domingo, 28 de novembro de 2010

BAIXIO

cala a gargalhada, solta o pranto, soluça baixo o escárnio, dança sem modos o canto.
desagua o rio quando nasce. ri quando chora, cala o pranto.
grita em silêncio o  engano.

voa a gaivota outro canto. branco tão branco
mar ou rio, salgado ou doce, nada o peixe
não ri
não chora
nada

nada/oco/vazio
espanto/branco
dor/sem cor/sabor
amargo/azia/azedo
medo/começo/morto
terra/semen/fértil-estéril
ventre/entre/mente/
vazio/oco/nada

cala a gargalhada - nada
solta o pranto - oco
Soluça baixo o escárnio - vazio
dança sem modos - branco
nada o peixe - ventre
caminha - mente


nada/oco/vazio

grita em silêncio o engano
lodo/lama/lótus


nasce a lua na noite

despe o sol o dia

morre a poente

no colo do ausente

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

ela pediu-lhe que pusesse as mãos no fogo,
e ele pegou numa agulha em cada mão
e pôs-se a bordar pássaros de água

Somos isto ou aquilo?

Ao nascer e morrer, na alegria e na dor, no medo e no desespero, no amor e na revolta, na generosidade e no egoísmo, ao dormir e acordar, ao comer, beber e defecar, somos portugueses, ingleses ou marroquinos, mexicanos, chineses ou tibetanos, cristãos, islâmicos ou budistas, de esquerda, centro ou direita, do Porto, Benfica ou Sporting, cultos ou incultos, ricos ou pobres, famosos ou desconhecidos, modernos ou tradicionais, velhos ou novos, homens ou mulheres?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

6ª feira, 26, Botequim da Graça: Agostinho da Silva e a Europa




6ª feira, dia 26, estarei a partir das 18.30 com o Dirk Hennrich no Botequim da Graça, para animar a tertúlia com o tema "Agostinho da Silva e a Europa". Agostinho via o abraço ao mundo como a vocação e o destino de Portugal e da lusofonia, que não deveria ficar refém da velha civilização europeia, devendo antes trazer até ela o melhor de todas as culturas planetárias, de modo a regenerá-la da sua decadência. O mesmo já pensava Fernando Pessoa. Na verdade, o paradigma ferozmente antropocêntrico e produtivista-consumista da nossa civilização está a arruinar o planeta ao qual se estendeu.

Apareçam para arejar ideias, que este país estagnado bem precisa!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

José e Pilar - Trailer



José e Pilar

Sinopse

A Viagem do Elefante, o livro em que Saramago narra as aventuras e desventuras de um paquiderme transportado desde a corte de D. João III à do austríaco Arquiduque Maximiliano, é o ponto de partida para José e Pilar, filme de Miguel Gonçalves Mendes que retrata a relação entre José Saramago e Pilar del Río.

Mostra do dia-a-dia do casal em Lanzarote e Lisboa, na sua casa e em viagens de trabalho por todo o mundo, José e Pilar é um retrato surpreendente de um autor durante o seu processo de criação e da relação de um casal empenhado em mudar o mundo -- ou, pelo menos, em torná-lo melhor.

José e Pilar revela um Saramago desconhecido, desfaz ideias feitas e prova que génio e simplicidade são compatíveis. José e Pilar é um olhar sobre a vida de um dos grandes criadores do século XX e a demonstração de que, como diz Saramago, "tudo pode ser contado de outra maneira".

música do trailer: noiserv - "Palco do Tempo" [noiserv.net]

não questiones a sintaxe
olha-te para lá do verbo
sê livre como um livro a galgar caminhos
como as águas rebentadas de uma gravidez

não queiras ser suporte de uma lâmpada
nem a luz redonda que fica no chão do teatro
escreve o nós como se o nós
fosse a vida diante do espelho
ou como aquele profeta que foi à morte e voltou
apenas com o pretexto de repetir a cena

caminha para o poema
pelo centro da dor das palavras
agita-as numa vontade de mar
até veres no fundo da música
os pássaros brancos

GREVE GERAL

24 de Novembro é dia de Greve Geral. Sim, façamos Greve Geral. Paralisemos todas as nossas actividades, como protesto contra um país mal organizado, mal governado, eticamente decadente e social e economicamente injusto, cada vez mais vergado à grande finança internacional, à ganância dos especuladores e ao consequente desprezo pelas necessidades básicas da população. Paremos totalmente, como protesto contra um país refém dos grandes grupos e potências económico-financeiras em todas as áreas, do trabalho à saúde, educação e política.

