e transformar o dogmatismo, o fanatismo, o fundamentalismo e a violência em mim mesma/o e no mundo. Ao praticar isto, não me verei como superior e não desprezarei aqueles que ainda o não praticam, considerando-os com compreensão, amor e compaixão.

2 – Verdadeira Felicidade

Consciente do sofrimento causado pela exploração, injustiça social, roubo e opressão, empenho-me em praticar a generosidade no pensar, falar e agir. Estou determinada/o a não roubar e a não possuir nada que deva pertencer aos outros e partilharei o meu tempo, energia e recursos materiais com os necessitados. Praticarei a contemplação profunda para ver que a felicidade e o sofrimento dos outros não estão separados da minha própria felicidade e sofrimento, que a verdadeira felicidade não é possível sem compreensão e compaixão e que correr atrás de riqueza, fama, poder e prazeres sensuais pode trazer muito sofrimento e desespero, não garantindo nada de real e permanente e fazendo perder tempo precioso para a verdadeira evolução. Estou consciente de que a felicidade depende da minha atitude mental e não de condições externas e de que posso viver com alegria a cada instante recordando simplesmente que já tenho mais do que o suficiente para ser feliz. Estou empenhada/o em praticar um correcto modo de vida a fim de ajudar a reduzir o sofrimento dos seres sencientes na Terra e a reverter o processo de destruição da biodiversidade e dos recursos naturais, da poluição e das alterações climáticas. Ao praticar isto, não me verei como superior e não desprezarei aqueles que ainda o não praticam, considerando-os com compreensão, amor e compaixão.

3 – Verdadeiro Amor

Consciente do sofrimento causado pelo comportamento sexual negativo, empenho-me em cultivar a responsabilidade e em proteger a segurança e integridade de indivíduos, casais, famílias e sociedade. Sabendo que o desejo sexual não é amor e que a actividade sexual motivada pela carência e pelo desejo-apego insaciável prejudica sempre a mim e aos outros, estou determinada/o a não me envolver em relações sexuais sem verdadeiro amor e um profundo e duradouro compromisso ético. Farei tudo o que puder para proteger as crianças do abuso sexual e para impedir que casais e famílias sejam desfeitos pelo comportamento sexual negativo. Vendo que o corpo e a mente são um só, empenho-me em aprender modos apropriados de cuidar da minha energia sexual, pondo-a ao serviço do despertar da consciência, e em cultivar bondade, compaixão, alegria e equanimidade – os quatro elementos fundamentais do verdadeiro amor – para minha maior felicidade e dos outros. Ao praticar isto, não me verei como superior e não desprezarei aqueles que ainda o não praticam, considerando-os com compreensão, amor e compaixão.

4 – Escuta Profunda e Discurso Afectuoso

Consciente do sofrimento causado por palavras desatentas e pela incapacidade de escutar os outros, empenho-me em cultivar uma escuta profunda e um discurso afectuoso a fim de aliviar o sofrimento e promover a reconciliação e a paz em mim e entre outras pessoas, nações, grupos étnicos e religiosos. Sabendo que as palavras podem criar felicidade ou sofrimento, empenho-me em falar com verdade usando palavras que inspirem confiança, alegria e esperança. Quando a cólera se manifestar, estou determinado a não falar. Praticarei o respirar e caminhar plenamente atentos a fim de reconhecer e contemplar profundamente a cólera. Sei que as suas raízes podem ser encontradas nas minhas percepções erróneas e na falta de compreensão do sofrimento em mim e nos outros. Escutarei e falarei de um modo que possa ajudar a mim e aos outros a transformar o sofrimento e a ver a saída de situações difíceis. Estou determinada/o a não espalhar notícias que não saiba serem certas ou benéficas e a não proferir palavras que possam causar divisão ou discórdia. Empenho-me também em não fomentar distracções, emoções negativas e perda de tempo com conversas fúteis. Praticarei a correcta diligência para nutrir a minha capacidade de compreensão, amor, compaixão, alegria e equanimidade e transformar gradualmente o medo, a cólera, o apego e a violência que residam no fundo da minha consciência. Ao praticar isto, não me verei como superior e não desprezarei aqueles que ainda o não praticam, considerando-os com compreensão, amor e compaixão.

