Alfabeto vegetal
(Dedicado a Inês Borges e a Paula Toscano)
As nervuras, as folhas e os veios
Do que à mais luminosa luz se mostra
É o que mais na sombra se desnuda e cala
Rosa entre todas és cega de ti
Em jardins de asas.
Entre rosas e rosas se ergue um muro
E o muro cheira a madressilva e a canela
E no desenho do muro um verso vegetal
Um rio de margem infinita e terna: árvore
Entre a rosa e a Rosa.
Entre mim e mim,
A forma aérea do vento: a árvore, a casa
A claridade de uma pedra acesa…
Uma palavra basta para incendiar o mundo
Nos lábios que tocam a beleza sublime
Do perfil de um mar adocicado e puro.
Uma lira a tocar dentro de um traço
Um gesto de quem desenha o universo
de um só único traço
Traça um rosto devoto, dedicado,
Como quem segue um labirinto em círculos
Que se completam em arcos
como um verso.
(Maria Sarmento)