Façamos pois Greve Geral, em protesto contra todos os governos e oposições que, não só agora, mas desde a fundação de Portugal, contribuíram para o estado em que estamos. Todavia, façamos Greve Geral sobretudo em protesto contra nós próprios, que maioritariamente votamos sempre nos mesmos ou nos abstemos de votar e, principalmente, de criar alternativas à classe política e aos partidos em que desde há muito não acreditamos. Façamos Greve Geral, sim, mas também à nossa passividade e conformismo cívicos, à nossa preguiça e indolência, à nossa tremenda indiferença. Façamos Greve Geral ao nosso hábito inveterado de criticar tudo e todos e nada fazer, ficando sempre à espera que alguém faça, que os outros resolvam, que D. Sebastião apareça. Façamos Greve Geral à ideia de que basta fazer um dia de Greve Geral exterior, em prol de mudanças sociais, económicas e políticas, deixando tudo igual nos outros dias e dentro de cada um de nós. Sim, façamos definitivamente Greve Geral à demissão de sermos desde já, sempre e cada vez mais a diferença que queremos ver no mundo, em todas as frentes, sem exclusão de nenhuma: espiritual, cultural, ética, social, económica e política.

Façamos pois Greve Geral à nossa cumplicidade com o rumo de uma civilização que caminha aceleradamente para a sua perda, à nossa colaboração com a ganância e futilidade da hiperprodução e do hiperconsumo que violam a natureza e instrumentalizam e escravizam os seres vivos, homens e animais, em nome de um progresso e de um bem-estar que é sempre apenas o de uma pequena minoria de senhores do mundo. Façamos Greve Geral à intoxicação quotidiana de uma comunicação social que só deixa passar a versão da realidade que interessa aos vários poderes e contrapoderes. Façamos Greve Geral à imbecilização colectiva de muitos programas de televisão e seus outros avatares informáticos, que nos deixam pregados no sofá e nos ecrãs quando há crianças a morrer de fome, mulheres apedrejadas até à morte, velhos abandonados, defensores dos direitos humanos torturados e a apodrecer nas prisões, trabalhadores explorados, povos vítimas de agressão militar e genocídio, animais produzidos em série para os nossos pratos e a agonizar nos canis, matadouros, laboratórios e arenas, a natureza e o planeta a serem devastados… Façamos Greve Geral a todas as nossas ilusões e distracções, a todo o fazer de conta, a toda a conversa fútil no café, telemóvel, blogues e facebook, a todo o voltar a cara para o lado ante a realidade profunda das coisas e toda a nossa hipócrita cumplicidade com o que mais criticamos e condenamos.

Sim, e sobretudo façamos Greve Geral à raiz de tudo isso, a todos os nossos pensamentos, emoções, palavras e acções iludidos, inúteis e nocivos a nós e a todos. Greve Geral a todos os juízos e opiniões que visam sempre autopromover-nos em detrimento dos outros. Greve Geral a colocarmo-nos sempre em primeiro lugar, a nós e aos “nossos”, familiares, amigos, membros da mesma nação, clube, partido, religião ou espécie, em detrimento dos “outros”, sempre a menorizar, desprezar, combater, dominar ou abater. Pois façamos Greve Geral, total e radical, não só um dia, mas para sempre, a toda a ignorância dualista, apego e aversão e à sua combinação em todo o egocentrismo, possessividade, orgulho, inveja e ciúme, avareza e avidez, ódio e cólera, preguiça e torpor. Paremos para sempre de produzir e consumir isto, cessemos de poluir mental e emocionalmente o planeta e deixemos espaço para que em nós floresça e frutifique a sabedoria, o amor, a compaixão imparciais e incondicionais, a paz e a alegria profundas e duradouras.

Façamos Greve Geral, agora e para sempre! E deixemo-nos contaminar pela Revolução doce e silenciosa de uma mente desperta e sensível ao Bem de todos os seres sencientes, que nada pense, diga e faça que não o vise, a cada instante, seja em que esfera for, também na economia e na política. Desta Greve Geral sai um Homem e um Mundo Novo.

Paulo Borges
23.11.2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

conferência de Paulo Borges em Barcelos

Mente, meditação e despertar da consciência: a redescoberta de um intemporal paradigma". Apresentação também do livro "Descobrir Buda" e o nº2 da revista Cultura ENTRE Culturas.


domingo, 21 de novembro de 2010

3ª feira, 23, 21.30, Clube Literário do Porto, "Descobrir Buda" e nº2 da revista Cultura Entre Culturas





Estarei no Clube Literário do Porto, na Rua da Alfândega, 22, na 3ª feira, dia 23, pelas 21.30, para uma conferência com o tema "Descobrir Buda" e para apresentar o meu último livro, com o mesmo título (Lisboa, Âncora, 2010), bem como o nº2 da revista Cultura ENTRE Culturas, dedicada ao tema "Encontro Ocidente-Oriente".
Perdida de paixão, a cor inventa o carmim. Azul, adormece serena. Negra, a cor se perde
Livre ama a cor o branco. Sem cor

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O diagnóstico que Erich Fromm fez, já em 1976, do “fracasso” e do “fim de uma ilusão”

