quinta-feira, 8 de julho de 2010

Pátria, Sonho de Luz



Abertura


O nosso intuito ao elaborar esta breve reflexão sobre o poema a Pátria de Guerra Junqueiro é pensarmos a partir de duas categorias fundamentais na tradição ocidental em que toda a poesia se inscreve, a saber, determinar se se trata de um poema trágico ou de um poema dramático. Aquilo que nos propomos defender é que o poema de Junqueiro não é um poema trágico, mas também não é puramente dramático à maneira dos textos de Calderón de la Barca, apesar das semelhanças que encontramos entre o texto do poeta português do século XIX, agora em análise, e o poema do dramaturgo do século de ouro espanhol, nomeadamente no texto A Vida é Sonho. Na Pátria há uma superação do drama em oração, numa confissão com que o Doido, a própria pátria enlouquecida e esquecida da sua verdadeira natureza e vocação, se redime em palavras-lágrimas de toda a culpa, tornando este poema num livro de confissões que, como diz Derrida das de Santo Agostinho, é um livro de lágrimas.
No nosso trajecto começaremos, em primeiro lugar, por mostrar sucintamente que a Pátria não é um poema trágico. Não o faremos a partir dos traços destacados por Nietzsche cujo contributo para a definição da especificidade dos poemas gregos de Sófocles e Eurípides foi inolvidável – mas nos parece academicamente esgotado e repetido – mas antes levando em linha de conta os contornos apontados por Steiner na sua obra A Morte da Tragédia. De seguida, tentaremos mostrar que, apesar das coincidências e convergências existentes entre A Pátria e A Vida é Sonho, poema dramático e paradigmático da época e do espírito barrocos e da semelhança entre as categorias centrais do barroco e do poema do poeta português do século XIX – sobretudo com base na especificidade da obra dramática e barroca apontada por Walter Benjamin e Giorgio Agamben – há, no deste último, uma superação do espírito dramático destituído de uma visão messiânica do tempo e da história. Com efeito, se naquele há a concepção de que a vida é sonho, ilusão, no poema do poeta finissecular prevalece a visão de que a pátria é um sonho de luz, de modo semelhante à transfiguração de Cristo na Cruz, de modo similar à esperança, que é a última das virtudes da caixa de Pandora, a que colhe, como Kafka bem reparou, os desesperados, mas não a que cobre ou esconde o que não se pode encarar de frente. Luz que a pátria crucificada reacende e que se desvelou nessa transfiguração da dor da louca pátria na redenção luminescente que tão bem expressa e complementarmente se encontra no poema Oração à Luz:


Cruz que, vindo de Deus, trespasse o Inferno,
Cruz abarcando toda a imensidade,
Cruz onde um Cristo, o Amor Eterno,
Chore sem fim a dor da Eternidade!...
(…)
Monstro de dor nos ermos do Infinito,
Ó Sol crucificado, ó Sol bendito!
Tua carne de fluidos e metais
É a carne-embrião do mundo todo,
Das águas e das rochas e do lodo,
Que foram nossas mães e nossos pais!
Por isso lanças para nós teu grito
Por isso voam para nós teus ais!
São teus ais sem fim de moribundo
A luz, esp’rança, que electriza o mundo.
O oiro divino das manhãs formosas
(…)
Bendito o Cristo-Sol na cruz ardente
O monstro-mártir, que infinitamente
Por nós expira, soluçando luz!


No poema agora citado, Cristo é a luz, a esperança embrionária de um novo mundo que supera o dos antepassados, água, rocha e lodo, Cristo é identificado com o Sol, um Sol que soluça luz. Sol que chora e, na dor e nas lágrimas, encontra a passagem para um esplendor que a tudo incendeia de seiva redentora. Ora, precisamente, na Pátria, o louco país chora em palavras os seus antepassados, que na lama esqueceram a alma , morre e renasce, como Cristo, na cruz-luz. Por isso, é legítimo subentendermos que a Pátria é a oração, poema-oração, que tenta impelir a passagem da pátria desolação, à pátria assombrada pela luz, Pátria-Sol, e por uma visão, escondida nos símbolos, da cruz e da espada. A criança é, no final do poema, a que armada e iluminada construirá a nova pátria justa, a dos heróis encarnados em homens e que retirariam da sombra e da fantasmagoria os heróis fechados no esquecimento e nos livros desfeitos pela não memória dos feitos iluminados da nação, n’ Os Lusíadas.


Aproximação Crítica
A Pátria não é um poema trágico


Para Steiner no poema trágico o herói encontra abertas as portas do Inferno e a condenação é insuperável. O herói nunca consegue escapar à dor irredimível porque a sua consciência da culpa é tardia e não há desculpa aceitável perante os juízes supremos. O poema trágico insiste, pela exploração da acção do herói, na manifestação de uma falha, de um paradoxo que consiste na dissonância existente entre os fins dos homens e os fins inexplicáveis, implacáveis e inobserváveis, pelos olhos da carne e do espírito dos humanos, da própria Vida. Nisso Steiner não anda longe de Nietzsche quando este sobrevaloriza com Kant, No Nascimento da Tragédia, por ter pensado que a realidade última de tudo está para além do fenómeno. Neste sentido, Steiner, na linha do pensador germânico, tenta mostrar que são mais os movimentos numénicos da vida do que os fenoménicos e que, no âmago desconhecido da Vida, moram forças para sempre irreconhecíveis, inapreensíveis e imprevisíveis pelo sujeito do conhecimento e da acção. No entanto, é contra aqueles que a vontade do herói trágico, de modo impróprio, embate, provocando a desagregação da vida individual em culpa e sofrimento. Porque a tragédia é anti-cristã ou o cristianismo é anti-trágico, Steiner relembra, a cada passo desta obra em que nos baseamos, A Morte da Tragédia, que a essência última do trágico é a permanência sem redenção da ferida na alma daquele que cometeu a falta, enfatizando o carácter acessório da peroração do herói, ou dos que com ele cooperam para a eliminação, ou atenuação dessa dilaceração sem fim. Não há indagação possível sobre as razões dessa magnífica litania que é o canto enlutado , como chama Nicole Loraux à tragédia, não há possibilidade sequer, por mínima que seja, de aproximação entre o herói trágico e Job. Job não é trágico como é Prometeu, como é Édipo. Porque Job é cristão.
Apenas estes borrões gerais mas certeiros, de um pensador atento ao pormenor diferenciador, nos permitem verificar que o poema de Junqueiro não é trágico. O herói que, do nosso ponto de vista, é o Doido, o louco-país, é, sem dúvida alguma, remetido para uma condenação e para um Inferno em vida. Como Cristo é um herói crucificado pela turba - no final do poema, ébria de ignorância, ébria de inconsciência, constituída por homens desregrados que “entoam, epilépticos de álcool, uma canção infrene e vagabunda. (…) Apenas o descobrem, estacam de súbito, ladrando raivosos e covardes, como a dizer: Ei-lo! Aí o tendes. – O velho herói, pálido de morte, fita-os soberanamente desdenhoso. [E o herói] estende os braços para a Dor.” – mas essa condenação, essa expiação é catártica e purificadora, atempada e libertadora. O herói, colectivo porque é a nação, reconhece que falhou, porque a visão de Nun’Álvares é esclarecedora das razões da ruína, da míngua da nação: a espada não devia ter servido para derramar sangue, a espada deveria ter servido para espalhar as sementes do pão, ou para ceifar o trigo. Por outro lado, o arrependimento não é tardio, sabemo-lo em virtude do poeta terminar de modo simbólico, deixando a criança contemplar a crucificação e deixando-a transformar a espada do herói espectralizado no que houvera de vir. Um país que deixa a uma criança símbolos deixa-a com a única herança capaz de multiplicar o que é espiritual, a justiça, o amor e a verdade , porque os símbolos são o tesouro espiritual da humanidade e por isso sobre eles se fundam as religiões que só e por seu intermédio se perpetuam.

Nota: Trata-se do início de um breve e humilde ensaio. Faltam aqui páginas...Não consigo colocar as notas de rodapé nem no corpo do texto. Ensaia-se como fica, ainda assim a sua legibilidade. Que o texto celebre a luz que inunda a vida, nestes dias.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Swami Suddhananda em Lisboa




No âmbito do curso de Filosofia e Estudos Orientais, o Swami Suddhananda (Suddhananda Foundation for Self-knowledge) dará uma prelecção no dia 21 de Julho (quarta-feira), pelas 18h, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras de Lisboa. Suddhananda é mestre do Vedānta e falará sobre o tema: "Happiness: here and now".

Resumo (em português) da conferência:
No âmbito dos princípios expressos na Bhagavad Gita, Upanishads, entre outros textos, serão abordados os seguintes temas fundamentais: a natureza e os mecanismos da mente e do corpo e suas ligações intrínsecas; o eu e sua relação com os seres e mundo à sua volta; a consciência que tudo “testemunha”.

Sai de ti...mas volta!

A "política" da meditação

A atividade ‘política’ que é meditar
Se podemos alcançar estado desperto não-dual e não-conceitual na meditação, estamos engajados em uma profunda atividade “política”, mesmo que possamos perder essa consciência nos períodos em que não estamos formalmente meditando (o estado desperto de Buda na pós-meditação é o mesmo durante a meditação).

Meditar em estado desperto não-dual e não-conceitual, que é meditar no dharmadatu, imediatamente começa a destruir de modo sistemático em nós a estrutura da consciência dualista com todos os obscurecimentos cognitivos e emoções aflitivas auxiliares. Do ponto de vista da dualidade, já que essa consciência dualista também envolve outros seres sencientes, que são o outro pólo da nossa dualidade, nossa atividade em dissolver essa consciência tem um impacto profundo neles também.

