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quarta-feira, 11 de julho de 2012

O objectivo do verdadeiro político [...] é tornar a política desnecessária, e cada vez mais necessária a arte"

"O fim, em meu entender, é instaurar uma sociedade em que tudo seja arte, e nada seja política. O objectivo do verdadeiro político (se não estou em erro) é tornar a política desnecessária, e cada vez mais necessária a arte" - António Sérgio

sexta-feira, 23 de abril de 2010

"é depois, quando o amor se abateu..."

"Não é quando se está em transe de amor, o único momento em que verdadeiramente se ama, que se escreve ou se compõe ou se pinta: é depois, quando o amor se abateu, quando reina o artista, […] e há do amor apenas a lembrança, quase uma reminiscência platónica, no sentido de que foi uma experiência que nos excedeu e de que só poderemos recordar fragmentos e talvez o que menos valha"

- Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945], in Textos e Ensaios Filosóficos I, p. 240.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

“Como se pintar fosse um acto religioso, como se a pintura fosse concebida como memória, como se a memória fosse um manifesto poético” - Maria Gil, sobre a arte de José Ralha


Lembrando José Ralha, 
um dos que aqui está, ainda que nos não veja.



Fernando de Pessoa”, de José Ralha (1985)

Ainda a vida       

            A José Ralha,
poeta do, olhando, olhar alma 

In’pressiona, digi’tal, a bravura da grã
cerimónia à flor do elmo e d’armadura
– entre portas segredadas da alma
e aquela antimónia janela do corpo
que é véspera intérmina da batalha.

Alquímica, mercuriando a arte dos filósofos
plasma o artista nas cores, elementos
curiais de Amor, seu Senhor:
ofício maior da vida (morgano fado)
fechado a sete chaves por Maria.

Esperante do régio princípio
no retábulo da Pátria, o príncipe
de todos beija o todo em cada um
que sonha que não sonha: qual
metálica vigia do carro do triunfo.

Ao céu aberto da serrania do mundo,
no monte da lua, Cintra beija
ao fogo do secreto gotejo,
em amor perfeito, a tristeza álacre
e sacral do magno mistério -
Portugal: cerimonial de ciprestes d’algo.

* Poema inscrito no Livro de Honra por Donis de Frol Guilhade, aquando da exposição de José Ralha na Galeria Hexalfa, patente entre 4 de Maio e 5 de Junho de 2000, mostra subordinada ao tema “Da Divina Proporção”.


Até já, Mano!