“A Grande Promessa de Progresso Ilimitado – a promessa de domínio da Natureza, de abundância material, de maior felicidade para o maior número de indivíduos, e de liberdade pessoal irrestrita – alimentou a esperança e a fé de inúmeras gerações desde o início da Revolução Industrial”; “A trindade da produção ilimitada, liberdade absoluta e felicidade irrestrita formaram o núcleo de uma nova religião”; “É importante visualizar a imensidão da Grande Promessa, as maravilhosas conquistas materiais e intelectuais da Revolução Industrial para podermos compreender o trauma que a constatação do seu fracasso está a produzir nos dias de hoje. Porque a Revolução Industrial falhou efectivamente no cumprimento da sua Grande Promessa”

- Erich Fromm, Ter ou Ser?, Lisboa, Editorial Presença, 1999, pp.13-14.

Filosofia: Mente, meditação e despertar da consciência

Filosofia: Mente, meditação e despertar da consciência: "O Ciclo de Conferências 'Consciência e Religião: perspectivas' prossegue no próximo dia 19, 6ª feira, pelas 21.30, no Auditório da Câmara Mu..."
pediram-lhe que amasse, e ele amou
pediram-lhe que sofresse, e ele sofreu
perguntaram-lhe quem era Deus, e ele sangrou pelas narinas

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Para download: Extractos do nº 2 da revista - pdf

Quem pretenda, antes de comprar, dar uma olhadela no conteúdo do número dois da revista Cultura Entre Culturas, poderá fazê-lo clicando sobre a imagem da capa que se encontra imediatamente abaixo do título deste blog. 
Acederá assim a um link que lhe permite fazer o download gratuito de um documento, em formato pdf, com destaques do conteúdo do último número da revista.
O mesmo pode fazer-se ainda em relação ao primeiro número, quase esgotado neste momento.
Divulguem e disseminem esta informação a quem entendam que interesse. Todos os meios são poucos.

As Bufónias, o sacrifício e a queda pelo alimento animal, segundo Agostinho da Silva

"É possível que a princípio o sacrifício simbolizasse a queda por um alimento animal, a expiação da morte da primeira rês; por qualquer circunstância, o homem, primitivamente frugívoro, teria sido obrigado a alimentar-se com a carne de animais, até aí sagrados para ele; abatera o primeiro e logo sentira todo o horror do seu crime: matara um companheiro, um amigo, e o seu primeiro movimento foi de fuga; depois, para que os deuses lhe perdoassem, fazia-os tomar parte no festim. O rito estranho das Bufónias, antiquíssimo, reproduzia com pormenorização a cena primitiva: havia a fuga do sacrificador, a acusação de todos os que tinham tomado parte na cerimónia; finalmente, a condenação dos instrumentos que tinham servido para cometer o crime"

- Agostinho da Silva, A Religião Grega [1930], in Estudos sobre Cultura Clássica, p. 165.

"O animal é o futuro do homem" - Dominique Lestel, um etólogo e filósofo que repensa o homem a partir da sua relação com o animal


Dominique Lestel, L'animal est l'avenir de l'homme
Carregado por les_ernest. - Aprende mais da ciência e da tecnologia com nossos videos

"[...] a etologia e a psicologia comparadas, apesar das suas manifestas insuficiências, mostraram de forma indubitável que o animal é um sujeito complexo, frequentemente um indivíduo e por vezes uma pessoa. Em todos os casos, trata-se de um interlocutor e por vezes de um companheiro, o que já justifica plenamente a vontade de o proteger contra a violência dos humanos. Nesta perspectiva, é interessante constatar que o humano é a única espécie predadora em que certos indivíduos protegem as presas contra os seus congéneres. É também a única espécie, infelizmente, que se pode caracterizar como uma espécie predadora universal, susceptível de destruir tudo o que é vivo.

[...]

"Aqueles que se preocupam hoje com os animais [...] [são] indivíduos que constituem a vanguarda de uma nova cultura em gestação. Pois quem ataca os animais agride também o homem. [...]

Os humanos que se preocupam com os outros animais constituem um movimento de vanguarda chamado a crescer e a transformar a consciência da época"

- Dominique Lestel, L'animal est l'avenir de l'homme, Paris, Fayard, 2010, pp.8, 10 e 12.

http://fr.wikipedia.org/wiki/Dominique_Lestel

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

a vida é um escândalo e a morte é pornográfica, disse o poeta mudo

Dia 19, 21.30, em Barcelos: "Mente, meditação e despertar da consciência", apresentação da Cultura ENTRE Culturas 2 e de "Descobrir Buda"




Estarei no dia 19, 6ª feira, pelas 21.30, no Auditório da Câmara Municipal de Barcelos, para uma conferência com o tema "Mente, meditação e despertar da consciência: a redescoberta de um intemporal paradigma". Na mesma ocasião apresentarei o nº2 da revista Cultura ENTRE Culturas, bem como o meu último livro: Descobrir Buda (Lisboa, Âncora Editora, 2010). O evento integra-se no Ciclo de Conferências "Consciência e Religião: perspectivas" e a entrada é livre.

domingo, 14 de novembro de 2010

Há crise de identidade ou a identidade é (a) crise?

