«Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos. Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no continente que os seus pais conquistaram.»
- Thomas Jefferson, 1806
domingo, 3 de março de 2013
sábado, 2 de março de 2013
Programa do Diálogos com a Ciência IV - O Eu e o Nós em Sociedade
A quarta edição dos Diálogos com a Ciência, cujo comissário é Vicente Ferreira da Silva, e cujo tema geral é o Eu e o Nós em Sociedade, começa já na próxima quinta-feira, 7 de Março, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto, às 21:30, e decorrerá até 8 de Maio.
7 Mar – Paulo Morais e Paulo Borges
21 Mar – António Tavares, Rui Moreira
4 Abr – Frei Fernando Ventura e Luísa Malato
18 Abr – Carlos Miguel Sousa e Victor Bento
8 Maio – Rodrigues do Carmo, Garcia Leandro e Bispo do Porto
Entrada livre!
7 Mar – Paulo Morais e Paulo Borges
21 Mar – António Tavares, Rui Moreira
4 Abr – Frei Fernando Ventura e Luísa Malato
18 Abr – Carlos Miguel Sousa e Victor Bento
8 Maio – Rodrigues do Carmo, Garcia Leandro e Bispo do Porto
Entrada livre!
"O governo é e deve ser instituído para comum benefício, protecção e segurança do povo, nação ou comunidade"
“3. O governo é e deve ser instituído para comum benefício, protecção e segurança do povo, nação ou comunidade. De todas as formas de governo, a melhor é aquela capaz de produzir o maior grau de felicidade e segurança, e a que mais efectivamente ofereça garantia contra o perigo da má administração. Sempre que algum governo for considerado inepto ou contrário a esses fins, a maioria da comunidade tem o direito indubitável, inalienável e irrevogável de reformá-lo, modificá-lo ou aboli-lo, da maneira que julgar mais proveitosa ao bem-estar geral”
- Declaração de Direitos (Bill of Rights) da Virgínia, votada em 12 de Junho de 1776.
- Declaração de Direitos (Bill of Rights) da Virgínia, votada em 12 de Junho de 1776.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
"Primeiro, a cultura, o espírito, o sentido da transcendência; depois, por inevitável arrasto de exigência cívica, o progresso tecnológico"
“Bom governo seria hoje aquele que, por múltiplos meios, apostasse em fazer de cada português, não um robot técnico de fato cinzento, camisa azul e gravata verde ou amarela (actual fato-macaco do cidadão técnico), que é sempre um cidadão inconscientemente instrumento de cruéis estruturas económicas, mas um homem culto, consciente do seu lugar na sociedade e na história. Portugal precisa menos de um choque tecnológico (experimentado pelo pombalismo, pelo fontismo e pelo cavaquismo, cujas consequências em nada mudaram o nosso ser, limitando-se a uma mera actualização de instrumentos técnicos ao serviço da sociedade civil e do aparelho de Estado) e mais de um choque cultural, elevando cada cidadão a um exigente patamar de conhecimento humanista e cívico que, por arrasto, geraria inevitavelmente o desejado choque tecnológico. Primeiro, a cultura, o espírito, o sentido da transcendência; depois, por inevitável arrasto de exigência cívica, o progresso tecnológico. A brutal inversão destes valores pelos actuais governantes evidencia tanto a sua pobreza de espírito quanto o projecto pombalino desumanamente tecnocrático em que se encontra empenhado”
- Miguel Real, A Morte de Portugal, Porto, Campo das Letras, 2007, pp.19-20.
- Miguel Real, A Morte de Portugal, Porto, Campo das Letras, 2007, pp.19-20.
"Gostar de animais não significa gostar menos dos humanos. A compaixão origina compaixão"
"Algumas pessoas perguntam: "Porque é que está a trabalhar para os animais, quando há tantas pessoas que precisam de ajuda?" A resposta é simples: Muitas pessoas que trabalham para os animais pelo mundo fora também trabalham altruistamente para as pessoas. Gostar de animais não significa gostar menos dos humanos. A compaixão origina compaixão. 