5 - Nutrição e Cura

Consciente do sofrimento causado pelo consumo desatento, empenho-me em cultivar uma boa saúde, física e mental, para mim, a minha família e sociedade, praticando um comer, beber e consumir plenamente atentos. Praticarei o contemplar profundamente o modo como consumo as quatro espécies de nutrientes, nomeadamente alimentos comestíveis, impressões sensoriais, volições e estados de consciência. Estou determinada/o a não jogar a dinheiro e a não usar ou a reduzir progressivamente o uso de substâncias que lesem a mente e o corpo, como drogas, tabaco, álcool (pelo menos em excesso) ou quaisquer outros produtos que induzam toxinas mentais, como certos sítios na net, jogos electrónicos, programas de televisão, filmes, revistas, livros e conversas. Praticarei o regressar ao instante presente para estar em contacto com os elementos refrescantes, curativos e nutrientes em mim e ao meu redor, não deixando que pesares e tristeza me arrastem para o passado nem que ansiedades, medo ou desejo ávido me arranquem do aqui e agora. Estou determinada/o a não tentar encobrir a solidão, a ansiedade ou outro sofrimento perdendo-me no consumo. Contemplarei o entre-ser e consumirei de um modo que preserve a paz, a alegria e o bem-estar no meu corpo e consciência, bem como no corpo e consciência colectivos da minha família e sociedade, dos seres sencientes e da Terra. Ao praticar isto, não me verei como superior e não desprezarei aqueles que ainda o não praticam, considerando-os com compreensão, amor e compaixão.

quarta-feira, 13 de março de 2013

O "pós-modernismo de oposição" de Boaventura de Sousa Santos

“Esta caracterização, necessariamente incompleta, permite identificar as principais diferenças em relação à concepção de pós-modernismo de oposição que tenho vindo a defender. Em vez da renúncia a projectos colectivos, proponho a pluralidade de projectos colectivos articulados de modo não hierárquico por procedimentos de tradução que se substituem à formulação de uma teoria geral de transformação social. Em vez da celebração do fim da utopia, proponho utopias realistas, plurais e críticas. Em vez da renúncia à emancipação social, proponho a sua reinvenção. Em vez da melancolia, proponho o optimismo trágico. Em vez do relativismo, proponho a pluralidade e a construção de uma ética a partir de baixo. Em vez da desconstrução, proponho uma teoria crítica pós-moderna, profundamente auto-reflexiva mas imune à obsessão de desconstruir a própria resistência que ela funda. Em vez do fim da política, proponho a criação de subjectividades transgressivas pela promoção da passagem da acção conformista à acção rebelde. Em vez do sincretismo acrítico, proponho a mestiçagem ou a hibridação com a consciência das relações de poder que nela intervêm, ou seja, com a investigação de quem híbrida quem, o quê, em que contextos e com que objectivos”

- Boaventura de Sousa Santos, A Gramática do Tempo. Para uma nova cultura política, Porto, Edições Afrontamento, 2010, 2ª edição, p.27.



“O olhar que chamamos oriental aceita que cada fenómeno contenha múltiplas perspectivas"



“O olhar que chamamos oriental aceita que cada fenómeno contenha múltiplas perspectivas. Um bosque é visto de modo muito diferente por um lenhador, um excursionista, alguém que procure cogumelos, um caçador, um místico, um poeta ou um especulador de terrenos. O bosque é o mesmo, porém a percepção de cada um está radicalmente condicionada pela sua aproximação intencional e cognitiva. Não tem sentido discutir-se sobre quem tem razão. Todas as perspectivas são adequadas, mas nenhuma esgota as possibilidades do bosque, que contém ainda muitos mais ângulos de percepção, como são, entre outros, os da multidão de animais que vivem nele, para os quais o bosque adquire outras formas e significados”

- Javier Melloni, Hacia un Tiempo de Síntesis, Barcelona, Fragmenta Editorial, 2011, p.91.

segunda-feira, 11 de março de 2013

“[…] tanto na religião como no amor, o crente aspirará a uma beatitude sem limites"



“[…] tanto na religião como no amor, o crente aspirará a uma beatitude sem limites; devora-o uma apetência de imortalidade, queima-o uma ânsia de fusão total unificadora, de transformação ou liquefacção do amante no amado.