Disse o poeta

A borboleta cheira a flor e morre sem pudor,

Longa é a noite antes do amanhecer.

Se eu soubesse, mostrava a cor do Inverno em cada manhã.

O sino da Igreja toca todos os dias antes do meio-dia. Não sei se anuncia a morte ou uma vida agora nascida.
Diz-me o poeta que não fale de amor. Dou milho aos pombos, procuro o segredo antes do tempo.
Chove na minha rua, abro a janela antes que o tempo se vá e eu me esqueça.
Vi o sol de manhã, mal despertei. Perdi-o assim que acordei.
Se eu soubesse, mostrava a cor desse amor que o poeta anunciou.

Sei dele quando me perco.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Apresentação do nº 2 da Revista, por Luiz Pires dos Reys (excerto)

Pede-me Paulo Borges que aqui publique um excerto do texto da apresentação do nº 2 revista feita por Luiz Pires do Reys, de que aqui transcrevemos os primeiros parágrafos.
Segue igualmente link para download, para quem queira ler o texto na íntegra:http://www.4shared.com/document/6SzGNIIJ/Luiz_Pires_dos_Reys_Apresentao.html



Palavras de apresentação do número dois da revista “Cultura Entre Culturas”, proferidas por Luiz Pires dos Reys - membro do Conselho de Direcção, director de arte e colaborador permanente da publicação - na sessão de lançamento, que decorreu na Sala do Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa, a 11 de Novembro de 2010, encerrando o ciclo de conferências integradas no “Colóquio Internacional Oriente-Ocidente, organizado por Paulo Borges, Carlos João Correia e Carlos Silva

Quando, há pouco mais de um ano, o Prof. Paulo Borges me convidou a integrar um projecto de revista, ocorrera-lhe então poder ela vir a chamar-se “Anjo do Real”: fazia, nisso, apelo muito significativamente aliás a uma sublime metáfora de Sophia de Mello Breyner.
Ficara, na verdade, desde logo claro que o nome, qualquer que ele fosse, por que viesse a designar-se a publicação, seria necessária e indissociavelmente expressivo do seu fito de intento e do sentido de havê-la. O sentido dela estava claríssimo; o intento, esse, era imperativo clarificá-lo.
Era, por outro lado, dado por adquirido que não se tratava de promover mais um projecto e um objecto culturais, mas de dar expressão ao impulso inaugural de um outro paradigma de ser, de estar e de fazer, menos circunscrito àquele circuito algo fechado sobre si mesmo, dessa coisa imprecisa, lata e relativamente propiciadora de contemplações de umbigo a que chamamos cultura.
Ele, Paulo Borges, amigo de décadas, desde há muito que vinha - no âmbito da universidade, do ensino, da investigação, da cultura e da intervenção cívica (da forma notável que todos conhecemos, e lhe reconhecemos) – mostrando uma linha de rumo singular, que punha em feliz correlação âmbitos até então dispersos. Assim foi ele fazendo, também, no âmbito da afirmação e prestígio do Caminho do Meio (vulgo, Budismo) entre nós.
(...)
Fiquei, de todo o modo, tomado de entusiasmo, pelo convite e pela singularidade da ideia-semente do projecto, por tal parecer-me poder permitir vir a suscitar o plasmar de todo um outro paradigma de enfoque da realidade do nosso tempo, modo multivário esse que tem vindo aliás a assomar - sinérgica, catalítica e transversalmente - a um leque aparentemente muito heteróclito de coisas, problemáticas e seus imperativos, mas que um cada vez mais vasto número de pessoas tem nas suas não menores preocupações.
Foi assim que, certamente honrado mas sobretudo responsabilizado, abracei o horizonte-projecto cujo rosto-charneira e crisol é a Cultura Entre Culturas, de que agora se apresenta o segundo número, prosseguindo assim nas linhas de propósito que ela persegue, e de que insiste em manifestar firme intento.

Apresentação do nº2 da Revista, ontem, na Sala do Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa


 Vista da sala de Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa, 
onde teve lugar a sessão

 Luiz Pires dos Reys, director de arte da publicação e colaborador,
falou sobre o projecto Entre, e apresentou a poesia, arte e fotografia deste número.
Ao centro, o Prof. Carlos João Correia, que integra igualmente o Conselho de Direcção
- presidindo ontem à mesa do "Colóquio Internacional Oriente-Ocidente",
de que foi um dos organizadores - fez a introdução geral da revista.

