quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Brinde a Omar Kayam!
pó de nada.
Mas as rosas florescem mesmo do pó.
Do mesmo pó de estrelas
o poder torna escravo
Quem das rosas só as pétalas colhe
Descuidado.
Bebei, pois, de uma taça mais funda
Como quem se esquece
E no esquecer se lembra
que do cálice rubro
transborda a seiva que embriaga mais.
M.S.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
"Carnaval significa Sinceridade"
- Teixeira de Pascoaes, "Verbo Escuro".
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
A todos os Namorados e Amantes, ao Amor
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Sete Lágrimas - Senhora del Mundo
Villancico tradicional portugués de autor anónimo, que data del siglo XVI. Interpretado por el grupo luso Sete Lágrimas.Archivo de audio extraído del concierto celebrado el día 4 de diciembre de 2010 en el Auditorio de San Francisco de Baeza, con motivo del XIV Festival de Música Antigua Úbeda Baeza.Se ha acompañado con imágenes de Los Arribes del Duero, bellísima zona que supone la frontera entre España y Portugal a la altura de Castilla y León.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
"Eu vi-me a mim mesmo na pulga": Arne Naess, a ética da empatia e o si-mesmo ecológico

“O meu exemplo padrão envolve um ser não-humano que encontrei há quarenta anos. Estava a contemplar através de um velho microscópio o dramático encontro de duas gotas de diferentes químicos. Nesse momento, uma pulga saltou de um lemingue que estava a deambular pela mesa e aterrou no meio dos ácidos químicos. Salvá-la era impossível. Levou muitos minutos para que a pulga morresse. Os seus movimentos eram horrivelmente expressivos. Naturalmente, o que senti foi uma dolorosa sensação de compaixão e empatia, mas a empatia não era elementar; era antes um processo de identificação: «eu vi-me a mim mesmo na pulga»”
- Arne Naess, “Self-Realization: An Ecological Approach to Being in the World”, in AAVV, Deep Ecology for the 21st Century, editado por George Sessions, Boston, Shambhala, 1986.
“Pois Naess sugere que podemos escolher cultivar um mais amplo si-mesmo pela nossa própria identificação com a natureza e as coisas naturais, mediante a expansão do nosso círculo de tal identificação de maneiras que nos nutram e enriqueçam. Deste modo, o si-mesmo ecológico não é apenas uma espécie de coisa maleável, sendo também construído pelas identificações que escolhe fazer. Tal como na noção de iluminação de Gandhi, derivada do pensamento hindu, na qual o ser iluminado “se vê a si mesmo em toda a parte”, a ecologia profunda instiga-nos a encontrar realização mediante a identificação com a natureza. Em vez de avançar com uma ética que nos mande fazer o nosso dever, ou controlar os nossos desejos e apetites, Naess esperava que a sua forma de auto-realização nos iria encorajar a procurar o nosso próprio bem, como a sua directiva primária. Uma tal ética salvará o mundo, espera ele, mas não por via de fazer da regra “salva o mundo” a nossa primeira norma de conduta”
- Andrew BRENNAN / Y. S. LO, Understanding Environmental Philosophy, Durham, Acumen Publishing, 2010, pp.103-104.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Quem disse que à tua porta a minha (esverdeada) solidão bateu?
Quem disse que o poeta cavalga vinte vezes mais que o sangue do vidro?
Quem disse que a morte tem pressentimentos e brinca como uma criança?
Quem disse que a vida escreve-se de bruços?
Quem disse que, afinal, loucos são os pedreiros?
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
"Vivemos sob a ditadura do dinheiro e a economia é a nossa religião" - Satish Kumar (futuro colaborador da Cultura ENTRE Culturas)

