segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Escravo da ganância
rouba a bel-prazer
aceita o ignorante
a sentença de culpa
paga os impostos
alimenta o parasita
dorme o desabrigado
na hall do banco
que lhe roubou a casa
no chão,
um corpo encolhido
tolhido pela humilhação
um homem cansado
de dor enlouquece
espreita a fome
a miséria alheia
em cada esquina
enquanto o banqueiro
vestido de anjo
assalta o país
um homem sem nome
em tom de revolta
pede a quem dorme
que acorde e desperte
recorda que a vida
foi um dia assistida
rouba a bel-prazer
aceita o ignorante
a sentença de culpa
paga os impostos
alimenta o parasita
dorme o desabrigado
na hall do banco
que lhe roubou a casa
no chão,
um corpo encolhido
tolhido pela humilhação
um homem cansado
de dor enlouquece
espreita a fome
a miséria alheia
em cada esquina
enquanto o banqueiro
vestido de anjo
assalta o país
um homem sem nome
em tom de revolta
pede a quem dorme
que acorde e desperte
recorda que a vida
foi um dia assistida
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Apresentação do livro de Inês da Conceição do Carmo Borges "O Solar de Santana, Museu Municipal de Tondela e a Arquitectura Senhorial da Região" (Prémio Aurélio Soares Calçada), no Casino da Figueira da Foz, no dia 23 de Fevereiro de 2013, pelas 16:30H
Apresentação do livro de Inês da Conceição do Carmo Borges "O Solar de Santana, Museu Municipal de Tondela e a Arquitectura Senhorial da Região" (Prémio Aurélio Soares Calçada), no Casino da Figueira da Foz, no dia 23 de Fevereiro de 2013, pelas 16:30H (sábado). Sobre o livro usarão da palavra o Dr. José Valle de Figueiredo, poeta e ensaísta, e o Dr. Carlos Marta, Presidente da Câmara Municipal de Tondela.
Momento Musical com David Migueis (clarinete) e Daniel Migueis (violino).
Dão de Honra, patrocinado pela CVR Solar do Dão (Viseu).
Livro de História de Arte, Aquitectura, Urbanismo, Museologia, Empreendedorismo.
Capa: Design Gráfico de Xénia Pereira Reys; Concepção Gráfica de Luiz Pires dos Reys (ambos da equipa da Revista Cultura Entre Culturas); Fotografia de Marcus Garcia (em 2004 Marcus recebe a menção honrosa do Prémio Fnac -- Novos talentos da Fotografia Portuguesa com o trabalho -- MAPA).
Execução Gráfica Palimage/Artipol, Lda., com composição de José Luís Santos e tratamento de fotografias de Hugo Rios
Apoios: CÂMARA MUNICIPAL DE TONDELA
LABESFAL GENÉRICOS - GRUPO FRESENIUS KABI
GRUPO RUI COSTA E SOUSA & IRMÃO, SA
Titulo:"O SOLAR DE SANTANA,MUSEU MUNICIPAL DE TONDELA E A ARQUITECTURA SENHORIAL DA REGIÃO"
PREFÁCIO:
O livro de Inês Borges, dedicado ao emblemático Solar de Santana — berço de uma família ilustre de Tondela e marcando o território urbano da sua mole de uma vetusta dignidade — é uma obra importante e que merece verdadeiramente ser publicada. Importante do duplo ponto de vista de uma História da Arquitectura Local (que muito importa ir alicerçando com os foros de cidadania que já detém a História Local, nomeadamente ao nível das instituições) e, em mais ampla perspectiva,de um estudo sistemático da Arquitectura Civil, que, por força da sua dificuldade, longamente vem ocupando a sombra da História da Arquitectura.
(...)