(acima e abaixo)  
O Prof. Paulo Borges, director da revista, apresentou o tema deste número,
detendo-se designadamente nas colaborações de ensaio


 Com o nº2 da revista, via-se o nº 1, quase esgotado,
bem como o último livro de Paulo Borges, "Descobrir Buda", 
lançado anteontem, com edição da Âncora Editora. 
Folhetos também da "Exposição de Relíquias do Buda", 
patentes em Lisboa, até 14 de Novembro

entreluz

Revista Cultura Entre Cultura, nº 2 - Editorial




Publicamos a seguir o Editorial do número 2 da revista, cujo lançamento formal ocorreu ontem, na Sala do Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa, a encerrar o ciclo de conferências integradas no "Colóquio Internacional Oriente-Ocidente", organizado por Paulo Borges, Carlos João Correia e Carlos Silva:

Após o primeiro número, cujo tema foi o diálogo intercultural, a Cultura ENTRE Culturas dedica este segundo número ao encontro entre Ocidente e Oriente, na circunstância oportuna da comemoração dos 500 anos da chegada dos portugueses a Goa. O encontro Ocidente-Oriente, esses dois grandes pulmões do planeta, tem sido e é cada vez mais a matriz do que de mais significativo surge na história planetária do homem e das manifestações do espírito que nele e em tudo sopra. A cultura portuguesa tem ocupado (para o melhor e o pior) um lugar central nessa interlocução e a nossa revista pretende renovar essa tradição.
Abrimos com uma homenagem a dois vultos que recentemente partiram: Raimon Panikkar, membro da Comissão de Honra da revista e insigne colaborador que nela provavelmente teve a sua última publicação em vida; António Telmo, figura maior do pensamento português contemporâneo, que nos enviou um texto sobre a espiritualidade persa em Luís de Camões e do qual nos honramos por publicar também o seu derradeiro escrito, sobre Raymond Abellio e a descoberta portuguesa do trans-histórico (os nossos agradecimentos a José Guilherme Abreu). Panikkar é um ícone do diálogo Ocidente-Oriente, em particular na vertente europeia-indiana (assumia-se como “cristão-hindu-budista-secular”). Telmo representa a osmose entre filosofia portuguesa e Cabala hebraica. Aos dois o nosso sentido "Até sempre!".
No que respeita aos ensaios, Carlos João Correia mostra, com o habitual rigor e clareza, como a questão da identidade pessoal, central no Ocidente e no Oriente, se antecipa na filosofia indiana clássica, bramânica e budista. Rui Lopo apresenta uma promissora visão panorâmica da sua investigação sobre a recepção ocidental do budismo (também na cultura portuguesa). Amon Pinho mostra a evolução do pensamento de Agostinho da Silva sobre o budismo e o cristianismo, no contexto de um progressivo ecumenismo paraclético. Paulo Borges assinala a fecundidade do entre em Fernando Pessoa, interpretando o poema “King of Gaps”, bem como as figuras de D. Sebastião e do Quinto Império na Mensagem, a partir da noção tibetana de bar-do (entre-dois, estado intermédio).
Na secção “Éditos e inéditos” a revista continua a contar com a colaboração de figuras de renome internacional. O cientista e monge Matthieu Ricard faz uma estimulante síntese do diálogo entre as neurociências ocidentais e a tradição budista, sob a égide do Dalai Lama, bem como das descobertas científicas recentes acerca dos benefícios da prática regular da meditação para o desenvolvimento pessoal e social. Françoise Bonardel oferece-nos um inédito onde pondera o lugar de Deus, dos deuses e do divino no (mono)teísmo e no budismo, reflectindo sobre as vantagens e riscos do encontro das duas tradições no Ocidente contemporâneo. Dzongsar Khyentse Rinpoche, carismático mestre espiritual tibetano, realizador de cinema e autor de O que não faz de ti um budista, adverte num estilo incisivo para os problemas da transposição do budismo para o Ocidente. 
Giangiorgio Pasqualotto presenteia-nos com uma entrevista inédita sobre o lugar do Oriente na sua vasta obra e sobre a sua proposta de uma “filosofia intercultural”, equidistante de qualquer centrismo, ocidental ou oriental. Ricardo Ventura transcreve um trecho de um manuscrito português do século XVI, que mostra o lugar pioneiro dos missionários portugueses no conhecimento da cultura hindu no Ocidente. A introdução ao texto também mostra, todavia, os preconceitos religiosos e proselitistas que presidiram a este encontro de culturas, contribuindo por(des)ventura para a paradoxal inibição dos Estudos Orientais no país que mais demandou o Oriente.