Satish Kumar é um nome pouco conhecido, mas o do seu mentor não. Gandhi inspirou toda a filosofia do indiano de 75 anos, que na década de 60, em plena crise dos mísseis de Cuba, fez uma caminhada de 14 mil quilómetros pelo mundo contra as armas nucleares. Quase meio século depois, Satish lidera a Universidade Schumacher e dirige uma revista sobre sustentabilidade. O i encontrou-se com o antigo monge Jai (a religião de Gandhi) na Estação de Santa Apolónia, em Lisboa. Satish surgiu como o imaginávamos: enérgico, bem-disposto, simples. Tinha acabado de chegar do Porto, onde foi falar sobre sustentabilidade a convite da Gulbenkian.
Como correu a conferência?
O Porto faz-me lembrar uma cidade da Índia, Varanassi, uma cidade sagrada com cinco mil anos que fica nas margens do Ganges. Então comecei por dizer isto ao público, que me sentia em casa por isso, e depois falei de sustentabilidade.
E o que disse?
Que a sustentabilidade não virá dos bancos nem do dinheiro. Sustentabilidade tem de vir do país, da nossa terra, temos que prestar mais atenção à agricultura, à comida, ao queijo, ao vinho, ao azeite e a outras coisas que, para o Porto, podem vir de um raio de 500 quilómetros. Assim passamos a precisar de menos transportes que são baseados em combustíveis fósseis, porque para os termos, temos de entrar em guerra na Líbia. Os combustíveis fósseis não são politicamente sustentáveis, nem economicamente sustentáveis, nem humanamente sustentáveis. Vamos fazer do Porto e de Portugal sítios mais independentes e evitar que os chineses nos tirem empregos e capacidades.
Como assim?
Hoje em dia tudo é feito na China. Eles levam o algodão e trazem-no em tecidos. E é assim que as pessoas perdem capacidades. E agora eles fazem as coisas baratas mas dentro de dez anos não vão ser baratas. Vamos para a China usar trabalho barato mas isso irá tornar-se caro, porque os nossos povos não vão saber fazer roupa, vamos perder as nossas capacidades, os nossos ofícios, e vamos ficar dependentes da China e esquecer como se fazem coisas bonitas. Esta globalização não é boa nem sustentável. Foi disso que falei na conferência, sobre o futuro da sustentabilidade. Tem de ser local: economia local, agricultura local, ofícios locais. E disse que o dinheiro não é uma riqueza real. O dinheiro é apenas um meio de troca, uma medida de riqueza. A verdadeira riqueza é terra, água limpa, florestas, árvores, pessoas, a sua criatividade, as suas capacidades, a sua imaginação.
Uma cidade em Itália já declarou independência do sistema financeiro. Parece-lhe a resposta certa?
Eu não digo que devemos abolir completamente o dinheiro. O dinheiro foi uma boa invenção e é um meio para alcançar um fim, mas não é o fim. Nós fizemos do dinheiro o fim, vendemos terras para termos dinheiro, destruímos florestas, pomos animais em fábricas, usamos pessoas para fazer dinheiro. Fazer dinheiro tornou-se o objectivo. Isto está de pernas para o ar. Temos de dizer: o dinheiro é um meio para alcançar um fim e esse fim deve ser o bem-estar das pessoas. O dinheiro tornou-se um ditador. Estamos a viver sob a ditadura do dinheiro e a economia é a nossa religião. E é a religião errada!
Falou sobre a Líbia. Acha que o Ocidente está a aproveitar-se desta Primavera Árabe por causa do petróleo?
Sim. O caso da Líbia devia ter sido como o da Tunísia e o do Egipto, em que deixámos as pessoas levantar-se e levar a cabo revoluções pacíficas, não-violentas. É assim que se faz. E na Síria, ainda que haja pessoas a serem mortas, se mandarmos a NATO e as forças americanas para lá haverá ainda mais mortes. Saddam Hussein matava no Iraque, mas quando os americanos entraram lá, mataram ainda mais. Os exércitos não são a resposta. Os países ocidentais devem deixar as pessoas erguer-se por elas próprias e parar de fornecer armas a estes países. Porque são países europeus e a América quem fornece as armas que estão a ser usadas para matar estes povos. Esta revolução deve ser pelo povo e para o povo, nós não podemos impor democracia três mil pés acima deles. É uma hipocrisia! Eles só querem ver-se livres do Kadhafi, não estão lá para proteger o povo líbio.
É conhecido por ter feito milhares de quilómetros a pé pela paz mundial e contra as armas nucleares.
Foi uma experiência maravilhosa. O Bertand Russell estava a protestar contra as armas nucleares em Trafalgar Square [Londres] e foi preso. Tinha 90 anos! Eu estava num café com um amigo e disse: aqui está um homem de 90 anos a lutar contra isto e o que é que eu, jovem, estou a fazer pelo mundo aqui a beber café?
Isto foi em que altura?
De 1962 a 1964, dois anos e meio. Comecei em Nova Deli, a partir da sepultura do Mahatma Gandhi, e andei 14 mil quilómetros até à sepultura de John F. Kennedy.
Porquê até à sepultura de Kennedy?
Porque estes dois homens foram assassinados por armas. Queria mostrar que as armas não matam só inimigos, também matam Gandhi e Kennedy.
Desde Nova Deli, passou por onde?
Passei pelo Paquistão, Afeganistão, Irão, Azerbaijão, Arménia, Georgia, Rússia e cheguei a Moscovo - primeira capital nuclear que visitei. Daí fui pela Bielorrússia, Polónia, Alemanha, Bélgica, França e cheguei a Paris, segunda capital. De França fui para Inglaterra de barco e cheguei a Londres, terceira capital. De Londres apanhei outro barco para Nova Iorque e daí para Washington DC, a última.
E neste tempo todo, o que fazia?
Dizia que precisamos de três tipos de paz. A primeira é a paz com as pessoas, o desarmamento nuclear, o fim das guerras, viver em harmonia com todas as religiões e nações. Temos de resolver os nossos problemas apenas através de negociação, de meios pacíficos, porque a guerra é obsoleta, particularmente a nuclear. As armas nucleares são completamente inúteis. Largando uma bomba nuclear mata-se tudo: homens, mulheres, crianças, animais, plantas, rios, lagos, terras, insectos, tudo! Estamos a gastar milhões e milhões de dólares e de libras e de euros nestas armas inúteis quando há pessoas com fome. As pessoas não têm empregos, corta-se na educação, corta-se nos hospitais, corta-se nas bibliotecas e gasta-se em armas. E dizemos nós que somos instruídos e civilizados. Isto é civilização? Isto é inteligência? Temos de gastar mais dinheiro em diplomacia e menos em força militar. Depois, temos de estar em paz com o ambiente - é a segunda paz. Neste momento, a humanidade está em guerra com a natureza, está a tentar conquistá-la. Mas mesmo que ganhemos, nós é que vamos ser vencidos, porque não se pode competir com a natureza.
E a terceira paz?
Paz com nós próprios. Andamos constantemente em tensão, em pressão, sempre a correr, rápido; mais rápido, mais dinheiro, mais tudo. Não passamos tempo connosco, vivemos sem tempo para nos sentarmos em silêncio, para escrever um poema, ler um livro, ir a um jardim, cozinhar, estar com a família, andar a pé. Porque também estamos em guerra connosco. Por isso, paz com o mundo, paz com a natureza, paz connosco. Em sânscrito dizemos shanti, shanti, shanti. Assim, três vezes: paz, paz, paz. Era esse o meu objectivo e andei sempre sem dinheiro.
Foi sozinho?
Fui com esse amigo indiano. Começámos por dizer: a paz começa pela confiança e a guerra começa pelo medo. Se íamos caminhar pela paz, eu ia mostrar a mim próprio que confiava nas pessoas e na natureza. Então, durante dois anos e meio nunca tive dinheiro. E às vezes não arranjei comida mas dizia: é uma oportunidade para jejuar. Se não encontrava um abrigo para dormir dizia: é uma oportunidade para dormir sob as estrelas. E não tinha nenhum medo da morte. Disse: se eu morrer a caminhar pela paz, será a melhor das mortes. E assim consegui caminhar com o meu amigo durante dois anos e meio - faz 50 anos no próximo ano.
E o que acha que mudou em 50 anos?
O nuclear está melhor. Naquela altura havia muita ênfase nas armas nucleares, mas depois da Guerra Fria, a Rússia e a América passaram a dar-lhes menos importância. Agora deviam era ver-se livres delas de uma vez por todas! Já hoje!
E o que está pior?
A violência contra a natureza; estamos a usar tecnologia para mais destruição. E a paz connosco também está a piorar, por causa de toda a tecnologia e velocidade. Temos de desacelerar para avançar. E temos de caminhar mais, é a melhor maneira de ficar saudável, mental e fisicamente. Ter tempo para caminhar, para fazer yoga, para cozinhar, para fazer jardinagem, para estar em contacto com a natureza e amá-la. Assim seremos mais felizes.
A Alemanha está perto de criar carne artificial. Isto não é questionável?
Se for para uma transição da carne animal para a carne vegetal, como seitan, parece-me bem. Eu não gosto de seitan, mas prefiro que as pessoas não tenham a palavra carne na cabeça. Os elefantes são vegetarianos e tornam-se tão grandes. Os cavalos são vegetarianos e são tão poderosos. Se os elefantes e os cavalos podem viver sem carne, os humanos podem viver sem carne. Eu sou vegetariano há 1600 anos!
(risos) 1600 anos?
Os meus antepassados tornaram-se vegetarianos há 1600 anos. Eu tenho 75 anos e olhe para a energia que tenho! A ideia de que precisamos de carne por causa das proteínas é propaganda da indústria da carne, é mentira! Na Índia há milhões de pessoas vegetarianas e completamente saudáveis. Para alimentar uma pessoa com carne são precisos cinco hectares de terra. Mas para alimentar uma pessoa com vegetais só é preciso um hectare. Precisamos cinco vezes mais de terra e de água para comer carne! E mesmo que as pessoas não se tornem completamente vegetarianas, pelo menos reduzam o consumo e comam apenas carne orgânica e de animais felizes. Porque se comermos animais infelizes e vítimas de crueldade, como a maioria deles vive neste momento, fechados em fábricas à espera de morrer, vamos ser infelizes e cruéis.
Nasceu no Rajastão mas vive em Inglaterra. Mudou-se com que idade?
Mudei-me em 1971. Dirijo a Universidade Schumacher, em Darlington, onde temos cursos holísticos, uma educação ecológica, espiritual, científica. Temos mestrados sobre os três tipos de paz de que falei, aplicados à economia, ciência e outras áreas.
Muitos dizem que os seus ideais são utópicos. O que responde a isso?
Muita gente diz-me que eu sou idealista e que tenho de ser realista. A minha resposta é: o que é que os realistas fizeram pelo mundo? O que é que alcançaram? Por estarmos a ser governados por realistas temos uma crise económica, temos aquecimento global, temos guerra no Afeganistão, Líbia e em outros tantos países. Os realistas criaram esta confusão toda. É altura de os realistas saírem e de os idealistas entrarem. Isto não é mero idealismo, é um idealismo realista. Vamos dizer: adeus realismo, bem-vindo idealismo!
(Entrevista ao jornal i, 8 de Setembro de 2011)
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Lab C - Workshop de Expressão Criativa
May East, "Cidades em Transição", hoje, 18.30