- Marc Bekoff

- Marc Bekoff
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Manifestação Meditativa por uma Nova Civilização, 2 de Março, 14h, junto à Assembleia da República
O Círculo do Entre-Ser, associação filosófica e ética, o Movimento Amorcracia Portugal e o MedMob Oeiras organizam uma manifestação meditativa no Jardim Bento de Jesus Caraça, à esquerda da Assembleia da República, no dia 2 de Março, pelas 14h00.
Num momento crítico de Portugal, da Europa e do mundo, em que assistimos ao colapso de uma civilização baseada na ignorância da interconexão entre todos os seres vivos e a Terra, no mito de um desenvolvimento económico e tecnológico sem limites e na consequente opressão, exploração e violência a que são submetidos a natureza e os seres humanos e não-humanos, urge descobrir um novo paradigma civilizacional que transforme também o activismo e as formas de intervenção social, cívica e política. A meditação, ou seja, a capacidade de manter a mente num estado de atenção plena, calma e clara ao que se passa aqui e agora em nós e à nossa volta, numa abertura amorosa e imparcial, é hoje redescoberta por um número crescente de pessoas e instituições e tem imensos benefícios cientificamente reconhecidos em termos cognitivos, terapêuticos, pedagógicos e sociais. É chegado o momento de a trazer também para a intervenção cívica e política, assumindo-a como o fundamento de um activismo mais consciente, que esteja ao serviço de todas as causas justas livre de medo, avidez, ódio e violência. O mundo carece urgentemente de uma espiritualidade laica, transversal a crentes e descrentes, que nos permita enraizar a palavra e a acção exterior na experiência do silêncio e da paz interior, fonte de toda a transformação autêntica e profunda.
Convidamos assim todos a que se juntem a nós no dia 2, às 14h, para fazermos do nosso silêncio atento e amoroso a manifestação de que os seres vivos e a Terra valem infinitamente mais do que todos os critérios económico-financeiros e tecnocráticos e de que a política deve estar ao serviço de uma ética global e de uma vida mais feliz para todos os seres, humanos e não-humanos.
Por uma nova civilização, livre de ignorância, opressão e violência!
Círculo do Entre-Ser
Num momento crítico de Portugal, da Europa e do mundo, em que assistimos ao colapso de uma civilização baseada na ignorância da interconexão entre todos os seres vivos e a Terra, no mito de um desenvolvimento económico e tecnológico sem limites e na consequente opressão, exploração e violência a que são submetidos a natureza e os seres humanos e não-humanos, urge descobrir um novo paradigma civilizacional que transforme também o activismo e as formas de intervenção social, cívica e política. A meditação, ou seja, a capacidade de manter a mente num estado de atenção plena, calma e clara ao que se passa aqui e agora em nós e à nossa volta, numa abertura amorosa e imparcial, é hoje redescoberta por um número crescente de pessoas e instituições e tem imensos benefícios cientificamente reconhecidos em termos cognitivos, terapêuticos, pedagógicos e sociais. É chegado o momento de a trazer também para a intervenção cívica e política, assumindo-a como o fundamento de um activismo mais consciente, que esteja ao serviço de todas as causas justas livre de medo, avidez, ódio e violência. O mundo carece urgentemente de uma espiritualidade laica, transversal a crentes e descrentes, que nos permita enraizar a palavra e a acção exterior na experiência do silêncio e da paz interior, fonte de toda a transformação autêntica e profunda.
Convidamos assim todos a que se juntem a nós no dia 2, às 14h, para fazermos do nosso silêncio atento e amoroso a manifestação de que os seres vivos e a Terra valem infinitamente mais do que todos os critérios económico-financeiros e tecnocráticos e de que a política deve estar ao serviço de uma ética global e de uma vida mais feliz para todos os seres, humanos e não-humanos.
Por uma nova civilização, livre de ignorância, opressão e violência!
