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domingo, 10 de março de 2013

"[...] a Saudade é irmã da Eternidade”



“Pois tudo, tudo há-de passar, enfim.
O homem, o próprio mundo passará,
Mas a Saudade é irmã da Eternidade”

- Teixeira de Pascoaes, “Marânus”, 1911.


sábado, 9 de março de 2013

"[...] como esquecer que a Saudade segundo Pascoaes é a quinta-essência do erotismo?"

“Desta «Divina Saudade», menos entidade «metafísica» de nebuloso sentido que «Eva toda em flor – como esquecer que a Saudade segundo Pascoaes é a quinta-essência do erotismo? - , será o poema Marânus a epopeia elegíaca ou o romance metafísico e bucólico, hino incomparável à beleza terrestre confrontada com o tempo e a morte e vencendo-os do interior pela aspiração infinita de que é símbolo para o amante que a contempla, a cria e por ela é criado. […] Não há na nossa literatura poema mais perturbador e incandescente, poema do Desejo como forma da existência buscando desde a Origem novas formas para se encarnar em vão e nessa busca criando o que não existe e por fim o verbo escuro em que se redime da sua própria insatisfação. É a esse verbo escuro que Pascoaes chamou com nome nosso imemorial Saudade, pondo nele nova substância, a do mesmo Desejo transfigurado pela consciência da sua imperfeição divinamente criadora. Nunca esse verbo escuro resplandeceu nas trevas com mais luminosa evidência que nas páginas, hoje ainda como ocultas, deste canto único onde o Inferno e o Paraíso de que somos feitos misturam o seu fogo e a sua água eternos”

- Eduardo Lourenço, prefácio a Teixeira de Pascoaes, Marânus, Lisboa, Assírio & Alvim, 1990, p.XII.


domingo, 19 de fevereiro de 2012

"Carnaval significa Sinceridade"

"Carnaval significa Sinceridade. O homem só é verdadeiro quando se julga incógnito. Se tem de representar a sua pessoa, a arte absorve-o e desvia-o do seu próprio ser"
- Teixeira de Pascoaes, "Verbo Escuro".

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A todos os Namorados e Amantes, ao Amor



"Vivo a vida infinita,
Eterna, esplendorosa.
Sou neblina, sou ave,
Estrela, Azul sem fim,
Só porque, um dia, tu,
Mulher misteriosa,
Por acaso, talvez,
Olhaste para mim"

- Teixeira de Pascoaes, "Elegia do Amor"

terça-feira, 15 de novembro de 2011

"Estamos à beira de uma nova Era"



"E, na verdade, este período histórico é bem semelhante ao período da decadência de Roma.
Dum lado, as classes superiores, egoístas, cépticas, esterilizadas como a terra onde existiram os grandes focos de civilização. Pierre Loti nota que as localidades dos antigos centros populosos se transformaram em lugares desertos.
Dum lado, esta gente esgotada, mumificada em formas de ser já mortas, colorindo a lividez cadavérica da alma com frios sorrisos de ironia...
Do outro lado, a alma dos Povos, ébria de seiva, rumorejando novas criações espirituais que apenas afloram, no vago, no indeciso, em que surgem as madrugadas. Estamos à beira de uma nova Era"
- Teixeira de Pascoaes, "O génio português na sua expressão filosófica, poética e religiosa", 1913.

terça-feira, 8 de março de 2011

"Carnaval significa Sinceridade" / "A criação é um bailado de máscaras"



"Carnaval significa Sinceridade. O homem só é verdadeiro, quando se julga incógnito. Se tem de representar a sua pessoa, a arte absorve-o, e desvia-o do seu próprio ser"

"A máscara humana é a vera efígie da morte.
Nascer é pôr a máscara. A criatura não desce ao mundo, sem vestir primeiro o seu hábito"

"A criação é um bailado de máscaras... cósmico entrudo tenebroso!... a vertigem... um delírio de ritmos que se quebram e refazem... estátua de pó, turbilhonante, mostrando, à infinita cegueira, o seu busto de dor, assente sobre o Nada e o Sonho..."

