segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Alfabeto vegetal




Alfabeto vegetal
(Dedicado a Inês Borges e a Paula Toscano)

As nervuras, as folhas e os veios
Do que à mais luminosa luz se mostra
É o que mais na sombra se desnuda e cala
Rosa entre todas és cega de ti
Em jardins de asas.

Entre rosas e rosas se ergue um muro
E o muro cheira a madressilva e a canela
E no desenho do muro um verso vegetal
Um rio de margem infinita e terna: árvore
Entre a rosa e a Rosa.

Entre mim e mim,
A forma aérea do vento: a árvore, a casa
A claridade de uma pedra acesa…
Uma palavra basta para incendiar o mundo
Nos lábios que tocam a beleza sublime
Do perfil de um mar adocicado e puro.

Uma lira a tocar dentro de um traço
Um gesto de quem desenha o universo
de um só único traço
Traça um rosto devoto, dedicado,
Como quem segue um labirinto em círculos
Que se completam em arcos
como um verso.

(Maria Sarmento)

domingo, 28 de agosto de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Entrevista hoje na RTP N sobre a Cultura ENTRE Culturas




A RTPN passa hoje, no programa "Ler +, Ler melhor", por volta das 14.50 e das 20.50, uma entrevista comigo e com Luiz Pires dos Reys, Director artístico, sobre a revista e o projecto Cultura ENTRE Culturas. O programa escolheu a revista devido à sua elevada qualidade estética e de conteúdo.

Num próximo programa passa outra entrevista comigo sobre o meu último livro, O Teatro da Vacuidade ou a impossibilidade de ser eu (estudos e ensaios pessoanos).

terça-feira, 23 de agosto de 2011

"O que procuramos será real?"



“O que procuramos será real? Ou será o impossível / fruto do desejo sempre latente e indefinível?” – António Ramos Rosa

Talvez o que procuramos seja real, mas não a procura, nem o que julgamos procurar, nem quem procura, nem o que consideramos ser “real”. Talvez tudo isto seja sim “o impossível fruto do desejo sempre latente e indefinível”, isso que sempre se distancia do que busca por imaginar carecer do que em si superabunda.

"Tudo o que pensamos ou é de mais ou de menos"

- António Ramos Rosa

"... e reconheci Deus na erva e nas plantas"



"Nesta luz o meu espírito viu através de todas as coisas e no interior de todas as criaturas e reconheci Deus na erva e nas plantas"

- Jacob Boehme.

domingo, 21 de agosto de 2011

Hermes Não-Afoito

Como uma faísca
Como uma lasca de vento
Meu mergulho não é mais de albatroz
Agora enterro-me no mar
E enáguo-me na terra
Rasgo com o vértice feito por meu caduceu
Uma frincha nas ondas
Espiralada com a força de minhas fagulhas
E vou num voo aquático
E lá
Danço uma falsa valsa
Com os seres translúcidos
De luz azul

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A terra não é redonda, tem a forma de melão, com muitas pevides por dentro...

Foi assim que acabei de ler o poema, com meu pai ditando a forma de vida. Ali, onde tudo parecia ser tão simples. O melão tem na mesma planta, flores machos e fémea. Por isso ela pode se auto-fecundar. Acho que foi assim que Deus espalhou homens e mulheres pela terra.
A terra é redonda e dentro dela mora o vazio, tranquilo sereno onde nada acontece e deixa em aberto tudo o que há-de ser, respondi teimosa.
Tenho um metrónomo ao lado do computador que me vigia o compasso da emoção. Assim se meu texto desliza pela tristeza perde o tempo binário e me alerta que o tempo só existe se o meu texto sorrir.
No meu aniversário pais, irmãos, filhos, sobrinhos e companheiro juntaram-se e compraram o metrónomo da emoção.
Tentei avisar a minha família que o metrónomo só me iria fazer mal. Mas a família estava preocupada com o destino da minha poesia. A tristeza dominava o tom da escrita, o metrónomo iria ensinar-me o compasso da felicidade.
O meu metrónomo não me deixa chorar, nem quando ameaço a lágrima ele se comove. Avisa descontrolado que o compasso da vida é outro.
Para acompanhar o tempo da felicidade, tentei adaptar o texto e rosa passou a rimar prosa.
Desde então os meus dias são em allegro, 120 batidas por minuto, em cada meio segundo um sorriso. Sereno ou desenfredao - sorriso. Tic, tac.

