“Quiçás o paradoxo mais radical do diálogo inter-religioso seja ter que se ir despojados da pretensão de absoluto do Absoluto que se proclama. Se não for assim, cada grupo chega como idólatra, havendo confundido a Ultimidade com a imagem que nos fazemos dela, à qual não queremos, não podemos ou não sabemos renunciar. O diálogo inter-religioso põe a manifesto o absurdo de querer apossar-se do Fundo que funda o real. Se não se chega despojado ao diálogo, apenas se é portador de si mesmo: das próprias seguranças e ideologia ou, simplesmente, dos próprios hábitos, costumes ou obsessões”
- Javier Melloni, Hacia un Tiempo de Síntesis, Barcelona, Fragmenta Editorial, 2011, p.67.
“Porque, acima das subtradições, há uma tradição compartilhada por toda a humanidade: o despertar progressivo da consciência para o Todo do qual formamos parte, quer o compreendamos segundo categorias personalistas, transpessoais ou impessoais”
- Javier Melloni, Hacia un Tiempo de Síntesis, Barcelona, Fragmenta Editorial, 2011, p.56.
“Pois tudo, tudo há-de passar, enfim.
O homem, o próprio mundo passará,
Mas a Saudade é irmã da Eternidade”
- Teixeira de Pascoaes, “Marânus”, 1911.
Nestes tempos de incerteza, confusão e descrença nas possibilidades do ser humano, faz bem recordar que temos em nós a mesma humanidade, o mesmo corpo, o mesmo sangue e a mesma alma dos grandes sábios, santos, mestres, visionários e heróis éticos da humanidade, como os rishis védicos, os profetas hebreus, Mahavira, Buda Gautama, Confúcio, Lao Tsé, Sócrates, Jesus Cristo, Rumi, São Francisco de Assis, Gandhi, Martin Luther King, Nelson Mandela, Simone Weil, Agostinho da Silva, Madre Teresa de Calcutá, Dalai Lama, Vandana Shiva e tantos outros célebres ou anónimos homens e mulheres que não desistiram de se esforçar pelo despertar, a virtude e a perfeição pelo bem de todos. Faz bem recordar que somos herdeiros do seu exemplo e da sua mensagem e que o espírito e o coração que neles se abriram são o nosso próprio espírito e coração. Faz bem recordar que a humanidade tem uma infinita capacidade de dar à luz estes rebentos, flores e frutos e não apenas ditadores e generais sanguinários, presidentes, ministros e juízes corruptos, especuladores financeiros, administradores gananciosos, deputados medíocres, assassinos, violadores, traficantes de droga, toureiros, multidões alienadas e consumidores inconscientes e ávidos de animais e de produtos obtidos à custa do trabalho escravo de homens, mulheres e crianças (mas faz também bem e é fundamental recordar que todos estes têm em si as mesmas potencialidades que os melhores filhos da humanidade e podem a cada instante mudar e ser os sábios, santos, mestres e heróis de amanhã). Faz bem recordar que mulheres e homens exemplares ou a caminho de o ser existiram, existem e existirão, que fizeram, fazem e farão sua a diferença que queriam, querem e quererão ver no mundo, sem se deterem a pensar se será utopia caminhar rumo à plenitude da consciência e da vida. Faz bem e dá uma infinita energia pensar e sentir que dia a dia podemos fazer nosso o seu caminho e, acima de tudo, colocar efectivamente os pés no mais ínfimo rasto dos seus passos.
“Desta «Divina Saudade», menos entidade «metafísica» de nebuloso sentido que «Eva toda em flor – como esquecer que a Saudade segundo Pascoaes é a quinta-essência do erotismo? - , será o poema Marânus a epopeia elegíaca ou o romance metafísico e bucólico, hino incomparável à beleza terrestre confrontada com o tempo e a morte e vencendo-os do interior pela aspiração infinita de que é símbolo para o amante que a contempla, a cria e por ela é criado. […] Não há na nossa literatura poema mais perturbador e incandescente, poema do Desejo como forma da existência buscando desde a Origem novas formas para se encarnar em vão e nessa busca criando o que não existe e por fim o verbo escuro em que se redime da sua própria insatisfação. É a esse verbo escuro que Pascoaes chamou com nome nosso imemorial Saudade, pondo nele nova substância, a do mesmo Desejo transfigurado pela consciência da sua imperfeição divinamente criadora. Nunca esse verbo escuro resplandeceu nas trevas com mais luminosa evidência que nas páginas, hoje ainda como ocultas, deste canto único onde o Inferno e o Paraíso de que somos feitos misturam o seu fogo e a sua água eternos”
- Eduardo Lourenço, prefácio a Teixeira de Pascoaes, Marânus, Lisboa, Assírio & Alvim, 1990, p.XII.