Círculo do Entre-Ser
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
As ideias políticas do Buda: o governante e o governo justos
“No tempo em que o Buda vivia havia, como hoje, soberanos que governavam injustamente os seus Estados. Levantavam impostos excessivos e infligiam castigos cruéis. O povo era oprimido e explorado, torturado e perseguido. O Buda ficava profundamente comovido com estes tratamentos desumanos. O Dhammapadatthakatha conta que ele focou então a sua atenção no problema do bom governo. As suas ideia devem ser apreciadas no contexto social, económico e político do seu tempo. Ele mostrou como todo um país podia tornar-se corrupto, degenerado e infeliz quando os chefes do governo, ou seja, rei, ministros e funcionários, se tornam eles mesmos corruptos e injustos. Para que um país seja feliz deve ter um governo justo. Os princípios deste governo justo são expostos pelo Buda no seu ensinamento sobre os “Dez Deveres do Rei” (Dasa-raja-dhamma
), tal qual é dado nos Jataka.
Bem entendido, a palavra “rei” (Raja) de outrora deve ser substituída hoje pela palavra “governo”. Por conseguinte, os “Dez Deveres do Rei” aplicam-se agora a todos aqueles que participam no governo, chefe de Estado, ministros, chefes políticos, membros do corpo legislativo e funcionários de administração.
1. O primeiro destes dez deveres é a liberalidade, a generosidade, a caridade (dana). O soberano não deve ter avidez nem apego pela riqueza e pela propriedade, mas deve dispor delas para o bem-estar do povo.
2. Um carácter moral elevado (sila). Ele não deve jamais destruir a vida, enganar, roubar, explorar os outros, cometer adultério, dizer coisas falsas ou tomar bebidas inebriantes. Isto é, ele deve pelo menos observar os Cinco Preceitos do laico.
3. Sacrificar tudo pelo bem do povo (pariccaga). Ele deve estar pronto a sacrificar o seu conforto, o seu nome e o seu renome, e mesmo a sua vida, pelo interesse do povo.
4. Honestidade e integridade (ajjava). Ele deve estar livre de medo ou de favor no exercício dos seus deveres; deve ser sincero nas suas intenções e não deve enganar o público.
5. Amabilidade e afabilidade (maddava). Ele deve ter um temperamento doce.
6. Austeridade nos seus hábitos (tapa). Ele deve levar uma vida simples e não deve entregar-se ao luxo. Deve estar na posse de si mesmo.
7. Ausência de ódio, má-vontade, inimizade (akkodha). Não deve guardar rancor a ninguém.
8. Não-violência (avihimsa), o que significa que deve não somente não fazer mal a ninguém, mas também que deve esforçar-se por fazer reinar a paz evitando e impedindo a guerra e todas as coisas que impliquem violência e destruição da vida.
9. Paciência, perdão, tolerância, compreensão (khanti). Ele deve ser capaz de suportar as provas, as dificuldades e os insultos sem se enfurecer.
10. Não-oposição, não-obstrução (avirodha). Isto é, ele não deve opor-se à vontade popular, não contrariar nenhuma medida favorável ao bem-estar do povo. Noutros termos, ele deve manter-se em harmonia com o povo.
É inútil dizer quão feliz seria um país governado por homens que possuíssem estas qualidades. E não é todavia uma Utopia pois houve no passado reis como Asoka na Índia que estabeleceram os seus reinos sobre o fundamento destas ideias”
- Walpola Rahula, L’enseignement du Bouddha selon les textes les plus anciens, Paris, Éditions du Seuil, 1978, pp.118-119.
), tal qual é dado nos Jataka. Bem entendido, a palavra “rei” (Raja) de outrora deve ser substituída hoje pela palavra “governo”. Por conseguinte, os “Dez Deveres do Rei” aplicam-se agora a todos aqueles que participam no governo, chefe de Estado, ministros, chefes políticos, membros do corpo legislativo e funcionários de administração.
1. O primeiro destes dez deveres é a liberalidade, a generosidade, a caridade (dana). O soberano não deve ter avidez nem apego pela riqueza e pela propriedade, mas deve dispor delas para o bem-estar do povo.
2. Um carácter moral elevado (sila). Ele não deve jamais destruir a vida, enganar, roubar, explorar os outros, cometer adultério, dizer coisas falsas ou tomar bebidas inebriantes. Isto é, ele deve pelo menos observar os Cinco Preceitos do laico.