António Filipe Pimentel (Subdirector-geral da Direcção Geral do Património Cultural)
Autor: Inês do Carmo Borges
Colecção Raiz do Tempo
Género: História/Museologia
ISBN: 978-972-8999-97-1
Ano: 2011
Páginas: 632
Dimensões: 17.0x24.0cm
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Dizem que pareço com ele. Outros fazem de mim, o que ela é. Dizem, que dele e dela herdo a vontade de vida. Dizem isto e aquilo e eu me arrepio. Porque às vezes, sou ele e doutras sou ela. Quando anoitece o ano velho, com colheres de pau, fazem das panelas tambores. Bendita é a loucura que me abraça o coração. Dela nasce o poema.
Se vejo a serpente em forma de gente e com ela danço, é porque dizem que herdo a vontade de ser.
Ele tem nome e ela também. Fazem parte de todas as partes que conheço. Em cada curva, o desvio do encontro.
Dizem isto e aquilo, e eu me arrepio com cada sorriso escondido no pranto.
No inferno descubro o anjo. No paraíso, abraça-me o diabo. No caminho, entre o que fui e sou, esqueço.
Dizem isto e aquilo, enquanto morro e nasço.
Se vejo a serpente em forma de gente e com ela danço, é porque dizem que herdo a vontade de ser.
Ele tem nome e ela também. Fazem parte de todas as partes que conheço. Em cada curva, o desvio do encontro.
Dizem isto e aquilo, e eu me arrepio com cada sorriso escondido no pranto.
No inferno descubro o anjo. No paraíso, abraça-me o diabo. No caminho, entre o que fui e sou, esqueço.
Dizem isto e aquilo, enquanto morro e nasço.
sábado, 26 de janeiro de 2013
Há dias em que as manhãs chamam a noite fria. Nas madrugadas molhadas, desprotegidas da vida - sem cor. Insónia que habita o sono da dor. Nas ruas moram mendigos à força. Doutores letrados desenham a fome com teimosia. Em cada esquina, em cada corpo desabrigado, a miséria cresce vitoriosa. Há dias em que as manhãs, não são senão esta noite teimosa, longa que adormeceu o meu país.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
domingo, 30 de dezembro de 2012
Entrevista sobre a presença arábico-islâmica e Sufi em Fernando Pessoa
A nossa grande tradição arabe – de tolerancia e de livre civilização.
E é na proporção em que formos os mantenedores do spirito arabe na Europa que teremos uma individualidade àparte.
Fernando Pessoa
Assinalamos com prazer uma entrevista com um investigador da Universidade de Lisboa, cuja investigação é dedicada à presença arábico-islâmica na obra de Fernando Pessoa.
Esta entrevista foi publicada no blogue Um Fernando Pessoa e informa-nos sobre o interesse de Pessoa pela civilização islâmica, e nomeadamente pelo Sufismo.
A entrevista encontra-se aqui (clicar na ligação para a ler):
Assinalamos também o blogue deste investigador, dedicado ao mesmo tema:
Etiquetas:
Fernando Pessoa
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Portugal. Natal 2012
No Natal
Dorme na rua
desagalhado
Pede a Deus
Uma noite de calor
Na minha infância o Natal era tropical, feito de chuva e calor. Em casa, um bonsai replicava um pinheiro ancião. Mil passarinhos feitos de papel manteiga, vestiam-no de branco, inventando o inverno. Naquele pedaço de mundo, a neve era tão quente como o nosso coração.
Só muitos anos depois é que eu soube que o bonsai é planta que cresce presa. Cria raízes no sofrimento. Modificada, ganha a dimensão da natureza numa bandeja. Mil passarinhos vestiam o nosso pinheirinho desejando longa vida. Como o nosso bonsai, os tsurus viviam para além dos dias. Memória dos nossos corações de criança.
Um sorriso
simula um abraço
a quem na rua
tem o seu abrigo.
Quando me contaram que o Pai Natal não passava de um conto de fadas, entendi o meu desconforto. Tantos anos a entrar pelas chaminés, com renas e neve, sempre no mesmo dia, em todos os lugares do mundo, beneficiando uns e esquecendo outros. Pedi então, que Deus existisse, mesmo que eu não soubesse como, porque nos dias difíceis só ele poderia me valer.
uma mãe deu à luz
uma criança sem casa
Não houve Reis Magos
a proteger a cria
Em cada esquina encontro uma luz que se apaga, dando conta do tempo que vivo. Mais um amigo sem emprego, mais uma criança com fome. Em cada cada esquina, padeço de tristeza, porque o Natal hoje, em Portugal, é tão mentiroso como o Pai Natal.