Se o metrónomo fosse mecânico eu teria tirado a haste e no lugar dela a ausência definiria a eterna pausa, num compasso desconhecido.
Sem alento fui em busca da pilha, mas o metrónomo digital requer um especialista. Na loja pedi um metrónomo que só medisse o tempo, sem comentários extras.
O rapaz que me atendeu respondeu-me:

- Mas isso é um relógio…
- Não quero nada que meça a hora. Quero um metrómono da emoção porque meu pai está preocupado com o destino da minha escrita
- Mas o seu é excelente. O mais caro da loja..
- Então troque-o por um que esteja avariado e se contente com o tic, tac apenas, em vários BPM.
- Como quiser, mas quem vai lucrar é o gerente
- Dê-me um chinês. Bem parecido na forma, mas que não funcione.
- Desculpe a pergunta, mas porquê se desfaz de uma peça tão cara?
- Este metronomo não me deixa ser feliz…
- Ahhhh, hmmm, okok. Aqui tem este bem avariado.
- Obrigada.

A caminho de casa meu coração encontrou o caminho e chorou. Depois riu.
Tic, tac, clic. Tic, tac, tac, Clic.

Quando não se dá conta

Há quem me peça que não escreva com tanta dor.

Há quem me peça que os ais sejam os uis de quem ri.

Há quem me peça que faça de conta, porque quem não se dá conta,  não sofre nem geme. 
Enquanto escrevo, sorrio na descoberta do fim.
Depois de hibernar, vem a vontade de voar. No céu encontro o ar, no mar me encontro - sereia. 
Entre, é o meu destino próximo. Sono longo, onde nada foi dito ou ouvido. 
Intervalo presente - liberdade. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Labirintos e “Entre-te-ni-mentos”


A seiva que corre dentro do corpo dos jardins é uma transfusão de luz na alma. Depois chove e a água não pode ser excessiva. Depois vem o sol e o sol não pode secar as folhas, os caules e as raízes. As árvores e as plantas mais pequenas e variadas devem bebê-la na quantidade que mais lhes convém, em harmonia com a sua necessidade e segundo a vontade natural. Assim deveria ser a vida do homem com a natureza. Todo o excesso e falta matam e destroem. É preciso deixar a Natureza fazer o seu trabalho e ao Homem pensá-lo e respeitá-lo. À Poesia, à Religião e à Filosofia, cabem a arte de fazer transbordar e transgredir. Para que se abra o Real, mostrando-o “Outro” no Mesmo. A Árvore na árvore, a Pedra na pedra. E no intervalo disso, no meio de onde não há meio, porque não há medida, no “Entre” de tudo isso, algum deus saudoso nos acena, como uma encoberta ilha.

A arte de “entrar” nessa Realidade não tem porta nem passagem, está para além das portas. Está para além das passagens. É de uma natureza outra, segundo uma nova ordenação. Coberta de sombras, essa fenda, essa passagem, esse interval de luz e de treva iluminados é onde o Poeta vê as palavras como se tocasse um mundo novo e Original: invisível e velado. Este é o mistério do mundo: ser e não ser. Os poetas e os contempladores vivem no «entre-ser» de tudo. As suas vidas são devir saudoso. Porque a “Saudade” é o “entre-tempo” e o “entre-espaço”: uma sombra real, uma luz velada, um mistério e um milagre maiores do que a vida que nos sentimos viver. Aí, o olhar é cegueira iluminada. Existir Isso, tonar-se visível Isso é a possibilidade de haver mundo e vida e a sua mesma impossibilidade. O homem é um paradoxo de si mesmo e a “arte” uma impossibilidade tornada possível. Viver a arte é cair nesse “intervalo”. Uma queda no abismo, “entre-realidades”. E, contudo, elas são a mesma, de uma outra maneira. Viver a Saudade é não existir. É ser do mundo, não estando nele nem fora dele, porque o não podemos estar e ser.