3. Sacrificar tudo pelo bem do povo (pariccaga). Ele deve estar pronto a sacrificar o seu conforto, o seu nome e o seu renome, e mesmo a sua vida, pelo interesse do povo.
4. Honestidade e integridade (ajjava). Ele deve estar livre de medo ou de favor no exercício dos seus deveres; deve ser sincero nas suas intenções e não deve enganar o público.
5. Amabilidade e afabilidade (maddava). Ele deve ter um temperamento doce.
6. Austeridade nos seus hábitos (tapa). Ele deve levar uma vida simples e não deve entregar-se ao luxo. Deve estar na posse de si mesmo.
7. Ausência de ódio, má-vontade, inimizade (akkodha). Não deve guardar rancor a ninguém.
8. Não-violência (avihimsa), o que significa que deve não somente não fazer mal a ninguém, mas também que deve esforçar-se por fazer reinar a paz evitando e impedindo a guerra e todas as coisas que impliquem violência e destruição da vida.
9. Paciência, perdão, tolerância, compreensão (khanti). Ele deve ser capaz de suportar as provas, as dificuldades e os insultos sem se enfurecer.
10. Não-oposição, não-obstrução (avirodha). Isto é, ele não deve opor-se à vontade popular, não contrariar nenhuma medida favorável ao bem-estar do povo. Noutros termos, ele deve manter-se em harmonia com o povo.
É inútil dizer quão feliz seria um país governado por homens que possuíssem estas qualidades. E não é todavia uma Utopia pois houve no passado reis como Asoka na Índia que estabeleceram os seus reinos sobre o fundamento destas ideias”
- Walpola Rahula, L’enseignement du Bouddha selon les textes les plus anciens, Paris, Éditions du Seuil, 1978, pp.118-119.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Não sou um bombista nem as suas vítimas na Síria
Não sou um bombista nem as suas vítimas na Síria
nem um tibetano a imolar-se por desespero na sua terra ocupada
Não sou um toureiro, um cavalo ou um touro com o lombo trespassado
numa arena de sangue, dor e morte
Também não estou na multidão em êxtase que paga para que isso aconteça
Não sou um especulador financeiro que enriquece com a miséria das populações
nem um ministro ou juiz que decide a favor dos poderosos
Não sou um cão ou gato abandonado por quem se cansou do meu amor
nem estou a tremer de medo e angústia num canil de abate
Não sou um porco, uma vaca ou um frango amontoado num campo de concentração
para oferecer vinte minutos de prazer aos humanos
e intoxicá-los com a minha carne envenenada
Não sou uma mãe separada dos filhos
com as tetas a escorrer pus escrava da ordenha mecânica
para que os humanos bebam o leite que não necessitam e os faz adoecer
Não sou um deputado pago para esquecer quem o elegeu
nem um primeiro-ministro ou presidente a vender o seu país aos senhores do mundo
Não sou um rato torturado e aberto em vida para que a ciência conclua que sofro
nem estou a ser morto à pancada para me retirarem a pele ainda vivo
Não sou um tigre nascido para a selva a definhar triste atrás de umas grades
um elefante espicaçado para mostrar habilidades
ou uma ave com asas de lonjura engaioladas
Não sou pago para veicular mentiras na rádio, tv e jornais
nem sou administrador, director ou accionista de empresas
que lucram com o trabalho escravo de mulheres, homens e crianças
Não sou um médico ao serviço da indústria farmacêutica
nem um profissional da alienação das consciências
Não sou uma mãe a ver os filhos despedaçados por mísseis
ou violados e mortos à sua frente
Não sou o presidente, o ministro ou o general
que no conforto do gabinete ordena o inferno para os outros
Não trabalho para empresas ávidas de lucro que poluem, devastam e destroem o planeta
que pertence igualmente a todos os seres vivos
e às gerações futuras de humanos e não-humanos
Não trafico drogas nem ilusões
e não vendo receitas de felicidade
Não pertenço nem quero pertencer às corporações dos senhores do mundo
ocultos na sombra a mudar governos e manipular povos como marionetas
Não sou um terrorista camuflado nem engravatado, com armas, ideologias ou planos económico-financeiros
nem um eleitor que confunde a democracia com votar de vez em quando
e não ter controle sobre quem elege
Não sou também um activista que sucumbe ao ódio e ao desespero
e envenena as causas que defende
com a violência que lhe estreita a mente e devora o coração
Não, não sou nada disto
Não sou ninguém especial
Apenas alguém que pode reconhecer a imensa liberdade e oportunidade de que agora mesmo desfruta
para apreciar a vida sem esquecer o sofrimento do mundo
e concentrar-se no essencial enquanto há energia e a morte não chega:
despertar a mente e o coração
e tudo fazer para expulsar a ignorância, o sofrimento e o absurdo da face da Terra
Sim, é isso que sou
Sim, é isso que és
e connosco a grande maioria dos humanos:
sementes de um Mundo Novo
Juntemo-nos e germinemos pois!
