sexta-feira, 17 de setembro de 2010
La Rapsodie Tzigane
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Papa inicia hoje visita de quatro dias ao Reino Unido marcada por polémica
Londres, 16 set (Lusa) - O Papa Bento XVI inicia hoje uma visita de quatro dias ao Reino Unido, a primeira visita de Estado de um líder do Vaticano ao país maioritariamente anglicano em 500 anos, mas que tem sido envolvida em polémica.
Na quarta-feira, mais de 50 personalidades britânicas do mundo da ciência e das artes, incluindo o ator Stephen Fry e os escritores Ken Follet e Philip Pullman, criticaram o facto de a deslocação do Papa ser considerada visita de Estado e não apenas uma visita pastoral.
A visita de Bento XVI inclui encontros políticos com o primeiro-ministro, David Cameron, o vice-primeiro-ministro, Nick Clegg, e a líder da oposição, a trabalhista Harriet Harman.
O anúncio da beatificação de John Henry Newman durante a visita, e que demonstra a admiração de Bento XVI pelo teólogo britânico que trocou o anglicismo pelo catolicismo no século XIX, também suscitou de críticas em diversos setores da sociedade britânica.
Uma sondagem divulgada na terça-feira pelo diário The Times referia que apenas 14 por cento dos britânicos são favoráveis à visita de Bento XVI ao Reino Unido.
No sábado, grupos de ativistas dos direitos humanos, militantes a favor do aborto, feministas, defensores dos homossexuais, laicos e humanistas vão manifestar-se em Londres contra a visita papal, apesar dos esforços da hierarquia da Igreja no país em temperar os ânimos.
Hoje, no primeiro dia da visita, Bento XVI será recebido pela rainha Isabel II no palácio escocês de Holyroodhouse e presidirá no Bellahouston Park, em Glasgow, à primeira das três missas campais programadas para a deslocação e que estão também a gerar controvérsia pelo facto de a admissão aos serviços religiosos ser sujeita ao pagamento de bilhete de entrada.
PCR./CSR.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Jacinto Lucas Pires
Teatro, 17€, pp. 114
Estreia dia 16 de Setembro, na Culturgest
“ANTÓNIO Sabem o que é um poodle a roer um osso de pardal? Micro-economia. Sabem o que é o elefante na sala? Macro-economia. Sabem o que é um betinho vegetariano, intelectual e maricas? (Pausa: penteia as sobrancelhas.) Política, política, política! (Ri-se enquanto esfrega os dentes num esforço cada vez mais desesperado.)”
Dados de espectáculo:
Interpretação:
Anabela Almeida Arlete
Duarte Guimarães Pedro
Ivo Alexandre António
Joana Bárcia Maria
Miguel Fragata Filho
Encenação: Catarina Requeijo
Cenário e figurinos: Sara Amado
Desenho de luz: José Manuel Rodrigues
Produção executiva: Hugo Quinta
Co-produção: Culturgest e Teatro Viriato
Jacinto Lucas Pires nasceu no Porto (Portugal) a 14 de Julho de 1974. Estudou Direito na Universidade Católica de Lisboa e Cinema na New York Film Academy. Publicou o seu primeiro livro em 1996 e trabalha como dramaturgo e cineasta.
A sua obra encontra-se publicada em português pelos Livros Cotovia e também em espanhol, croata e tailandês. Várias peças suas estão traduzidas em francês, espanhol, inglês e norueguês. Em Portugal, os seus textos foram encenados por Manuel Wiborg, Ricardo Pais, Marcos Barbosa e João Brites. Alguns dos seus contos foram incluídos em colectâneas na Alemanha, em França, em Itália, na Bulgária, no Brasil e em Espanha. Tem contos em várias antologias portuguesas.
Escreveu e realizou duas curtas-metragens: Cinemaamor (1999) – prémio cine-clube no Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira – e B.D. (2004).
A qualidade é precisamente essa, a de escrever como quem pinta ou transcreve para uma pauta o que ouve assobiar na rua. O resultado, pretensiosismo à parte, é excepcional.