2ª feira, 6 de Fevereiro, 18.30
Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Alameda da Universidade (metro Cidade Universitária)
May East é educadora e designer para a sustentabilidade. Trabalha internacionalmente com o movimento global das ecovilas e como consultora de assentamentos humanos sustentáveis e cidades em transição. Mora há 19 anos na ecovila Findhorn da Escócia, onde é Directora de Relações Internacionais entre a ecovila, a Global Ecovillage Network e a ONU. May East é directora do programa Gaia Education, um consórcio internacional de designers de sustentabilidade presente em 23 países. CEO do CIFAL Findhorn, Centro de Treinamento Associado a UNITAR- United Nations Institute of Training and Research, onde lidera treinamentos em design ecológico e mudança climática para urbanistas e autoridades locais da Grã Bretanha e Europa do Norte.
May é especialista em diplomacia de mudança climática e uma referência internacional no contexto da Educação para a Sustentabilidade.
Organização do projecto “Filosofia e Religião”, coordenado por Carlos João Correia e Paulo Borges.
Apoio da revista Cultura ENTRE Culturas
Entrada Livre
May East falará também amanhã, dia 7, às 18.30, no II PANdebate, com Sandro Mendonça, no Instituto Macrobiótico de Portugal, na Rua Anchieta, nº5, 1º esq (ao Chiado, em Lisboa).
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
A Grande Libertação
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Colocar-se no lugar do outro
Em termos evolutivos, é a possibilidade aberta pelo surgimento do neocórtex, que nos permite a reflexão e o distanciamento dos instintos herdados no hipotálamo, procedentes dos primitivos répteis, há 500 milhões de anos, e designados como os 4 Fs: “feeding, fighting, fleeing e f… (alimentação, luta, fuga e “reprodução”). Todavia, se olharmos para a humanidade, ou seja, para nós mesmos, não deixa de ser incómodo e doloroso ver como em tantos aspectos da nossa vida pública e privada continuamos a comportar-nos como esses velhos répteis, dominados pelo complexo da presa-predador, pelo medo que leva à fuga e ao ataque, pela luta desenfreada por sobrevivência, por território, por ganho e por reprodução física e comportamental. É isto que no fundo explica o estado crítico em que está o mundo: a rápida evolução científica e tecnológica não foi acompanhada por uma igual evolução ética, mental e espiritual, fazendo com que indivíduos, grupos e nações ainda sujeitos aos mais primitivos instintos e emoções detenham sofisticados mecanismos de opressão, exploração e destruição militar e económica; temos hoje uma civilização global, em termos económico-tecnológicos, mas não uma consciência ética global.
Uma outra potencialidade reside todavia em nós, a do neocórtex e algo mais: o espírito ou a natureza profunda da mente. As suas qualidades naturais são a consciência global e a empatia amorosa e compassiva. São elas que nos permitem colocar-nos no lugar do outro, de todo o outro, não só dos nossos familiares e amigos ou membros do mesmo grupo, clube, empresa, partido, nação, religião ou espécie. São elas que, ao contrário dos velhos répteis que ainda somos, nos permitem alargar progressivamente o círculo dos nossos afectos e consideração moral, ao ponto de amar os nossos próximos como a nós mesmos, não deixando fora da categoria do próximo os nossos inimigos nem os membros de outras espécies, abrangendo ainda o mundo natural que é fonte comum da nossa vida. São elas que nos permitem experimentar dor e alegria com todos os que sofrem e são felizes e não sermos indiferentes aos pobres, doentes e sem abrigo, aos que padecem fome e sede, aos que são explorados, oprimidos, torturados, violentados e mortos, sejam humanos ou animais. É a nossa natureza profunda, à medida que se for libertando de parcialidades, que nos permite sentir igualmente a dor do desempregado, do sem abrigo, do porco, frango ou vaca no matadouro e do touro na arena. Simplesmente porque é dor, independentemente da forma e do aspecto de quem a sente. E é a nossa natureza profunda que nos permite sentir ainda compaixão por todos os que, por ignorância, avidez e ódio, são responsáveis pelas dores dos outros e pela doença que trazem em si mesmos, transmutando a revolta e a raiva em luta não-violenta contra essas acções.
É do cultivo dessa consciência ética global, abrangente de homens, animais e planeta, que depende a saída desta crise e o surgimento de uma nova civilização. Só a cultura da visão global, do amor e da compaixão pode salvar o mundo. O seu desenvolvimento, em todas as esferas da vida pública e privada, sobretudo por via da educação, tem de ser o maior imperativo e investimento de cada um de nós e de todo o governo que venha a ser digno desse nome. Enquanto se colocar a economia e as finanças acima da sabedoria, da compaixão e de leis que as expressem, a produção de riqueza será sempre para benefício de poucos e prejuízo da maioria. Enquanto se colocarem interesses de indivíduos e grupos de uma só espécie acima do bem comum da Terra e de todos os seres, enquanto não nos colocarmos no lugar do outro antes de cada pensamento, palavra e acção que o vai afectar, continuaremos a ser velhos répteis, grotescamente sofisticados em termos científico-tecnológicos, mas 500 milhões de anos atrasados e em risco de extinção.
(publicado no nº de Fevereiro de 2012 da revista CAIS, na secção "Cultura ENTRE Culturas")
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
PESSOA NA ACTUALIDADE (duas últimas sessões)
Tendo por finalidade divulgar as mais recentes pesquisas sobre Fernando Pessoa, o Ciclo internacional de conferências PESSOA NA ACTUALIDADE pretendeu trazer à Casa Fernando Pessoa jovens investigadores pessoanos. O evento decorre entre os meses de Dezembro de 2011 e de Janeiro de 2012 e contará de novo com a presença de pesquisadores nacionais e estrangeiros que nos darão a conhecer algumas das investigações sobre o pensamento e a obra do poeta e pensador português.
Organização: Paulo Borges, Cláudia Souza e Nuno Ribeiro.
5ª Sessão – 26 de Janeiro
Daniel Moreira Duarte (Portugal) - O “ideal ascético” e a “ceifeira”.
José Almeida (Portugal) - Fernando Pessoa e a Tradição Hermética
Bruno Béu (Portugal) - Isto não é isso — o discurso tautológico como procedimento apofático na poesia de Alberto Caeiro
Encerramento – 27 de Janeiro
Teresa Rita Lopes (palestra de encerramento)
Sempre às 18h30. Entrada livre.
Câmara Municipal de Lisboa
Casa Fernando Pessoa
R. Coelho da Rocha, 16
1250-088 Lisboa
Tel. 21.3913270
Autocarros: 709, 720, 738 Eléctricos: 25, 28 Metro: Rato
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt
www.mundopessoa.blogs.sapo.pt
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
"Verdes Anos": o PAN já faz parte da história do ecologismo em Portugal