“Estar” e “ser” são dois estados. Verbos de Poetas e filósofos. No “intervalo” sonha-nos o mundo de olhos abertos, como veias por onde cresce a realidade e “nevoeiros” de onde se avista o véu da ilha que sonha vir ao nosso encontro, impossível juntá-los nesta ilusória dimensão. Segundo a Necessidade, a Beleza e o Amor, nos tornamos anjos, ninfas e nereides. Talvez cisnes, para adornar jardins. Segundo a Justiça e o Bem, nos tornaremos solitários. Como aqueles que se afastam para o deserto, hesicastas da alma, “amerímnios” do “estar”. Também como os que sobem montanhas e delas se salvam, como se tivessem “aprendido” a voar; como os derviches na saudação dos átomos e do amor que salva na dança, para que no movimento giratório tudo seja o mesmo no encontro com tudo. Às águias e aos falcões a natureza deu, em medida certa e justa, as “ferramentas” necessárias e originais. Aos “magos” o poder da transformação e da ilusão. Transformar em ouro na alquimia do coração, o real, é uma via morosa: é uma “combustão muito lenta, muito paciente”, como um esquecimento que se quer lembrado, um tempo que se quer eterno; um som que se ouve divinamente ausente. Silêncio que se quer Silêncio. No “intervalo”, ninguém se encontra e até o silêncio se ouve distinto. Como erguer pontes sobre o abismo entre uma coisa e outra coisa? É como aprender a ler sem necessidade de alfabetos ou de conceitos. É ver. O segredo é ver o invisível e pensar o impensável. Pensar a vitória sobre o Minotauro que somos é entrar no labirinto sem temor. Neste labirinto não há entrada nem saída, há mutação. Há sempre o que morrer em nós. Somos peles ressequidas em mudança e nunca deixaremos de existir. Podemos cobrir de penas essa nova pele. Criar um novo animal em nós? Não é o que somos, finalmente? ... “animais divinos” criados por nós? … Entretenimentos e interlúdios entre ser e ser? Amo as rosas que existiram: a-manhã!…

domingo, 14 de agosto de 2011

AMANTE


Limou as arestas, limpou o pó. Do que restou, ficou com o vermelho da paixão.
Ela é a sombra que não me acompanha e rouba a parte de mim que sonha.
Deixou comigo a dor da ausência.
Com um sorriso generoso ocupou meu lugar. Roubou meus gemidos na cama.
Inventou a tormenta quando ouviu a promessa amor eterno.
Deu-me de volta a fadiga de vida.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Quando nasceu dei-lhe a mão,
Devagar toquei cada um dos seus pequenos dedos,
tentando que os meus se encaixassem nos dele.
Se o desejo fosse, só por si, suficiente,
todas as crianças do mundo seriam felizes.
Dor que trago agora no peito, tão escondido que mal posso suportar.
A violência fechada e tumultuada nas ruas, entre torpedos de ira.
Bolas de sabão que se multiplicam no abandono de uma nova civilização.
Sofrimento que invade meu corpo, pela tristeza
De todos os seres que se traiem na existência

Por tudo lhes ter sido negado à nascença.
Se o desejo fosse, só por si suficiente,
nenhuma criança morreria à fome
Teriam por sofrimento único
a ignorância do não sofrimento.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

"Não é mais uma revista, é uma NOVA revista" - apresentação da ENTRE 3 por Miguel Real



FNAC/CHIADO – 26 – 7 - 2011
Apresentação de “ENTRE”, 3

Agradeço fortemente à direcção da revista, sobretudo a Paulo Borges e a Luís Reys o convite para apresentar “Cultura ENTRE Culturas”, acrescido do prazer de estar sentado ao lado de um estudioso e ficcionista que tanto admiro como o António Cândido Franco e de um editor que também há muito admiro, o dr. Baptista Lopes da “Âncora Editora”.