Expresso
Outros livros do autor:
(teatro)
Universos e frigoríficos (1997)
Arranha-céus (1999)
Escrever, falar (2002)
Figurantes e outras peças (2005)
Octávio no mundo, in Panos (2006)
Silenciador (2008)
(ficção)
Para averiguar do seu grau de pureza (1996)
Azul-turquesa (1998)
2 filmes e algo de algodão (1999)
Abre para cá (2000)
Do sol (2004)
Perfeitos milagres (2007)
Assobiar em público (2008)
(viagens)
Livro usado — numa viagem ao Japão (2001)
“Que seria de Portugal sem Pessoa e sem Camões? Ou da Rússia sem Tolstói, Dostoiévski e Tchékhov? Ou da Irlanda sem Joyce e Beckett? A literatura melhora os países, mesmo quando é para contar suas derrotas e seus horrores – e sobretudo quando conta suas derrotas e seus horrores. Só por burrice um Estado não defende sua literatura. É uma questão de marketing, para não falar de coisas mais elevadas.”
Isabel Rosete
"Isto é amor: [...] dar um passo sem pés"
voar para um céu secreto,
fazer com que cem véus caiam a cada momento.
Primeiro deixar ir a vida.
Por fim, dar um passo sem pés"
- Rumi
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Editorial da Cultura ENTRE Culturas nº2 e lançamentos: o próximo na 6ª feira, 17, pelas 19h
O nº 2 será apresentado no Colóquio Internacional "Oriente-Ocidente: diálogos e cruzamentos", na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho (Câmara Municipal de Lisboa), em 11 de Novembro.
Publicamos aqui, como aperitivo, o Editorial, que apresenta o conteúdo da revista. Uma forma de garantir e apoiar a revista é assiná-la.
Saudações interculturais
Paulo Borges
......................
Editorial
Após o primeiro número, cujo tema foi o diálogo intercultural, a Cultura ENTRE Culturas dedica este segundo número ao diálogo entre Ocidente e Oriente, na circunstância oportuna da comemoração dos 500 anos da chegada dos portugueses a Goa. O diálogo Ocidente-Oriente, esses dois grandes pulmões do planeta, tem sido e é cada vez mais a matriz do que de mais significativo surge na história planetária do homem e das manifestações do espírito que nele e em tudo sopra. A cultura portuguesa tem ocupado (para o melhor e o pior) um lugar central nessa interlocução e a nossa revista pretende renovar essa tradição.
Abrimos com uma homenagem a dois vultos que recentemente partiram: Raimon Panikkar, membro da Comissão de Honra da revista e insigne colaborador que nela provavelmente teve a sua última publicação em vida; António Telmo, figura maior do pensamento português contemporâneo, que nos enviou um texto sobre a espiritualidade persa em Luís de Camões e do qual nos honramos por publicar também o seu derradeiro escrito, sobre Raymond Abellio e a descoberta portuguesa do trans-histórico (os nossos agradecimentos a José Guilherme Abreu). Panikkar é um ícone do diálogo Ocidente-Oriente, em particular na vertente europeia-indiana (assumia-se como “cristão-hindu-budista-secular”). Telmo representa a osmose entre filosofia portuguesa e Cabala hebraica. Aos dois o nosso sentido “Até sempre!”.
No que respeita aos ensaios, Carlos João Correia mostra, com o habitual rigor e clareza, como a questão da identidade pessoal, central no Ocidente e no Oriente, se antecipa na filosofia indiana clássica, bramânica e budista. Rui Lopo apresenta uma promissora visão panorâmica da sua investigação sobre a recepção ocidental do budismo (também na cultura portuguesa). Amon Pinho mostra a evolução do pensamento de Agostinho da Silva sobre o budismo e o cristianismo, no contexto de um progressivo ecumenismo paraclético. Paulo Borges assinala a fecundidade do entre em Fernando Pessoa, interpretando o poema “King of Gaps”, bem como as figuras de D. Sebastião e do Quinto Império na Mensagem, a partir da noção tibetana de bar-do (entre-dois, estado intermédio).