O livro Verdes Anos. História do ecologismo em Portugal (1947-2011), de Luís Humberto Teixeira (Lisboa, Esfera do Caos, 2011), será apresentado pelo Prof. Viriato Soromenho-Marques na 3ª feira, dia 31 de Janeiro, às 18.30, na Livraria Bulhosa de Entrecampos. Este livro dedica o capítulo 8 ao PAN e ao seu resultado surpreendente nas últimas eleições legislativas. Reproduzimos os três últimos parágrafos do livro, após se referir o historial de adversidade de Portugal e dos países do Sul da Europa aos ideais ecologistas:
"Perante este ambiente hostil, como se explica então o sucesso do PAN, que nas primeiras eleições legislativas a que concorreu obteve mais de 50 000 votos em listas próprias (feito inédito entre os partidos ecologistas portugueses) e quatro meses depois elegeu um deputado em eleições regionais?
Será um epifenómeno ou será que o segredo para o sucesso de um partido verde em Portugal passa por unir a defesa do ambiente aos direitos dos animais e às causas humanitárias?
Para responder a estas questões teremos de esperar mais algum tempo. Entretanto, uma coisa é certa: por mais negro que seja o cenário do país e do planeta, muitos acreditam que a cor da esperança ainda é o verde"
Cabe-nos mostrar que o "segredo" é mesmo esse e que o PAN veio para crescer e ficar.
Inéditos de Fernando Pessoa sobre sebastianismo e Quinto Império
Quarenta e três textos inéditos de Fernando Pessoa sobre sebastianismo e o Quinto Império foram encontrados na sua famosa arca pelos investigadores Pedro Sepúlveda e Jorge Uribe e publicados com outros 58 já conhecidos sobre o mesmo tema.O resultado estará a partir de quinta-feira nas livrarias portuguesas, numa edição da Ática, chancela da Babel, sob o título “Sebastianismo e Quinto Império”, mais um volume da Nova Série de Obras de Fernando Pessoa, coordenada pelo pessoano colombiano Jerónimo Pizarro.“[Em D. Sebastião], Pessoa encontra uma figura para falar de Portugal de uma maneira que, ao mesmo tempo, o aproxime a uma tradição popular, que é o que lhe interessa, mas também faça um certo afastamento de outros autores”, disse à Lusa o investigador colombiano Jorge Uribe.“Acho que um dos principais interesses de Pessoa pela figura de D. Sebastião tem que ver com uma maneira de fazer frente a Camões: D. Sebastião é uma personagem de ‘Os Lusíadas’, de Camões, todo o poema épico é dedicado a D. Sebastião, mas o D. Sebastião que está por vir depois de ‘Os Lusíadas’ é uma oportunidade para Pessoa se defrontar com aquele que era o seu precursor literário mais importante”, defendeu.Segundo este pessoano, entre muitos outros aspectos, o mais importante é que a utilização da figura de D. Sebastião é, para Fernando Pessoa (1888-1935), “uma maneira de entrar na História de Portugal onde Camões a deixou”.Esta obra – que abre logo com o horóscopo de D. Sebastião feito por Pessoa, não é -- sublinham os investigadores na introdução – um volume que o escritor tivesse deixado pronto para dar à estampa ou a que tivesse sequer dado alguma organização específica.Trata-se, sim, de “uma compilação temática dos fólios do autor”, que implicou que percorressem “diversos géneros de obra escrita (manifestos, respostas a inquéritos, cartas, planos, ensaios), assim como distintos tons dessa mesma obra (o sociológico, o provocatório, o hermético, entre outros)”.Também na introdução, Pedro Sepúlveda e Jorge Uribe explicam que “o critério fundamental de reunião dos materiais que se seguiu foi o de que o livro reuniria a prosa de Pessoa sobre a dimensão mítica da nacionalidade portuguesa, expressa em dois mitos fundamentais, o regresso de D. Sebastião e a concretização do Quinto Império”.Sobre o Quinto Império, Jorge Uribe explicou à Lusa a aproximação de Pessoa a essa tradição profética: “O Quinto Império é uma tradição profética muito extensa, muito grande, que vem de uma leitura de um texto hebraico, do Livro de Daniel, que está no Antigo Testamento, mas que começa na tradição cristã desde muito cedo a tentar descobrir que Nação será esse Quinto Império definitivo”.“Estamos a falar de alguns intérpretes de profecias ou dos pais da Igreja, mesmo – como, por exemplo, Tertuliano – que começaram a tentar fixar qual ia ser essa Nação definitiva”, sublinhou.Trata-se – prosseguiu – de uma tradição profética “que está à procura da compreensão da revelação última, da Nação última, e isto faz com que Pessoa, procurando essa interpretação para Portugal, esteja a aproximar-se de uma tradição de quase mil anos – do lado cristão, porque do lado hebraico são mais”.“São grandes tradições, de grandes livros, de grandes nomes, de grandes leituras, dos quais Pessoa era um constante seguidor. Realmente, o que nos interessou, neste livro, foi aproximarmo-nos de um Pessoa leitor, um Pessoa que está em constante contacto com centenas de livros e cuja escrita depois reflecte o que ele aprende nestes livros”.A existência de tantos inéditos sobre este tema é explicada pelos dois pessoanos pela “dificuldade de leitura de uma boa parte dos documentos” e pela sua “dispersão pelo espólio”, que se encontra dividido entre a Biblioteca Nacional e a Casa Fernando Pessoa.Inquirido pela Lusa sobre o que acrescentam estes inéditos ao já conhecido interesse de Pessoa por esta temática, Jorge Uribe respondeu: “Não é que exista um inédito que venha mostrar-nos uma coisa que ninguém pudesse imaginar que Pessoa tivesse escrito. Digamos que há uma espécie de sintonia, uma espécie de lógica naquilo que encontrámos de novo”.“Aquele que é, se calhar, o inédito mais curioso é o esboço de um ensaio sobre o Quinto Império que tem 21 folhas manuscritas por Fernando Pessoa – um número que nos surpreendeu muitíssimo –, em que Pessoa apresenta mais ou menos todas as questões gerais do que é isto do Quinto Império”, destacou.“E essas 21 folhas inéditas chamam mais a atenção porque levantam a pergunta: como foi que uma coisa tão grande passou tanto tempo despercebida? Mas também é verdade que o espólio é um lugar complicado, e eu tenho a ideia de que se calhar outros editores, em tempos anteriores, não arriscaram a publicação porque não estavam certos de ser um texto de Fernando Pessoa em vez de, por exemplo, uma tradução de outro texto”, observou.“Em termos gráficos, é evidentemente um texto de Pessoa, mas não se sabia se estava a tentar traduzir outra coisa. Agora, com as tecnologias da nossa geração, tentar verificar se um texto pertence ou não a um autor é mais simples”, concluiu. http://www.publico.pt/Cultura/ineditos-de-fernando-pessoa-sobre-sebastianismo-e-quinto-imperio-sao-publicados-quintafeira-1530521?all=1
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Quem é o meu próximo?
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
domingo, 22 de janeiro de 2012
E no percurso das águas nasciam filhos
Que mais tarde lhe vinham acordar ao mar revolto
Ela costurava os seus vestidos
Com o fio de uma extensa lágrima
Para depois de pronto ver-se no fim de tudo
Ela sabia que o sonho tem horas
Que é o tempo fechar os olhos
E acordar primeiro que as galinhas
Mas quando fazia colares de amoras
Para que os homens pudessem falar dela
Era então que uma estrela lhe nascia
Algures entre o sexo e o peito
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
O nascer e o morrer são os únicos momentos inevitavelmente autênticos da vida.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
A mensagem da Mensagem ou o regresso de D. Sebastião: hoje, 19h