25 de Fevereiro de 2013
nem um tibetano a imolar-se por desespero na sua terra ocupada
Não sou um toureiro, um cavalo ou um touro com o lombo trespassado
numa arena de sangue, dor e morte
Também não estou na multidão em êxtase que paga para que isso aconteça
Não sou um especulador financeiro que enriquece com a miséria das populações
nem um ministro ou juiz que decide a favor dos poderosos
Não sou um cão ou gato abandonado por quem se cansou do meu amor
nem estou a tremer de medo e angústia num canil de abate
Não sou um porco, uma vaca ou um frango amontoado num campo de concentração
para oferecer vinte minutos de prazer aos humanos
e intoxicá-los com a minha carne envenenada
Não sou uma mãe separada dos filhos
com as tetas a escorrer pus escrava da ordenha mecânica
para que os humanos bebam o leite que não necessitam e os faz adoecer
Não sou um deputado pago para esquecer quem o elegeu
nem um primeiro-ministro ou presidente a vender o seu país aos senhores do mundo
Não sou um rato torturado e aberto em vida para que a ciência conclua que sofro
nem estou a ser morto à pancada para me retirarem a pele ainda vivo
Não sou um tigre nascido para a selva a definhar triste atrás de umas grades
um elefante espicaçado para mostrar habilidades
ou uma ave com asas de lonjura engaioladas
Não sou pago para veicular mentiras na rádio, tv e jornais
nem sou administrador, director ou accionista de empresas
que lucram com o trabalho escravo de mulheres, homens e crianças
Não sou um médico ao serviço da indústria farmacêutica
nem um profissional da alienação das consciências
Não sou uma mãe a ver os filhos despedaçados por mísseis
ou violados e mortos à sua frente
Não sou o presidente, o ministro ou o general
que no conforto do gabinete ordena o inferno para os outros
Não trabalho para empresas ávidas de lucro que poluem, devastam e destroem o planeta
que pertence igualmente a todos os seres vivos
e às gerações futuras de humanos e não-humanos
Não trafico drogas nem ilusões
e não vendo receitas de felicidade
Não pertenço nem quero pertencer às corporações dos senhores do mundo
ocultos na sombra a mudar governos e manipular povos como marionetas
Não sou um terrorista camuflado nem engravatado, com armas, ideologias ou planos económico-financeiros
nem um eleitor que confunde a democracia com votar de vez em quando
e não ter controle sobre quem elege
Não sou também um activista que sucumbe ao ódio e ao desespero
e envenena as causas que defende
com a violência que lhe estreita a mente e devora o coração
Não, não sou nada disto
Não sou ninguém especial
Apenas alguém que pode reconhecer a imensa liberdade e oportunidade de que agora mesmo desfruta
para apreciar a vida sem esquecer o sofrimento do mundo
e concentrar-se no essencial enquanto há energia e a morte não chega:
despertar a mente e o coração
e tudo fazer para expulsar a ignorância, o sofrimento e o absurdo da face da Terra
Sim, é isso que sou
Sim, é isso que és
e connosco a grande maioria dos humanos:
sementes de um Mundo Novo
Juntemo-nos e germinemos pois!
