sábado, 21 de agosto de 2010
SEDE
Com o cálice a transbordar
Banha-me nele até que embriagada
eu seja o vinho que agora bebes
Dá-me o vinho que tenho sede
de ti
A louca e o Editor
- Oh, tu que estás do lado de fora, editas-me?
Com um sorriso sem qualquer ironia responde o editor:
- E queres editar o quê? Poemas, Contos, Romance, Novela...?
A louca fica sem cor, conta e reconta mentalmente muitas vezes antes de responder:
- Poesia...
- Ah, poesia é muito difícil de editar...
- Então contos, também tenho muitos,
- Os contos sofrem do mesmo mal que os poemas,
- Se só me resta o romance, tenho um quase feito...
- Desculpa-me , mas tenho pressa. Não está na hora do teu recolher?
A louca, internada no lado de dentro, sorri.
- O recolher é só as nove. Ainda são dez, PALERMA!
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
"[…] não seria mau que a filosofia deixasse de ser apenas uma disciplina ensinável para voltar a constituir um engrandecimento e uma razão de vida"
– Agostinho da Silva, “Aspecto interior do sacrifício”, Considerações [1944], in Textos e Ensaios Filosóficos I, p. 94.
Comunidade / O que é Tamera?



Tamera é uma oficina do futuro e um ponto de encontro internacional para trabalhadores pela paz de muitas partes do mundo.
Tamera fica no sudoeste de Portugal, foi fundada em 1995 num terreno de 134 ha e conta actualmente com mais de 200 colaboradores e estudantes. Com o seu centro de investigação para tecnologia energética descentralizada – a Aldeia Solar, com a sua paisagem de lagos de permacultura no meio do Alentejo seco, com a sua arquitectura experimental de construções leves e de terra, Tamera é um local dedicado a experiências e formação para a criação de Aldeias pela Paz pelo mundo afora.
No centro do seu trabalho de investigação encontram-se os temas interiores do ser humano: amor, sexualidade, relacionamento e comunidade. A Academia Erótica que se está a formar baseia-se em mais de 30 anos de experiência na área da arte e da cura, na criação de comunidades e na investigação da verdade no «Tema nº 1». Tamera associa o seu trabalho de investigação ao trabalho de rede político, a peregrinações, acções de apoio e de paz em áreas de crise. Tratam-se de acções exemplares cuja finalidade é contribuir para a comunicação e criação de comunidades, além de ajudar a preparar um campo morfogenético pela paz.
Desde 2006 Tamera oferece a possibilidade a pessoas do mundo inteiro de realizarem durante vários anos a formação pela paz «Monte Cerro Peace Education». Está em preparação um Campus Global: uma rede mundialmente interligada de iniciativas de formação de paz. O título para a postura fundamental ética de todas as actividades pela paz é a palavra «Grace», uma postura de solidariedade com todos os seres vivos, pelo perdão, pela ajuda mútua e pela orientação de cura.
Nasceu o plano das Aldeias pela Paz, ou Biótopos de Cura: em conjunto com parceiros internacionais, deveriam ser construídos modelos de futuro em diferentes partes do mundo – autosuficientes a nível regional, social- e ecologicamente sustentáveis, independentes das grandes indústrias e dos sistemas centrais de fornecimento: células germinativas de uma nova cultura pela paz.
As/Os colaboradoras/es de Tamera partem do princípio de que diversas destas Aldeias de Paz, com tamanho e complexidade suficientes em diferentes partes do mundo, serão suficientes para que o conhecimento abrangente nelas desenvolvido origine um efeito de cura global.
A eficácia deste plano resulta de uma combinação lógica entre os resultados da investigação do caos, holografia, ecologia profunda, investigação da consciência e da história. No contínuo infinitamente interligado do organismo Terra, uma alteração microscopicamente pequena num determinado local do planeta pode provocar um efeito que se reflecte no todo.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
"A vida passa como uma caravana veloz"
- Omar Khayyam, "Rubaiyat", LXVIII
terça-feira, 17 de agosto de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
Excerto de um texto de Matthieu Ricard a sair no nº2 da Cultura ENTRE Culturas
O que é indispensável na prática não é meditar durante períodos longos, mas sim fazê-lo com regularidade. Se o cérebro é regularmente solicitado, bastam cerca de trinta dias para constatar que se começam a modificar as funções neuronais.
O estudo da influência dos estados mentais sobre a saúde, outrora considerado fantasioso, faz, cada vez mais, a actualidade da investigação científica.
O Largo da Graça
Aqui vieram os príncipes irmãos, Duarte, Pedro, Henrique, João e Fernando, e talvez também a princesa Isabel, a ínclita geração, conversar com Senhor, seu pai, sobre os planos para a tomada de Ceuta. Como é sabido, o infante D. Henrique foi o principal impulsionador dos descobrimentos portugueses.
Tudo terá decorrido, então, ali entre o Largo da Graça e a Quinta da Graça, a meio caminho quando se vai para a Quinta do Império (não confundir com Quinto Império), dizíamos, Largo da Graça onde, eventualmente, terá nascido ainda um nosso respeitado conterrâneo e contemporâneo, o Sr. Mário da Graça, e terá vivido o avô de um nosso companheiro de “Estudo Geral”, extraordinário escritor e pessoa de admirável cultura. Foi ali também que em criança, depois de atravessado o dito Largo de mão dada com a avó Aura, comprávamos o leite extraído directamente da teta da vaca, não sem que a Dona Albertina, a fazendeira, nos oferecesse um copinho do precioso(?) líquido ainda quentinho.
Naturalmente que tudo isto não tem mais que um significado simbólico para o nosso “Estudo”. Foi aqui como podia ser noutro lugar qualquer… Mas não foi. E a verdade é que, à sombra disso o Largo da Graça fez, e continua a fazer, história. Ainda hoje quando pensamos na força que a Língua Portuguesa granjeou nestes últimos séculos e naquilo que ela vai fazendo, esperemos, pelo bem dos mundos, não podemos deixar de achar Graça ao facto da sua expansão ter passado por aqui, lugar onde os nossos avós viveram.
E quando dizemos os nossos avós estamos, evidentemente, a generalizar.
Luís Santos
Traz-me
a música que habita em ti
beija-me até que ela seja eu
ensina-me, amor a melodia
que desaprendi antes de ti
às seis da manhã
o galo canta
o beija-flor acode feliz
e eu ainda estou a dormir
amanhã, antes do sol nascer
eu ainda sou criança
fala-me dos dias
quando despertas
e o verde é igual ao azul
mas antes, amor
cobre meu corpo
com a melodia do teu.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
O Pássaro da Alegria