Na secção “Éditos e inéditos” a revista continua a contar com a colaboração de figuras de renome internacional. O cientista e monge Matthieu Ricard faz uma estimulante síntese do diálogo entre as neurociências ocidentais e a tradição budista, sob a égide do Dalai Lama, bem como das descobertas científicas recentes acerca dos benefícios da prática regular da meditação para o desenvolvimento pessoal e social. Françoise Bonardel oferece-nos um inédito onde pondera o lugar de Deus, dos deuses e do divino no (mono)teísmo e no budismo, reflectindo sobre as vantagens e riscos do encontro das duas tradições no Ocidente contemporâneo. Dzongsar Khyentse Rinpoche, carismático mestre espiritual tibetano, realizador de cinema e autor de O que não faz de ti um budista, adverte num estilo incisivo para os problemas da transposição do budismo para o Ocidente. Giangiorgio Pasqualotto presenteia-nos com uma entrevista inédita sobre o lugar do Oriente na sua vasta obra e sobre a sua proposta de uma “filosofia intercultural”, equidistante de qualquer centrismo, ocidental ou oriental. Ricardo Ventura transcreve um trecho de um manuscrito português do século XVI, que mostra o lugar pioneiro dos missionários portugueses no conhecimento da cultura hindu no Ocidente. A introdução ao texto também mostra, todavia, os preconceitos religiosos e proselitistas que presidiram a este encontro de culturas, contribuindo por(des)ventura para a paradoxal inibição dos Estudos Orientais no país que mais demandou o Oriente.
Numa secção com textos vários, a visão de António Telmo de um Camões interiormente persa articula-se com a reflexão de Sam Cyrous sobre religião e política na Pérsia antiga e no Irão contemporâneo. O escritor intenso que é Miguel Gullander medita sobre o “cadáver” e a “silenciosa testemunha em tudo o que acontece”. Duarte Braga problematiza o “orientalismo” na poesia de Gil de Carvalho e Abdul Cadre inicia-nos no Caminho de Santiago e nos enigmas dos dois decapitados, Santo Iago e Prisciliano, que bem nota haverem sido dois heréticos, respectivamente entre judeus e cristãos.
Quanto aos poetas, a sua voz surge “entre-calada” pela dos sábios e dos santos homens: será assim doravante.
Abre-se, desde logo – pela mão de Rumi (i.e.“o Romano”) – , com a grandeza da alma sufi, que nos mostra que o Mesmo, o Único, o Insondável, está em todos os corações e lugares; e tão plena e intensamente o está, a ponto de parecer “embriagado, intoxicado e perturbado” aquele que lhe seja lugar, talqualmente os apóstolos do Cristo, no dia de Pentecostes, a quem alguns criam “cheios de vinho doce”(At. 2,13). O Sem Nome, na verdade, tal como vinho, com nada tolera coabitar no coração do homem. É único, e por isso é Único o Único, que em tudo é detectável nesse divino jogo de escondidas que por toda a parte se/nos verifica.
A palavra de Vicente Franz Cecim, primordial e incantatória, virgem como o pulsar amazónico, convoca as “aves profundas” que sobrevoam as “pedras dos dedos da oração”. Ethel Feldman, voz intimista que se nos oferece com o rigor da vibrante lâmina do sentir, enuncia “o voo e via[gem]” do presente, “tempo de sempre / tão tempo de ser”. O verbo de Maria Sarmento, por seu lado, de orvalhada pureza sempre, ressoa ecos do raro “canto mudo das rosas e dos veleiros”: nele “sobe aos lábios um canto, [e] sopram-se segredos”. Sussurrantemente.
Longchenpa, um dos maiores vultos da tradição budista tibetana, fala-nos acerca daquela sabedoria não-dual que emerge da compreensão da natureza, originalmente pura, da mente: a ler como quem não lesse! Flávio Lopes da Silva, em poesia de frescura surpreendente, vai ao ponto de falar-nos de um, não menos surpreendente, “apostador que ao ler um poema dissesse: chega!”. Deixa-nos também um conjunto de vívidos aforismos a ler com todos os olhos.