Possa o meu coração ser suficiente para aquecer a criança que acaba de nascer.
No Natal
Dorme na rua
desagalhado
Pede a Deus
Uma noite de calor
Na minha infância o Natal era tropical, feito de chuva e calor. Em casa, um bonsai replicava um pinheiro ancião. Mil passarinhos feitos de papel manteiga, vestiam-no de branco, inventando o inverno. Naquele pedaço de mundo, a neve era tão quente como o nosso coração.
Só muitos anos depois é que eu soube que o bonsai é planta que cresce presa. Cria raízes no sofrimento. Modificada, ganha a dimensão da natureza numa bandeja. Mil passarinhos vestiam o nosso pinheirinho desejando longa vida. Como o nosso bonsai, os tsurus viviam para além dos dias. Memória dos nossos corações de criança.
Um sorriso
simula um abraço
a quem na rua
tem o seu abrigo.
Quando me contaram que o Pai Natal não passava de um conto de fadas, entendi o meu desconforto. Tantos anos a entrar pelas chaminés, com renas e neve, sempre no mesmo dia, em todos os lugares do mundo, beneficiando uns e esquecendo outros. Pedi então, que Deus existisse, mesmo que eu não soubesse como, porque nos dias difíceis só ele poderia me valer.
uma mãe deu à luz
uma criança sem casa
Não houve Reis Magos
a proteger a cria
Em cada esquina encontro uma luz que se apaga, dando conta do tempo que vivo. Mais um amigo sem emprego, mais uma criança com fome. Em cada cada esquina, padeço de tristeza, porque o Natal hoje, em Portugal, é tão mentiroso como o Pai Natal.
Possa o meu coração ser suficiente para aquecer a criança que acaba de nascer.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Notas sobre a presença arábico-islâmica em Fernando Pessoa
Conferência
29 de Novembro, 16h00, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
projeto de investigação
ORIENTALISMO PORTUGUÊS: TEXTOS E CONTEXTOS (1850-1950)
oficina de trabalho - 2.º ciclo
ORIENTALISMO PORTUGUÊS: ESPAÇO DE DIÁLOGO INTERDISCIPLINAR
SESSÃO 9
29 NOVEMBRO 2012
Fabrizio Boscaglia (Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa)
NOTAS SOBRE A PRESENÇA ARÁBICO-ISLÂMICA EM FERNANDO PESSOA
16h-18h, SALA DE VÍDEO 1 | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Sinopse
O objetivo principal desta comunicação é apresentar alguns aspetos da reflexão de Pessoa sobre a presença arábico-islâmica no seu pensamento estético, filosófico e religioso. Pretende-se sobretudo dar atenção a alguns textos de António Mora que identificam o “elemento árabe” como uma das raízes de dois ismos elaborados por Pessoa, o sensacionismo e o neopaganismo, no contexto de um interesse geral de Pessoa sobre a influência arábico-islâmica na cultura europeia e ibérica. Pretende-se além disso proporcionar algumas ideias para melhor poder contextualizar a presença arábico-islâmica – incluindo a de Omar Khayyām – na obra pessoana, dum ponto de vista biobibliográfico, cultural e civilizacional. No que diz respeito à metodologia, é dada particular atenção ao diálogo intertextual entre documentos do espólio e livros da biblioteca particular de Pessoa.
Breve nota biográfica
Fabrizio Boscaglia é membro do Centro de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde desenvolve uma investigação sobre a influência arábico-islâmica e persa no pensamento e na obra de Fernando Pessoa. Participou no projeto de digitalização da biblioteca particular de Fernando Pessoa na Casa Fernando Pessoa de Lisboa. Colabora como docente em Cursos de Especialização na Universidade de Lisboa. É membro do conselho editorial da revista Cultura entre Culturas. É conferencista e autor de publicações sobre literatura e filosofia em Portugal e no estrangeiro.