Enquanto nossa meditação não-dualista e não-conceitual está purificando nossos próprios obscurecimentos e aflições, e assim transformando nossa vivência pessoal dos outros, ela também se torna uma faísca da atividade de Buda para esses outros. Assim que nossa meditação se torna eficaz, a atitude dos outros em relação a nós começa a mudar, e eles mesmos começam a se voltar para dentro para procurar com mais consciência entre as coisas de suas mentes e vidas por soluções espirituais para os problemas.

E assim que o poder de nossa meditação aumenta, esse efeito alcança círculos concêntricos cada vez maiores de seres sencientes com quem temos interdependência cármica, que hoje nesta era incluem não apenas nossos mais próximos amigos, parentes, colegas de trabalho e da comunidade, mas também qualquer ser a quem estejamos conectados através de toda a interface de nossas vidas.

Khenchen Thrangu Rinpoche (Tibete, 1933 ~)
“The Ninth Karmapa’s Ocean of Definitive Meaning”
(Dharma Quote of The Week – Snow Lion, 24/06/2010)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Generalidades

Nos últimos anos do século passado, fruto do desenvolvimento das sociedades humanas, preparávamo-nos para melhores níveis de qualidade de vida. O desenvolvimento da ciência e da técnica permitiam-nos sonhar com o controle da explosão demográfica, com a eliminação da pobreza, com uma redução substancial do número de horas de trabalho.

Sobretudo nos países mais desenvolvidos, mas um pouco por todo o mundo, fomos assistindo a um extraordinário incremento da protecção social, desenvolveu-se a saúde, aumentou-se a esperança média de vida, tentou-se eliminar, ou pelo menos, reduzir o trabalho infantil. O grande desenvolvimento das novas tecnologias e, de alguma forma, a substituição do homem pela máquina, indiciavam um mundo mais livre, onde o lazer e a criatividade se oporiam a um mundo de grande dependência face ao processo produtivo.

A ruína dos socialismos a leste, a queda do muro de Berlim e uma consequente maior democratização do mundo, foram vistas associadas a essa vitória das liberdades essenciais. O liberalismo assumiu-se, então, como o sistema político de excelência, tudo justificado pela vitória na "Guerra Fria" dos aliados ocidentais.

Mas, afinal, a grande supremacia acalentada pelas democracias ocidentais era mais frágil do que parecia. A crise económica depressa se fez anunciar. O capitalismo financeiro com facilidade se instalou nos centros de poder e o desenvolvimento social a que fomos assistindo na segunda metade do século XX, depressa começou a ser atacado.

Regressou o fantasma do equilíbrio demográfico, agora revelado, no ocidente, pela diminuição das taxas de natalidade e consequente envelhecimento das populações. O sistema de segurança social é posto em causa. O desemprego atinge percentagens que há muito não se via. Torna-se necessário trabalhar mais, produzir mais, competir mais, exportar mais, porque se destruíram as finanças públicas e, mesmo assim não chega, porque as potências emergentes (China, Brasil…) desenvolvem-se a um ritmo que ameaça a hegemonia ocidental e com facilidade nos ganham nas trocas comerciais, mesmo com a Organização Mundial do Comércio a dificultar-lhes a manobra.

E, nisto tudo, onde ficarão os grandes desequilíbrios ecológicos, as alterações climáticas, o esgotamento de recursos do planeta, a devastação florestal, a poluição dos rios e dos mares, a enorme acumulação de lixos vários, os direitos humanos, os direitos dos animais, a necessidade de uma alimentação saudável, de uma calma mental, de uma filosofia justa e, delírio dos delírios, o merecimento de conquistar a Vida para lá da morte?

O mundo está em rápida mudança, o debate está em aberto. Uma maior consciência cívica é necessária. A participação dos cidadãos é fundamental. O espírito democrático precisa substanciar-se. A organização política precisa de se merecer. Precisamos de saber sentar-nos a uma mesma mesa e aprender a conversar em vez de discutir.

É por isso que esta nossa parte do Estudo Geral(VER AQUI) aposta num espírito plural onde todos caibam. E se aprendemos com profetas e ascetas, com Cristo e Buda, que é o amor altruísta, o amor ao próximo, o que mais interessa, como podíamos nós trocar o geral pelo particular.

Luís Santos

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Swami Suddhananda em Lisboa

Swami Suddhananda
21//22//23 de Julho // LISBOA

Ensinamentos védicos (Vedanta)
“Happiness: here and now”

Dia 21 // 18h // Anfiteatro III da Faculdade de Letras de Lisboa
Dia 22 // 19h // Comunidade Hindu de Lisboa (Telheiras)
Dia 23 // 19h // Museu do Oriente

Entrada Gratuita (aceita-se donativo)

No âmbito dos princípios expressos na Bhagavad Gita, Upanishads, entre
outros textos, serão abordados os seguintes temas fundamentais: a natureza
e os mecanismos da mente e do corpo e suas ligações intrínsecas; o “Eu” e
sua relação com os seres e mundo à sua volta; a consciência que tudo
“testemunha”. A reputação que o Swamiji tem desenvolvido prende-se, para
lá da sua formação espiritual, com o humor e habilidade que possui em tornar
facilmente compreensível os grandes conhecimentos presentes nas
escrituras védicas.

Informações
Joana Cadete
estudio.yoga.ericeira@gmail.com
telem. 917 074 826
www.selfknowledge.in

terça-feira, 29 de junho de 2010

Nada é o bastante
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na matemática dos loucos 2 + 2 = Àrvore
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qualquer rio tem horas que é mar
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na cabeça o chapéu, na mão uma luva, no nariz os óculos, e na boca as palavras
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para quando homens a emergir da terra com o aspecto de uma acácia?
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quando pensas que pensas, um grito abre um caminho em dois
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deixa que o azul te condene
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para sempre filhos de pais que foram filhos de pais
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é inútil falar-se de utilidade em tempos de aves
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até quando o sol quiser
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pega num copo pela asa, e voa
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aclara a água nocturna com pequenos grandes poemas, opera o corpo com linhas musicais e torna-te Daniel Faria
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aqui andamos, aqui vamos nós ao nosso encontro
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invísivel é a costela que nos pariu!
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Próspero Morreu

"Sem Liberdade é o poder um monstro
de braços bifurcados e língua bifurcada
onde se alojam leis sem pensamento
e se torna viscoso o coração".

Aviso de Ariel, "ser vindo do caos e do abismo".

In "Próspero Morreu", Leitura encenada de Ana Luísa Amaral, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett ( 19 Junho 2010).

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Incendeia o Coração das Pedras
e arde como um Lírio numa extensa Sombra
Lembra-te que:
nunca uma geometria dará o Gosto ao Vinho!

Dois patriotismos

Há dois patriotismos. Um é o dos que colocam as coisas nacionais acima das outras só porque são as "suas", ignorando ou desvalorizando os demais povos, nações, línguas e culturas. É um nacionalismo encoberto, uma "xenofobia politicamente correcta", como disse alguém, e um egocentrismo projectado no colectivo, que estreita a inteligência e o coração e só tem trazido violência e dor ao mundo.

Outro é o patriotismo daqueles que, desejando o melhor para a sua nação, ou seja, o que torne os seus concidadãos pessoas melhores e mais felizes, valorizam nela o que for bom, mas não se demitem de a criticar e tentar purificá-la dos seus erros e vícios. Para esse efeito, interessam-se pelo que houver de melhor em todas as nações, povos e culturas, procurando promovê-lo e adaptá-lo na sua própria nação. Este é o patriotismo universalista que defendo no meu livro Uma Visão Armilar do Mundo e que encontro, em Portugal, esboçado no Padre António Vieira e florescente em Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

Só este faz hoje e sempre sentido. Sobretudo hoje, em que as nações são multiculturais e se procura um novo paradigma para um presente e um futuro de paz e consciência global.

sábado, 26 de junho de 2010

Carta aberta de Vicente Jorge Silva ao Presidente da República sobre a sua ausência no funeral de José Saramago