Promovido pelo Centro de Estudos da Lusofonia Agostinho da Sliva, realiza-se 3ª feira, dia 17, pelas 19 horas,nas instalações da Escola Superior de Educação Almeida Garrett, ao fundo da Rua da Voz do Operário, a 3ª sessão do Curso Livre de Cultura portuguesa subordinada ao tema "A mensagem da MENSAGEM de Fernando Pessoa". Serei o orador, com os seguintes tópicos:
- Portugal, Europa e Mundo.
- O regresso de D. Sebastião e o fim do sebastianismo.
- O Quinto Império e a nova civilização.
"- O que calcula que seja o futuro da raça portuguesa ?
- O Quinto Império. O futuro de Portugal - que não calculo, mas sei - está escrito já, para quem saiba lê-lo, nas trovas do Bandarra, e também nas quadras de Nostradamus. Esse futuro é sermos tudo. Quem, que seja português, pode viver a estreiteza de uma só personalidade, de uma só nação, de uma só fé? Que português verdadeiro pode, por exemplo, viver a estreiteza estéril do catolicismo, quando fora dele há que viver todos os protestantismos, todos os credos orientais, todos os paganismos mortos e vivos, fundindo-os portuguêsmente no Paganismo Superior? Não queiramos que fora de nós fique um único deus! Absorvamos os deuses todos! Conquistámos já o Mar: resta que conquistemos o Céu, ficando a terra para os Outros, os eternamente Outros, os Outros de nascença, os europeus que não são europeus porque não são portugueses. Ser tudo, de todas as maneiras, porque a verdade não pode estar em faltar ainda alguma coisa! Criemos assim o Paganismo Superior, o Politeísmo Supremo! Na eterna mentira de todos os deuses, só os deuses todos são verdade” (Fernando Pessoa, resposta a uma entrevista de António Alves Martins).
Esta resposta é um notável resumo de vários aspectos fundamentais do pensamento pessoano atrás expostos. Para além de confirmar que Pessoa assume Portugal como a quinta-essência do cosmopolitismo e universalismo europeus, retoma a ideia de uma nova Descoberta a fazer, agora o “Céu” como ontem o “Mar”, numa crescente desterritorialização, desmaterialização e subtilização do elemento e domínio a desvendar. Além disso, reassume o projecto sensacionista de ser/sentir tudo de todas as maneiras como inerente ao impulso heteronímico e holístico, trans-pessoal, trans-nacional, trans-religioso e universalizante da nação. Finalmente, esclarece o sentido espiritual do Quinto Império como essa síntese trans-religiosa que incorpora e transcende todas as formas de manifestação do divino, do infinito ou do absoluto que são “todos os deuses”, por saber que, enquanto tais, enquanto suas re-velações para o e pelo homem, necessariamente condicionadas pelos limites humanos, tanto o desvelam quanto o ocultam e, assim, todas são igualmente verdadeiras e mentirosas, residindo a maior aproximação possível à verdade na igual e simultânea aceitação de todas as formas parciais e relativas da sua manifestação, sem excluir nem privilegiar nenhuma delas"
[excerto do meu próximo livro em preparação]
"Fado amigo não há, nem fado escuro; / Fados são as paixões, são as vontades"
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Odeio símbolos, os mestres-de-obras dos poemas, os clínicos
analistas das metáforas, os engenheiros do amor, os arquitetos
da foda, os psicanalista da música fúnebre. Odeio os que num verso
tentam perceber a minha vida toda. Invertem parábolas, agitam-nas,
sacodem-nas, analisam a minha dor à lupa.
Rais parta a simbologia, as pernas das letras, os nenúfares nas mesinha
de cabeceira, os poetas escriturários, belos, sentimentais e sonâmbulos
como os bois pela beirinha da estrada.
Odeio os que a modinho retiram a vesícula do poema, injetam sol
e pleonásmos, virgulam os sentidos.
Meus senhores, o que escrevo advém das flores, roubado às flores,
plagiado das flores. Esse é o meu crime, o meu sangue, que é fresco
e tem sete fuso horários.
Por favor, não me dêem cabo dos significados!
"O que era seguro era estar-se numa época de crise e ir sair de todo aquele século um mundo novo [...]"

"O que era seguro era estar-se numa época de crise e ir sair de todo aquele século um mundo novo, se a sua construção estivesse dentro das possibilidades humanas; os grandes edifícios sociais e políticos, os grandes princípios religiosos, as próprias normas literárias e artísticas manifestavam à mais ligeira observação os sinais do abalo profundo que não deixava de agitá-los; o homem do futuro já não cabia nas armaduras que vinham dos avós e ao esforço brutal que fazia por conquistar a liberdade abolavam-se as lâminas e estouravam os fechos; as próprias reacções eram sinais de derrocada; os fracos lamentavam-se e desejariam ter vivido em anos mais tranquilos, sem nenhum grave problema a resolver, com as escalas hierárquicas perfeitamente dispostas e a existência decorrendo como um fio monótono de fonte; Zola, porém, considerava como o mais belo dom dos deuses terem-no lançado para o fragor das torrentes, terem-lhe concedido ajudar as gotas companheiras na faina de abrir caminho, entre espumas e tumultos, para o verde sossego dos plainos"
– Agostinho da Silva, Vida de Zola [1942], in Biografias I, pp.127-128.
domingo, 15 de janeiro de 2012
É PRECISO DUVIDAR DE TUDO
Se não existe crítica sem alguma margem de dúvida, tampouco existe dúvida sem uma margem de crença. A crença é tão ou mais importante do que o ato de duvidar pra se chegar a qualquer conhecimento aproximado da realidade. Como diria o grande Vilém Flusser, em A Dúvida, se a dúvida metódica se transformasse em dúvida existencial, ou seja, em dúvida da dúvida, só nos restaria uma saída: a morte. E este seria um suicídio filosófico. Ou seja: uma insípida autoaniquilação. Essa é a crítica mais comum ao ceticismo de tipo pirrônico.
Porém, não acredito que a dúvida, diferente da crença, seja uma exceção no processo cognitivo. Acho que duvidamos como respiramos. Ortega diz algo nesse sentido com seu conceito de "razão vital". Se a crítica da crítica oferece problemas epistemológicos, a fé na dúvida também os oferece, talvez em quantidades ainda maiores. Todos aqueles que criam botes salva-vidas e mecanismos de neutralização, nos quais ao criticar não se vejam também eles no objeto criticado, agem ou por ingenuidade teórica ou por malícia estratégia. Querem se mostrar ou menos conscientes do que poderiam ser ou mais lúcidos do que realmente são. Qualquer conhecimento da realidade só existe de modo encarnado. Nunca como conceito abstrativo. Nesse sentido, toda a realidade e tudo o que existe, de pior e de melhor, não passa de um espelho. É apenas isso o que somos: um espelho. E não por acaso só a partir desse momento começa de fato a especulação.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
From Silence
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
TIBET MIRROR

Tibet Mirror ( phyogs Yul tão gyur so'i gsar 'me por muito tempo) , v. 16: no.12 [entre 1947-1949].
O Espelho Tibet ( Yul phyogs tão gyur so'i gsar 'me tempo ), foi um dos mais importantes jornais de língua tibetana, começou a ser publicado em outubro de 1925 em Kalimpong, na Índia. Ele narrou inumeras e dramáticas transformações sociais e políticas no Tibete, Índia, e em toda a região. Foi fundado por Gegen (Gergan) Tharchin Dorje, um pastor tibetano e teve a sua sede em Kalimpong. O Espelho Tibet tornou-se numa voz influente para a independência do Tibete em relação à China.
domingo, 8 de janeiro de 2012
Maquiavel sobre a conquista e conservação de estados

"Quando os estados que se conquistam [...] têm a tradição de viver segundo as suas leis e em liberdade, para a sua conservação existem três opções: a primeira é a sua destruição; a segunda é ir para lá viver o príncipe conquistador; e a terceira consiste em deixá-los viver de acordo com as suas leis, mas exigindo-lhes um tributo e criando no seu seio uma oligarquia que vos garanta a sua fidelidade"
- Maquiavel, O Príncipe, cap. V.
O que se passa no mundo, e particularmente em Portugal, não é nada de novo...
sábado, 7 de janeiro de 2012
Um outro Natal: O Carnatal (excerto da crónica publicada na revista CAIS de Janeiro)