Ambos os amorosos vivem alheios de si próprios, “mortos” para eles mesmos porque “vivos” respectivamente um no outro. O amor religioso acompanha-se dos mesmos sacrifícios ascéticos que o amor profano, e crepita nos mesmos transportes extáticos. A expressão verbal ou literária dum é a expressão verbal ou literária do outro”

- Sílvio Lima, O Amor Místico (noção e valor da experiência religiosa) (1935), in Obras Completas, I, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2002, pp.558-559.

Oriente e Ocidente

“A minha alma enche-se de alegria quando as torrentes de ideais que fluem de Oriente e Ocidente mesclam o seu rumor numa profunda harmonia de sentido”

- Rabindranath Tagore


domingo, 10 de março de 2013

“Quiçás o paradoxo mais radical do diálogo inter-religioso seja ter que se ir despojados da pretensão de absoluto do Absoluto que se proclama"

“Quiçás o paradoxo mais radical do diálogo inter-religioso seja ter que se ir despojados da pretensão de absoluto do Absoluto que se proclama. Se não for assim, cada grupo chega como idólatra, havendo confundido a Ultimidade com a imagem que nos fazemos dela, à qual não queremos, não podemos ou não sabemos renunciar. O diálogo inter-religioso põe a manifesto o absurdo de querer apossar-se do Fundo que funda o real. Se não se chega despojado ao diálogo, apenas se é portador de si mesmo: das próprias seguranças e ideologia ou, simplesmente, dos próprios hábitos, costumes ou obsessões”

- Javier Melloni, Hacia un Tiempo de Síntesis, Barcelona, Fragmenta Editorial, 2011, p.67.


"[...] o despertar progressivo da consciência para o Todo do qual formamos parte"



“Porque, acima das subtradições, há uma tradição compartilhada por toda a humanidade: o despertar progressivo da consciência para o Todo do qual formamos parte, quer o compreendamos segundo categorias personalistas, transpessoais ou impessoais”

- Javier Melloni, Hacia un Tiempo de Síntesis, Barcelona, Fragmenta Editorial, 2011, p.56.

"[...] a Saudade é irmã da Eternidade”



“Pois tudo, tudo há-de passar, enfim.
O homem, o próprio mundo passará,
Mas a Saudade é irmã da Eternidade”

- Teixeira de Pascoaes, “Marânus”, 1911.


sábado, 9 de março de 2013

"Nestes tempos de incerteza, confusão e descrença nas possibilidades do ser humano..."

Nestes tempos de incerteza, confusão e descrença nas possibilidades do ser humano, faz bem recordar que temos em nós a mesma humanidade, o mesmo corpo, o mesmo sangue e a mesma alma dos grandes sábios, santos, mestres, visionários e heróis éticos da humanidade, como os rishis védicos, os profetas hebreus, Mahavira, Buda Gautama, Confúcio, Lao Tsé, Sócrates, Jesus Cristo, Rumi, São Francisco de Assis, Gandhi, Martin Luther King, Nelson Mandela, Simone Weil, Agostinho da Silva, Madre Teresa de Calcutá, Dalai Lama, Vandana Shiva e tantos outros célebres ou anónimos homens e mulheres que não desistiram de se esforçar pelo despertar, a virtude e a perfeição pelo bem de todos. Faz bem recordar que somos herdeiros do seu exemplo e da sua mensagem e que o espírito e o coração que neles se abriram são o nosso próprio espírito e coração. Faz bem recordar que a humanidade tem uma infinita capacidade de dar à luz estes rebentos, flores e frutos e não apenas ditadores e generais sanguinários, presidentes, ministros e juízes corruptos, especuladores financeiros, administradores gananciosos, deputados medíocres, assassinos, violadores, traficantes de droga, toureiros, multidões alienadas e consumidores inconscientes e ávidos de animais e de produtos obtidos à custa do trabalho escravo de homens, mulheres e crianças (mas faz também bem e é fundamental recordar que todos estes têm em si as mesmas potencialidades que os melhores filhos da humanidade e podem a cada instante mudar e ser os sábios, santos, mestres e heróis de amanhã). Faz bem recordar que mulheres e homens exemplares ou a caminho de o ser existiram, existem e existirão, que fizeram, fazem e farão sua a diferença que queriam, querem e quererão ver no mundo, sem se deterem a pensar se será utopia caminhar rumo à plenitude da consciência e da vida. Faz bem e dá uma infinita energia pensar e sentir que dia a dia podemos fazer nosso o seu caminho e, acima de tudo, colocar efectivamente os pés no mais ínfimo rasto dos seus passos.