Centro de Estudos Comparatistas
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Alameda da Universidade
1600-214 Lisboa
Mais informações: http://arabismopessoano.blogspot.com
Etiquetas:
Fernando Pessoa
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Sufi Dhikr with Sheikh Hassan Dyck La ilaha ilallah
Sufi Dhikr. Repetition of the holy Dhikr (mantra) La ilaha ilallah "There is no God but God"
Concert in Buenos Aires with Sheikh Hassan Dyck, Juan Lucangioli (Yahia) and Luciano Bertoluzzi
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Sinopse
"Jonas, um paulistano solitário, sempre acreditou nas palavras de sua mãe: “seu pai morreu assim que você nasceu, meu amor!”
Mas um dia, Jonas acaba descobrindo que, na verdade, seu pai é um cigano que, agora, deve viver em algum refúgio na Europa.
Juntando uns trocados, Jonas abandona a mãe e, seguindo poucas pistas, parte numa verdadeira missão.
Imigrante ilegal, Jonas conhece figuras incríveis e vive estranhas aventuras.
Suíça, Espanha, Itália, Grécia, Portugal...
Em terras lusitanas, Jonas zanza como animal ferido.
Lisboa, Évora, Açores.
Ele vasculha o país. Participa de uma tourada. Conhece amores brutos. Busca um teto, um prato, um copo, um cobertor ou uma mão estendida.
Longa é a jornada. Muitos os encontros e desencontros.
Até que Jonas alcance o coração de basalto."
"Jonas, um paulistano solitário, sempre acreditou nas palavras de sua mãe: “seu pai morreu assim que você nasceu, meu amor!”
Mas um dia, Jonas acaba descobrindo que, na verdade, seu pai é um cigano que, agora, deve viver em algum refúgio na Europa.
Juntando uns trocados, Jonas abandona a mãe e, seguindo poucas pistas, parte numa verdadeira missão.
Imigrante ilegal, Jonas conhece figuras incríveis e vive estranhas aventuras.
Suíça, Espanha, Itália, Grécia, Portugal...
Em terras lusitanas, Jonas zanza como animal ferido.
Lisboa, Évora, Açores.
Ele vasculha o país. Participa de uma tourada. Conhece amores brutos. Busca um teto, um prato, um copo, um cobertor ou uma mão estendida.
Longa é a jornada. Muitos os encontros e desencontros.
Até que Jonas alcance o coração de basalto."
entrada livre
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Versículos
UNIDADE
Há tempo de rir
e de chorar,
de alegria e de sofrimento.
A natureza não é dual
é Una
eventualmente, uma terceira instância.
Há que ser tudo!
Luís Santos
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
"La Spinalba" (1739), de Francisco António de Almeida
Sob a direcção de Marcos Magalhães, a ópera cómica La Spinalba ovvero Il Vecchio Matto de Francisco António de Almeida; um projecto de Marcos Magalhães e Marta Araújo.Spinalba: Ana Quintans
Togno: João Fernandes
Arsenio: Luís Rodrigues
Vespina: Joana Seara
Dianora: Cátia Moreso
Elisa: Inês Madeira
Ippolito: Fernando Guimarães
Leandro: Mário Alves
"Os Músicos do Tejo"
Direcção e cravo: Marcos Magalhães
Cravo e Produção: Marta Araújo
Produtor de som: Pierre Lavoix
apoios:
Governo de Portugal - Direcção geral das Artes
ISEG - Instituto Superior de Economia e Gestão
Câmara Municipal de Lisboa
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Versículos
Bagagem
Nunca se pede demais,
não se pode esperar mais
do que aquilo que se consegue ter.
Quando se tem
se é tido.
Luís Santos
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
PROJETO ARCO-ÍRIS
PROJETO ARCO-ÍRIS - As Empresas do Futuro: Tradição e Inovação
Angariar linha pública de apoio financeiro, pretensamente em condições
favoráveis (juro perdido?), que possa
apoiar Projetos naturalmente sustentáveis de desenvolvimento social. Eis alguns
deles:
.