Sylvia Beirute, que canta sob a luz mediterrânica os al-gharbs de ser viva voz, garante-nos “a certeza de não cabermos numa única possibilidade”; daí, talvez, a pertinência do seu “projecto de ser uma mulher de açúcar” e propor-se assim como “um exemplo de não exemplo”: voz a não perder. De Donis de Frol Guilhade nada se dirá, que sempre prefere nada se diga de quanto haja dizer. Simeão, cognominado “novo teólogo” pela tradição ortodoxa bizantina, exprime suas moções místicas mais abissais, perante o mistério paradoxal da proximidade e inacessibilidade do Divino. Como um selo lacrado a uma “voz já da cascata”, a palavra sábia e rigorosa de T. S. Eliot fala-nos do tempo, do não-tempo nele e do além-tempo em ambos, e em tais termos o faz, que mostra ser “[todo o] poema um epitáfio”. Onde a vida se celebra, a vida para sempre floresce e perdura: ali onde, num entrelaçar de “línguas de fogo” coroantes das crianças, “o fogo e a rosa [são de novo] uma só coisa.”
Raimon Panikkar mostra-nos, num curto mas belíssimo conjunto de nove aforismos (sutras), de que é feita a paz e de como é simples, ainda que não fácil, o fazê-la e o sê-la: texto de uma imensa sabedoria, que, estando a abrir um justo In Memoriam neste número, estaria aqui também no seu mais do que justo lugar. Rómulo Andrade, com a sua arte de primacial pureza, leva a cabo (nas palavras de Ruy Fabiano Rabello) uma “poética que desperta e sinaliza no rumo duma consciência mais clara e solidária entre as pessoas e a própria vida”: a ver, sempre. João Paulo Farkas, o fotógrafo convidado para este número, é senhor de um olhar sobre o homem e a Natureza que, dir-se-ia, nos faz sentir “desaparecidos”, lembrando aquela espantosa palavra de António Maria Lisboa, aliás algures citada na revista: “ver é desaparecer”. E é.
O diálogo entre as culturas e entre cada uma delas e o que a todas transcende e equipara é o grande desafio do nosso tempo. É dele que depende o universalismo autêntico, caminho do meio entre nacionalismo cultural e globalização homogeneizadora. É por essa via que seguimos, criando/descobrindo pontes, mediações, elos. No próximo número em companhia de Fernando Pessoa, comemorando ainda os 75 anos da passagem desse que é um dos expoentes maiores de um trans-Portugal armilar, cumprindo-se e superando-se na mediação de todos com tudo.
Paulo Borges
Luiz Pires dos Reys
"(...) o melhor que pode fazer é tornar-se uma personalidade dupla."
Osho, A Conspiração de Deus, 2010, Editora Pergaminho, Lisboa, pp.225-226
Igreja: uma leitura teológica", um artigo de Leonardo Boff
08/08/2010
Nos artigos anteriores refletimos sobre uma questão particular, a do poder na Igreja, centralizado no clero e no Papa, de cariz absolutista. Alguns ficaram chocados, mas a verdade é essa mesma. Agora cabe uma reflexão de cunho teológico, quer dizer: considerar as realidades divinas subjacentes à Igreja, entendida como comunidade que se forma a partir da fé em Jesus como Filho de Deus e Salvador universal.
Notoriamente a intenção primeira de Jesus não foi a Igreja, mas o Reino de Deus, aquela utopia radical de completa libertação. Tanto assim que os evangelistas Lucas, Marcos e João sequer conhecem a palavra Igreja. É somente Mateus que fala três vezes de Igreja. Mas não se realizando o Reino devido à execução judicial de Jesus, foi a Igreja que entrou em seu lugar. O Novo Testamento transmite três formas diferentes de organizar a Igreja: a sinagogal de São Mateus, a carismática de São Paulo e a hierárquica dos discípulos de Paulo, Timóteo e Tito. Esta prevaleceu.
Antes de mais nada, a Igreja se define como comunidade de fiéis. Enquanto comunidade, ela se sente ancorada no Deus cristão que também é comunidade de Pai, Filho e Espírito Santo. Isto significa que a comunidade é anterior às instâncias de poder cujo lugar é no meio dela, como serviço de animação e de coesão. O amor e a comunhão, essência da Trindade, são também a essência teológica da Igreja.