25 de Fevereiro de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Seminário Internacional «Fernando Pessoa e o Oriente»
Etiquetas:
Fernando Pessoa,
Oriente
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Escravo da ganância
rouba a bel-prazer
aceita o ignorante
a sentença de culpa
paga os impostos
alimenta o parasita
dorme o desabrigado
na hall do banco
que lhe roubou a casa
no chão,
um corpo encolhido
tolhido pela humilhação
um homem cansado
de dor enlouquece
espreita a fome
a miséria alheia
em cada esquina
enquanto o banqueiro
vestido de anjo
assalta o país
um homem sem nome
em tom de revolta
pede a quem dorme
que acorde e desperte
recorda que a vida
foi um dia assistida
rouba a bel-prazer
aceita o ignorante
a sentença de culpa
paga os impostos
alimenta o parasita
dorme o desabrigado
na hall do banco
que lhe roubou a casa
no chão,
um corpo encolhido
tolhido pela humilhação
um homem cansado
de dor enlouquece
espreita a fome
a miséria alheia
em cada esquina
enquanto o banqueiro
vestido de anjo
assalta o país
um homem sem nome
em tom de revolta
pede a quem dorme
que acorde e desperte
recorda que a vida
foi um dia assistida
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Apresentação do livro de Inês da Conceição do Carmo Borges "O Solar de Santana, Museu Municipal de Tondela e a Arquitectura Senhorial da Região" (Prémio Aurélio Soares Calçada), no Casino da Figueira da Foz, no dia 23 de Fevereiro de 2013, pelas 16:30H
Apresentação do livro de Inês da Conceição do Carmo Borges "O Solar de Santana, Museu Municipal de Tondela e a Arquitectura Senhorial da Região" (Prémio Aurélio Soares Calçada), no Casino da Figueira da Foz, no dia 23 de Fevereiro de 2013, pelas 16:30H (sábado). Sobre o livro usarão da palavra o Dr. José Valle de Figueiredo, poeta e ensaísta, e o Dr. Carlos Marta, Presidente da Câmara Municipal de Tondela.
Momento Musical com David Migueis (clarinete) e Daniel Migueis (violino).
Dão de Honra, patrocinado pela CVR Solar do Dão (Viseu).
Livro de História de Arte, Aquitectura, Urbanismo, Museologia, Empreendedorismo.
Capa: Design Gráfico de Xénia Pereira Reys; Concepção Gráfica de Luiz Pires dos Reys (ambos da equipa da Revista Cultura Entre Culturas); Fotografia de Marcus Garcia (em 2004 Marcus recebe a menção honrosa do Prémio Fnac -- Novos talentos da Fotografia Portuguesa com o trabalho -- MAPA).
Execução Gráfica Palimage/Artipol, Lda., com composição de José Luís Santos e tratamento de fotografias de Hugo Rios
Apoios: CÂMARA MUNICIPAL DE TONDELA
LABESFAL GENÉRICOS - GRUPO FRESENIUS KABI
GRUPO RUI COSTA E SOUSA & IRMÃO, SA
Titulo:"O SOLAR DE SANTANA,MUSEU MUNICIPAL DE TONDELA E A ARQUITECTURA SENHORIAL DA REGIÃO"
PREFÁCIO:
O livro de Inês Borges, dedicado ao emblemático Solar de Santana — berço de uma família ilustre de Tondela e marcando o território urbano da sua mole de uma vetusta dignidade — é uma obra importante e que merece verdadeiramente ser publicada. Importante do duplo ponto de vista de uma História da Arquitectura Local (que muito importa ir alicerçando com os foros de cidadania que já detém a História Local, nomeadamente ao nível das instituições) e, em mais ampla perspectiva,de um estudo sistemático da Arquitectura Civil, que, por força da sua dificuldade, longamente vem ocupando a sombra da História da Arquitectura.
(...)
António Filipe Pimentel (Subdirector-geral da Direcção Geral do Património Cultural)
Autor: Inês do Carmo Borges
Colecção Raiz do Tempo
Género: História/Museologia
ISBN: 978-972-8999-97-1
Ano: 2011
Páginas: 632
Dimensões: 17.0x24.0cm
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Dizem que pareço com ele. Outros fazem de mim, o que ela é. Dizem, que dele e dela herdo a vontade de vida. Dizem isto e aquilo e eu me arrepio. Porque às vezes, sou ele e doutras sou ela. Quando anoitece o ano velho, com colheres de pau, fazem das panelas tambores. Bendita é a loucura que me abraça o coração. Dela nasce o poema.
