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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Casa Fernando Pessoa- Apresentação da revista "Cultura Entre Culturas" nº3




Transcrevemos aqui, por sugestão de Paulo Borges, as palavras de apresentação do nº 3 da revista "Cultura Entre Culturas", proferidas ontem na Casa Fernando Pessoa por Luiz Pires dos Reys, director de arte da publicação. 
Integraram a mesa Paulo Borges (director), António Baptista Lopes (Âncora Editora), Miguel Real (romancista e ensaista) e Luiz Pires dos Reys (director de arte).

A leitura do texto integral pode ser feita mediante download a partir do link no final deste post.
Acredite-se ou não, entro hoje pela primeira vez nesta Casa. 
Mas, será a, por assim dizer, primeira vez a primeira vez de qualquer coisa? Ou será a decisão de entrar, um dia, nesta ou noutra casa o que é verdadeiramente primeiro?
Chamando a mim adequadas palavras de Casimiro de Brito, a abrir o seu Labyrinthus – entro aqui “devagar e subterrado”.
Devagar, porque este lugar é para ser visitado com vagar. Subterrado, porque é o seu quê esmagador o que aqui se respira. Não que seja sufocante, mas porque, pelo contrário, tem algo da vastidão de um deserto: árido e sufocante apenas para quem não saiba, como eu porventura talvez não saiba como atravessá-lo incólume. 
Entrar é propriamente consentir - sentir com, portanto. Consentir, ou consentir-se, é aceder ao entre (esse âmbito desprovido de verdadeiro espaço mas, ainda assim, não menos real) ao entre que vai da soleira da porta até ao ponto mais recôndito, difuso e quase esquecido que há dentro, passando pelo d’entre que, deste modo, se insinua manifesto entre mim e esse, digamos, antro que vai entrando por mim adentro. 
É portanto, como se vê, pura inter-penetração o movimento de entrar, onde quer que o esbocemos. Aliás, apetecia-me dizer inter-penentração, não fora isso mais perplexivo do que propriamente aclarador. 
O que isso quereria dizer é que eu (ou outro alguém) que entro na casa, nesta casa, sou,  mediante tal acto, posto no âmbito entre que, misteriosamente, medeia o aquém da porta e o além dela.  Isso, que displicentemente supomos saber, não sabemos realmente o que seja. 
É porventura apenas o não ser uma coisa nem outra, nem fora nem dentro, nem porventura sequer o transcurso de um para o outro.
A casa, acolhe-me assim como o que é abertura de receptividade, pública, digamos – abrindo-se-me, no abrir-me o seu espaço interno. Mas, este espaço interior é mais propriamente impasse, para quem entre, e (perdoe-se-me a bizarria da expressão) impasse entre-ior.
O dentro da casa é sempre o fora de mim, e abre-se-me em intimidade na medida apenas em que eu sinta que ela, a casa - qualquer casa ou espaço, âmbito ou contexto que seja - me convida a entrar nele, e me acolhe assim.
O seio da casa, contanto que eu o não sinta intimidante, e o adopte por assim dizer como intrínseco ao meu diálogo com o seu espaço visitável ou habitável, passará a ser parte de mim e, deste modo - ainda que já interior também a mim, em certa medida - mantém-se relativo a um campo sempre re-visitável, que nesse sentido me permanecerá sempre exterior.
O que medeia entre uma coisa e a outra, isto é, entre a intimidação de alguma eventual estranheza e a intimidade por assim dizer con-cêntrica comigo - isso é, propriamente, aquele campo, aquele âmbito, que aqui designamos por Entre.




http://pt.scribd.com/doc/65755937/Apresentacao-da-revista-Cultura-Entre-Culturas-nº3-por-Luiz-Pires-dos-Reys-na-Casa-Fernando-Pessoa-20-de-Setembro-de-2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Índice do nº 3 da revista Cultura Entre Culturas, dedicada a Fernando Pessoa : a apresentação é hoje, dia 4, às 20,00 h, na Univ. Nova