Senhor Presidente,
Li os motivos que invocou para desculpar--se de não estar presente, enquanto Presidente da República, no funeral de José Saramago, o único Prémio Nobel da Literatura de língua portuguesa. Estava nos Açores com a sua família, cumprindo uma promessa antiga, para mostrar-lhes a beleza insular. E adiantou que as cerimónias fúnebres envolveriam, essencialmente, amigos e conhecidos do escritor e não estranhos, como o senhor. Só que o senhor era, é, Presidente da República.
A explicação é confrangedora e diz muito sobre a forma como entende a sua função institucional. Mas diz ainda outra coisa, sobre algo mais tortuoso, que tem a ver com o carácter das pessoas e se traduz no recurso a justificações hipócritas. Que conste, os Açores não estão tão distantes de Portugal Continental como os Himalaias e nada teria impedido que, recorrendo a um avião da Força Aérea, por exemplo, o senhor tivesse interrompido a digressão familiar para estar presente no funeral de um português galardoado com o Prémio Nobel.
Não é plausível que os membros da sua família tivessem ficado irreparavelmente desamparados com a sua partida súbita do território açoriano e não compreendessem as superiores razões de Estado que determinavam a deslocação a Lisboa. Mas o pior não é isso: é o facto de o senhor considerar que o funeral do único Prémio Nobel português, exceptuando o já longínquo Egas Moniz, seria uma cerimónia que dispensaria a presença do Presidente da República e se iria restringir a uma cerimónia com amigos e conhecidos.
A sua ausência e a da segunda figura do Estado, o presidente da Assembleia da República, logo por acaso também em férias nos Açores, constituem um símbolo da nossa pequenez institucional, quando estava em causa a representação do país na última homenagem a um português que, goste-se ou não dele, era dos mais ilustres e consagrados internacionalmente. Em nenhum outro Estado europeu uma tal ligeireza, uma tal mesquinhez, seriam concebíveis.
Se ser Presidente da República serve para alguma coisa – e já parece duvidoso que sirva, além de poder dissolver o Parlamento ou enviar recados mais ou menos ínvios ao Governo em funções –, uma delas é o cumprimento do dever cerimonial de representar o Estado quando a imagem e o prestígio do país estão em causa. Isso tem de estar acima das divergências e conflitos políticos, de opinião ou de natureza pessoal.
É a capacidade de perceber e fazer essa diferença que enobrece e justifica o papel de Presidente da República – o qual, segundo a fórmula eternamente repetida, tantas vezes com requintes de hipocrisia, é o Presidente de todos os portugueses (mesmo daqueles com quem possa divergir radicalmente). Se ser Presidente da República não chega sequer para estar presente no funeral do único Prémio Nobel da Literatura de nacionalidade portuguesa, para que serve, então?
Saramago estava muito longe de ser uma figura consensual – quer no plano literário, quer sobretudo no plano político e das ideias. Pelo contrário, cultivava frequentemente, sobretudo desde a sua ‘nobelização’, uma sobranceria, uma prosápia e uma vaidade tão desmedidas que chegavam a ser patéticas e suscitavam uma compreensível aversão. O seu facciosismo ideológico, o proselitismo obsessivo de alguns dos seus livros e o papel que teve, como jornalista, durante o PREC, motivaram múltiplas razões de antagonismo, das quais pessoalmente partilho.
Mas Saramago era, apesar disso e contra isso, um imenso escritor, com uma formidável irradiação em todo o mundo e a quem devemos algumas das páginas mais admiráveis escritas em português no último século. Um romance como O Ano da Morte de Ricardo Reis é, sem sombra de dúvida, um dos maiores da literatura portuguesa de todos os tempos, um livro cuja magia ainda hoje nos deslumbra – e supera todas as reservas levantadas pela personalidade humana, política e até literária do seu autor.
Apenas os cegos incuráveis – bem mais cegos do que Saramago terá sido ideologicamente – e os medíocres mais desprezíveis se atrevem a negar estas evidências. Aliás, a intolerância política a que associamos Saramago revela-se quase inócua ao voltarmos a verificar, por ocasião da sua morte, o ódio furibundo que alguns dos seus inimigos lhe votavam, na miserável incapacidade de reconhecer a grandeza literária do escritor.
Um dos seus governos, nos tempos em foi primeiro-ministro, distinguiu--se pela vergonha inédita em democracia de ter censurado um livro de Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, impedindo-o de concorrer a um prémio internacional e invocando, para isso, a doutrina mais toscamente inquisitorial contra a liberdade de expressão e criação literária. Um subsecretário de Estado da Cultura (!), que se distinguiu pelo analfabetismo mais boçal e o fanatismo das suas crenças religiosas, foi o autor do crime. Mas quer o senhor, como chefe do Governo, quer o secretário de Estado que tutelava directamente o ridículo censor de opereta, deixaram que esse crime cultural se consumasse. Foi um sinal de que o senhor, agora Presidente da República, não estava à altura de zelar pelo património mais precioso de uma nação: a sua Cultura.
Teve agora a oportunidade de reparar simbolicamente a falta, mas não o fez. Afinal, a sua ausência do funeral de Saramago acaba por ser a confirmação – que uma mensagem de condolências não chega para disfarçar – da sua incapacidade de ultrapassar uma visão estreitamente economicista e contabilística do país.
Temeu desagradar novamente às clientelas católicas mais conservadoras que o tinham criticado pela promulgação da lei do ‘casamento gay’. Mostrou o entendimento minúsculo – como disse um comentador de direita, Abreu Amorim – que tem do seu cargo: o de «um homem minúsculo que não foi capaz de um gesto de grandeza institucional».

O que estamos a fazer? O que nos espera?

"Porque é amor que quero e não sacrifício, / conhecimento de Deus mais do que holocaustos" - Oséias, 6:6. Porém são sacrifícios e holocausto, de animais, homens e natureza, que por todo o planeta se praticam. O que estamos a fazer? O que nos espera?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

MARATONA DE LEITURA NA CASA FERNANDO PESSOA EM HOMENAGEM A SARAMAGO


A maratona de leitura tem inicio marcado para o meio-dia, na Casa Fernando Pessoa , em Lisboa, e deve durar mais de 14 horas e prolongar-se pela madrugada de sábado, assinala o sétimo dia sobre a morte do Nobel da Literatura José Saramago.


"O Ano da Morte de Ricardo Reis" é o romance que começa a ser lido ao meio dia de hoje pela viúva do escritor, a espanhola Pilar del Rio, na Casa Fernando Pessoa, que promove a homenagem ao autor falecido dia 18 na sua casa na ilha espanhola de Lanzarote.
O tempo médio para ler uma página é de minuto e meio, pelo que a leitura da obra de 582 páginas deverá arrastar-se pelo menos até às 2h00 de sábado, de acordo com dados disponibilizados à agência Lusa pela diretora da Casa Fernando Pessoa, a escritora Inês Pedrosa.

Na leitura colaborarão várias personalidades, entre as quais António Mega Ferreira, Leonor Xavier, José Mário Silva, José Luís Peixoto e Gonçalo M. Tavares, mas a sessão é aberta à colaboração do público.

"Foi um impulso que tive para assinalar o sétimo dia da morte de José Saramago e achei que fazia sentido fazê-lo com uma maratona de leitura de 'O ano da morte de Ricardo Reis', uma vez que é uma obra que tem diretamente a ver com Pessoa", disse Inês Pedrosa à Lusa.

Leitura em lugar de missa

"Habitualmente, o sétimo dia da morte das pessoas é assinalado com uma missa, mas, como Saramago não era crente, achei que a melhor homenagem que lhe podíamos prestar era lendo a obra dele", acrescentou.

Antes desta maratona, a Casa Fernando Pessoa já promoveu outra, de "As memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado do Assis, em 2008, para assinalar o centenário da morte do escritor brasileiro.

A escritora disse ainda que já tinha pensado realizar esta maratona em vida de José Saramago, o que não foi possível devido "à muito preenchida agenda do escritor e à sua fragilidade física e de saúde nos últimos tempos".

O escritor será também recordado em novembro próximo quando a instituição dirigida por Inês Pedrosa promover o II segundo congresso internacional sobre Fernando Pessoa, revelou.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Consumo de carne/fome no mundo:dados para o debate de 5ª feira, 24, 18.30, com o Dr. Fernando Nobre, no Anf. IV da Fac. de Letras da Univ. de Lisboa

"Oito por cento do milho e noventa e cinco por cento da aveia colhidos nos Estados Unidos destinam-se a alimentar animais criados por seres humanos para sua alimentação. [...] No mundo inteiro, o gado consome uma quantidade de alimento equivalente às necessidades calóricas de 8,7 bilhões de pessoas, mais do que a população humana total da Terra.

Muita gente está morrendo de fome no mundo. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informa que todos os dias morrem 40 000 crianças de subnutrição. Enquanto isso, muita gente come demais no Ocidente. [...] Um economista francês disse-me certa vez que, se os países ocidentais reduzissem pela metade o seu consumo de carne e álcool, resolveríamos o problema da fome no mundo.

Quanto ao impacto ambiental da produção de carne nos Estados Unidos, o Emory College diz o seguinte:

. Terra: do total de terra agricultável nos EUA, 87% são utilizados para a criação de animais para consumo. Isso equivale a 45% do território do país.
. Água: mais da metade do consumo total de água nos EUA destina-se à criação de animais para alimentação. A produção de um quilo de carne demanda 18 000 litros de água. Para se produzir um quilo de trigo são precisos 180 litros de água. Isto é, cem vezes menos. Uma dieta totalmente vegetariana consome 1000 litros de água por dia, ao passo que uma dieta à base de carne requer 14500 litros por dia.

. Poluição: a criação de animais para consumo humano causa mais poluição de água nos Estados Unidos do que qualquer outra atividade industrial. Os animais criados para esse fim produzem uma quantidade de excremento 130 vezes maior que a de toda a população humana, algo como 40 000 quilos por segundo. Grande parte dos detritos de granjas industriais e matadouros é vazada em córregos e rios, contaminando fontes hídricas.

. Desmatamento: cada vegetariano poupa quase meio hectare de árvores por ano. Mais de 100 milhões de hectares de florestas já foram desmatados nos Estados Unidos para dar lugar a pastagens que alimentam gado de corte. A cada vinte segundos desaparece um hectare de árvores. As florestas tropicais estão sendo destruídas para abrir pastagens para gado. Para produzir apenas um hamburguer podem ter sido desmatados quase cinco metros quadrados de floresta tropical.

As florestas são nossos pulmões. Elas nos fornecem oxigênio e protegem nosso meio ambiente. Quando comemos carne, estamos destruindo as florestas e, portanto, estamos comendo a carne da nossa Terra Mãe. Todos nós, inclusive as crianças, podemos perceber o sofrimento dos animais criados para produzir alimento. Podemos optar por comer conscientemente e proteger a felicidade e a vida das espécies que nos acompanham e da própria Terra Mãe"

- Thich Nhat Hanh, Serenando a Mente, Petrópolis, Vozes, 2007, pp.65-67.

Uma organização da revista Cultura ENTRE Culturas, com o apoio do Partido Pelos Animais e do Movimento Outro Portugal.

O Oriente e o Budismo em Antero, Sérgio e Agostinho da Silva




No próximo dia 24 de Junho (quinta-feira), pelas 17h, no Anfiteatro II (2) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Romana Valente Pinho e Amon Pinho darão duas prelecções sobre os seguintes temas: "O Oriente e o legado de Antero de Quental no Pensamento de António Sérgio" e "Da interpretação niilista de O Budismo ao Buda-Dharma e ao universalismo, percursos de Agostinho da Silva". Estas prelecções inserem-se no âmbito do curso de Filosofia e Estudos Orientais. A entrada é livre.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Na casa do poeta o silêncio é a mulher-a-dias
e o poema é a Vida, a sempre e interna Vida
Alguns dados para o debate de 5a feira, 24, às 18.30, com o Dr. Fernando Nobre, no Anf. IV da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, extraídos do Livro Verde do Emory College, 2003: "8% do milho e 95% da aveia colhidos nos EUA destinam-se a alimentar animais criados por seres humanos para sua alimentação. (...) No mundo inteiro, o gado consome uma quantidade de alimento equivalente às necessidades calóricas de 8,7 biliões de pessoas, mais do que a população total da Terra" - Thich Nath Hahn.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Que é o homem?