"[...] como esquecer que a Saudade segundo Pascoaes é a quinta-essência do erotismo?"

“Desta «Divina Saudade», menos entidade «metafísica» de nebuloso sentido que «Eva toda em flor – como esquecer que a Saudade segundo Pascoaes é a quinta-essência do erotismo? - , será o poema Marânus a epopeia elegíaca ou o romance metafísico e bucólico, hino incomparável à beleza terrestre confrontada com o tempo e a morte e vencendo-os do interior pela aspiração infinita de que é símbolo para o amante que a contempla, a cria e por ela é criado. […] Não há na nossa literatura poema mais perturbador e incandescente, poema do Desejo como forma da existência buscando desde a Origem novas formas para se encarnar em vão e nessa busca criando o que não existe e por fim o verbo escuro em que se redime da sua própria insatisfação. É a esse verbo escuro que Pascoaes chamou com nome nosso imemorial Saudade, pondo nele nova substância, a do mesmo Desejo transfigurado pela consciência da sua imperfeição divinamente criadora. Nunca esse verbo escuro resplandeceu nas trevas com mais luminosa evidência que nas páginas, hoje ainda como ocultas, deste canto único onde o Inferno e o Paraíso de que somos feitos misturam o seu fogo e a sua água eternos”

- Eduardo Lourenço, prefácio a Teixeira de Pascoaes, Marânus, Lisboa, Assírio & Alvim, 1990, p.XII.


quarta-feira, 6 de março de 2013

“Se eu soubesse de algo que fosse útil a mim., mas prejudicial..."

“Se soubesse de algo que fosse útil a mim, mas prejudicial à minha família, rejeitá-lo-ia da minha mente. Se soubesse de algo útil à minha família, mas não à minha pátria, procuraria esquecê-lo. Se soubesse de algo útil à minha pátria, mas prejudicial à Europa, ou então útil à Europa, mas prejudicial ao Género humano, consideraria isto como um crime”

- Montesquieu

Nós acrescentamos: se soubesse de algo útil ao género humano, mas prejudicial aos demais seres vivos e à Terra, consideraria isso uma ilusão.


segunda-feira, 4 de março de 2013

As nossas sociedades carecem urgentemente de mais energia feminina nos lugares de decisão

As nossas sociedades carecem urgentemente de mais energia feminina nos lugares de decisão, no que respeita a esta capacidade de amor, carinho e compaixão incondicionais, ampliada a todos os seres.

“Nas línguas semíticas, a palavra para compaixão (rahamanut, em hebreu pós-bíblico, e rahma, em árabe), está etimologicamente relacionada com rehem/RHM (útero). O ícone da mãe com o filho é uma expressão arquetípica do amor humano. Evoca a afeição maternal que, com toda a probabilidade, fez nascer a nossa capacidade de sermos incondicionalmente altruístas. Esta experiência de ensinar, guiar, cuidar, proteger e alimentar os descendentes pode ter ensinado os homens e mulheres a cuidar de outras pessoas para além da sua própria família, desenvolvendo uma preocupação que não era baseada em calculismo frio, mas imbuída de afeição. Nós, os seres humanos, somos mais radicalmente dependentes do amor do que quaisquer outras espécies. Os nossos cérebros evoluíram para acarinhar e para precisar de carinho – de tal forma que ficam desamparados quando lhes falta este cuidado”

- Karen Armstrong, Doze passos para uma vida solidária, Temas e Debates / Círculo de Leitores, 2011, p.25.

- ethel feldman

- ethel feldman

domingo, 3 de março de 2013

"A maioria dos homens, com efeito, anseia por dominar um grande número dos seus semelhantes" - Aristóteles

pensando acrescer assim consideravelmente os bens que recebe da fortuna"

- Aristóteles, Política, 1333b, 16-17.

"Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos"

«Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos. Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no continente que os seus pais conquistaram.»

- Thomas Jefferson, 1806

sábado, 2 de março de 2013

Programa do Diálogos com a Ciência IV - O Eu e o Nós em Sociedade

A quarta edição dos Diálogos com a Ciência, cujo comissário é Vicente Ferreira da Silva, e cujo tema geral é o Eu e o Nós em Sociedade, começa já na próxima quinta-feira, 7 de Março, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto, às 21:30, e decorrerá até 8 de Maio.