Numa secção com textos vários, a visão de António Telmo de um Camões interiormente persa articula-se com a reflexão de Sam Cyrous sobre religião e política na Pérsia antiga e no Irão contemporâneo. O escritor intenso que é Miguel Gullander medita sobre o “cadáver” e a “silenciosa testemunha em tudo o que acontece”. Duarte Braga problematiza o “orientalismo” na poesia de Gil de Carvalho e Abdul Cadre inicia-nos no Caminho de Santiago e nos enigmas dos dois decapitados, Santo Iago e Prisciliano, que bem nota haverem sido dois heréticos, respectivamente entre judeus e cristãos.
Quanto aos poetas, a sua voz surge “entre-calada” pela dos sábios e dos santos homens: será assim doravante. Abre-se, desde logo pela mão de Rumi (i.e.“o Romano”) , com a grandeza da alma sufi, que nos mostra que o Mesmo, o Único, o Insondável, está em todos os corações e lugares; e tão plena e intensamente o está, a ponto de parecer “embriagado, intoxicado e perturbado” aquele que lhe seja lugar, talqualmente os apóstolos do Cristo, no dia de Pentecostes, a quem alguns criam “cheios de vinho doce”(At. 2,13). O Sem Nome, na verdade, tal como vinho, com nada tolera coabitar no coração do homem. É único, e por isso é Único o Único, que em tudo é detectável nesse divino jogo de escondidas que por toda a parte se/nos verifica.
A palavra de Vicente Franz Cecim, primordial e incantatória, virgem como o pulsar amazónico, convoca as “aves profundas” que sobrevoam as “pedras dos dedos da oração”. Ethel Feldman, voz intimista que se nos oferece com o rigor da vibrante lâmina do sentir, enuncia “o voo e via[gem]” do presente, “tempo de sempre  / tão tempo de ser”. O verbo de Maria Sarmento, por seu lado, de orvalhada pureza sempre, ressoa ecos do raro “canto mudo das rosas e dos veleiros”: nele “sobe aos lábios um canto, [e] sopram-se segredos”. Sussurrantemente.
Longchenpa, um dos maiores vultos da tradição budista tibetana, fala-nos acerca daquela sabedoria não-dual que emerge da compreensão da natureza, originalmente pura, da mente: a ler como quem não lesse! Flávio Lopes da Silva, em poesia de frescura surpreendente, vai ao ponto de falar-nos de um, não menos surpreendente, “apostador que ao ler um poema dissesse: chega!”. Deixa-nos também um conjunto de vívidos aforismos a ler com todos os olhos.
Sylvia Beirute, que canta sob a luz mediterrânica os al-gharbs de ser viva voz, garante-nos “a certeza de não cabermos numa única possibilidade”; daí, talvez, a pertinência do seu “projecto de ser uma mulher de açúcar” e propor-se assim como “um exemplo de não exemplo”: voz a não perder. De Donis de Frol Guilhade nada se dirá, que sempre prefere nada se diga de quanto haja dizer. 
Simeão, cognominado “novo teólogo” pela tradição ortodoxa bizantina, exprime suas moções místicas mais abissais, perante o mistério paradoxal da proximidade e inacessibilidade do Divino. Como um selo lacrado a uma “voz já da cascata”, a palavra sábia e rigorosa de T. S. Eliot fala-nos do tempo, do não-tempo nele e do além-tempo em ambos, e em tais termos o faz, que mostra ser “[todo o] poema um epitáfio”. Onde a vida se celebra, a vida para sempre floresce e perdura: ali onde, num entrelaçar de “línguas de fogo” coroantes das crianças, “o fogo e a rosa [são de novo] uma só coisa.”
Raimon Panikkar mostra-nos, num curto mas belíssimo conjunto de nove aforismos (sutras), de que é feita a paz e de como é simples, ainda que não fácil, o fazê-la e o sê-la: texto de uma imensa sabedoria, que, estando a abrir um justo In Memoriam neste número, estaria aqui também no seu mais do que justo lugar. Rómulo Andrade, com a sua arte de primacial pureza, leva a cabo (nas palavras de Ruy Fabiano Rabello) uma “poética que desperta e sinaliza no rumo duma consciência mais clara e solidária entre as pessoas e a própria vida”: a ver, sempre. João Paulo Farkas, o fotógrafo convidado para este número, é senhor de um olhar sobre o homem e a Natureza que, dir-se-ia, nos faz sentir “desaparecidos”, lembrando aquela espantosa palavra de António Maria Lisboa, aliás algures citada na revista: “ver é desaparecer”. E é.