"Se, de chofre e à queima-roupa, me desfechassem a mais preocupante, a mais inquietante de todas as questões: "Que é o homem?", creio que responderia com desassombro e sem hesitação: "O homem é o animal que se recusa a aceitar o que gratuitamente lhe deram e gratuitamente lhe dão" .

- Eudoro de Sousa, Mitologia, in Mitologia. História e Mito, Lisboa, INCM, 2004, p.27.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Debate público com o Dr. Fernando Nobre sobre ecologia, direitos dos animais, consumo de carne e fome no mundo



O Dr. Fernando Nobre, enquanto candidato à Presidência da República, exporá as suas posições sobre a questão ecológica, os direitos dos animais, o consumo de carne e a fome no mundo, num debate público que terá lugar no dia 24 de Junho, 5ª feira, às 18.30, no Anfiteatro IV da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

O moderador será Paulo Borges e a organização é da revista Cultura ENTRE Culturas, com o apoio do Movimento Outro Portugal (Manifesto Refundar Portugal) e do Partido Pelos Animais. Serão dirigidos convites aos demais candidatos para debater as mesmas questões.

A revista Cultura ENTRE Culturas agradece ao Dr. Fernando Nobre haver aceitado o convite para debater publicamente estas questões, de crucial importância no momento actual.

A revista, dedicada ao diálogo intercultural e ao despertar da consciência cívica para as grandes questões mundiais, estará à venda no evento.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Há que ser carne e espírito a alimentar um Deus imaterialista
Ganhar o pão e transformá-lo em palavra poema
Ser água para humedecer as vozes conjuntas
E imaginação na lavoura da realidade

Há que ser buraco para inventar harmonias
Dizer que a noite é apenas uma pequena dor
Ser-se livro que termine num sossego de cal
Haver amor para a cura de alguém
Ter pássaros no pensamento do pensamento
Provar da terra nos vai guardar

Há que entornar música sobre os homens vazios,
Multiplicar rosas brancas com ciências humanas
Ter uma costela a sonhar com esplendor
Um rio sem margens de dúvidas
E haver uma criança que nos apavore, lembrando-nos:
Que toda a vida não é a vida toda

Sloterdijk e o Oriente



No próximo dia 17 de Junho (quinta-feira), pelas 17h, no Anfiteatro IV da Faculdade de Letras de Lisboa, a Mestre e actual Doutoranda Ana Nolasco realiza uma prelecção intitulada, "Sloterdijk e o Oriente". Esta iniciativa inscreve-se no âmbito do curso Filosofia e Estudos Orientais. A entrada é livre.

A pátria mais perfeita

"Os homens e as pátrias valem, pois, mais ou menos, conforme o seu grau de religião, quer dizer, o grau de fraternidade, o grau de amor.

A Pátria mais perfeita será a mais local, pelo amor à gleba, e a mais universal, pelo amor ao Mundo"

- Guerra Junqueiro, "Brasil-Portugal", Prosas Dispersas, Porto, Lello & Irmão, 1978, p.105.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

"O português foi o que agiu e na acção se aniquilou"

"Ora, quando o português se interroga acerca de si, há imediatamente uma resposta espontânea e directa. O português foi o que agiu e na acção se aniquilou. Diz-nos o poeta que deixou "a alma pelo mundo em pedaços repartida". O mesmo nos diz a pátria em a História Trágico Marítima e no mito do Encoberto que partiu para não regressar mais. Mas as pátrias têm mais débil ser que os homens que as compõem, sobretudo quando estes são geniais. Camões voltou para nos dar na epopeia o canto de partida e da heróica chegada e, com seus versos, a canção e a elegia do exílio, da dispersão e da saudade. A pátria, porém, não regressou ainda.

As nações que cometem o maior pecado contra o espírito, o de tomar a acção como fim, concebida esta na maior universalidade, aniquilam-se no seu agir. É agindo que o ser se revela na sua primitiva forma vital e social, e, neste sentido, telúrico e humano, "no começo é a acção". Mas é agindo que o ser se nulifica. Não só o podemos ver na vida social, onde o homem da acção constitui e determina em seu agir a zona extrínseca do ser do homem, mas ainda cosmicamente. O ser apenas em acto é o menor ser físico. O ser que, fazendo, não sabe porque nem para que faz, é uma virtualidade espiritual que logo se apaga, é o ser alheio a si próprio"

- José Marinho, "Sobre o valor da acção", in Teoria do Ser e da Verdade I, edição de Jorge Croce Rivera, Lisboa, INCM, 2009, p.349.

@ ilda castro

terça-feira, 8 de junho de 2010

A universalidade da experiência mística

"[...] a experiência mística de todos os séculos, de todos os países e de todas as religiões demonstra que o auge do sentimento religioso consiste numa fusão entre objecto do culto e sujeito do culto, num transformar-se o amador na coisa amada, num aparecimento da unidade perfeita onde a dualidade existia. Para um observador de fora, um homem intrinsecamente religioso, em perpétuo êxtase religioso, poderia dar a impressão de não estar prestando nenhum culto a nenhum Deus e, na vida prática, esse homem comportar-se-ia com a alegria, a espontaneidade, o desprendimento do selvagem, sem que também fosse necessário, fatal, o aparecimento de qualquer espécie de rito: esse homem teria reconhecido Deus em si e nos outros e viveria, naturalmente, sem tu e sem eu, de igual para igual, num universo inteiramente divino"

– Agostinho da Silva, A Comédia Latina [1952], in Estudos sobre Cultura Clássica, p.305.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Do fundo primordial, ou "o nada que é tudo"

Gravar o momento e falar da natureza primordial
da mente inata fundamental da clara luz
do nosso património colectivo, absoluto:

o rosto fixa-se e as energias pulsam
os olhos brilham e iluminando-se tudo iluminam
as células acaloram-se e rejubilam
tudo está integralmente certo a cada instante
todo o ser é naturalmente compassivo
sendo um aparente vácuo tudo está cheio
os amigos que nos envolvem são todos um.

O coração aconchega-se e a mente acalma-se.

Como é bom andar ao Deus dará
no eterno agora
onde tudo o que acontece é perfeito.

Poema feito em final de aula sobre Dzogchen em estado de "consciência clara relativa…", porque poderia acontecer noutro lado, a partir de outras ocorrências que não necessariamente palavras.

Um Outro Portugal

"Portugal, o grande, o todo, o de amarelos, brancos, pretos e vermelhos, o de islamitas, cristãos, judeus, animistas, budistas, taoistas, o da América, Europa, Ásia, África, Oceânia, o dos municípios, tribos e aldeias, o de monarquias e repúblicas, o dos grandes espaços conhecidos e o dos espaços ignotos ainda, dentro e fora do homem, o Portugal núcleo de formação de uma União Internacional dos Povos para o desenvolvimento, a liberdade e a paz, […] deve, audaciosamente, preceder os outros povos, estabelecendo ensino ou aprendizagem superior que estejam já encaminhados a uma era em que o homem seja plenamente criador e deixe como traço de sua passagem na vida esse aproximar-se cada vez mais da essência da criação divina"

- Agostinho da Silva, Educação de Portugal [1970], in Textos Pedagógicos II, pp.126-127.

sábado, 5 de junho de 2010

Houve um tempo
sem hora marcada
sem dia nem noite
um tempo sem tempo
com tempo de ser

Abracei teu peito
beijei-te sem medo
e o sol nasceu cedo
dando conta do tempo

Muda a hora
o dia se prolonga na noite
roubando cada manhã

Nasço e morro num dia
Antes bato as asas
Voo e viajo

Tão doce é o presente
Tempo de sempre
Tão tempo de ser

quarta-feira, 2 de junho de 2010

10 de Junho - Colóquio "A Missão de Portugal no Mundo": Portugal, que Futuro? (últimas inscrições abertas)



Programa

9H – ACREDITAÇÃO

10H – ABERTURA E BOAS VINDAS AOS COLÓQUIOS 2010 – LUIS RESINA

10H30 – 11h20 - PAULO BORGES – “UMA VISÃO ARMILAR DO MUNDO: A VOCAÇÃO UNIVERSAL DE PORTUGAL E DA LUSOFONIA “

11h20 - 12h10 - FERNANDO ALBUQUERQUE - “A FUNDAÇÃO DO REINO” “suas implicações no Ciclo 1917 – 2012”

12h10 – 13h00 – MARIA FLÁVIA DE MONSARAZ- “ Portugal Astrológico-O Mito e o Destino “

13H30 – 15H – ALMOÇO

15H – 15H50 - JOSÉ MANUEL ANES – “ Portugal e o Império do Espírito Santo “

15H50 – 16H40 – MIGUEL REAL - "A Europa de Hoje e o Portugal de Amanhã“

16H40 – 17H20 – LUIS RESINA – “ Os Grandes Ciclos da Alma Portuguesa “

17H20 – 17H50 – COFFEE BREAK

17H50 – 18H40 – MARCO RODRIGUES – “ Movimento Evolucionário, Frente Evolucionária, Aglutinação dos potenciais evolucionistas e revolucionários da Alma Portuguesa”

18H50 – 19H20 – QUESTÕES EM PLENÁRIO (resposta a perguntas postas por escrito ao longo do dia e sorteadas )