7 Mar – Paulo Morais e Paulo Borges

21 Mar – António Tavares, Rui Moreira

4 Abr – Frei Fernando Ventura e Luísa Malato

18 Abr – Carlos Miguel Sousa e Victor Bento

8 Maio – Rodrigues do Carmo, Garcia Leandro e Bispo do Porto

Entrada livre!

"O governo é e deve ser instituído para comum benefício, protecção e segurança do povo, nação ou comunidade"

“3. O governo é e deve ser instituído para comum benefício, protecção e segurança do povo, nação ou comunidade. De todas as formas de governo, a melhor é aquela capaz de produzir o maior grau de felicidade e segurança, e a que mais efectivamente ofereça garantia contra o perigo da má administração. Sempre que algum governo for considerado inepto ou contrário a esses fins, a maioria da comunidade tem o direito indubitável, inalienável e irrevogável de reformá-lo, modificá-lo ou aboli-lo, da maneira que julgar mais proveitosa ao bem-estar geral”

- Declaração de Direitos (Bill of Rights) da Virgínia, votada em 12 de Junho de 1776.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

"Primeiro, a cultura, o espírito, o sentido da transcendência; depois, por inevitável arrasto de exigência cívica, o progresso tecnológico"

“Bom governo seria hoje aquele que, por múltiplos meios, apostasse em fazer de cada português, não um robot técnico de fato cinzento, camisa azul e gravata verde ou amarela (actual fato-macaco do cidadão técnico), que é sempre um cidadão inconscientemente instrumento de cruéis estruturas económicas, mas um homem culto, consciente do seu lugar na sociedade e na história. Portugal precisa menos de um choque tecnológico (experimentado pelo pombalismo, pelo fontismo e pelo cavaquismo, cujas consequências em nada mudaram o nosso ser, limitando-se a uma mera actualização de instrumentos técnicos ao serviço da sociedade civil e do aparelho de Estado) e mais de um choque cultural, elevando cada cidadão a um exigente patamar de conhecimento humanista e cívico que, por arrasto, geraria inevitavelmente o desejado choque tecnológico. Primeiro, a cultura, o espírito, o sentido da transcendência; depois, por inevitável arrasto de exigência cívica, o progresso tecnológico. A brutal inversão destes valores pelos actuais governantes evidencia tanto a sua pobreza de espírito quanto o projecto pombalino desumanamente tecnocrático em que se encontra empenhado”

- Miguel Real, A Morte de Portugal, Porto, Campo das Letras, 2007, pp.19-20.


"Gostar de animais não significa gostar menos dos humanos. A compaixão origina compaixão"

‎"Algumas pessoas perguntam: "Porque é que está a trabalhar para os animais, quando há tantas pessoas que precisam de ajuda?" A resposta é simples: Muitas pessoas que trabalham para os animais pelo mundo fora também trabalham altruistamente para as pessoas. Gostar de animais não significa gostar menos dos humanos. A compaixão origina compaixão.

- Marc Bekoff

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Manifestação Meditativa por uma Nova Civilização, 2 de Março, 14h, junto à Assembleia da República

O Círculo do Entre-Ser, associação filosófica e ética, o Movimento Amorcracia Portugal e o MedMob Oeiras organizam uma manifestação meditativa no Jardim Bento de Jesus Caraça, à esquerda da Assembleia da República, no dia 2 de Março, pelas 14h00.

Num momento crítico de Portugal, da Europa e do mundo, em que assistimos ao colapso de uma civilização baseada na ignorância da interconexão entre todos os seres vivos e a Terra, no mito de um desenvolvimento económico e tecnológico sem limites e na consequente opressão, exploração e violência a que são submetidos a natureza e os seres humanos e não-humanos, urge descobrir um novo paradigma civilizacional que transforme também o activismo e as formas de intervenção social, cívica e política. A meditação, ou seja, a capacidade de manter a mente num estado de atenção plena, calma e clara ao que se passa aqui e agora em nós e à nossa volta, numa abertura amorosa e imparcial, é hoje redescoberta por um número crescente de pessoas e instituições e tem imensos benefícios cientificamente reconhecidos em termos cognitivos, terapêuticos, pedagógicos e sociais. É chegado o momento de a trazer também para a intervenção cívica e política, assumindo-a como o fundamento de um activismo mais consciente, que esteja ao serviço de todas as causas justas livre de medo, avidez, ódio e violência. O mundo carece urgentemente de uma espiritualidade laica, transversal a crentes e descrentes, que nos permita enraizar a palavra e a acção exterior na experiência do silêncio e da paz interior, fonte de toda a transformação autêntica e profunda.

