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domingo, 10 de outubro de 2010

Medo do Caos

O Grito (Edvard Munch)
O homem religioso é sedento do ser. O terror diante do «caos» que envolve o seu mundo habitado, corresponde ao seu terror diante do nada. O espaço desconhecido que se estende para lá do seu «mundo», espaço não-cosmisado porque não-consagrado, simples extensão amorfa onde nenhuma orientatio foi ainda projectada, e portanto nenhuma estrutura se esclareceu ainda - este espaço profano representa para o homem religoso o não-ser absoluto. Se, por desventura, o homem se perde no interior dele - sente-se esvaziado da sua substância ôntica, como se se dissolvesse no Caos, e acaba por extinguir-se.

Mircea Eliade, O Sagrado e o Profano, 2006, Livros do Brasil, Lisboa, p.76

domingo, 25 de outubro de 2009

"Vamos para o silêncio do mar ou da montanha, porque o ruído altera todas as relações do homem com verdade" - Leonardo Coimbra



 Herbert Draper, "A Water Baby"

Grande é o homem que conserva sempre em si a luz das primeiras horas; é água à boca da fonte, fogo interior aflorando em jeito de afeiçoar a Terra.
O Universo vai para o Uno da Graça, vindo do Uno do Caos.
É Caos, multiplicidade dispersa, multiplicidade amorosa. E é-o contemporaneamente. Não há uma evolução rectilínea que do caos leve à luz; há, agora e sempre, identidade da origem, pluralidade de seres, identificação final pela penetração amorosa.
As primeiras horas são de Alegria inocente, anterior ao pecado original.
Impropriamente se chama original ao pecado das criaturas. Este é a absolutização de cada criatura, esquecida a origem, tentando uma ilusória unidade pelo aniquilamento do Universo, pela absorção dos outros, pela omnipotência da palavra volvida em todo.
A criança é anterior ao pecado das criaturas.
Ela é a promessa infinita, o homem a exígua realização.

Leonardo Coimbra, “A Alegria, a Dor e a Graça”, Livraria Tavares Martins, Porto, 1956, pág. 26.