19H20 FECHO COM CONCERTO DO CORO RICERCARE EM HOMENAGEM A PORTUGAL

Porquê falar hoje da Missão de Portugal no Mundo? Haverá ainda uma Alma genuinamente Portuguesa? Se sim, quais as suas características e a sua missão? Qual será a Mensagem que a Alma Lusíada tem de manifestar para que Portugal possa cumprir o seu desígnio? Para dar resposta a estas questões, resolvemos lançar um repto aos intelectuais, pensadores e espiritualistas deste país para sabermos se ainda temos valores fundamentais com os quais nos identifiquemos verdadeiramente de corpo e alma. Em caso afirmativo o que podemos fazer com isso? Caso contrário, iremos continuar a ser vítimas de nós próprios, subjugados a um sistema social e político maioritariamente assente nas leis do capital, na competição e no desrespeito pelos valores humanos e pelas leis da natureza? Este é o convite lançado a todos os oradores, escritores e pessoas interessadas nesta temática de toda a comunidade lusófona, que sob a forma presencial ou escrita, queiram participar e colaborar neste evento.
Para quem queira enviar artigos para publicação, estes deverão ser dirigidos ao Jornal Milénio jornalmilenio@sapo.pt Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar ou a Luís Resina lresina@sapo.pt

Data e Local:

10 Junho quinta-feira Lisboa - Auditório da Estação de Metro do Alto dos Moinhos (Benfica)

Valor do Ingresso para o Colóquio a partir de 20 de Maio: 45 euros para o NIB -
003601069910004607297 (Ana Proença) / Estudantes: 10 euros

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O que é para mim a Poesia

Vi um anjo na pedra e lutei com ela até o libertar. 
Michelangelo

I know nothing in the world
that has as much power as a word.
Sometimes I write one, and I
look at it, until it begins to shine.
Emily Dickinson

Estes dois, o poeta da pedra e a poetisa da palavra, conseguem expressar o mais profundo significado que a poesia tem para mim. Imaginemos que as palavras são como pedrinhas. O não-poeta, o que se julga poeta, mas não o é, pega nas pedrinhas e junta-as, chamando a esse conjunto um poema. O poeta não. O poeta respeita as palavras, respeita as pedrinhas, como Michelangelo respeitava as pedras. Cada palavra tem em si um anjo aprisionado. Não basta juntar palavras bonitas e amontoá-las. O poeta sabe o lugar de cada uma em relação a todas as outras. Todas as palavras têm um anjo e são igualmente importantes, mas o anjo só é libertado pela sinergia entre elas, pela colocação de cada uma delas no lugar certo. Então, o poeta, junta as palavras, como pedras e sabe quais as palavras que ligam umas com as outras, quais as que pertencem a outro poema e guarda essas. Depois pega nas que sobraram e coloca-as no lugar certo umas em relação às outras e elas começam a emitir um ligeiro brilho. Mas não é o brilho da poesia. É o brilho do despertar da poesia. Há que guardar mais algumas palavras ou procurar uma que está escondida. E depois ainda há que baralhá-las de novo e respeitar a distância ou o amor entre elas. E polir o espaço entre elas e algumas palavras são como estrelas no céu, mas outras como laços de seda ou veludo da cor da noite, outras ainda como caules ou rios, umas pulsam, outras descansam. E começam a brilhar com a luz da poesia e o poeta apaixona-se por elas e é com esse amor que lhes dá o polimento final que liberta o anjo nelas. E só então temos um poema. E o conhecimento do poeta para fazer isto vem da sabedoria e verdade iniciais. De nenhum outro lugar. E é por esta razão que todo o poema, todo o poema verdadeiro, se inicia com um despertar. Não das palavras, mas do poeta.

domingo, 30 de maio de 2010

Da poesia

Imagem Edgard Hopper

Acredito na poesia como uma experiência que não para de se renovar, e ao longo do tempo pode tornar as pessoas melhores. O exercício da poesia induz o autoconhecimento, sem o qual ninguém sai do lugar. Dá a medida e o peso do que é preciso saber, porque ilumina a razão com a experiência mais íntima das coisas e dos acontecimentos. Aliás, poesia é acontecimento. 

Poesia não serve para rimar palavras ou burilar frases de efeito. Ela relativiza as defesas que criamos para nos aprisionar; remove as máscaras com que tentamos nos esconder ou nos engrandecer. Desmistifica toda fantasia que não exista para celebrar, mas para enganar os outros e a nós mesmos. O exercício da poesia revela a inutilidade de nossos álibis. É o par de asas a nosso alcance.

Acredito profundamente na poesia, porque aproxima estranhos e diferentes, semeia um conhecimento para o qual não existem currículos bastantes, desperta o corpo e a alma das pessoas para uma liberdade que nada pode destruir, porque consegue dizer o que nenhuma outra linguagem comunica. Um bom poema é o simulacro de um momento na vida de alguém, com sua grandeza e fragilidade.

Acredito na força da poesia, capaz de revelar beleza em uma fruta, um corpo ou numa guerra; numa paixão ou num canto de casa empoeirado, na lama da estrada, nas nuvens de chumbo – melhor ainda se o arco-íris não aparecer.

E porque não se impõe nem obriga a nada, acredito que a poesia é a expressão mais verdadeira da difícil liberdade humana.

Marcus Garcia Moreira



O livro “Vidas todos os Dias”, da autoria de Marcus Garcia Moreira, foi produzido no âmbito do Projecto Integr’Arte. O projecto INTEGR’ARTE foi criado pela CERCIESPINHO – Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Espinho, com o intuito de dar a conhecer os serviços, valências e actividades realizadas ao longo de 30 anos por esta instituição, sensibilizando a população para a problemática da deficiência.

Neste sentido, o fotógrafo Marcus Garcia Moreira foi convidado a fotografar os beneficiários daquela instituição, nascendo assim a exposição de fotografia “Vidas todos os dias”, a qual resultou na edição do livro fotográfico com o mesmo nome e na apresentação das obras em vários locais a nível nacional e no Brasil.

Nos últimos meses esta exposição iniciou um novo circuito, produzido pela SETEPÉS. Depois de ter estado patente no Centro Português de Fotografia, no Porto, esteve até ao início deste ano no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Barreiro.

Ali teve lugar a apresentação pública desta 2ª edição, bilingue, no dia 3 de Dezembro, Dia Internacional do Cidadão Portador de Deficiência.

A venda deste livro reverterá a favor da CERCIESPINHO, promotora do projecto.

Marcus Garcia Moreira é um fotógrafo, nascido no Rio de Janeiro, cidadão português, formado no Porto na Escola Superior Artística do Porto.

Durante a sua formação realizou trabalhos de criação, produção e organização na área de fotografia, dos quais se podem referir o levantamento fotográfico da Escola de Jazz do Porto, a fundação do Núcleo de Fotografia de Espinho - Infinito Zero, a direcção e produção do trabalho fotográfico para o álbum de estreia dos ADN editado pela EMI – Valentim de Carvalho, e a participação na exposição colectiva “ Sala Bombarda “ com o trabalho “ Lustre “( Aniki Bóbó ) por ocasião da abertura do espaço Artes em Partes.

Em 1998 funda com a artista plástica Carla Moreira e o fotógrafo LimaMil o colectivo Sentidos Grátis com o qual colabora até 2001.

Este colectivo será responsável pela realização anual de um principal evento multidisciplinar com base num manifesto, o qual tem como principais premissas a gratuitidade e a “ocupação” de espaços da cidade, devolvendo-os á participação da vida quotidiana. Após o evento inaugural, o colectivo participa, ainda em 98, no Festival Mundial da Juventude na Costa da Caparica com uma exposição colectiva.

Nos anos de 1999 e 2000 o colectivo recebe durante o Evento 2.0, artistas não só nacionais mas também de países europeus, africanos e sul americanos durante a ocupação do espaço da Rua das Flores – Papelaria Reis – no Porto.

Ainda em 2000 o colectivo realiza varias intervenções em Jardins da Cidade e participa na exposição colectiva dos artistas finalistas da Faculdade de Belas Artes da Universidade Compultense de Madrid, com o trabalho “ Libertações “
Em paralelo a este colectivo está o seu trabalho na direcção, produção e actividade do Núcleo de fotografia Infinito Zero que em 1998 tem a sua primeira exposição na galeria da Livramar em Espinho com o titulo Fotografia Estenopeica.
Em 99 este grupo expõe “ Linhas Cruzadas “ e participa na exposição colectiva comemorativa do Centenário do Concelho de Espinho – 100 Fotos – com organização da câmara local.

Organiza conversas com fotógrafos de diversas áreas, convidados para mostrar e falar sobre os seus trabalhos.Ainda em 99, Marcus participa na exposição colectiva “ Sem Fio Condutor “ na Galeria do Labirinto – Porto, e é seleccionado com o portofólio Paisagens Urbanas para a VI Bienal de Vila Franca de Xira e que nesse ano é apresentado na exposição colectiva na Casa das Artes do Porto, relativa ao Prémio Pedro Miguel Frades instituído nesse ano pelo CPF – Centro Português de Fotografia.

Nesse ano é seleccionado para a exposição relativa ao III Concurso Nacional Jovens nas Artes Plásticas – Francisco Wandschneider da ANJE.Ainda em 99 é responsável pela projecção de imagem e iluminação das performances realizadas com o musico Alexandre Garrett no Café da Praça, no Meia Cave, no Jazz Café e nos Maus Hábitos no Porto.

Em 2000 o Nucleo de Fotografia - Infinito Zero - organiza a exposição colectiva Mostra Zero na Galeria do Teatro São Pedro em Espinho, com a participação de fotógrafos convidados.

Nesse mesmo ano recebe o 1º prémio do concurso Arte XXI - Camara Municipal de Espinho.

Em junho de 2001 participa no Evento 3.0 dos Sentidos Grátis com o trabalho Andy War.