Convidamos assim todos a que se juntem a nós no dia 2, às 14h, para fazermos do nosso silêncio atento e amoroso a manifestação de que os seres vivos e a Terra valem infinitamente mais do que todos os critérios económico-financeiros e tecnocráticos e de que a política deve estar ao serviço de uma ética global e de uma vida mais feliz para todos os seres, humanos e não-humanos.

Por uma nova civilização, livre de ignorância, opressão e violência!

Círculo do Entre-Ser

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

As ideias políticas do Buda: o governante e o governo justos

“No tempo em que o Buda vivia havia, como hoje, soberanos que governavam injustamente os seus Estados. Levantavam impostos excessivos e infligiam castigos cruéis. O povo era oprimido e explorado, torturado e perseguido. O Buda ficava profundamente comovido com estes tratamentos desumanos. O Dhammapadatthakatha conta que ele focou então a sua atenção no problema do bom governo. As suas ideia devem ser apreciadas no contexto social, económico e político do seu tempo. Ele mostrou como todo um país podia tornar-se corrupto, degenerado e infeliz quando os chefes do governo, ou seja, rei, ministros e funcionários, se tornam eles mesmos corruptos e injustos. Para que um país seja feliz deve ter um governo justo. Os princípios deste governo justo são expostos pelo Buda no seu ensinamento sobre os “Dez Deveres do Rei” (Dasa-raja-dhamma), tal qual é dado nos Jataka.
Bem entendido, a palavra “rei” (Raja) de outrora deve ser substituída hoje pela palavra “governo”. Por conseguinte, os “Dez Deveres do Rei” aplicam-se agora a todos aqueles que participam no governo, chefe de Estado, ministros, chefes políticos, membros do corpo legislativo e funcionários de administração.
1. O primeiro destes dez deveres é a liberalidade, a generosidade, a caridade (dana). O soberano não deve ter avidez nem apego pela riqueza e pela propriedade, mas deve dispor delas para o bem-estar do povo.
2. Um carácter moral elevado (sila). Ele não deve jamais destruir a vida, enganar, roubar, explorar os outros, cometer adultério, dizer coisas falsas ou tomar bebidas inebriantes. Isto é, ele deve pelo menos observar os Cinco Preceitos do laico.
3. Sacrificar tudo pelo bem do povo (pariccaga). Ele deve estar pronto a sacrificar o seu conforto, o seu nome e o seu renome, e mesmo a sua vida, pelo interesse do povo.
4. Honestidade e integridade (ajjava). Ele deve estar livre de medo ou de favor no exercício dos seus deveres; deve ser sincero nas suas intenções e não deve enganar o público.
5. Amabilidade e afabilidade (maddava). Ele deve ter um temperamento doce.
6. Austeridade nos seus hábitos (tapa). Ele deve levar uma vida simples e não deve entregar-se ao luxo. Deve estar na posse de si mesmo.
7. Ausência de ódio, má-vontade, inimizade (akkodha). Não deve guardar rancor a ninguém.
8. Não-violência (avihimsa), o que significa que deve não somente não fazer mal a ninguém, mas também que deve esforçar-se por fazer reinar a paz evitando e impedindo a guerra e todas as coisas que impliquem violência e destruição da vida.
9. Paciência, perdão, tolerância, compreensão (khanti). Ele deve ser capaz de suportar as provas, as dificuldades e os insultos sem se enfurecer.
10. Não-oposição, não-obstrução (avirodha). Isto é, ele não deve opor-se à vontade popular, não contrariar nenhuma medida favorável ao bem-estar do povo. Noutros termos, ele deve manter-se em harmonia com o povo.
É inútil dizer quão feliz seria um país governado por homens que possuíssem estas qualidades. E não é todavia uma Utopia pois houve no passado reis como Asoka na Índia que estabeleceram os seus reinos sobre o fundamento destas ideias”