Sabiam-no as corças
velas sobre o suave colo dos céus.
E de luar.
Trago soltos os cabelos e a flor dos olhos
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Intransmissível por e a outrem, pacífico, fora de discurso, fora de conceito, sem diversidade: outros tantos modos de indicar o que verdadeiramente é
Eu só sei que sou
O resto eu não sei
Eu só sei que sou!
Se os outros são ou não são,
Eu não sei
Eu só sei que sou!
Se os outros são mais ou menos que eu,
Mais ou menos o quê?
Isto eu também não sei,
Pois eu só sei que sou
O que será que será?
Eu não sei
Eu só sei que sou
O que eu quero é bom ou ruim?
Eu não sei
Eu só sei que quero
E se quando quero
Acho que devo deixar de querer
Eu deixo de querer
Querer o quê?
Isto eu não sei
Eu só sei que sou!
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Entre Tantos

Está Lá
Em toda a Parte
Está
Ordem
Aqui e lá.
Não guardo
Vejo
O
Não visto.
Não tem forma
Em nenhuma se move
Por todas as direcções
Caminha e espalha:
Espelha (se)
Replica (se)
Ele é o Tao da Água
Inominado.
Ele é o Centro
Sem centro.
Ele é a fuga
Para além do limite
O ilimitado
É entre.gar
O peito azul ao ar
E perder peso
Até entrar
A luz pela pupila
Pela tela
Entre-telas
Entre-orar.
É Outra Ordem
De Caos
É de outra imobilidade.
De Outro Silêncio.
O Corpo do pensamento
Mais o corpo
Físico
Pescadores de salmão
Peixes no Oceano
Imóvel.
Medito com os joelhos cruzados
Contrario o que se fixa.
Passeio pela mente
Assisto.
Tudo o que não é flexível
Separa
Agarra:
Corpo e mente.
O que é flexível
Também.
Não sendo nem não sendo
Posso ouvir
Ver
Sem ser visto
Incapturável
Não capturável
Pela escrita
O movimento imóvel
Deambulador de ideias
O pastor da Paradoxia.
Entre Eternos
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
"Como poderia então haver vazio?"
- Nāgārjuna, Stances du Milieu par Excellence [Madhyamaka-kārikās], 13, 7.
Alquimia da Raiz
Mestre Wu Jyh Cherng
Vai-se à Raiz
Pelo repouso
Vai
Bebe
Desce
Sobe
Escava
Dorme
Vai
Estás a Nascer
Outro.
Estás
És.
Idêntico a si Próprio
Nem na Poesia
Tão bem na Vida.
A Vida
O Templo
Do Outro
Em Todos.
Escava
Cava
Vai
Desce à Raiz
Que sobe
Pelo Repouso.
Alma
Vem
Vai
Ao Sem repouso.
À Essência
Ao Nada.
Raiz sem raiz
Invertida
Tábua de Esmeralda:
O que está em cima
É como o que está em baixo
Por um Milagre
De Passagem
Um Entre
Um Intervalo
Pleno de Nada.
Plano.
Transições
Chama eterna.
Dança.
domingo, 8 de agosto de 2010
Entre

Só no que está
Ouvir o que ouve
Com a atenção toda
No que é
Fora de nós
Uma corrente
Uma porta
Um entre
Que nos faça
Desaparecer
Des –
Aparecer
De Ser.
Aí, aí, aí!
Aí não há
Aí tudo é ausente
Como nascente
Corrente
Que não prende
Desaprende
Des –
Aprende
De Ser
De Ter
De Haver.
Aí
Mesmo que cante
O pássaro se expande
Em Silêncio
Que des –
Interroga
O Tempo
O Espaço
O Ente
Ver
Des –
Integra
A continuidade.
Tudo
É
Novo
Nada.
Ovo
Primeiro
Órfico
Or –
Fico.
domingo, 1 de agosto de 2010
O verdadeiro milagre...
O verdadeiro milagre não é o fenómeno, nem a vida é um circo. O milagre é respirar e integrar o ar na fogueira e na flor.
Milagre é sentir ainda em cada fogueira extinta a respiração quente dos avós sentados ou acocorados junto ao lume do calor, da transformação e da protecção. O milagre é reproduzir esse gesto e sentir na nuca o amor antigo dos que já partiram mas continuam a velar para que o fogo permaneça intenso e vivo. Como possibilidade. Acima ou sob todas as fogueiras extintas, existe um lume eterno cujo nome cada um guarda no coração como o único e precioso fósforo. De ouro.