Como os três números publicados o evidenciam, “ENTRE” é uma NOVA revista de cultura. Não é mais uma revista, é uma NOVA revista, questionando possibilidades até agora desconhecidas do pensamento português, não a partir de um enfoque predeterminado, mas a partir do “Não-Lugar, “convertendo fronteiras em pontos de passagem, termos em mediações, limites em limiares” ” (nº 1, primavera-verão de 2010, texto de “Apresentação”).

Assim, NOVO, no caso de “ENTRE”, não significa a novidade que atrai a curiosidade, ou a originalidade académica, que atrai o espírito hermenêutico no interior de um mesmo modelo de pensamento. Não! Repete-se: - traz o novo, não a novidade. A novidade é a aparência nova do antigo, é o já sabido vestido de outras roupagens, outros métodos, outros conceitos, outra ideologia; o novo é violento, rompe com consensos, impõe-se pela força da argumentação, dá um outro e diferente sentido aos textos antigos e obriga os livros já firmados, as histórias do pensamento, a reverem os seus capítulos."

NOVO, no caso de “ENTRE”, significa um pensamento raramente pensado, uma visão ou teoria nunca socialmente aceite, uma concepção nunca levada a sério no campo da prática, sempre remetida até para o campo da marginalidade poética ou mística.
Dito de outro modo, NOVO, no caso de “ENTRE”, significa entreabrir uma porta para um OUTRO LUGAR, expressamente diferente do nosso lugar, isto é, significa abrir a porta do futuro e dar como efectiva a possibilidade de uma outra maneira de pensar e viver:

1. – pensar e viver sem a cristalização em blocos culturais identitários;
2. – pensar e viver sem favorecer um dos pólos da tensão metafísica entre ser e não-ser, entre bem e mal, matéria e espírito, corpo e alma, sujeito e objecto;
3. – pensar e viver sem a oposição cristalizada entre Ocidente e Oriente;
4. – pensar e viver libertando-nos dos cadáveres que 2 500 anos de civilização europeia nos penduraram nos ombros, que nos prendem ao passado, não nos deixam caminhar, arrastando-nos para uma terra repleta de campas fúnebres onde havia outrora o que exaltava a vida – as árvores, os rios, os animais, as crianças, os homens generosos;
5. – pensar e viver sem a clivagem maléfica entre vida e ser, existência humana e existência natural, harmonizando de novo homem e natureza.

“ENTRE” é a certeza de que esse outro lugar, outro mundo, outra vida – é possível, basta estar já a ser pensada hoje para ser possível no futuro; se hoje é sentida como necessária, no futuro tornar-se-á realidade. Como os 5 “Propósitos” de “ENTRE” reclamam no primeiro número – e como tudo o que o Paulo Borges e o Luiz Reys fazem – a revista consiste no anúncio da possibilidade de uma nova existência, hoje apenas “entre”vista, no futuro certamente experienciada e vivida diariamente.

Neste sentido, “ENTRE” corta com a retórica encomiástica do passado cultural de Portugal – os seus artigos sobre autores do passado são enquadrados numa visão de futuro segundo o novo modelo civilizacional – ser “vário”, ser uno e múltiplo ao mesmo tempo, ser nada e tudo simultaneamente, não estar preso à rocha da terra ou ao barco do mar, estar “entre” terra e mar, porventura na desordenada e caótica espuma da rebentação, não saber do norte e do sul e inventar nomadamente o caminho em cada curva da estrada.