Rede de lojas/hipermercados/ centros comerciais alternativos
- produtos alimentares
- produtos e terapias naturistas
- restauração
- livraria
- vestuário
. Rede
de unidades hoteleiras
-alimentação vegetariana
- retiros terapêuticos
- cursos de meditação
- cursos de cozinha vegetariana
. Rede
de restaurantes vegetarianos
.
Rede de medicinas naturistas/alternativas em interação com a medicina moderna.
. Rede
de Escolas com pedagogias inovadoras
.
Centros de Investigação Científica (religião, saúde, alimentação, desporto,
ecologia, lazer, política). Cursos Abertos. Formar grupos de pensamento
inter-religioso e trans-religioso aberto a ateus e agnósticos.
. Pensar
e concretizar Projetos na área do Desporto
. Apoio
à edição e distribuição de livros em temas que se relacionem com o Projeto e
afins; e igualmente a Projetos de Música.
. Apoiar
outros Projetos de Criação Artística
. Comunicação
Social
- Jornal Nacional
- Jornais Locais
- Televisão Cabo e Web
-
Rádio
Notinha: Depois das 2as. sem carne propomos que, em regra, se elimine o consumo de carne ao pequeno almoço, lanche e jantar, durante os restantes dias da semana. Talvez se tenham que introduzir complementos alimentares. Há que estudar e divulgar o assunto.
Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues
Minha cara não é feia
Minha mão não tem peçonha
Se eu não me casar
Não é uma pouca vergonha?
Sempre achei que esta era a estrofe seguinte ao poema da batatinha. Depois do jantar, meus pais sentavam-se no sofá da sala de estar e esperavam que eu recitasse. De frente para eles, enquanto declamava passava minhas mãos pela cara, abria os braços e perguntava convicta:
- Se eu não me casar não é uma pouca vergonha?
Minha mão não tem peçonha
Se eu não me casar
Não é uma pouca vergonha?
Sempre achei que esta era a estrofe seguinte ao poema da batatinha. Depois do jantar, meus pais sentavam-se no sofá da sala de estar e esperavam que eu recitasse. De frente para eles, enquanto declamava passava minhas mãos pela cara, abria os braços e perguntava convicta:
- Se eu não me casar não é uma pouca vergonha?
Então, meus pais batiam palmas e eu tinha a certeza que eles gostavam de mim.
Podia dormir descansada, porque em todos meus sonhos, os príncipes existiam como nos contos de fadas.
O Visconde de Sabugosa, a Emília, o Pedrinho e a Narizinho eram meus fieis companheiros. De dia ou de noite, bastava cheirar o pó de pirlimpimpim, que ganhávamos asas para outras viagens. As madrastas feias eram derrotadas e o mundo podia voltar a sorrir.
Quando aprendi a ler, minha professora deu-me um livro francês, que contava a história de uma baleia azul. Escreveu uma dedicatória dizendo que um dia eu também poderia contar histórias. Durante muitos anos, folheei o livro, adivinhando o enredo através das imagens.
Ficou a vontade secreta de que um dia eu escreveria numa língua em que todas as crianças do mundo reconheceriam. Uma língua que não precisaria de tradução, porque os sons seriam amigos. Abraçariam o coração, fariam cócegas no corpo , ririam e chorariam na cadência das histórias bonitas.
O livro da baleia azul ainda mora comigo. Sei de cor a sua história. Corre pelo meu corpo, agora, a caminho de outra infância.
Batatinha quando nasce
Espalha a rama pelo chão
A menina quando dorme
Põe a mão no coração
...
Se eu não me casar
Não é uma pouca vergonha?
No final da primária, senti uma dor aguda chamada despedida. Eu iria morar longe e nenhum dos meus amigos, nem daqueles por quem eu estava apaixonada seguiriam comigo. O pó de faz de conta, não acalmou a dor.