“Se soubesse de algo que fosse útil a mim, mas prejudicial à minha família, rejeitá-lo-ia da minha mente. Se soubesse de algo útil à minha família, mas não à minha pátria, procuraria esquecê-lo. Se soubesse de algo útil à minha pátria, mas prejudicial à Europa, ou então útil à Europa, mas prejudicial ao Género humano, consideraria isto como um crime”
- Montesquieu
Nós acrescentamos: se soubesse de algo útil ao género humano, mas prejudicial aos demais seres vivos e à Terra, consideraria isso uma ilusão.
As nossas sociedades carecem urgentemente de mais energia feminina nos lugares de decisão, no que respeita a esta capacidade de amor, carinho e compaixão incondicionais, ampliada a todos os seres.
“Nas línguas semíticas, a palavra para compaixão (rahamanut, em hebreu pós-bíblico, e rahma, em árabe), está etimologicamente relacionada com rehem/RHM (útero). O ícone da mãe com o filho é uma expressão arquetípica do amor humano. Evoca a afeição maternal que, com toda a probabilidade, fez nascer a nossa capacidade de sermos incondicionalmente altruístas. Esta experiência de ensinar, guiar, cuidar, proteger e alimentar os descendentes pode ter ensinado os homens e mulheres a cuidar de outras pessoas para além da sua própria família, desenvolvendo uma preocupação que não era baseada em calculismo frio, mas imbuída de afeição. Nós, os seres humanos, somos mais radicalmente dependentes do amor do que quaisquer outras espécies. Os nossos cérebros evoluíram para acarinhar e para precisar de carinho – de tal forma que ficam desamparados quando lhes falta este cuidado”
- Karen Armstrong, Doze passos para uma vida solidária, Temas e Debates / Círculo de Leitores, 2011, p.25.
pensando acrescer assim consideravelmente os bens que recebe da fortuna"
- Aristóteles, Política, 1333b, 16-17.
«Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos. Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no continente que os seus pais conquistaram.»
- Thomas Jefferson, 1806
A quarta edição dos Diálogos com a Ciência, cujo comissário é Vicente Ferreira da Silva, e cujo tema geral é o Eu e o Nós em Sociedade, começa já na próxima quinta-feira, 7 de Março, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto, às 21:30, e decorrerá até 8 de Maio.
7 Mar – Paulo Morais e Paulo Borges
21 Mar – António Tavares, Rui Moreira
4 Abr – Frei Fernando Ventura e Luísa Malato
18 Abr – Carlos Miguel Sousa e Victor Bento
8 Maio – Rodrigues do Carmo, Garcia Leandro e Bispo do Porto
Entrada livre!
“3. O governo é e deve ser instituído para comum benefício, protecção e segurança do povo, nação ou comunidade. De todas as formas de governo, a melhor é aquela capaz de produzir o maior grau de felicidade e segurança, e a que mais efectivamente ofereça garantia contra o perigo da má administração. Sempre que algum governo for considerado inepto ou contrário a esses fins, a maioria da comunidade tem o direito indubitável, inalienável e irrevogável de reformá-lo, modificá-lo ou aboli-lo, da maneira que julgar mais proveitosa ao bem-estar geral”
- Declaração de Direitos (Bill of Rights) da Virgínia, votada em 12 de Junho de 1776.
“Bom governo seria hoje aquele que, por múltiplos meios, apostasse em fazer de cada português, não um robot técnico de fato cinzento, camisa azul e gravata verde ou amarela (actual fato-macaco do cidadão técnico), que é sempre um cidadão inconscientemente instrumento de cruéis estruturas económicas, mas um homem culto, consciente do seu lugar na sociedade e na história. Portugal precisa menos de um choque tecnológico (experimentado pelo pombalismo, pelo fontismo e pelo cavaquismo, cujas consequências em nada mudaram o nosso ser, limitando-se a uma mera actualização de instrumentos técnicos ao serviço da sociedade civil e do aparelho de Estado) e mais de um choque cultural, elevando cada cidadão a um exigente patamar de conhecimento humanista e cívico que, por arrasto, geraria inevitavelmente o desejado choque tecnológico. Primeiro, a cultura, o espírito, o sentido da transcendência; depois, por inevitável arrasto de exigência cívica, o progresso tecnológico. A brutal inversão destes valores pelos actuais governantes evidencia tanto a sua pobreza de espírito quanto o projecto pombalino desumanamente tecnocrático em que se encontra empenhado”
- Miguel Real, A Morte de Portugal, Porto, Campo das Letras, 2007, pp.19-20.