O diálogo entre as culturas e entre cada uma delas e o que a todas transcende e equipara é o grande desafio do nosso tempo. É dele que depende o universalismo autêntico, caminho do meio entre nacionalismo cultural e globalização homogeneizadora. É por essa via que seguimos, criando/descobrindo pontes, mediações, elos. No próximo número em companhia de Fernando Pessoa, comemorando ainda os 75 anos da passagem desse que é um dos expoentes maiores de um trans-Portugal armilar, cumprindo-se e superando-se na mediação de todos com tudo.
Paulo Borges
Luiz Pires dos Reys

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O gato, o lobo, o menino e Mary Sarojini e seu mainá



Um texto de João Pereira Coutinho, na Folha de São Paulo de 31 de março do ano passado, fez-me lembrar O filho eterno, de Cristovão Tezza, e A ilha, de Aldoux Huxley, relido em março último.
O tema de Coutinho, aprender dos animais, trata de nossa fuga sistemática ao presente, que diluímos entre a bagagem da memória e a ansiedade pelo futuro, deixando para o momento que se vive apenas um naco de atenção e a quase impossibilidade de ser feliz. Explicar isso equivale a dizer que é impossível ser feliz no passado ou no futuro, porque felicidade, queridas pessoas, ou se vive agora, ou não se vive. Existem, sim, a nostalgia da felicidade e o desejo de ser feliz, mas nenhum dos dois pode ser considerado felicidade propriamente dita.
“(...) compre um gato”, preconiza o colunista. “Ele não espera nada, ele não deseja nada. A felicidade, para ele, não existe por adição (...). Mas por repetição: ele repete as experiências que são significativas. E, em cada repetição, existe a certeza da mesma felicidade.” Mais adiante, Coutinho relata a experiência do professor inglês Mark Rowlands, que comprou um lobo, domesticou-o (depois de ver destruída metade de seus móveis e objetos) e conviveu com ele durante 11 anos, levando o animal até para as aulas na universidade. O relato está em “O filósofo e o lobo: lições do selvagem sobre amor, morte e felicidade”, livro ainda não traduzido por aqui, e segundo a crônica “uma longa meditação sobre a natureza da felicidade humana. Ou, se preferirem, sobre a sua impossibilidade.”
Mas se o texto de Rowlands envolve um viés metafísico, no caso do romance premiadíssimo de Tezza o assunto fica restrito a uma experiência existencial, em que seu filho, portador da síndrome de Down, recebido como empecilho a uma dinâmica de vida e trabalho normais, termina por “ensinar” ao pai o significado desse presente sem misturas de que falava Coutinho. Nada fácil, nada a ver com autoajuda. Aqui se trata de uma pessoa humana, que por uma deficiência neurológica está impossibilitada da constante referência ao passado, assim como da construção inesgotável de planos e projeções que a tirem do presente.
Em comum com o gato e o lobo, há um presente “puro”, isento de elementos que o fraturem; mas diferente dos animais, há uma sensibilidade a ser trabalhada e a educação da atividade motora, visando conseguir alguma autonomia física, além de uma afetividade peculiar, que precisa ser atentamente orientada. É um conjunto de métodos e dedicação que busca ajustar o menino a seu meio: repete indefinidamente as experiências que o levarão a adotar o melhor modo de agir, e nisso a família e os instrutores têm um papel fundamental. Não há superproteção, mas estímulos continuados sem descanso. Em outras palavras, o condicionamento não acontece simplesmente por uma compensação fisiológica à la Pavlov, como com os animais, mas por uma série de experiências que não privilegiam a memória, e sim todo o corpo; uma repetição constante que afinal o levará a agir de modo socialmente aceitável e a assimilar alguns conhecimentos de que irá precisar na vida adulta. Do fundo de seus limites, ele não entende, mas vive essa felicidade do momento, e é por ela que se abre caminho para a aceitação familiar e social.
Os personagens de Huxley, em A ilha, agem na linha do psicologismo, mas de um tipo que reforça o papel psicanalítico da terapia da palavra. Logo no início, quando a menina Mary Sarojini e seu irmão encontram Will, o protagonista e narrador do romance, muito ferido e taumatizado, ela põe em prática a cura pela palavra – uma chimney-sweeping, como a chamava Ana O., a paciente histérica de Freud. O procedimento da menina – uma “análise selvagem”, por assim dizer – pretende, e consegue, livrar o navegador dos traumas por que passou com o naufrágio de seu barco e a escalada pelas pedras, ferido e aterrorizado por serpentes ameaçadoras. Ao fundo, um mainá, pássaro da ilha, repete sem parar “Atenção”, “Vamos, rapazes, é agora”. Mary o faz repetir sem parar o que havia acontecido, até que tudo seja relegado ao passado e Will se liberte da desgraça passada para poder seguir o conselho do mainá e viver o presente, que a rigor é o tempo que precisa de toda a atenção disponível.
Acho que a conclusão lógica desses exemplos todos é a de que, excetuando os crentes extremados que preferem se abster de muitas experiências terrenas em favor da vida eterna no Paraíso, continuamos interessados basicamente em conseguir a felicidade durante esta vida. É em torno desse desejo – e em contraponto da morte – que giram nossa razão, nossas pesquisas e a busca de conhecimento.
O pensamento contemporâneo continua correndo atrás das condições que nos permitirão viver a vida de modo mais pleno, e portanto ser mais felizes, quando surgir uma chance de ser feliz. Não acontece todo dia. Nem é tão simples assim. Mas pode-se falar disso de outra vez.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Convites: apresentação de "Descobrir Buda" e do nº2 da revista Cultura ENTRE Culturas

falava de trás para frente por julgar que assim caminhava para o passado. atirava pedras para o fundo de um poço numa de acordar o silêncio. julgava que deus era uma planta com raiz no firmamento. agora que está a dois passos de morrer, percebe que toda a sua vida foi um pretérito imperfeito

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

evita sal na comida, assim como críticos na tua ferida

XX Encontro Inter-Religioso de Meditação

A União Budista Portuguesa e a Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa convidam os membros de todas as confissões religiosas para o XX Encontro Inter - Religioso de Meditação, que decorrerá hoje, dia 8, das 19 ás 20h, na ESMTC, Rua D. Estefânia, 175
.
Este encontro está integrado no programa de actividades da Exposição das Relíquias do Buda e de Outros Grandes Mestres Budistas,que decorre neste espaço entre 6 e 14 de Novembro.