Se vejo a serpente em forma de gente e com ela danço, é porque dizem que herdo a vontade de ser.
Ele tem nome e ela também. Fazem parte de todas as partes que conheço. Em cada curva, o desvio do encontro.
Dizem isto e aquilo, e eu me arrepio com cada sorriso escondido no pranto.
No inferno descubro o anjo. No paraíso, abraça-me o diabo. No caminho, entre o que fui e sou, esqueço.
Dizem isto e aquilo, enquanto morro e nasço.
Se vejo a serpente em forma de gente e com ela danço, é porque dizem que herdo a vontade de ser.
Ele tem nome e ela também. Fazem parte de todas as partes que conheço. Em cada curva, o desvio do encontro.
Dizem isto e aquilo, e eu me arrepio com cada sorriso escondido no pranto.
No inferno descubro o anjo. No paraíso, abraça-me o diabo. No caminho, entre o que fui e sou, esqueço.
Dizem isto e aquilo, enquanto morro e nasço.
sábado, 26 de janeiro de 2013
Há dias em que as manhãs chamam a noite fria. Nas madrugadas molhadas, desprotegidas da vida - sem cor. Insónia que habita o sono da dor. Nas ruas moram mendigos à força. Doutores letrados desenham a fome com teimosia. Em cada esquina, em cada corpo desabrigado, a miséria cresce vitoriosa. Há dias em que as manhãs, não são senão esta noite teimosa, longa que adormeceu o meu país.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
domingo, 30 de dezembro de 2012
Entrevista sobre a presença arábico-islâmica e Sufi em Fernando Pessoa
A nossa grande tradição arabe – de tolerancia e de livre civilização.
E é na proporção em que formos os mantenedores do spirito arabe na Europa que teremos uma individualidade àparte.
Fernando Pessoa
Assinalamos com prazer uma entrevista com um investigador da Universidade de Lisboa, cuja investigação é dedicada à presença arábico-islâmica na obra de Fernando Pessoa.
Esta entrevista foi publicada no blogue Um Fernando Pessoa e informa-nos sobre o interesse de Pessoa pela civilização islâmica, e nomeadamente pelo Sufismo.
A entrevista encontra-se aqui (clicar na ligação para a ler):
Assinalamos também o blogue deste investigador, dedicado ao mesmo tema:
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Fernando Pessoa
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Portugal. Natal 2012
No Natal
Dorme na rua
desagalhado
Pede a Deus
Uma noite de calor
Na minha infância o Natal era tropical, feito de chuva e calor. Em casa, um bonsai replicava um pinheiro ancião. Mil passarinhos feitos de papel manteiga, vestiam-no de branco, inventando o inverno. Naquele pedaço de mundo, a neve era tão quente como o nosso coração.
Só muitos anos depois é que eu soube que o bonsai é planta que cresce presa. Cria raízes no sofrimento. Modificada, ganha a dimensão da natureza numa bandeja. Mil passarinhos vestiam o nosso pinheirinho desejando longa vida. Como o nosso bonsai, os tsurus viviam para além dos dias. Memória dos nossos corações de criança.
Um sorriso
simula um abraço
a quem na rua
tem o seu abrigo.
Quando me contaram que o Pai Natal não passava de um conto de fadas, entendi o meu desconforto. Tantos anos a entrar pelas chaminés, com renas e neve, sempre no mesmo dia, em todos os lugares do mundo, beneficiando uns e esquecendo outros. Pedi então, que Deus existisse, mesmo que eu não soubesse como, porque nos dias difíceis só ele poderia me valer.
uma mãe deu à luz
uma criança sem casa
Não houve Reis Magos
a proteger a cria
Em cada esquina encontro uma luz que se apaga, dando conta do tempo que vivo. Mais um amigo sem emprego, mais uma criança com fome. Em cada cada esquina, padeço de tristeza, porque o Natal hoje, em Portugal, é tão mentiroso como o Pai Natal.
