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sábado, 25 de fevereiro de 2012

"(...) uma transição de dimensões planetárias"




“A transformação que estamos vivenciando agora poderá muito bem ser mais dramática do que qualquer das precedentes, porque o ritmo de mudança em nosso tempo é mais célere do que no passado, porque as mudanças são mais amplas, envolvendo o globo inteiro, e porque várias transições importantes estão coincidindo. As recorrências rítmicas e os padrões de ascensão e declínio que parecem dominar a evolução cultural humana conspiraram, de algum modo, para atingir ao mesmo tempo seus respectivos pontos de inversão. O declínio do patriarcado, o final da era do combustível fóssil e a mudança de paradigma que ocorre no crepúsculo da cultura sensualista, tudo está contribuindo para o mesmo processo global. A crise atual, portanto, não é apenas uma crise de indivíduos, governos ou instituições sociais; é uma transição de dimensões planetárias. Como indivíduos, como sociedade, como civilização e como ecossistema planetário, estamos chegando a um momento decisivo.

Transformações culturais dessa magnitude e profundidade não podem ser evitadas. Não devem ser detidas mas, pelo contrário, bem recebidas, pois são a única saída para que se evitem a angústia, o colapso e a mumificação. Necessitamos, a fim de nos prepararmos para a grande transição em que estamos prestes a ingressar, de um profundo reexame das principais premissas e valores da nossa cultura, de uma rejeição daqueles modelos conceituais que duraram mais do que sua utilidade justificava, e de um novo reconhecimento de alguns dos valores descartados em períodos anteriores de nossa história cultural. Uma tão profunda e completa mudança na mentalidade da cultura ocidental deve ser naturalmente acompanhada de uma igualmente profunda alteração nas relações sociais e formas de organização social – transformações que vão muito além das medidas superficiais de reajustamento económico e político que estão sendo consideradas pelos líderes políticos de hoje”

- Fritjof Capra, O Ponto de Mutação. A Ciência, a Sociedade e a Cultura Emergente, São Paulo, Cultrix, 2001, pp.30-31.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

No nº 2 da revista Entre: "Em que medida é que é possível formar o seu espírito para que funcione de forma construtiva, substituindo a obsessão pela satisfação, a agitação pela calma, o ódio pela benevolência? " (Matthieu Ricard)

"Há cerca de vinte anos, a afirmação de que, na hora do nascimento, o cérebro já contém todos os seus neurónios, e que este número não é alterado pelas experiências vividas, constituía um dogma genericamente aceite pelos investigadores das neurociências. Actualmente, sabemos, pelo contrário, que até ao momento da morte se verifica a produção de novos neurónios, difundindo-se até o conceito de neuroplasticidade que dá conta do facto de o cérebro evoluir continuamente em função das nossas experiências, podendo ser profundamente transformado na sequência de um treino específico, como a aprendizagem de um instrumento musical ou de um desporto, por exemplo. Ora, a atenção, o altruísmo e outras qualidades humanas fundamentais podem também ser cultivadas, dependendo igualmente de um saber-fazer que é possível adquirir.
Um dos grandes dramas da nossa época consiste em subestimar consideravelmente a capacidade de transformação do nosso espírito. Os nossos traços de carácter perduram enquanto não fizermos nada para os transformar, ou enquanto deixarmos que as nossas disposições e automatismos não só se mantenham mas até que se reforcem, pensamento após pensamento, dia após dia, ano após ano."
Hoje, dia 7, às 18.30h, no Botequim da Graça, Paulo Borges faz,  com Dirk Hennrich e Rui Lopo, mais uma apresentação do nº2 da revista Cultura ENTRE Culturas, em tertúlia subordinada ao tema Encontro Oriente-Ocidente.  A não perder !!