Este Encontro é dedicado ao objectivo da Exposição, a promoção do diálogo inter-religioso e a Paz no mundo. Como habitualmente,serão lidos curtos textos (1 a 2 m) de cada religião presente, seguidos de uma curta reflexão e de 25 minutos de meditação em silêncio, após a qual poderá haver diálogo e partilha de experiências.

Bem hajam pela vossa presença e divulgação destas iniciativas!

Façamos nossa a diferença e a Paz que desejamos no mundo !

domingo, 7 de novembro de 2010

A atenção meditativa na filosofia estóica antiga (homenagem a Pierre Hadot, que partiu a 24 de Abril deste ano)




“A atenção (prosoché) é a atitude espiritual fundamental do estóico. É uma vigilância e uma presença de espírito contínuas, uma consciência de si sempre desperta, uma tensão constante do espírito. Graças a ela, o filósofo sabe e quer plenamente o que faz a cada instante. Graças a esta vigilância do espírito, a regra de vida fundamental, ou seja, a distinção entre o que depende de nós e o que não depende de nós, está sempre “à mão” (procheiron). […] Esta atenção ao momento presente é de algum modo o segredo dos exercícios espirituais. Ela liberta da paixão que é sempre provocada pelo passado ou pelo futuro que não dependem de nós; ela facilita a vigilância concentrando-a no minúsculo momento presente, sempre dominável, sempre suportável, na sua minúscula exiguidade; ela abre por fim a nossa consciência à consciência cósmica tornando-nos atentos ao valor infinito de cada instante, fazendo-nos aceitar cada momento da existência na perspectiva da lei universal do cosmos”

- Pierre Hadot, Exercices spirituels et philosophie antique, Paris, Albin Michel, 2002, pp.26-28.

A chamada "meditação", que hoje se pensa ser apenas um produto exótico do Oriente, esteve presente na Antiguidade greco-romana e na Cristandade medieval, sendo depois esquecida pela obsessão da mente humana com o conhecimento/domínio/exploração do mundo exterior e com a planificação do futuro. O resultado está à vista: crise ecológica e frustração das expectativas alimentadas desde a Revolução Industrial. E agora reaprende-se a meditar com o Oriente, que nunca o esqueceu.

Convites: apresentação de "Descobrir Buda", do nº2 da revista Cultura ENTRE Culturas, Colóquio Oriente-Ocidente e Exposição de Relíquias do Buda

Caras Amigas e Amigos

Venho por este meio convidar-vos para o lançamento do meu livro "Descobrir Buda" (Âncora Editora) e do nº2 da revista "Cultura ENTRE Culturas", dedicada ao tema "Encontro Ocidente-Oriente", respectivamente no dia 10, às 18 h, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e no dia 11, às 19h, na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho (Câmara Municipal de Lisboa). O livro será apresentado pelo Prof. Dr. José Eduardo Reis e a revista por Luiz Pires dos Reys, seu Director Artístico, e pelo Prof. Dr. Carlos João Correia, membro do seu Conselho de Direcção (a confirmar).

Estendo este convite à vossa presença no Colóquio Internacional "Oriente-Ocidente: diálogos e cruzamentos", cujo programa encontram aqui: http://arevistaentre.blogspot.com/2010/11/10-11-novembro-programa-do-coloquio.html

Destaco a conferência do Professor François Jullien, eminente especialista do pensamento chinês, ensaísta de renome mundial e membro da Comissão de Honra da revista "Cultura ENTRE Culturas", no dia 10, às 19h, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Entrada livre.

Tenho o prazer de vos convidar também para visitarem a Exposição de Relíquias do Buda e de Outros Grandes Mestres Budistas, que decorre na Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa, Palacete da Estefânia, Rua D. Estefânia, 175, até dia 14. A exposição está aberta das 10 às 19h e a entrada é livre. Estará também no Funchal, de 19-21, e no Porto, de 26-28. A exposição é acompanhada de um vasto programa cultural, que podem consultar aqui: www.reliquias.uniaobudistaporto.org/

Que todos estes eventos contribuam para a Paz, interior e exterior, no mundo e para a construção de pontes e não de muros entre povos, nações, culturas e religiões. Por um mundo melhor para todos os seres sencientes.

Com saudações cordiais e universalistas

Paulo Borges