Possa o meu coração ser suficiente para aquecer a criança que acaba de nascer.
No Natal
Dorme na rua
desagalhado
Pede a Deus
Uma noite de calor
Na minha infância o Natal era tropical, feito de chuva e calor. Em casa, um bonsai replicava um pinheiro ancião. Mil passarinhos feitos de papel manteiga, vestiam-no de branco, inventando o inverno. Naquele pedaço de mundo, a neve era tão quente como o nosso coração.
Só muitos anos depois é que eu soube que o bonsai é planta que cresce presa. Cria raízes no sofrimento. Modificada, ganha a dimensão da natureza numa bandeja. Mil passarinhos vestiam o nosso pinheirinho desejando longa vida. Como o nosso bonsai, os tsurus viviam para além dos dias. Memória dos nossos corações de criança.
Um sorriso
simula um abraço
a quem na rua
tem o seu abrigo.
Quando me contaram que o Pai Natal não passava de um conto de fadas, entendi o meu desconforto. Tantos anos a entrar pelas chaminés, com renas e neve, sempre no mesmo dia, em todos os lugares do mundo, beneficiando uns e esquecendo outros. Pedi então, que Deus existisse, mesmo que eu não soubesse como, porque nos dias difíceis só ele poderia me valer.
uma mãe deu à luz
uma criança sem casa
Não houve Reis Magos
a proteger a cria
Em cada esquina encontro uma luz que se apaga, dando conta do tempo que vivo. Mais um amigo sem emprego, mais uma criança com fome. Em cada cada esquina, padeço de tristeza, porque o Natal hoje, em Portugal, é tão mentiroso como o Pai Natal.
Possa o meu coração ser suficiente para aquecer a criança que acaba de nascer.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Notas sobre a presença arábico-islâmica em Fernando Pessoa
Conferência
29 de Novembro, 16h00, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
projeto de investigação
ORIENTALISMO PORTUGUÊS: TEXTOS E CONTEXTOS (1850-1950)
oficina de trabalho - 2.º ciclo
ORIENTALISMO PORTUGUÊS: ESPAÇO DE DIÁLOGO INTERDISCIPLINAR
SESSÃO 9
29 NOVEMBRO 2012
Fabrizio Boscaglia (Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa)
NOTAS SOBRE A PRESENÇA ARÁBICO-ISLÂMICA EM FERNANDO PESSOA
16h-18h, SALA DE VÍDEO 1 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Sinopse
O objetivo principal desta comunicação é apresentar alguns aspetos da reflexão de Pessoa sobre a presença arábico-islâmica no seu pensamento estético, filosófico e religioso. Pretende-se sobretudo dar atenção a alguns textos de António Mora que identificam o “elemento árabe” como uma das raízes de dois ismos elaborados por Pessoa, o sensacionismo e o neopaganismo, no contexto de um interesse geral de Pessoa sobre a influência arábico-islâmica na cultura europeia e ibérica. Pretende-se além disso proporcionar algumas ideias para melhor poder contextualizar a presença arábico-islâmica – incluindo a de Omar Khayyām – na obra pessoana, dum ponto de vista biobibliográfico, cultural e civilizacional. No que diz respeito à metodologia, é dada particular atenção ao diálogo intertextual entre documentos do espólio e livros da biblioteca particular de Pessoa.
Breve nota biográfica
Fabrizio Boscaglia é membro do Centro de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde desenvolve uma investigação sobre a influência arábico-islâmica e persa no pensamento e na obra de Fernando Pessoa. Participou no projeto de digitalização da biblioteca particular de Fernando Pessoa na Casa Fernando Pessoa de Lisboa. Colabora como docente em Cursos de Especialização na Universidade de Lisboa. É membro do conselho editorial da revista Cultura entre Culturas. É conferencista e autor de publicações sobre literatura e filosofia em Portugal e no estrangeiro.
Centro de Estudos Comparatistas
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Alameda da Universidade
1600-214 Lisboa
Mais informações: http://arabismopessoano.blogspot.com
Etiquetas:
Fernando Pessoa
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