- Walpola Rahula, L’enseignement du Bouddha selon les textes les plus anciens, Paris, Éditions du Seuil, 1978, pp.118-119.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Inês C. Carmo Borges apresenta livro sobre Tondela no Casino da Figueira da Foz - Diário As Beiras 25 de Fevereiro de 2013


Não sou um bombista nem as suas vítimas na Síria

Não sou um bombista nem as suas vítimas na Síria
nem um tibetano a imolar-se por desespero na sua terra ocupada
Não sou um toureiro, um cavalo ou um touro com o lombo trespassado
numa arena de sangue, dor e morte
Também não estou na multidão em êxtase que paga para que isso aconteça
Não sou um especulador financeiro que enriquece com a miséria das populações
nem um ministro ou juiz que decide a favor dos poderosos
Não sou um cão ou gato abandonado por quem se cansou do meu amor
nem estou a tremer de medo e angústia num canil de abate
Não sou um porco, uma vaca ou um frango amontoado num campo de concentração
para oferecer vinte minutos de prazer aos humanos
e intoxicá-los com a minha carne envenenada
Não sou uma mãe separada dos filhos
com as tetas a escorrer pus escrava da ordenha mecânica
para que os humanos bebam o leite que não necessitam e os faz adoecer
Não sou um deputado pago para esquecer quem o elegeu
nem um primeiro-ministro ou presidente a vender o seu país aos senhores do mundo
Não sou um rato torturado e aberto em vida para que a ciência conclua que sofro
nem estou a ser morto à pancada para me retirarem a pele ainda vivo
Não sou um tigre nascido para a selva a definhar triste atrás de umas grades
um elefante espicaçado para mostrar habilidades
ou uma ave com asas de lonjura engaioladas
Não sou pago para veicular mentiras na rádio, tv e jornais
nem sou administrador, director ou accionista de empresas
que lucram com o trabalho escravo de mulheres, homens e crianças
Não sou um médico ao serviço da indústria farmacêutica
nem um profissional da alienação das consciências
Não sou uma mãe a ver os filhos despedaçados por mísseis
ou violados e mortos à sua frente
Não sou o presidente, o ministro ou o general
que no conforto do gabinete ordena o inferno para os outros
Não trabalho para empresas ávidas de lucro que poluem, devastam e destroem o planeta
que pertence igualmente a todos os seres vivos
e às gerações futuras de humanos e não-humanos
Não trafico drogas nem ilusões
e não vendo receitas de felicidade
Não pertenço nem quero pertencer às corporações dos senhores do mundo
ocultos na sombra a mudar governos e manipular povos como marionetas
Não sou um terrorista camuflado nem engravatado, com armas, ideologias ou planos económico-financeiros
nem um eleitor que confunde a democracia com votar de vez em quando
e não ter controle sobre quem elege
Não sou também um activista que sucumbe ao ódio e ao desespero
e envenena as causas que defende
com a violência que lhe estreita a mente e devora o coração

Não, não sou nada disto
Não sou ninguém especial
Apenas alguém que pode reconhecer a imensa liberdade e oportunidade de que agora mesmo desfruta
para apreciar a vida sem esquecer o sofrimento do mundo
e concentrar-se no essencial enquanto há energia e a morte não chega:
despertar a mente e o coração
e tudo fazer para expulsar a ignorância, o sofrimento e o absurdo da face da Terra

Sim, é isso que sou
Sim, é isso que és
e connosco a grande maioria dos humanos:
sementes de um Mundo Novo

Juntemo-nos e germinemos pois!


25 de Fevereiro de 2013

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Escravo da ganância
rouba a bel-prazer
aceita o ignorante
a sentença de culpa
paga os impostos
alimenta o parasita

dorme o desabrigado
na hall do banco
que lhe roubou a casa
no chão,
um corpo encolhido
tolhido pela humilhação

um homem cansado
de dor enlouquece
espreita a fome
a miséria alheia
em cada esquina
enquanto o banqueiro
vestido de anjo
assalta o país

um homem sem nome
em tom de revolta
pede a quem dorme
que acorde e desperte
recorda que a vida
foi um dia assistida