Esta comunidade se sustenta sobre duas colunas: Jesus Cristo e o Espírito Santo. Jesus aparece sob duas figuras: a do homem de Nazaré, pobre, profeta ambulante que pregou o Reino de Deus (em oposição ao Reino de César) e que acabou na cruz; e sob a figura do ressuscitado que ganhou dimensão cósmica estando presente na matéria, na evolução e na comunidade, como antecipação do homem novo e do fim bom do universo.
A segunda coluna é o Espírito Santo. Ele estava presente no ato da criação do cosmos, sempre acompanha a humanidade e cada pessoa, e chega antes do missionário. É ele que suscita a espiritualidade: a vivência do amor, do perdão, da solidariedade, da compaixão e da abertura a Deus. Na Igreja ele mantém vivo o legado de Jesus e é responsável por sua contínua atualização com carismas, pensamentos criativos, ritos e linguagens inovadoras. Santo Irineu (+200) disse bem: Cristo e o Espírito são as duas mãos do Pai com as quais nos alcança e nos salva.
Cristo, por ser a encarnação do Filho, representa o lado mais permanente da Igreja, seu caráter institucional. O Espírito representa o lado mais criativo, seu caráter dinâmico. A Igreja viva é simultaneamente algo estruturado, mas também algo mutante como as inovações que fogem ao controle da instituição.
Diz-se também que a Igreja concreta, como comunidade e como movimento de Jesus, possui duas dimensões: a petrina e a paulina. A petrina (de São Pedro=Papa) é o princípio da Tradição e da continuidade. A dimensão paulina (de São Paulo) representa o momento de ruptura, a criatividade. Paulo deixou o solo judáico e partiu para a inculturação no mundo helênico. Pedro é a organização, Paulo a criação.
Pedro e Paulo se encontram unidos na figura do Papa, herdeiro e guardião das duas vertentes, simbolizadas pelos túmulos dos dois apóstolos em Roma. Ambas se pertencem mutuamente. Mas nos últimos séculos predominou a dimensão petrina, quase afogando a paulina. Tal desequilíbrio deu origem a uma organização eclesiásatica centralista, com o poder em poucas mãos, conservadora e resistente a novo, seja vindo do interior da Igreja mesma, seja da sociedade. O atual Papa é quase exclusivamente petrino, avesso a toda modernidade.
Hoje se impõe recuperar o equilíbrio eclesiológico perdido. A Igreja deve manter a herança intacta de Jesus (Pedro) e ao mesmo tempo renovar as formas de sua realização no mundo (Paulo). Só assim supera seu conservadorismo e mostra sua criatividade na comunicação com os contemporâneos. Ela não pode ser fonte de águas mortas, mas de águas vivas.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
"É nocivo tentar discutir, com base na filosofia ou na metafísica, se uma religião é melhor que outra."
Sua Santidade O Dalai Lama, Ética para o Novo Milénio, 2000, Editorial Presença, Lisboa, pp.164-165
Da necessidade de uma filosofia intercultural imparcial

"Num mundo que anda cada vez mais acelerado para uma comunicação planetária, julgo totalmente absurdo procurar as raízes de pensamentos autóctones para reivindicar alguma originalidade que permita fundar uma qualquer forma de supremacia sobre outras tradições de pensamento. Isto, acredito, vale quer para o Ocidente quer para o Oriente. Hoje já não é possível nem legítimo – se alguma vez o tivesse sido – sustentar a superioridade de um pensamento ocidental, mas resultaria também insustentável uma supremacia do pensamento oriental: por exemplo, se hoje, mais do que antigamente, seria ridículo argumentar que a razão é monopólio dos “filhos” de Aristóteles, seria ainda mais defender que a sabedoria é prerrogativa dos filhos de Confúcio"
- Trecho de uma entrevista inédita do Professor Giangiorgio Pasqualotto, que será integralmente publicada no nº2 da Cultura ENTRE Culturas.
"[...] o amor sem desejo de tudo o que existe no mundo"
- Agostinho da Silva, Alcorão.
O Outono do Cérebro
E. M. Cioran, Silogismos da Amargura, 2009, Letra Livre, Lisboa, p.33
domingo, 12 de setembro de 2010
Ave Maria in Syriac - Aramaic. Schlom Lecht Maryam
Schlom Lecht Maryam. Ave Maria in Syriac - Aramaic language.
