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sábado, 11 de fevereiro de 2012

"Eu vi-me a mim mesmo na pulga": Arne Naess, a ética da empatia e o si-mesmo ecológico



“O meu exemplo padrão envolve um ser não-humano que encontrei há quarenta anos. Estava a contemplar através de um velho microscópio o dramático encontro de duas gotas de diferentes químicos. Nesse momento, uma pulga saltou de um lemingue que estava a deambular pela mesa e aterrou no meio dos ácidos químicos. Salvá-la era impossível. Levou muitos minutos para que a pulga morresse. Os seus movimentos eram horrivelmente expressivos. Naturalmente, o que senti foi uma dolorosa sensação de compaixão e empatia, mas a empatia não era elementar; era antes um processo de identificação: «eu vi-me a mim mesmo na pulga»”
- Arne Naess, “Self-Realization: An Ecological Approach to Being in the World”, in AAVV, Deep Ecology for the 21st Century, editado por George Sessions, Boston, Shambhala, 1986.

“Pois Naess sugere que podemos escolher cultivar um mais amplo si-mesmo pela nossa própria identificação com a natureza e as coisas naturais, mediante a expansão do nosso círculo de tal identificação de maneiras que nos nutram e enriqueçam. Deste modo, o si-mesmo ecológico não é apenas uma espécie de coisa maleável, sendo também construído pelas identificações que escolhe fazer. Tal como na noção de iluminação de Gandhi, derivada do pensamento hindu, na qual o ser iluminado “se vê a si mesmo em toda a parte”, a ecologia profunda instiga-nos a encontrar realização mediante a identificação com a natureza. Em vez de avançar com uma ética que nos mande fazer o nosso dever, ou controlar os nossos desejos e apetites, Naess esperava que a sua forma de auto-realização nos iria encorajar a procurar o nosso próprio bem, como a sua directiva primária. Uma tal ética salvará o mundo, espera ele, mas não por via de fazer da regra “salva o mundo” a nossa primeira norma de conduta”
- Andrew BRENNAN / Y. S. LO, Understanding Environmental Philosophy, Durham, Acumen Publishing, 2010, pp.103-104.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

"Vários teóricos interrogaram-se sobre que tipo de ética e filosofia "pós-humanista" poderia emergir se tomarmos o rosto do animal, o olhar do animal e a nossa comunicação com os animais como o ponto de partida da teorização. Um tal lance poderia "ameaçar profundamente a soberania do sujeito de consciência ocidental" (Rohman 2009: 12) e conduzir a novas concepções acerca de como deveria ser uma teoria ética para a idade "pós-humanista" (Wolfe 2003)"
- Andrew Brennan / Y. S. Lo, "Understanding Environmental Philosophy", Durham, Acumen Publishing, 2010, pp.53-54.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O problema do antropocentrismo

"Uma grande quantidade de trabalho teorizou a patologia das crises ambientais contemporâneas, sugerindo que algumas das nossas subjacentes crenças e atitudes culturais, religiosas e políticas são responsáveis por nos comportarmos mal para com o ambiente. Por outras palavras, as nossas visões religiosas do mundo, as nossas ideias políticas e sociais básicas, não são ambientalmente inocentes. O centramento humano - antropocentrismo - é o suspeito número um. A perspectiva antropocêntrica é que, de uma maneira geral, os seres humanos são as únicas coisas intrinsecamente valiosas na terra e que tudo o mais existe para servir as nossas carências e necessidades"
- Andrew Brennan / Y. S. Lo, "Understanding Environmental Philosophy", Durham, Acumen Publishing, 2010, pp.7-8.