"Algumas pessoas perguntam: "Porque é que está a trabalhar para os animais, quando há tantas pessoas que precisam de ajuda?" A resposta é simples: Muitas pessoas que trabalham para os animais pelo mundo fora também trabalham altruistamente para as pessoas. Gostar de animais não significa gostar menos dos humanos. A compaixão origina compaixão. 
- Marc Bekoff
O Círculo do Entre-Ser, associação filosófica e ética, o Movimento Amorcracia Portugal e o MedMob Oeiras organizam uma manifestação meditativa no Jardim Bento de Jesus Caraça, à esquerda da Assembleia da República, no dia 2 de Março, pelas 14h00.
Num momento crítico de Portugal, da Europa e do mundo, em que assistimos ao colapso de uma civilização baseada na ignorância da interconexão entre todos os seres vivos e a Terra, no mito de um desenvolvimento económico e tecnológico sem limites e na consequente opressão, exploração e violência a que são submetidos a natureza e os seres humanos e não-humanos, urge descobrir um novo paradigma civilizacional que transforme também o activismo e as formas de intervenção social, cívica e política. A meditação, ou seja, a capacidade de manter a mente num estado de atenção plena, calma e clara ao que se passa aqui e agora em nós e à nossa volta, numa abertura amorosa e imparcial, é hoje redescoberta por um número crescente de pessoas e instituições e tem imensos benefícios cientificamente reconhecidos em termos cognitivos, terapêuticos, pedagógicos e sociais. É chegado o momento de a trazer também para a intervenção cívica e política, assumindo-a como o fundamento de um activismo mais consciente, que esteja ao serviço de todas as causas justas livre de medo, avidez, ódio e violência. O mundo carece urgentemente de uma espiritualidade laica, transversal a crentes e descrentes, que nos permita enraizar a palavra e a acção exterior na experiência do silêncio e da paz interior, fonte de toda a transformação autêntica e profunda.
Convidamos assim todos a que se juntem a nós no dia 2, às 14h, para fazermos do nosso silêncio atento e amoroso a manifestação de que os seres vivos e a Terra valem infinitamente mais do que todos os critérios económico-financeiros e tecnocráticos e de que a política deve estar ao serviço de uma ética global e de uma vida mais feliz para todos os seres, humanos e não-humanos.
Por uma nova civilização, livre de ignorância, opressão e violência!
Círculo do Entre-Ser
“No tempo em que o Buda vivia havia, como hoje, soberanos que governavam injustamente os seus Estados. Levantavam impostos excessivos e infligiam castigos cruéis. O povo era oprimido e explorado, torturado e perseguido. O Buda ficava profundamente comovido com estes tratamentos desumanos. O Dhammapadatthakatha conta que ele focou então a sua atenção no problema do bom governo. As suas ideia devem ser apreciadas no contexto social, económico e político do seu tempo. Ele mostrou como todo um país podia tornar-se corrupto, degenerado e infeliz quando os chefes do governo, ou seja, rei, ministros e funcionários, se tornam eles mesmos corruptos e injustos. Para que um país seja feliz deve ter um governo justo. Os princípios deste governo justo são expostos pelo Buda no seu ensinamento sobre os “Dez Deveres do Rei” (Dasa-raja-dhamma
), tal qual é dado nos Jataka.
Bem entendido, a palavra “rei” (Raja) de outrora deve ser substituída hoje pela palavra “governo”. Por conseguinte, os “Dez Deveres do Rei” aplicam-se agora a todos aqueles que participam no governo, chefe de Estado, ministros, chefes políticos, membros do corpo legislativo e funcionários de administração.
1. O primeiro destes dez deveres é a liberalidade, a generosidade, a caridade (dana). O soberano não deve ter avidez nem apego pela riqueza e pela propriedade, mas deve dispor delas para o bem-estar do povo.
2. Um carácter moral elevado (sila). Ele não deve jamais destruir a vida, enganar, roubar, explorar os outros, cometer adultério, dizer coisas falsas ou tomar bebidas inebriantes. Isto é, ele deve pelo menos observar os Cinco Preceitos do laico.
3. Sacrificar tudo pelo bem do povo (pariccaga). Ele deve estar pronto a sacrificar o seu conforto, o seu nome e o seu renome, e mesmo a sua vida, pelo interesse do povo.
4. Honestidade e integridade (ajjava). Ele deve estar livre de medo ou de favor no exercício dos seus deveres; deve ser sincero nas suas intenções e não deve enganar o público.
5. Amabilidade e afabilidade (maddava). Ele deve ter um temperamento doce.
6. Austeridade nos seus hábitos (tapa). Ele deve levar uma vida simples e não deve entregar-se ao luxo. Deve estar na posse de si mesmo.