O autêntico Natal pagão e cristão implica sempre um (re)nascimento, uma mutação da consciência e por vezes a vivência de um mundo ao arrepio das normas, onde a experiência do sagrado consiste em transcender aquilo que se venera como mais sagrado (o “sagrado de transgressão”, segundo Roger Caillois). Na Idade Média o Natal ainda coexistia com as Festas dos Loucos, de meados de Dezembro até à Epifania, em 6 de Janeiro, com comida, bebida e danças nas igrejas e nos altares, missas burlescas com burros a zurrar, homens vestidos de mulheres e vice-versa, crianças tornadas Imperadores a quem a hierarquia eclesiástica tinha de obedecer, etc. Proibidas nas igrejas, originaram o Carnaval moderno, tendo sido a forma medieval cristã do mundo às avessas presente noutras culturas como ritual do regresso cíclico do cosmos ao Caos primordial onde a liberdade, a metamorfose, o jogo e a festa predominam sobre a delimitação do sagrado e do profano, do divino, do animal e do humano e dos papéis psicológicos e sociais, com a vida orientada para o trabalho e a produção.
Correspondendo ao solstício de Inverno, as Festas dos Loucos continuam antigos festejos pagãos, como as Saturnais, onde se celebrava o regresso à abundância da Idade do Ouro com a troca de presentes e o travestimento dos dois sexos. Estas festas ainda estão bem vivas no Nordeste transmontano, crendo-se que delas depende a renovação da energia vital, a fertilidade das mulheres, dos animais e dos campos. Como ainda hoje se diz, por ocasião das tropelias e mascaradas praticadas nas Festas dos Rapazes e outras: “É Natal, ninguém leva a mal!”. Um Carnatal, como pude presenciar…
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
"Ousar falar de política desmontando os seus fundamentos, em toda a sua complexidade, e com os segredos que comportam, chega a ser perigoso"

"Falar de política é e mantém-se difícil porque o político nunca joga só. O que o político diz de si próprio está cheio de mentiras, de dissimulações. Ousar falar de política desmontando os seus fundamentos, em toda a sua complexidade, e com os segredos que comportam, chega a ser perigoso. A cidade, todas as cidades, a sociedade, todas as sociedades, não toleram que se fale delas lucidamente, radicalmente, desvelando ao máximo possível os mecanismos em marcha, assim como o seu imaginário, também ele limitado. Fazer isso não de um ponto de vista particular, não privilegiando um partido, seja ele qual for, dificilmente é suportável. O inimigo é mais fácil de situar:partidos e Estados combatem-no e tendem a eliminá-lo, brutal ou pacificamente. Aquele que não é amigo nem inimigo de um dos sistemas em vigor ou da estrutura global da colectividade, aquele que não pode ser classificado segundo as rubricas políticas admitidas, mas que perscruta em profundidade o maciço social-político fortemente fissurado e as construções que o povoam, só pode ser sacrificado, duma ou de outra maneira. Ninguém deve fazer abalar ou desestabilizar o consenso geral e os desvios autorizados, que caracterizam os extremos, o centro, os sonhos anarquizantes. Aquele que ousa "atacar" todas as frentes sem excepção, desmantelar todos os poderes e seus funcionamentos, vê-se afastado. [...] O descodificador do político e das regras que o sustentam faz o seu trabalho porque o que se lhe impõe e o anima é mais forte do que o silêncio ou o discurso balofo. Toda a tradição ocidental - não parece que outras tradições escapem a este mesmo destino - , de Heraclito a Heidegger, não ousa pôr em questão os fundamentos e últimas consequências do conjunto no qual as diferentes épocas vivem e que é qualificado de política. Heraclito não ousa pôr em questão a polis e Heidegger fica à sombra do político e do Estado, o que não o impede de pertinentemente esclarecer não o Estado, mas a tecno-estrutura"
- Kostas Axelos (1924-2010), Cartas a um jovem pensador, Vila Nova de Gaia, Estratégias Criativas, 1997, pp.63-64.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
"A palavra sânscrita para crise é kri ou kir"

"A palavra sânscrita para crise é kri ou kir e significa "desembaraçar" (scatter, scattering), "purificar" (pouring out), "limpar". O português conservou ainda as palavras acrisolar e crisol que guardam a nítida reminiscência de sua origem sânscrita. A crise age como um crisol (elemento químico) que purifica o ouro das gangas; acrisola (purifica, limpa) dos elementos que se incrustaram num processo vital ou histórico e que foram ganhando com o tempo papel substantivo, foram-se absolutizando e tomando conta do cerne a ponto de comprometerem a substância. Crise designa o processo de purificação do cerne: o histórico-acidental, o que assumiu indevidamente papel principal, é relegado a sua função secundária, porém legítima como secundária e derivada. Depois de qualquer crise, seja corporal, psíquica, moral, seja interior e religiosa, o ser humano sai purificado, libertando forças para uma vida mais vigorosa e cheia de renovado sentido"
- Leonardo Boff, Crise - oportunidade de crescimento, Petrópolis, Vozes, 2010, p.27.
“There is a crack in everything / That's how the light gets in” [“Há uma fenda em tudo / É assim que a luz entra”] – Leonard Cohen
“There is a crack in everything / That's how the light gets in” [“Há uma fenda em tudo / É assim que a luz entra”] – Leonard Cohen, “Anthem”. O intervalo entre cada pensamento, por onde irrompe a luz do real; a via do meio entre os opostos, por onde estes se transcendem; o não eu nem tu, onde floresce o milagre do amor.
(para a Luísa)
"Não vos amarreis exclusivamente a nenhum credo em particular"

"Não vos amarreis exclusivamente a nenhum credo em particular, ao ponto de não acreditardes em todos os outros, pois perdereis muito do bem e não conseguireis reconhecer a verdadeira natureza das coisas. Deus, o omnipresente e o omnipotente, não é limitado por nenhum credo, porque diz: «Para onde quer que vos voltais, vereis a face de Alá». Todos louvam aquilo em que acreditam; o seu deus é o seu próprio ser e, ao louvá-lo, louvam-se a si próprios. Consequentemente censuram os credos dos outros, o que não fariam se fossem justos, mas a sua aversão resulta da ignorância"
- Ibn al-Arabi.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
"o pior de tudo é a ficção de que tudo tem um preço ou [...] de que o dinheiro é o mais alto de todos os valores"

"No mercado suprimem-se, por razões de ordem prática, inúmeras distinções qualitativas que são de importância vital para o homem e a sociedade [...]. Por isso mesmo é n'«O Mercado» que o domínio da quantidade festeja os seus maiores triunfos. Tudo se compara com tudo. Comparar as coisas significa atribuir-lhes um preço e possibilitar, desse modo, a troca de umas pelas outras. O pensamento económico, na medida em que se baseia no mercado, retira à vida toda a sua sacralidade, porque nada pode haver de sagrado em tudo que tem um preço [...].
[...] o pior de tudo, aquilo que é destrutivo da civilização, é a ficção de que tudo tem um preço ou, noutros termos, de que o dinheiro é o mais alto de todos os valores"
- E. F. Schumacher, Small is Beautiful (um estudo de economia em que as pessoas também contam), Lisboa, Dom Quixote, 1985, 2ª edição, p.43.
sábado, 31 de dezembro de 2011
Votos de um 2012 radical
Desejo-vos o que me desejo, pois bem disso careço: Revolução interior, abolição da ficção do ego, explosão de amor e compaixão por tudo e por todos!
Só assim faremos a Diferença e seremos a Alternativa que este fim de ciclo de civilização pede de todos nós. Só assim seremos credíveis obreiros de um Outro Portugal, uma Outra Europa e um Outro Mundo, em nós erguidos das ruínas deste canto de cisne tecnocrático, economicista e financeiro, que esgota todos os balões de oxigénio da natureza e da Vida.
Conto encontrar-vos, com espírito não-violento, pacífico e positivo, na manifestação de 10 de Janeiro, às 18.30, no Rossio, em Lisboa, contra a venda da EDP, mas sobretudo a favor de ética na política. Uma manifestação que não é contra os chineses nem contra ninguém, mas acima de tudo contra a nossa apatia e a favor de uma nova sociedade e civilização, fundada na consciência, no amor e no respeito por todas as formas de vida.
Bem hajam!
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
A Manjedoura da Salvação