Dá inicio á realização para a Sete Pés – produtora cultural e artistica, das suas primeiras enomendas, e nesse ano editam para a Porto 2001 Capital Europeia da Cultura a brochura/livro “ Tradições “ – Eventos da Memória.Em Setembro estabelece uma parceria, que mantém até á presente data, com o fotógrafo António Teixeira, e em conjunto formam uma empresa que desenvolve trabalho fotográfico para vários gabinetes de design e produtoras.

Em 2002 participa com duas peças pertencentes ao trabalho fotográfico “ Atmosféricos – Um Outro Brasil “, na exposição colectiva no Mercado Ferreira Borges - Porto, que assinalou os 20 Anos da ESAP . Edição de Catálogo. Em 2003 o mesmo trabalho está representado na exposição colectiva de Artistas do Porto na Galeria Labora – Vigo.
Nesse ano obtém o certificado do curso Produção e Montagem de Exposições - Braga, Museu da Imagem – organizado pela Sete Pés e com as formadoras Luisa Ramos e Isabel Corte-Real.

Em 2004 Marcus recebe a menção honrosa do Prémio Fnac – Novos talentos da Fotografia Portuguesa com o trabalho – MAPA.

Nesse ano é publicado texto e imagens do seu percurso no 2º Caderno das Artes Câmara Municipal de Espinho.

Em 2005 participa no Festival Black & White da Universidade Católica, com o trabalho “ Presença Humana “.Realiza Oficinas de Fotografia Criativa para crianças e jovens na Mediateca do Bairro de Anta – Espinho.È responsável pelo trabalho fotográfico das Agendas – Ciências Em Dia e Artes em Dias, editadas pela Sete Pés.

Em 2006 apresenta pequenos formatos no Espaço 100 + nem - , Porto.É publicado parte do portofólio “ Aparições “ coreografia de Bruno Dizien, nos Cadernos do Rivoli – Culturporto.No inicio desse ano recebe a encomenda da Cerciespinho, por ocasião das comemorações do seu 30º Aniversário, para a produção de um trabalho fotográfico editado em livro e corpo da exposição “ Vidas Todos os Dias “, que é apresentado em Setembro em Espinho.

Em fevereiro de 2007 o trabalho MAPA é apresentado na Galeria do Clube Literário do Porto e em Abril na Galeria Sub-Verso em Espinho.

Ainda sob a encomenda da Sete Pés, Marcus realiza a obra ícone do Evento Almoço na Relva, que teve como proposta de criação uma obra fotográfica que fosse uma reinterpretação da obra de Edouard Manet – Le Dejeuner Sur L´Herbe. Esta fotografia de grande formato esteve presente na exposição colectiva “ Almoço na Relva “ na Casa da Cultura de Paredes em conjunto com as obras ( pintura e video ) de Sónia Carvalho e as fotografias de Virgílio Ferreira – Catálogo editado.

Em Maio Marcus realizou uma palestra sobre o seu trabalho, no Fórum da Fnac do Gaiashoping, inserida no Ciclo Novas Tecnologias.

Nesse mês a exposição Vidas Todos os Dias é apresentada na Casa da Cultura de Paredes.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Tenho pão e vinho sobre a mesa e uma história de fantasmas todos os dias quando me levanto. Queres que te conte ou queres que te cante?

terça-feira, 25 de maio de 2010

Não se compreende os lugares afastados da casa. o sítio onde deixámos os chinelos e o miolo do pão. as silvas que nascem e cobrem janelas. sem poesia. dedos que riscam janelas de ténue olhar. despeja gavetas como se ninhos violasse. existir não é verbo reciclável - basta perguntar a uma pedra. fechou-se bem fechada a espaços náuticos incompreendidos. sacos de plásticos em vez da roupa de domingo. anda pela casa amarela. tocando-se nua. à mulher bateu-lhe sol no ventre. muito sol. colocou-se em posição fetal e pariu um filho silencioso. o sol virou costas ao baptismo e partiu

A influência do Budismo e do Daoísmo na Deep Ecology



No próximo dia 27 de Maio, pelas 17h, Ana Cristina Alves, doutorada no pensamento filosófico chinês, dará uma prelecção sobre o tema: "A influência do Daoismo e Budismo na Deep Ecology". A sessão realizar-se-á no Anfiteatro IV da Faculdade de Letras de Lisboa e enquadra-se no curso de Filosofia e Estudos Orientais (entrada livre para esta sessão).

Mais uma iniciativa no espírito ENTRE, o novo paradigma.

arevistaentre.blogspot.com

segunda-feira, 24 de maio de 2010

23 de Maio, Serra da Arrábida, Festa do Espírito Santo

Paulo Borges


X X

F E S T A D O E S P Í R I T O S A N T O

DOMINGO DE PENTECOSTES

23 DE MAIO DE 2010

ARRÁBIDA

11.00 h - Encontro junto ao Convento da Arrábida-Fundação Oriente
Subida ao Convento Velho

11.30 h - Capela da Memória de Nossa Senhora da Arrábida
Celebração

Saudação

O Culto do Espírito Santo, textos de: Agostinho da Silva,
António Quadros e Dalila Pereira da Costa;
participações de Paulo Borges e António Cândido Franco
“Cultura ENTRE Culturas”, o diálogo
“Uma Visão Armilar do Mundo”, por Paulo Borges

Coroação das Crianças

Evocação / Música - Cânticos

Trovas para o Menino Imperador, de António Quadros
Divino Espírito Santo, quadras de Agostinho da Silva

Bodo
13.30 h - Junto ao caminho de Alportuche. Será oferecido o bodo.
Durante a tarde - Confraternização

Convite à livre participação das pessoas presentes.

“Um testemunho recebido, a cumprir e a transmitir. Festas proféticas de
uma Idade de Amor e de Fraternidade Universais”.
António Quadros, 1991
“Adeptos que tinham como ideal o cuidado da Criança, a vida gratuita e a inteira
liberdade para a vida”
Agostinho da Silva, 1991

C O N V E N T O S O N H O
/ A S S O C I A Ç Ã O A G O S T I N H O D A S I L V A

Apoio: Convento da Arrábida - Fundação Oriente



quarta-feira, 19 de maio de 2010

ENTRE na Feira do Livro, 6ª, 21, 18 h



A revista Cultura ENTRE Culturas será apresentada no Pavilhão da APEL, na Feira do Livro de Lisboa, 6ª feira, às 18h, por Paulo Borges, Rui Lopo e Dirk Hennrich. Apareçam e divulguem.
A revista publica inéditos de grandes pensadores contemporâneos: Raimon Pannikar, François Jullien, Jean-Yves Leloup, Hans Küng. Além de Vilém Flusser e do eterno Agostinho da Silva.
Tornar-se assinante é ajudar a viabilizar o projecto de uma revista de qualidade internacional em Portugal. Vejam as condições aqui no blogue.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Quantos poemas são precisos para se fazer um homem?


(pausa)

E quantos homens são precisos para se fazer um poema?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

sábado, 15 de maio de 2010

"Metrópole do Mundo, Portugal criou [...] cidadãos do Mundo"

“Metrópole do Mundo, Portugal criou de certo modo, cidadãos do Mundo. Formou-se nesses homens, ao contacto múltiplo dos povos peregrinos, uma consciência nova e unitária da Humanidade. Neles, nas suas obras e nos seus actos, raiou pela primeira vez a vasta e complexa compreensão do humano, na sua riqueza e diversidade. Do humano em todos os continentes e em todas as raças. (...) Humanismo mais pragmático e moral do que filosófico e crítico, ele, dissemos nós, não era apenas uma ideia. Era menos e mais do que isso. Era uma regra de conduta. Um temperamento moral. – Uma cultura em acção. O sentimento duma unidade humana a realizar, quer pela fé, quer pelo conhecimento e pelo amor”.

- Jaime Cortesão, O Humanismo Universalista dos Portugueses.

Miradouro

Se o pecado existisse eu teria pecado cegamente em busca do amor em cada pedaço de mim. Ah, se o castigo inventado fosse a eterna busca, eu teria vivido debaixo da pena máxima de encontrar em cada segundo, o amor que se adivinha e parte...

Nunca prometemos amor eterno, nem quando ele me levou a ver o miradouro atrás do prédio de esquina. Durante o caminho lia a vontade dos outros pintadas a vermelho:

“Amo Inês” ou “quem inventou o amor passou por aqui e se perdeu”

Nos outros dias em que passeei sozinha deixava que meu olhar se perdesse pelo horizonte. O muro que nos protegia da queda certa, desaparecia e eu sonhava que tudo era possível – bastava saber o que se queria. Fossem meus braços asas, fosse meu corpo imagem da minha vontade – matéria que se modela a cada sentir.

Fui a ave caçadora em cada viagem só para matar a fome de ti. Fui o eterno sopro fraco no regresso. Lembrança de ti.

Quando voltava para casa, meu cão fugia pela ladeira fora. Longe foi o tempo em que eu corria e gritava: “VOLTA!”

Noutros dias inventei o amor a três. Ele que ama ela, ela que ama ele, e eu que amo a ideia de amar alguém. Nesse amor trocámos as mãos. Odor intenso do sexo que se adivinhou e não aconteceu. Nesses dias eu sorria e lembrava-me de ti rindo da vida.

O cão volta sempre ao dono, mesmo que o cantinho onde mora seja sombrio. Se ele soubesse como fazer, gritaria:

“SALTA! Inventa o mar, mergulha nele essa fome nunca saciada.
SALTA! Navega até te perderes.
Depois VOLTA!
VOLTA, que a casa agora é branca e o teu sorriso violeta.”

Na minha rua, mesmo na esquina, existe um prédio. Nas traseiras dele um caminho para o miradouro.
Quem está enamorado senta-se num banco de pedra e espera que o sol fique laranja até dizer adeus.