7. Ausência de ódio, má-vontade, inimizade (akkodha). Não deve guardar rancor a ninguém.
8. Não-violência (avihimsa), o que significa que deve não somente não fazer mal a ninguém, mas também que deve esforçar-se por fazer reinar a paz evitando e impedindo a guerra e todas as coisas que impliquem violência e destruição da vida.
9. Paciência, perdão, tolerância, compreensão (khanti). Ele deve ser capaz de suportar as provas, as dificuldades e os insultos sem se enfurecer.
10. Não-oposição, não-obstrução (avirodha). Isto é, ele não deve opor-se à vontade popular, não contrariar nenhuma medida favorável ao bem-estar do povo. Noutros termos, ele deve manter-se em harmonia com o povo.
É inútil dizer quão feliz seria um país governado por homens que possuíssem estas qualidades. E não é todavia uma Utopia pois houve no passado reis como Asoka na Índia que estabeleceram os seus reinos sobre o fundamento destas ideias”
- Walpola Rahula, L’enseignement du Bouddha selon les textes les plus anciens, Paris, Éditions du Seuil, 1978, pp.118-119.
Não sou um bombista nem as suas vítimas na Síria
nem um tibetano a imolar-se por desespero na sua terra ocupada
Não sou um toureiro, um cavalo ou um touro com o lombo trespassado
numa arena de sangue, dor e morte
Também não estou na multidão em êxtase que paga para que isso aconteça
Não sou um especulador financeiro que enriquece com a miséria das populações
nem um ministro ou juiz que decide a favor dos poderosos
Não sou um cão ou gato abandonado por quem se cansou do meu amor
nem estou a tremer de medo e angústia num canil de abate
Não sou um porco, uma vaca ou um frango amontoado num campo de concentração
para oferecer vinte minutos de prazer aos humanos
e intoxicá-los com a minha carne envenenada
Não sou uma mãe separada dos filhos
com as tetas a escorrer pus escrava da ordenha mecânica
para que os humanos bebam o leite que não necessitam e os faz adoecer
Não sou um deputado pago para esquecer quem o elegeu
nem um primeiro-ministro ou presidente a vender o seu país aos senhores do mundo
Não sou um rato torturado e aberto em vida para que a ciência conclua que sofro
nem estou a ser morto à pancada para me retirarem a pele ainda vivo
Não sou um tigre nascido para a selva a definhar triste atrás de umas grades
um elefante espicaçado para mostrar habilidades
ou uma ave com asas de lonjura engaioladas
Não sou pago para veicular mentiras na rádio, tv e jornais
nem sou administrador, director ou accionista de empresas
que lucram com o trabalho escravo de mulheres, homens e crianças
Não sou um médico ao serviço da indústria farmacêutica
nem um profissional da alienação das consciências
Não sou uma mãe a ver os filhos despedaçados por mísseis
ou violados e mortos à sua frente
Não sou o presidente, o ministro ou o general
que no conforto do gabinete ordena o inferno para os outros
Não trabalho para empresas ávidas de lucro que poluem, devastam e destroem o planeta
que pertence igualmente a todos os seres vivos
e às gerações futuras de humanos e não-humanos
Não trafico drogas nem ilusões
e não vendo receitas de felicidade
Não pertenço nem quero pertencer às corporações dos senhores do mundo
ocultos na sombra a mudar governos e manipular povos como marionetas
Não sou um terrorista camuflado nem engravatado, com armas, ideologias ou planos económico-financeiros
nem um eleitor que confunde a democracia com votar de vez em quando
e não ter controle sobre quem elege
Não sou também um activista que sucumbe ao ódio e ao desespero
e envenena as causas que defende
com a violência que lhe estreita a mente e devora o coração
Não, não sou nada disto
Não sou ninguém especial
Apenas alguém que pode reconhecer a imensa liberdade e oportunidade de que agora mesmo desfruta
para apreciar a vida sem esquecer o sofrimento do mundo
e concentrar-se no essencial enquanto há energia e a morte não chega:
despertar a mente e o coração
e tudo fazer para expulsar a ignorância, o sofrimento e o absurdo da face da Terra
Sim, é isso que sou
Sim, é isso que és
e connosco a grande maioria dos humanos:
sementes de um Mundo Novo
Juntemo-nos e germinemos pois!
25 de Fevereiro de 2013
Escravo da ganância
rouba a bel-prazer
aceita o ignorante
a sentença de culpa
paga os impostos
alimenta o parasita
dorme o desabrigado
na hall do banco
que lhe roubou a casa
no chão,
um corpo encolhido
tolhido pela humilhação
um homem cansado
de dor enlouquece
espreita a fome
a miséria alheia
em cada esquina
enquanto o banqueiro
vestido de anjo
assalta o país
um homem sem nome
em tom de revolta
pede a quem dorme
que acorde e desperte
recorda que a vida
foi um dia assistida