“O povo português é essencialmente cosmopolita. Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo”
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Ajudemos a salvar Portugal da vergonha de não ter tido senão a cultura portuguesa
Parafraseando:
Comprar Cultura ENTRE Culturas é, enfim, ajudar a salvar Portugal da vergonha de não ter tido senão a cultura portuguesa. Cultura ENTRE Culturas é todas as culturas :)
"O outro mundo mata"
- Dalila Pereira da Costa, "Os Sonhos".
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Hommes de Lumiere

Pas une fleur, pas un bruit, le vide, la transparence immense de l'espace, pas un voisin pour l'accuser de ses propres faiblesses. Seul, face à moi-même, je découvre une force cachée; les tentations d'un passé non assumé me harcellent.
Pour les moines du désert, aucune compensation:
pas de bibliothèque ou de bon repas pour se distraire, pas de musique pour se donner la sensation d'une présence complice, pas de travail pour fuir le véritable combat et tomber dans l'activisme; pas de discussion théorique sur Dieu, la vie, la mort; pas de longue sieste pour tuer le temps qui ne passe pas. Seuls, le silence et le vide, lieu où les démons habitent, lieu où Dieu parle au coeur en paix. Le moine, après dix, cinquante ans, devient sage ou fou.
A encruzilhada em que se encontra o homem

A encruzilhada em que se encontra o homem: continuar a reproduzir as motivações herdadas dos primitivos répteis, há 500 milhões de anos, geridas pelo "velho cérebro, o hipotálamo - aquilo a que as neurociências chamam os 4 Fs, feeding, fighting, fleeing e f... (alimentação, luta, fuga e reprodução) - , ou desenvolver as potencialidades geridas fisiologicamente pelo neocórtex, distanciando-se daqueles instintos, reflectindo e abrindo-se altruisticamente ao cuidado de todos os outros seres vivos. É doloroso ver como em tantos sectores da nossa vida pública e privada ainda nos comportamos como há 500 milhões de anos... A razão, a ética e a espiritualidade ajudam-nos a superar esse atraso.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
"A política de homens novos, insatisfeitos com o trabalho das anteriores gerações, não pode deixar de ser revolucionária (...)"
"A política de homens novos, insatisfeitos com o trabalho das anteriores gerações, não pode deixar de ser revolucionária, isto é, criadora de melhor ordem social. Restauradora ou conservadora nunca poderá ser, não só porque tal política é inaceitável por consciências verdadeiramente moças mas sobretudo porque lhe falta digno objecto de restauração ou conservação"
- Álvaro Ribeiro, "Política" (1930), in Dispersos e Inéditos, I (1921-1953), Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 2004, p.75.
sábado, 24 de dezembro de 2011
Mensagem de Natal
Há cerca de três anos não conhecia sequer os blogues nem o Facebook. Circunstâncias várias aqui me trouxeram e, sobretudo o meu envolvimento com o PAN, fez com que no Facebook rapidamente me visse a gerir várias páginas e com uma comunidade de muitos milhares de amigos e apoiantes. Nesta passagem das actividades mais espirituais e culturais a uma acção mais pública, em prol de causas que de todos são conhecidas - direitos humanos, direitos dos animais, ecologia, universalismo cultural e diálogo inter-religioso - , tenho feito muitas amizades e diminuído ou perdido outras, o que tem sido raro. Tenho também encontrado adversários e até inimigos, como é natural. E muitos indiferentes, como também é natural.
Seja como for, nesta véspera de Natal, em que se comemora, consciente ou inconscientemente, a possibilidade de em nós nascer um Homem Novo, quero desejar a todos, e mesmo a todos - pensem, digam e façam o que pensarem, disserem e fizerem e gostem ou não de mim e do que penso, digo e faço - , toda a Felicidade do mundo e agradecer-vos por vos conhecer e pelo privilégio de partilhar convosco a aventura desta existência. Digo isto sobretudo aos meus adversários e inimigos.
Quero também dizer-vos que vejo hoje confirmar-se o que desde criança pressentia: que iria assistir a grandes coisas e a grandes mutações na história do mundo e que iria ter parte activa nelas. Estamos na verdade num momento dramático, crucial e decisivo da história de Portugal, da Europa e do planeta, em que somos confrontados com grandes dificuldades, a maior das quais é a de enfrentar as consequências da devastação que a humanidade tem causado na Terra, nos animais e em si mesma, bem como o novo obscurantismo que sobre todos nós se abate, sob a forma da ditadura económico-financeira de um capitalismo selvagem sem quaisquer princípios éticos que visa reduzir a população mundial a um novo exército de escravos ao serviço da avidez e ganância das forças obscuras que se ocultam por detrás de governos e partidos do poder. Isso é mais imediatamente evidente em Portugal, um país e uma cultura milenar de gente boa que está a ser destruído por sucessivos governos, a ser ocupado pela banca mundial e a ser colonizado por potências obscuras como a China.
Cabe-nos a todos sermos Resistência e Alternativa, criar práticas culturais, sociais e económicas que sejam o embrião da sociedade futura, construir a ponte entre uma civilização que morre e outra que aflora à luz do dia. Para tal somos todos necessários: movimentos de cidadãos, forças políticas e culturais independentes do poder estabelecido e que não visem mais do mesmo, indivíduos conscientes. Temos de nos unir, organizar e agir. É necessário inverter o processo que tem afastado da política as pessoas boas e competentes, com princípios e valores, com sentido do bem comum, para a deixar nas mãos dos medíocres, corruptos e vendidos a quem mais lhes paga. Política haverá sempre: se não queremos ser vítimas dela, temos de a exercer em prol da justiça e arrancá-la ao domínio dos grupos económico-financeiros. Não nos espera tarefa nada fácil, dado o poder e a violência das forças da ignorância e da ganância que se abatem sobre humanos e não-humanos e devastam a Terra. Temos todos de nos superar, indo buscar energias que agora desconhecemos, mas que são desde sempre e já presentes no mais íntimo de quem somos. Muitas tentações surgirão, como a de desistirmos, nos acomodarmos e dividirmos. Vencê-las-emos se nos motivarmos pensando no socorro dos que mais sofrem e na importância de assegurarmos um futuro para a Terra, para os nossos filhos e netos, esquecendo fins e interesses pessoais, de modo a que possamos morrer com a consciência do dever cumprido. Só assim seremos a Diferença e brilharemos, sem orgulho, como um relâmpago eterno na mais escura noite. Só assim assumiremos as grandes responsabilidades que nos esperam, estrelas cravadas no firmamento das nossas vidas.
Beijo-vos e abraço-vos, uma a uma, um a um
Boas Festas!
Que nasça Hoje e Sempre em nós uma consciência ética universal, que nos leve apenas a pensar, dizer e fazer o que vise o Bem de tudo e de todos, humanos e não-humanos!
Paulo Borges
24.12.2011
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Procuro o ponto de fuga.
Desenho o luar em cada noite escura.
Despeço-me do sol.
Na monotonia do amarelo, deito-me e sonho
com o mar que caminha para a montanha,
até que a terra encontre o céu e o azul tome conta da cor.
Descubro no gesto o sentido.
Entre a mesa e a janela, da minha casa
Mora teimosa uma parede amarela
Cansada, debotada na cor,
Delicada, encosto meu corpo
Apoio no ombro a vontade de ser
Abro a janela, abraço a liberdade.
No horizonte - vida.
Dance of Darkness - Ohno or " Ono"Excerpt
Foi aos 95 anos que deixou os palcos. Durante mais de 50, este bailarino e coreógrafo japonês marcou a dança que se fez no Japão e no mundo, alcançando um patamar de excelência que nunca o rotulou como "exótico". Kazuo Ohno foi sempre contemporâneo.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Tughra (Assinatura Oficial) do sultão Suleiman, o Magnífico (r. 1520-1566)
"Aquele a quem foi dado ser plenamente como o em que se nega todo parcial ser..."
- José Marinho, Teoria do Ser e da Verdade, Lisboa, Guimarães Editores, 1961, p.19.