Se hoje não chover subo ao miradouro.
E se eu te disser que o atlântico não é mais que um rio?
se te disser que as algas não são exclusivas do mar?
rir-te-ias com certeza da fauna que me cresce nos dedos.
do rumor da minha carne que sacia os pássaros daquele pinheiral.

não repares no meu estilo torto de andar.
foi provocado por um livro que li à nascença. não sei bem o que dizia.
talvez fosse tarde demais para aprender

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A antítese Oriente-Ocidente e a síntese ecuménica

"O que cumpre às elites do Ocidente, suponho eu, é desenvolver o mais breve possível a mentalidade ecuménica, para que a reacção do Oriente nos não apareça nacionalista, mas antes seja uma pretensão de nos obrigar a todos nós, os de lá e os de cá, a adoptar a tese universalista, com a inclusão dos Orientais no nosso novo ideal ecuménico. Por outras palavras: é resolver, o mais breve possível, a antítese oriental-ocidental na nova síntese do ecumenismo"

- António Sérgio, "Seara Nova", 1927.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Apresentação do livro: Uma Visão Armilar do Mundo, de Paulo Borges




Uno e verso
                                                                                                                          Risoleta C Pinto Pedro
11 de Maio 2010
Escola de Medicina Tradicional Chinesa
Palácio Estefânia


Os livros são, também eles, uma espécie de alimento. E há de tudo, como na mercearia, como na farmácia. A mercearia pode ser uma farmácia. Há alimentos que matam, há alimentos que curam. Do hamburger do Mc Donald ao mais requintado  prato.
Se fosse alimento (e é), este livro seria um misto de prato mediterrânico temperado com azeite e coentros, com o requinte de um prato francês, o exotismo de uma sobremesa marroquina, um toque de especiarias: cravinho e canela, e uma pitada das cinzas douradas de um mestre tibetano. Para não ir mais longe.
Para mim, ler estas palavras é como saborear um bombom, algo que delicia, uma guloseima para a alma. Porque aqui concentra e oferece em taça de cristal o que de melhor saboreei  na literatura e no pensamento Português, de Camões a Agostinho da Silva, para abreviar.
A minha alma alimenta-se, refresca-se, aprofunda-se e eleva-se nesta leitura, que é pão para o meu espírito.
A criança que sou alegra-se e sente-se resgatada por séculos de injúrias.  Encontro aqui todos os ingredientes que curam sem amargar.
Reencontrei aqui os autores que me têm acompanhado  como avós de espírito; é sempre reconfortante reencontrar uma família.
Quando digo “este livro”, quero dizer “este pensamento”, porque é uma expressão de um pensamento  tão antigo e original quanto novo, um pensamento do autor captado no ar, no álbum de pensamentos de um povo, de uma civilização temperada pela saudade da canela, digo, do perfumado Espírito Universal, de onde a Natureza não pode ser excluída, porque isso já experimentámos, com os resultados que todos conhecemos e ainda resta saber o que para aí virá… ou não. De nós depende.
Não poderei dizer-vos o que diz este livro, mas apenas o que eu li nele. O que pode não ser a mesma coisa.
A esfera armilar, como símbolo de totalidade, como refere o autor, vejo-a como uma espécie de mandala a pelo menos, ou por enquanto,  V dimensões, que é a dimensão do Homem de Vitrúvio quando se põe a rodar pelo mundo e se funde em veneração com a natureza.
É muito difícil falar sobre um pensamento que tão bem se diz a si mesmo. Este é um livro amplo e ao mesmo tempo simples.
É matéria complexa de tão simples, por isso tive de escrever, por isso prefiro ler o que escrevi.
Como estrutura, Paulo Borges parte do sentido iniciático da obra de alguns autores, passando por uma reflexão própria e culminando no manifesto Refundar Portugal.
Aqui se fala do real e do símbolo, das viagens e das tantas aventuras do povo português. Não vou explicar o que cada um terá de sentir no seu coração, que é por aí que se lê este livro, mas destacarei alguns aspectos que falaram à leitora que sou. Tal como o Paulo Borges fez em relação aos autores que aqui trouxe.    
Assim como traz também a crítica a alguns aspectos da contemporaneidade em contraponto com o Ser que, e assumo a responsabilidade do baptismo, eu designaria como o já referido Homem de Vitrúvio. Pois não é ele a perfeição, plenitude, totalidade e infinidade? Ou, diria eu: Portugal no seu melhor, Portugal armilar. E brincando: arma e lar, depois das armas, o regresso ao lar.
A mensagem ainda algo revolucionária para os que estão presos ás ilusões que nos têm comprimido, é a “interconexão dinâmica de todos os seres e coisas”; mas uma criança percebe isto muito bem, sabe tratar com a mesma dignidade e igualdade, um gato, um sapato, uma pessoa ou uma formiga, um estrangeiro ou um familiar. Antes de ser contaminada. É por isso que é importante refrescar a ideia do V Império, o dos inocentes. Aqueles para quem não é impossível “ser tudo de todas as maneiras” ou transformar-se “o amador na cousa amada”. Esta leitura poética parece ser ao autor, no que concordo com ele, a mais profunda que podemos fazer da história.
Somos inicialmente conduzidos para uma leitura de Camões; e nesta leitura o amor é a chave, não teórica, mas operativa, a nossa leitura é, ela mesma, se sincera, um ritual de iniciação à viagem amorosa pelo interior intemporal do universo, porque o Império é muito mais grandioso que as belas mas limitadas fronteiras territoriais, do tempo e do Ego. O Império globaliza-se através do amor universal. É a aparentemente louca, mas mais realista que qualquer outra, aspiração ao Paraíso.
Daqui se fala de cabala, lírica, platonismo e neo-platonismo  e dos inúmeros mitos e representações da tradição simbólica e cultural que me abstenho de referir, portanto vou directamente ao assunto.
Numa  viagem pela mitologia revisitada a uma nova luz, partindo de uma ilha de utopia, a de Camões (que passou a ser nossa, ou talvez já o fosse antes de o ser) chega-se à democratização e à globalização do divino, se tal ousadia me é permitido verbalizar. Trazer a utopia ao Lugar, o topos,  se aparentemente a nega, porque ela é o não lugar e passa, a esta luz, a ser o topos, faz que a ilusão deixe de ser a utopia, e a utopia tome o lugar dela, isto é, do medo, do ego e de todo o tipo de limitação, enviando-os para  o momento da não-existência.
Os mais loucos sonhos assumem possibilidade real, como a união dos opostos, numa leitura para lá da superfície onde se tocam a Terra e o Céu e onde outros antiquíssimos desejos se nos afiguram tremendamente realizáveis no nosso destino.
Ideias que desvelam ou revelam com desvelo os pensamentos dos seres particularmente despertos que foram (são?) Camões, Vieira, Pascoaes, Pessoa,  A. da Silva: em síntese, a ideia de um Império de transcendência reconstruído  sobre o amor e a abundância.
Aqui se fala de história, mas como metáfora e símbolo; nessa perspectiva, o próprio Antero é citado. Pensamentos proféticos de totalidade e inclusão, Santidade, Graça e Luz,  o nada e o tudo, sempre presentes numa ideia comum.
Ideias por enquanto escandalosas para um pensamento ainda a sacudir o pó do positivismo, mas, mesmo sem saber, determinado a abrir novos focos de atenção.
É curioso que em cada um dos ensaios  que este livro inclui sobre os autores referidos, todos os outros acabam por ser citados, como membros de uma família ou faces do mesmo poliedro, em que um não existe sem os outros. Para lá do tempo.
É claro que tudo isto assim sistematizado,  constitui uma ruptura radical com o pensamento convencional: a vida na morte, o futuro no passado, o eu no outro,  o todo no nada… e os seus contrários.
E pela pena de Pascoaes somos lembrados que é na aproximação ao eu no aparente  outro que cabe a incontornável reaproximação do oriente, tanto tempo esquecido. É no outro que nos reconhecemos.
Também as religiões aqui são repensadas numa tenda de reunião onde caibam até as não-religiões: crentes, gnósticos, não-crentes. Um novo conceito de religião, um novo conceito de política, onde a Polis se eleva, mas abraça a natureza. Uma nova forma de estar vivo, inclusiva e abrangente, metafísica, política, poética, estética, ética, em expansão, mas não em afastamento,  a partir de um mesmo centro.

Nesta leitura, Portugal, na sua forma sentimento, quando interioriza torna-se demasiado grande para ser só ele, ele é ele e é o mundo , e nele cabe o mundo,  o todo já está na parte, como nas imagens dos fractais. Como os poetas tão bem souberam, antes dos cientistas.
O cosmopolitismo, assim entendido, será um tributo à essência do próprio conceito: no cosmos a polis, na polis o cosmos.

Este livro é uma oportunidade de aprofundamento do processo de consciência acerca do que significa ser humano, ser vivo, ser adulto ou ser criança. Com o apoio do pensamento de A. da Silva, uma reflexão sobre esta barbárie a que chamamos civilização. Edgar Morin também já o vem dizendo há muito, mas delicia-me recordar a frescura de Agostinho que este livro me vem recordar, e o quanto é doloroso reconhecer o “contributo” que os sistemas escolares têm dado para esta “queda” civilizacional. João dos Santos também o denunciou, muito solitariamente.
Onde estão a alegria, a espontaneidade, a liberdade a abundância para que cada ser, sem excepção, nasceu?
Apenas haverá futuro com a resolução do conflito que cada um vive dentro de si entre a “realidade” dessacralizante e consumista e a não dual natureza profunda de tudo o que existe. Neste novo mapa do mundo, a técnica deverá ser um instrumento de libertação do humano para que este possa ser, finalmente, aquilo para que nasceu: divino.
A minha tentação, mais do que falar-vos da minha leitura, foi, em diversas ocasiões, encher de citações estas minhas notas, ou simplesmente, ler-vos páginas do livro, mas sabendo que ia haver leituras, era preciso que eu falasse. O que faço obscuramente. ´É sempre obscuramente que se consegue falar de um pensamento tão claro. E, como já disse, ao mesmo tempo contemporâneo, e tão do fundo dos tempos. Trazendo novamente o Espírito Santo pela mão. Um Espírito Santo cada vez  mais revisitado pela evidência de que ou está nas nossas vidas ou não haverá vidas. A fraternidade, a liberdade e o Amor acima dos estafados vícios das disciplinas e sacrifícios. Que tiveram o seu tempo e função, mas que estão para nós como os dinossauros estiveram para os primeiros homens.
Uma ampla rede de informação se foi criando muito antes da internet; Joaquin de Fiori, Bandarra, D. Dinis e a poesia amorosa medieval, o culto popular do Paráclito e o franciscanismo no seu amor pelos seres não humanos.
Há séculos, há milénios, que sabemos que o futuro ou será a Inocência, o Império da Criança, ou não será. Que será a Liberdade, ou não se sobreviverá. Que será a igualdade na abundância, ou não existirá. Se quiserem, uma religião sem deuses ou onde todos são deuses, numa existência de expansão das potencialidades de totalidade, criatividade e encontro com tudo.