Syriac belongs to the Semitic family of languages, and is a dialect of Aramaic.
The history of Aramaic goes back to the second millennium B.C. It was "first attested in written form in inscriptions of the tenth century B.C., it still continues to be spoken and written in the late twentieth century A.D. by a variety of communities in the Middle East and elsewhere. At various times over the course of these three thousand or so years of its known history.
The closest immediate predecessors of Syriac, were the languages used in Palmyra (in modern Syria) and Hatra (in modern Iraq) around the time of Jesus. Aramaic continued to be in use among the Assyrian populations of Syria and Mesopotamia despite being dominated by Greek and Parthian/Persian rulers. The majority of these Assyrians later embraced the Christian faith and, although there are a number of short pagan inscriptions.
sábado, 11 de setembro de 2010
Laú
Tuiavii de Tiavéa, O Papalagui, Antígona, Lisboa, p.40
"Nunca me tomei a mim mesmo por um ser."
E. M. Cioran, Do Inconveniente de Ter Nascido, Letra Livre, Lisboa, p.157
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Ser e estar
Internamente sentados somos, repousados na sede, no centro, sem qualquer estado/levantamento mental de apego ou aversão. Assim podemos contemplar-nos inseparáveis de tudo. E assim podemos levantar-nos, estar de pé, numa acção não dualista, para o bem de todos, sem preferências nem exclusões.
Uni-Verso
Nada impede que daqui a uns anos se descubram outros esqueletos, noutras regiões, que eventualmente, recuem mais ainda o início da aventura dos hominídeos na Terra. Mas hoje, em termos arqueólogicos, faz-se corresponder o berço da humanidade aquela região da África Oriental. Terá sido, dizem, a partir daí que se terá iniciado o povoamento do planeta. Ásia, Europa, Oceania e América, por esta ordem, terão sido a pouco e pouco, lentamente, ocupados por populações humanas.
Em cada uma das mais diferentes regiões desenvolveram-se estratégias de sobrevivência que corresponderam a outras tantas formas de organização social. Entre os inúmeros humanos que se disseminaram pelo planeta, foi-se assistindo a diferentes formas de organização da família, da política, de economia, da religião, naquilo a que a Antropologia designa por diversidade cultural. Por exemplo, em relação à organização da família referem-se vários tipos conhecidos como a monogamia, bigamia, poligamia, poliandria; ou quanto à religião, onde se podem falar de sistemas animistas, monoteístas, politeístas; e por aí fora.
Durante algum tempo, no século XIX, os autores evolucionistas classificaram as sociedades tecnologicamente menos desenvolvidas como povos mais atrasados, mais primitivos, quando comparados com as sociedades ocidentais. Depois a Antropologia concluiu pela falta de sustentação científica dessas ideias que afirmavam a superioridade de “uns” em relação a “outros”. Pensemos, por exemplo, na legitimação que algumas dessas ideias deram ao racismo, nazismo, etc. O que na Antropologia, hoje, corresponde mais à verdade científica é que as diferentes sociedades humanas em vez de avançadas ou primitivas, superiores ou inferiores, são simplesmente diferentes. Uma mesma travessia histórica através dos tempos, diferentes usos e costumes que se desenvolveram, diferentes padrões culturais, diferentes formas de organização social. Tantas formas de explicação da natureza e tantas outras possíveis, infinitas. Sempre a mesma incerteza, ou quase…
Hoje, vivemos tempos em que faz mais sentido a valorização da diversidade cultural, do que a afirmação etnocêntrica de universos singulares. O que nos deverá guiar é mais o estabelecimento de pontes, de diálogo, entre diferentes culturas, pela paz!, do que a afirmação desses modelos etnocêntricos. Será nessa abertura ao outro, nessa escuta do outro, em que assentaremos o nosso Estudo. Será a partir da soma das partes que partiremos para a valorização e construção da Unidade. Nada de falsas manipulações, nada de querermos o outro à nossa imagem. Liberdade até de não ser livre. Com regras, claro, até que uma plena emancipação social se instale, até à chegada de uma consciência plena.
Coisa tão estonteante tem sido esta aventura pelo espaço-tempo. Meu Deus…
Luis Santos


