Mostrar mensagens com a etiqueta Diogo Correia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Diogo Correia. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 21 de setembro de 2012


Estado de calor temperado

De mansinho
A jornada de verão
Escolhe os homens
Que com o calor
Contemplam sábios
A repousada natureza.

O rio corre
Para que no peito de quem vê
Desague a inspiração necessária que o faz correr.
E na ponte que ser ergue ao fundo.
A ligação dá-se e os homens amam-se mutuamente.

Nenhuma emoção
É descartada do presente,
E o beijo natural do mundo
Arrepia a pele de quem sente o rio a passar.
Como se uma marcha militar passasse
E os gritos de fim de guerra durassem toda a eternidade.

Um cipreste estacionado ao calor da bela encosta
Mirando em paz a tarde plena de verão.

Como é clara e tão lúcida
Esta vida para além da morte!!
Ter a natureza como consciência
E permanecer de braços cruzados
Admirando seus notáveis prodígios.

  
Diogo Correia
  9/08/2012



terça-feira, 5 de julho de 2011

Country 2011

Dia de lúcido momento,
Época desta cegueira
Da mais branca neblina.

Todos os poetas se transcendem de humanismo,
Todos os audazes se concebem decadentes,
A vitória abstracta mundialmente falando,
E a derrota constante é um lugar abençoado.

Peso português na roda universal,
Carregando a vida pelas chagas de Cristo,
Arrasta em segredo o engenho capital,
Detective dos mares, reformado imprevisto.

De outrora esqueceu-se actual,
Povo de virtudes abismais,
Se de momento é hipnótico banal,
Verdade vindoura esquecerá Portugal.

Ilustre reacção imprescindível,
O rei morreu e África engrandeceu,
Se o conjunto suor tropeça e o rei não vem,
Aii de nós nostalgia, rainha o império é teu.

Diogo Correia
10/06/2011
Dia de Portugal

segunda-feira, 28 de março de 2011

Apelo aos Lisboetas

De amores se perde
A cidade ao cair da noite.
Flores são necessárias para
Enfeitar quem do amor está perdido.

Tragam tudo o que der e couber
Na cidade em tom romântico,
Escrevam cartas a anunciar
A paixão urbana que vos preenche.

A verdade está na realeza dos vossos gestos.
A noite mantém–se mais limpa
E a cidade agradece.

OBRIGADO!


Diogo Correia

sexta-feira, 19 de março de 2010

Dormir é existir

Hoje apetece-me viajar, ou não serei eu viajante, em todo o mundo começa a nascer a sede de uma viajem qualquer. A cada esquina estendem-se diálogos com que se reflecte a dádiva que é estar vivo e assistir ao sol a nascer e morrer todos os dias escolhendo aparecer e desaparecer através das nuvens.
Por consequência e por acaso ele agora encontra-se condicionado por pequenas nuvens negras, mas não é nada que impeça aos homens de existir, apesar de encontrarem o tormento na sua ausência.
Estando eu presente no café pensando como quem gosta de dormir tapado no inverno, atrai-me a natureza de que sou feito em qualquer estação do ano. Sou um homem julgo, crescendo e sentindo todo o tempo a passar por metamorfoses nas quatro fases do ano. Com sentido aquilo que se apresenta ao meu olhar diverte-me como uma bebedeira sem pés nem cabeça, em que as cores brincam ao sabor do vento e a imaginação transcende com elas o outro mundo que a matéria não consegue alcançar.
A existência é a vida de um ser com alma e quando se tem alma já se é tudo podendo também ser nada em que o seu sentido é a biografia que a morte escreve de quem morreu.

- Quanto é o café? – Pergunto ao empregado – um euro por favor, saio e deixo gorjeta. Ao sair do café tenho a sensação de que meu corpo pede que o tempo acalme e que a chuva se contenha, pois quem anda á chuva molha-se, e um corpo coberto de roupa molhada incomoda-se reclamando.
Nisto ando mais uns metros e a chuva pára, dando lugar a que o meu ouvido ouça uma melodia breve que me acaba de chegar de qualquer incerto sítio, como se aquela melodia fosse um rasto da chuva que passou. Cada vez mais perto dela reconheço-a: “um trompete”, ando uns passos dobro a esquina, e eis que me aparece um trompete suspenso por uma força humana sem ver qualquer tipo de ser humano manipulando-o, mas na verdade ele está a ser manipulado por alguém, tento ver melhor e continuo a não ver ninguém, fica assim a levitar no espaço produzindo a tal melodia que contamina agora a cidade.
- Onde está a nossa cidade? – Pergunto, não há ninguém na nossa cidade, ninguém á esquerda, á direita, em baixo e em cima. A melodia do tal trompete tinha acabado de quebrar todo o quotidiano citadino, fazendo com que todas as pessoas caminhem para lá do real imaginário. Assim desapareceram todas as pessoas, excepto eu, ser, corpo, alma e razão.
Isto é a consciência utópica desaguando sobre mim pensei, aquilo a que a psicanálise chama de sonho. Esta sensação é-me familiar e de alguém que liberta as suas fantasias dormindo, que em determinado momento está-se em lado nenhum, mas em simultâneo encontramo-nos a contornar todas as esquinas do universo.
OOOOHHHH que na minha cabeça o desejo quebra-se, e a náusea matinal ergue-se perante o corpo que acaba de despertar.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Emoções em pé de guerra

A norte que aí vem granada!!
Que sorte ser soldado raso.
Em guerra o instinto é alimento,
E a vida converte-se ao acaso.

A arma que se leva ao peito,
No ataque/defesa de existir,
Pesa mais na consciência,
A pátria que é servir.

Guerreiro sou-o continuamente.
De minha guerra sou responsável,
O homem que matei era provável,
Serem gritos na minha mente.

Não há guerra para lá de nós.
A guerra interior alheia-se exterior,
Se por dentro sofrendo oiço essa voz,
Por fora certeiro, o tiro no usurpador.

Diogo Correia