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Apresentação do livro de Inês da Conceição do Carmo Borges "O Solar de Santana, Museu Municipal de Tondela e a Arquitectura Senhorial da Região" (Prémio Aurélio Soares Calçada), no Casino da Figueira da Foz, no dia 23 de Fevereiro de 2013, pelas 16:30H



Apresentação do livro de Inês da Conceição do Carmo Borges "O Solar de Santana, Museu Municipal de Tondela e a Arquitectura Senhorial da Região" (Prémio Aurélio Soares Calçada), no Casino da Figueira da Foz, no dia 23 de Fevereiro de 2013, pelas 16:30H (sábado). Sobre o livro usarão da palavra o Dr. José Valle de Figueiredo, poeta e ensaísta, e o Dr. Carlos Marta, Presidente da Câmara Municipal de Tondela.
Momento Musical com David Migueis (clarinete) e Daniel Migueis (violino).
Dão de Honra, patrocinado pela CVR Solar do Dão (Viseu).

Livro de História de Arte, Aquitectura, Urbanismo, Museologia, Empreendedorismo.
Capa: Design Gráfico de Xénia Pereira Reys; Concepção Gráfica de Luiz Pires dos Reys (ambos da equipa da Revista Cultura Entre Culturas); Fotografia de Marcus Garcia (em 2004 Marcus recebe a menção honrosa do Prémio Fnac -- Novos talentos da Fotografia Portuguesa com o trabalho -- MAPA).
Execução Gráfica Palimage/Artipol, Lda., com composição de José Luís Santos e tratamento de fotografias de Hugo Rios
Apoios: CÂMARA MUNICIPAL DE TONDELA
LABESFAL GENÉRICOS - GRUPO FRESENIUS KABI
GRUPO RUI COSTA E SOUSA & IRMÃO, SA

Titulo:"O SOLAR DE SANTANA,MUSEU MUNICIPAL DE TONDELA E A ARQUITECTURA SENHORIAL DA REGIÃO"

PREFÁCIO:
O livro de Inês Borges, dedicado ao emblemático Solar de Santana — berço de uma família ilustre de Tondela e marcando o território urbano da sua mole de uma vetusta dignidade — é uma obra importante e que merece verdadeiramente ser publicada. Importante do duplo ponto de vista de uma História da Arquitectura Local (que muito importa ir alicerçando com os foros de cidadania que já detém a História Local, nomeadamente ao nível das instituições) e, em mais ampla perspectiva,de um estudo sistemático da Arquitectura Civil, que, por força da sua dificuldade, longamente vem ocupando a sombra da História da Arquitectura.
(...)
António Filipe Pimentel (Subdirector-geral da Direcção Geral do Património Cultural)

Autor: Inês do Carmo Borges
Colecção Raiz do Tempo
Género: História/Museologia
ISBN: 978-972-8999-97-1
Ano: 2011
Páginas: 632
Dimensões: 17.0x24.0cm

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Dizem que pareço com ele. Outros fazem de mim, o que ela é. Dizem, que dele e dela herdo a vontade de vida. Dizem isto e aquilo e eu me arrepio. Porque às vezes, sou ele e doutras sou ela. Quando anoitece o ano velho, com colheres de pau, fazem das panelas tambores. Bendita é a loucura que me abraça o coração. Dela nasce o poema. 
Se vejo a serpente em forma de gente e com ela danço, é porque dizem que herdo a vontade de ser.
Ele tem nome e ela também. Fazem parte de todas as partes que conheço. Em cada curva, o desvio do encontro. 
Dizem isto e aquilo, e eu me arrepio com cada sorriso escondido no pranto. 
No inferno descubro o anjo. No paraíso, abraça-me o diabo. No caminho, entre o que fui e sou, esqueço.
Dizem isto e aquilo, enquanto morro e nasço.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Na avenida da Liberdade, entre esplanadas habitam camas. O colchão é uma invenção do século passado. Entre o chão e o corpo, habita o papelão. Molhado, empapa o corpo do desgraçado.
Há dias em que as manhãs chamam a noite fria. Nas madrugadas molhadas, desprotegidas da vida - sem cor. Insónia que habita o sono da dor. Nas ruas moram mendigos à força. Doutores letrados desenham a fome com teimosia. Em cada esquina, em cada corpo desabrigado, a miséria cresce vitoriosa. Há dias em que as manhãs, não são senão esta noite teimosa, longa que adormeceu o meu país.