Na varanda, deitada na rede, ouvindo o mar eu cantava baixinho:
Quem parte leva saudades de alguém que fica chorando de dor
Por isso eu não quero lembrar quando partiu meu grande amor
Ai, ai, ai ai, ai ai ai,está chegando a hora
O dia já vem raiando, meu bem, eu tenho que ir embora
O meu amor eram tantos que juntos eram só um, e era tão intenso o que eu sentia que meu pai ensinou-me que esse vazio tão cheio se chamava saudade.
Disse ainda que umas vezes dói, outras acalma por dentro e nos faz sorrir.
Foi assim acolhendo o dia que aprendi a gostar do tempo que nasce e morre em cada manhã, como se fosse o poema que um dia prometi escrever numa língua em que todas as crianças entendem. Não tem gramática, nem acordos. Conjuga todos os verbos no presente sempre na primeira pessoa do plural, porque nela nos reconhecemos todos.
Enquanto minha mãe toca piano, meu pai ensina-me outro poema.
Podia dormir descansada, porque em todos meus sonhos, os príncipes existiam como nos contos de fadas.
O Visconde de Sabugosa, a Emília, o Pedrinho e a Narizinho eram meus fieis companheiros. De dia ou de noite, bastava cheirar o pó de pirlimpimpim, que ganhávamos asas para outras viagens. As madrastas feias eram derrotadas e o mundo podia voltar a sorrir.
Quando aprendi a ler, minha professora deu-me um livro francês, que contava a história de uma baleia azul. Escreveu uma dedicatória dizendo que um dia eu também poderia contar histórias. Durante muitos anos, folheei o livro, adivinhando o enredo através das imagens.
Ficou a vontade secreta de que um dia eu escreveria numa língua em que todas as crianças do mundo reconheceriam. Uma língua que não precisaria de tradução, porque os sons seriam amigos. Abraçariam o coração, fariam cócegas no corpo , ririam e chorariam na cadência das histórias bonitas.
O livro da baleia azul ainda mora comigo. Sei de cor a sua história. Corre pelo meu corpo, agora, a caminho de outra infância.
Batatinha quando nasce
Espalha a rama pelo chão
A menina quando dorme
Põe a mão no coração
...
Se eu não me casar
Não é uma pouca vergonha?
No final da primária, senti uma dor aguda chamada despedida. Eu iria morar longe e nenhum dos meus amigos, nem daqueles por quem eu estava apaixonada seguiriam comigo. O pó de faz de conta, não acalmou a dor.
Na varanda, deitada na rede, ouvindo o mar eu cantava baixinho:
Quem parte leva saudades de alguém que fica chorando de dor
Por isso eu não quero lembrar quando partiu meu grande amor
Ai, ai, ai ai, ai ai ai,está chegando a hora
O dia já vem raiando, meu bem, eu tenho que ir embora
O meu amor eram tantos que juntos eram só um, e era tão intenso o que eu sentia que meu pai ensinou-me que esse vazio tão cheio se chamava saudade.
Disse ainda que umas vezes dói, outras acalma por dentro e nos faz sorrir.
Foi assim acolhendo o dia que aprendi a gostar do tempo que nasce e morre em cada manhã, como se fosse o poema que um dia prometi escrever numa língua em que todas as crianças entendem. Não tem gramática, nem acordos. Conjuga todos os verbos no presente sempre na primeira pessoa do plural, porque nela nos reconhecemos todos.
Enquanto minha mãe toca piano, meu pai ensina-me outro poema.
Este, que mora no intervalo de cada palavra esquecida.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
No quarto de partida
Velha de teus olhos verdes,
Passageira final à barca,
Mulher de força, desgaste sólido,
Padroeira idosa já tão fraca.
Diz teu olhar de tão trémulo,
O cansaço pestanejante ainda vivo.
Do silêncio se escuta a sentença.
Que efémero momento, agora reflectindo.
A paz da tua cama
E da minha, a turbulência.
Esperando assim alegre fado.
Deitar-me-ei contigo para sempre
Nessa cama, que fofa,
Com o candeeiro apagado.
Diogo Correia
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