Neste livro se fala, reunindo o melhor e mais requintado dos pensadores e poetas já referidos, (mas não só, refiro por exemplo S. João da Cruz), do tudo e do nada, da dor e do êxtase (a dor não é mais do que a resistência ao êxtase), de como tudo é a mesma coisa e de como o fio da navalha não existe e é infinito e de como a consciência transformada  tudo transforma.

Um dos aspectos importantes que me parece ver neste livro é a atenção aos riscos a que pode levar, e tem levado, no seio deste pensamento, um “excesso de paixão lusocêntrica”  ou o “patriotismo ensimesmado” que conduziu e conduz aos nacionalismos estéreis em detrimento de uma visão não totalitarista mas total, solidária e realmente cósmica. Ou, como aqui se diz, um “ nacionalismo trans-patriótico e universalista”.

Os últimos quatro capítulos são uma meditação própria, mas não alheia aos estudos anteriores sobre o pensamento português e os caminhos a que este pode conduzir-nos no sentido da profundidade do Ser  e a Universalidade desse mesmo novo Ser que é ao mesmo tempo indivíduo, Pátria e Mundo. Do motor visível ao motor oculto de um povo, que é afinal, não um país, mas o próprio mundo, onde a humanidade, para crescer, tem de aprender a abraçar.
Outro importante tópico a reter desta leitura são os conceitos, já não exclusivos da mística, mas também da ciência, de interdependência e impermanência, da transcendência da ilusão da bipolarização do eu e do outro, e do equívoco da crença na transformação do mundo sem a prévia e radical transformação da mente que percepciona esse mesmo mundo.
Finalmente, o Manifesto Refundar Portugal, corolário coerente destas reflexões que de certo modo o fundamentam.
Com um passado de expansão geográfica, Portugal é mostrado como um país privilegiadamente preparado para criar pontes de comunicação entre “povos, culturas e civilizações”. Num momento em que o paradigma é ainda o do consumo e da exploração humana, animal e da natureza em geral, este documento propõe uma profunda reforma das mentes, baseada numa ética global que se estenda aos animais e a todo o planeta, universalista e multicultural, baseada nos valores mais sagrados que vêm sendo perpetuados quer por uma tradição popular, quer por alguns poetas e pensadores que ao longo dos séculos foram dando voz a um sentimento presente,  mas nem sempre consciente.
Inclusividade em expansão, pois assim como o Universo está em expansão, assim está a consciência universal deste povo, já não para ocupar e explorar, mas para ligar e reunir no respeito por todas as diversidades.
A forma de o fazer também tem de ser inovadora, já não se trata de uma questão geográfica, mas um processo de interiorização após o qual, apenas, será possível implantar fora o que já se consegue imaginar. Porque tudo é da natureza da luz.
 Já singrámos por terra, pela água, pelo ar, e  com o fogo das espingardas. Agora, o fogo é outro, é aquele que “arde sem se ver”, e os caminhos são os da cada vez mais incontornável Luz.
À qual estamos inapelavelmente condenados. Apesar de nós.  Graças à Luz. Que somos Nós.
Grata ao Paulo Borges por ter proporcionado à minha criança feliz esta leitura que é um bálsamo para os ferimentos dos joelhos das muitas quedas. Grata pela criança inocente que sei que sou, grata por todas as crianças inocentes que sei que somos. Apesar de todas as histórias editadas pela Culpa, uma editora decadente, felizmente em vias de extinção.


Cultura ENTRE Culturas e Uma Visão Armilar do Mundo na Casa Bocage, Setúbal, Sábado, 15, 21 h



Car@s amig@s ,

Gostaria de os convidar para participar na Noite dos Museus na Casa Bocage, já no próximo Sábado, 15 de Maio, às 21h00.
Para comemorar a Noite dos Museus, cujo tema deste ano é a «Harmonia Social», organizámos uma programação que dá ênfase à multiculturalidade e ao diálogo entre culturas:

Visitas acompanhadas aos espaços museológicos (Exposição «As Sete Musas de Bocage», Centro de Documentação Bocagiano e Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro);

Apresentação da exposição de desenho e escultura «Conexões», por Rui Oliveira Lopes, com a presença do autor, João Lino;

Lançamento em Setúbal do número 1 da revista «cultura ENTRE culturas», pelo seu Director, Paulo Borges;

Canto livre e improvisado de Poesia de Bocage, por Patrícia Domingues;

Apresentação da obra «Uma Visão Armilar do Mundo - A Vocação Universal de Portugal em Luís de Camões, Padre António Vieira, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva», de Paulo Borges, por Bruno Ferro;

Fado à capela, por Pedro Paz;

Confraternização e partilha;

No Dia Internacional dos Museus, 18 de Maio, entre as 14h30 e as 17h30, João Lino estará presente na Casa Bocage, para conversar com os visitantes sobre o seu processo criativo na realização da exposição «Conexões».

Um abraço cordial,

Bruno Ferro
Casa Bocage | Divisão de Museus | CMS

Casa Bocage
Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro

Rua Edmond Bartissol, 12
Tel.: 265 229 255

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Matthieu Ricard em Lisboa - dia 26 - 21 h - Membro da Comissão de Honra da ENTRE e colaborador do nº2



Reservas/ Informações: 707 234 234
Locais de venda: Bilheteira da sala, Fnac, Ag. ABREU, Worten,
C. C. Dolce Vita, Megarede, El Corte Inglês(Lisboa e Gaia)
www.ticketline.sapo.pt

Preços de 15€ (Plateia) e 10€ (Estudantes)

Matthieu Ricard é um monge budista francês, fotógrafo e autor. Vive e trabalha no mosteiro Shechen Tennyi Dargyeling no Nepal, Himalaias, há quarenta anos.
Nascido em França em 1946, filho do conhecido filósofo francês Jean-François Revel, cresceu no seio das ideias e personalidades dos círculos intelectuais franceses. Viajou para a Índia em 1967.

Doutorado em genética molecular no Instituto Pasteur de Paris em 1972, decidiu abandonar a sua carreira científica e concentrar-se na prática do budismo tibetano. Estudou com Kangyur Rinpoche e alguns outros grandes mestres dessa tradição e tornou-se estudante próximo e auxiliar de Dilgo Khyentse Rinpoche, até ao seu falecimento em 1991. Desde então, tem dedicado a sua actividade à realização da visão de Dilgo Khyentse Rinpoche.

As fotografias de Matthieu Ricard de mestres espirituais, das paisagens e das pessoas dos Himalaias têm aparecido em inúmeros livros e revistas. Henri Cartier-Bresson disse do seu trabalho, ”a vida espiritual de Matthieu e a sua câmara são um só, donde brotam estas imagens, fugazes e eternas“.

Ele é o autor e fotógrafo de “Tibet, An Inner Journey” e “Monk Dancers of Tibet” e, em colaboração, os fotolivros “Buddhist Himalayas”, “Journey to Enlightenment” e recentemente “Motionless Journey: From a Hermitage in the Himalayas”. Matthieu Ricard é o tradutor de diversos textos budistas, incluindo “The Life of Shabkar”.

O diálogo com seu pai, Jean-François Revel, em “O Monge e o Filósofo”, foi um best-seller na Europa e foi traduzido para 21 idiomas, e “The Quantum and the Lotus” (em co-autoria com Trinh Xuan Thuan) reflectem o seu interesse de longa data pela Ciência e o Budismo.

No seu livro de 2003 “Plaidoyer pour le Bonheur” (publicado em Inglês em 2006, como “Happiness: A Guide to Developing Life’s Most Important Skill”) explora o significado e plenitude da felicidade e foi um grande best-seller em França.

Matthieu Ricard foi apelidado de “a pessoa mais feliz do mundo” pelos media depois de ser voluntário para um estudo realizado na Universidade de Wisconsin-Madison sobre a felicidade, posicionando-se significativamente acima da média obtida após os testes de centenas de outros voluntários.

Membro do conselho do “Mind and Life Institute”, que é dedicado a encontros e pesquisa em colaboração entre cientistas e estudiosos budistas e praticantes de meditação, as suas contribuições foram publicadas em “Destructive Emotions” (editado por Daniel Goleman) e noutros livros de ensaios. Matthieu Ricard está também profundamente envolvido na investigação sobre o efeito do treino da mente sobre o cérebro, nas Universidades de Wisconsin-Madison, Princeton e Berkeley.

Matthieu Ricard foi condecorado com título de Cavaleiro da “Ordre National du Mérite” pelo presidente francês François Mitterrand pelos seus projectos humanitários e pelos seus esforços para preservar o património cultural dos Himalaias.

Nos últimos anos tem dedicado os seus esforços e doa todos os proventos do seu trabalho em favor de trinta projectos humanitários na Ásia, que incluem a manutenção e construção de clínicas, escolas e orfanatos na região: www.karuna-shechen.org
Desde 1989, actua como intérprete de Francês para S. S. o Dalai Lama.