O primeiro número dava-nos conta, afinal, de que “ENTRE” era, pelas suas propostas e propósitos, insituável: não era académica nem plebeia, não era neutra nem testemunha de um projecto intercultural subsidiado pela Comunidade Europeia, não louvaminhava o passado e abria-se a um futuro ainda vazio, que ambicionava preencher, auto-descobrindo-se dia a dia.

Como preencher um vazio com um conteúdo que ainda não existe? – ESTE O GRANDE, GRANDE PROBLEMA DE “ENTRE”.

No primeiro número, “ENTRE” namora o futuro através de artigos de Paulo Borges, Paulo Feitais, Carlos Silva, Raimon Pannikar, Hans Küng, Jean-Yves Leloup, François Jullien e Vilém Flusser – autores heterodoxos ao pensamento europeu normalizado – todos eles fazem explodir a actual cultura materialista e consumista europeia, apontando outros caminhos, que, de certo modo, são – também – os caminhos da “ENTRE”.

No segundo número, a procura de caminho continua – mas o solo torna-se mais consistente: a “vacuidade” assume-se como menos densa: artigos de Paulo Borges sobre Pessoa, Amon Pinho, Rui Lopo, Carlos João Correia, mas também Matthieu Ricard, Françoise Bonardel, Khyentse Rinpoche, Longchenpa, Rumi – e a grande conclusão sintetizada nos “Nove sutras sobre a paz” do falecido Raimon Pannikar – sobretudo o primeiro, muito premente ao espírito dos “Propósitos” da “ENTRE”: “Paz é a participação na harmonia do ritmo do ser”. Eis aqui o vazio do futuro a ser preenchido: a paz reside na harmonia do espírito da Terra, eis um grande, grande propósito orientador, capaz de tornar a nossa civilização às avessas.

Finalmente, o terceiro número, onde se aponta não um TEMA, como o 1º (“Que diálogo entre culturas?”) e como o 2º (“Encontro Ocidente – Oriente”) e mais um EXEMPLO: a vida e obra de Fernando Pessoa como um dos portugueses que, no nosso passado, viveu todos os tempos, e, não tendo tido biografia, viveu todas as maneiras de vida, todas as sensibilidades e racionalidades, postando-se, menos aqui ou além, e mais “ENTRE”. Pessoa, diferente de Pascoaes (António Cândido Franco), Pessoa exprimindo na poesia uma vivência da consciência diferente da redução transcendental da consciência de Husserl, apontando para a existência de um plano da experiência superadora da cisão sujeito – objecto (Paulo Borges), Pessoa e a Saudade “do presente (Bruno Béu), Pessoa e a superação da consciência temporalizada (António Faria), os espantosos artigos de Raquel Nobre Guerra e Luiz Pires dos Reys sobre a “surrealidade” em Pessoa e António Maria Lisboa, os estudos sobre a perspectiva de Pessoa e as culturas muçulmana e oriental, a questão da dupla autoria do Livro do Desassossego de Bernardo Soares e Vicente Guedes, os escritos filosóficos inéditos de Pessoa tematizados por Nuno Ribeiro segundo a sua conhecida tese defendida no livro Fernando Pessoa e Nietzsche: o pensamento da pluralidade, e mais Pessoa, mais Pessoa, mais Pessoa…

Ou seja, o nº 3 de “ENTRE” não só apresenta a vida e obra de Fernando Pessoa como um EXEMPLO de possibilidade de vida que rompe com o paradigma civilizacional fundado na cisão sujeito – objecto, como presta à cultura portuguesa um grande, grande favor, registando um óptimo dossier sobre a obra de Pessoa.

Muito obrigado.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Uns crescem estrelas, outros viram sapos
O eucalipto nasce de uma bola pequena
Há quem ganhe a forma de uma mulher.

Entre a galinha e o ovo,
aos que a sorte foi companheira,
nascem com tempo até morrer
Mudam de forma até envelhecer.
Aos que a sorte foi inimiga,
nascem com fome e morrem com ela
Mudam de forma antes de envelhecer.


No intervalo da nossa existência,
testemunhamos a vida.