20 de Dezembro
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Anfiteatro 3
9h30m – 20h
Com o apoio da Cultura ENTRE Culturas
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
«Às portas de Roma está sentado um mendigo leproso. Ele espera. É o Messias»

“Sendo criança, aconteceu-me ler um velho conto judeu, do qual não pude compreender o sentido. Nada dizia senão isto: «Às portas de Roma está sentado um mendigo leproso. Ele espera. É o Messias». Fui então ao encontro de um velho homem. «Que espera ele?», perguntei-lhe. E o velho homem deu-me uma resposta que não aprendi a compreender senão muito mais tarde. Disse-me: «O que ele espera, és tu»”
- Martin Buber, Judaïsme, tradução do alemão de Marie-José Jolivet, s. l., Verdier, 1986, p.17.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Conferências Internacionais Pessoa na Actualidade - Hoje - 18.30

Ciclo Internacional de Conferências Pessoa na Actualidade (primeiras três sessões):
Tendo por finalidade divulgar as mais recentes pesquisas sobre Fernando Pessoa, o Ciclo Internacional de Conferências Pessoa na Actualidade pretende trazer à Casa Fernando Pessoa jovens investigadores pessoanos. O evento ocorrerá nos meses de Dezembro de 2011 e de Janeiro de 2012 e contará com a presença de pesquisadores nacionais e estrangeiros que nos darão a conhecer algumas das mais recentes investigações sobre o pensamento e a obra do poeta e pensador português.
Organização: Paulo Borges, Cláudia Souza e Nuno Ribeiro
Programa
Palestras inaugurais – 14 de Dezembro (18h30)
Paulo Borges (Portugal) - A «alma [...] divina», o «mar sem fim» e a «eterna calma»: comentário do poema "Padrão" de Mensagem
Cláudia Souza (Brasil) – Pantaleão e a Política
Nuno Ribeiro (Portugal) – Fernando Pessoa e Nietzsche: escrita, sujeito e pluralidade
2ª Sessão – 15 de Dezembro (18h30)
Fabrizio Boscaglia (Itália) – Fernando Pessoa e a civilização arábico-islâmica: algumas considerações introdutórias.
Giancarlo de Aguiar (Brasil) – Processo de Individuação em Fernando Pessoa: Uma Análise da Personificação de Heterónimos.
Raquel Nobre Guerra (Portugal) – Saudade evocativa e saudade do futuro em Álvaro de Campos
3ª Sessão – 16 de Dezembro (18h30)
Júlia Dieguez (Espanha) - Fernando Pessoa: Una Odisea a través del Caos
Pablo Javier Pérez Lópes (Espanha) - O grupo civilizacional ibérico no seio da refundação mítica da existência de Fernando Pessoa.
Câmara Municipal de Lisboa
Casa Fernando Pessoa
R. Coelho da Rocha, 16
1250-088 Lisboa
Tel. 21.3913270
Autocarros: 709, 720, 738 Eléctricos: 25, 28 Metro: Rato
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt
www.mundopessoa.blogs.sapo.pt
Para além de todas as demagogias,
Para além do politicamente correcto,
Para além de todas as hipocrisias...
Celebremos, finalmente, o Espírito do Natal
Em todos os momentos
Desta nossa existência, tão efémera.
Natal é Fraternidade, Solidariedade, Paz,
Amor e Alegria na Terra
E nos Corações dos Homens;
Natal é a apologia do autenticamente Humano,
Em toda a sua essência genuína
De Bondade e de Verdade;
Natal é o enaltecimento de um Mundo
Onde não haja mais lugar para a Crueldade,
Para a Violência ou para a Agressividade;
Natal é a reunião dos Corações sensíveis
Que lutam, desesperadamente, pela União
Dos Povos e das Nações;
Natal é a rejeição da Discriminação,
Dos horrores da Guerra,
Da mutilação dos Corpos e das Almas;
Natal é a consciência da Miséria Humana,
O compromisso da sua superação,
O enaltecimento da Justiça e da União fraterna;
Natal é o triunfo do Bem e do Belo,
A glória de todos os Renascimentos,
A comemoração da Dignidade Humana;
Natal é a benção do sempre Novo,
O louvor de todo o acto de Criação,
De Renovação e de Regeneração.
Sejamos Natal,
Hoje, sempre,
Para sempre...
Isabel Rosete
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
20 Dezembro - Colóquio "José Marinho: do espírito ao insubstancial substante"
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
"Para nascer, Portugal: para morrer, o mundo”

"Nascer pequeno e morrer grande, é chegar a ser homem. Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas para a sepultura. Para nascer, pouca terra; para morrer toda a terra. Para nascer, Portugal: para morrer, o mundo”
- Padre António Vieira, Sermão de Santo António, Sermões, VII, p.64.
Hoje, 18.30, Casa Fernando Pessoa: Fernando Pessoa: Filosofia, Religião e Ciências do Psiquismo Humano - III
1 - Carla Gago: O Modernismo e o "pré-científico": Ocultismo e Ciências do Psiquismo Humano.
2 - Nuno Hipólito: Fernando Pessoa, o supra-Wittgenstein.
Organização: Paulo Borges, Cláudia Souza e Nuno Ribeiro
7 de Dezembro | 18h30 | Casa Fernando Pessoa
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
domingo, 4 de dezembro de 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Encontro Pessoa/Cioran, com apresentação do nº3 da Cultura ENTRE Culturas e do "Teatro da Vacuidade"

Encontro Pessoa / Cioran
Nos 76 anos da morte de Fernando Pessoa e nos 100 anos do nascimento de Emil Cioran
17h00 | 30 de Novembro 2011
Sala do Departamento de Filosofia (Torre B – Piso 1) | FLUP
O Grupo de Investigação Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal do Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto tem o prazer de convidar todos os interessados para o Encontro Pessoa / Cioran - Nos 76 anos da morte de Fernando Pessoa e nos 100 anos do nascimento de Emil Cioran.
O evento terá lugar no próximo dia 30 de Novembro, pelas 17h00, na Sala do Departamento de Filosofia (Torre B – Piso 1) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e contará com as seguintes intervenções:
* “Emil Cioran e Fernando Pessoa: salto no absoluto e «fuga para fora de Deus»”, Paulo Borges (FLUL-CFUL)
* “Tempo e palavra em Cioran”, J. M. Costa Macedo (FLUP/IF)
* “Utopia em Fernando Pessoa e Emil Cioran”, José Almeida (FLUP/IF)
* “Acerca da noção de normalidade em Cioran”, Elsa Cerqueira
| Apresentação do livro “O teatro da vacuidade ou a impossibilidade de ser eu” e do 3º número da revista “Cultura Entre Culturas, dedicado a Fernando Pessoa
A sessão terminará com a apresentação do livro “O teatro da vacuidade ou a impossibilidade de ser eu”, de Paulo Borges, e do Nº 3 da Revista “Cultura Entre Culturas”, dedicado a Fernando Pessoa, por José Meirinhos (FLUP/IF).
[Entrada livre]
Mais Informações: http://ifilosofia.up.pt/gfmc/?p=activities&a=ver&id=327