- Teixeira de Pascoaes, Verbo Escuro, Paris/Lisboa, Aillaud e Bertrand, s. d., pp.39 e 43-45.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"Nasci no dia eleito da Saudade" - Homenagem a Teixeira de Pascoaes






"Nasci no dia eleito da Saudade,
Quando o vulto espectral da Eternidade,
Diante de nós, quimérico, se eleva,
Com estrelas a rir na máscara de treva.
E tem gestos absortos
Para os brancos sepulcros pensativos,
Onde a tristeza, em lágrimas, dos vivos
Beija a alegria, toda em flor, dos mortos.

[...]

Nasci ao pôr do sol dum dia de Novembro.
O meu berço o crepúsculo embalou...
E até parece, às vezes, que me lembro,
Porque essa tarde triste, em mim, ficou"

- Teixeira de Pascoaes, "A Minha História", Terra Proibida.

Por opção simbólica, consagrada em todas as biografias, Teixeira de Pascoaes nasceu no dia 2 de Novembro de 1877 (terá nascido, realmente, às 17 h do dia 8). Nasceu assim no dia de Finados, que hoje se comemora, um dos homens mais despertos e inquietantes que veio a este mundo de gente morta, sonâmbula e aborrecida.

Em comovida homenagem ao Irmão espiritual, reproduzo o que escrevi, em nome da Direcção, no Editorial do 4º número da Nova Águia, a ele dedicado:

"Pascoaes [...] é um poeta e um pensador maior europeu e mundial. Isto porque, na obra que se estende de Embriões (1895) até ao póstumo A Minha Cartilha (1954), assistimos a um dos mais apaixonantes confrontos do espírito humano – seja pelo rasgo visionário, pela suspensão meditativa, pela interrogação crucial ou pela inspiração lírica – com os abismos do divino e do demoníaco, da realidade, da vida e da existência, num debate explícito e implícito com as mais polifónicas vozes da tradição e da cultura humana, europeia e universal.

Em Pascoaes a multiforme tradição planetária encontra um recriador que transfigura tudo em que toca, desde os clássicos greco-latinos até à leitura gnóstico-trágica do universo bíblico, temperada pela ironia da ilusão védica a convergir com a descoberta da física quântica. Pontífice neoreligioso do Ocidente e do Oriente profundos, do antiquíssimo e do novíssimo, do tradicional e do moderno, Pascoaes não separou também, no ser lusitano e português, o mais particular e imanente do mais universal e transcendente. Como escreve, na conclusão do mais extenso ensaio consagrado à questão: “Estudemos o homem transcendente, o além homem, que o Português encerra. // Estudemos o Português do Cosmos, oculto no Português do extremo ocidental da Ibéria” (1913). Essa a descoberta da “Índia Ideal”, a suprema realização da aventura náutica da nação, sob o signo da Saudade lírico-metafísica, jamais divorciada da solidariedade com os movimentos de libertação social, pois “a pena é irmã da enxada”. Em Pascoaes reside a origem do mitema das “Índias espirituais”, celebrado com Pessoa, como em Pascoaes avulta um sentido da Ibéria e de Portugal como o outro da Europa de matriz helénica, capaz de lhe apontar um rumo alternativo à razão intelectual crescentemente comercial, industrial e bélica.

Fundo e referência maior contra os quais se constitui Pessoa, traduzido em vida em múltiplas línguas europeias, objecto da constituição de círculos na Suíça para o estudo da sua obra, comparado por Berdiaev a Dante e Milton, Pascoaes foi esse “ser terrível” (José Marinho) que era visto a chispar fogo dos cabelos (Mário Cesariny) e que, afectando a vida de muitos portugueses e europeus, conheceu o silenciamento que cada terra sempre reserva aos seus maiores profetas. Nada expressará jamais, e tão comoventemente, a sua grandeza quanto o relato do soldado alemão que, “agonizando no campo de batalha, deixa a um companheiro o seguinte recado: “Diz ao poeta Teixeira de Pascoaes que morri a pensar nele”” (Mário Cesariny).

Nós "vivemos" a esquecê-lo...