CULTURA ENTRE CULTURAS Nº 3
ÍNDICE
editorial
fernando pessoa
tanto Pessoa Entre tantos Pessoa

ensaios   
antónio cândido franco
sentido do dissídio entre Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa   
paulo borges
a mensagem da Mensagem: “sem saber de ouvir ouvimos” ou de como a intencionalidade reduz a consciência   
bruno béu de carvalho
fernando pessoa e a saudade do presente – uma aproximação
antónio faria
o “tempo” e os 35 sonetos de fernando pessoa (breves apontamentos)
joão marques lopes
fernando pessoa: da Mensagem à “elegia na sombra” 

Dossier Pessoa:  paralelas, tangentes e secantes  
raquel nobre guerra
surrealismo místico em António Maria Lisboa e Fernando Pessoa transcendência, absoluto e subitaneidade  
luiz pires dos reys
isso hoje único: erro próprio na navegação da mensagem da des’Hora - corolários de certos entrecampos de enMagi[n]ação do [i]Real em fernando pessoa e antónio maria lisboa   

fotografia |  poesia    

antónio ramos rosa
desenho 
gisela ramos rosa
dos rostos 
antónio cândido franco 
isabel de Aragão
luiz pacheco
joana serrado
2. luttikhuizen
een demiurg (um demiurgo)
de afzinkbare brug (a ponte escorregadia) 
met de zuiderzoon vertrekken (Partir com o filho posto)  
casimiro de brito (de "Amar a Vida Inteira")
amo-te. basta-me um pássaro
o jogo extremo dos amantes
branco no branco, cantou
ana f. cravo
e, ........................................é como um sol em passos 
dirk hennrich
Linha de Cascais  96
frederico mira george
4 poemas de: «satã» 2º parte - «demon est Deus inverse»
maurícia teles da silva
dez  asanas  em  louvor da Terra  101
abdul cadre
mensagem psicoplágica
a saudade e a memória (Ou como os olhos ficam e as velas partem)

donis de frol guilhade
olor de lys  
esplende além tejo o que silente brota (furores em como espelho oco : ecos, como de Char) 
as sete incan-descentes palavras de um lugar[-in]comum - e mais uma, fora do [sem] lugar 
abóbada lysa ~ crematório dos passos inúteis 
mariis capela
(“Desde a obscuridade de tudo que tudo é inocente”)   
fernando pessoa
quatro poemas tirados a esmo e atirados ao desa’rumo: mais “o vento lá fora”…

caderno pessoa | i n é d i t o s 
fabrizio boscaglia
Khayyām na obra e na biblioteca de Pessoa: entre poesia, filosofia e ecos de sabedoria Sufi  
jerónimo pizarro, patricio ferrari, antonio cardiello
os Orientes de Fernando Pessoa   
cláudia souza
Vicente Guedes e Bernardo Soares: para além do Desasocego
nuno filipe ribeiro
«tive em mim milhares de filosofias» - questões para a edição dos escritos filosóficos inéditos de Pessoa 

sobre Pessoa | outras vozes: d’além   
ciprian valcan

os sonhos de Bernardo Soares 

julia alonso dieguez
fernando pessoa y josé angel valente: una poética de la ausencia 
pablo Javier pérez lópez
metafísica y locura en fernando pessoa 

sobre Pessoa | outras vozes: d’aqui    
josé almeida
emoção e racionalidade em A Educação do Estóico   
joaquim miguel patrício
uma perspectiva pessoana e actualista da língua portuguesa  


outras  | artes  : outras   vozes  outros textos 
inês do carmo borges
os labirintos quinhentistas do Trattato di Architettura de Filarete e a imagem dual do arquitecto-prisioneiro em Fernando Pessoa  
pedro casteleiro
de amor e desamor(e outros indícios)
luiz pires dos reys
mar  y  pousa de mim: janus sustenido menor
colaboradores  notas bio-bibliográficas